…desenhando passagens da guerra! – as noticias

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…Veterans Day!

Companheiros, o “Dia de Veteranos de Guerra”,  foi esta semana, portanto vamos lembrar um episódio que se passou quando o Tony era jovem, e estava aquartelado em zona de guerra, cujo nome de guerra era “Cifra”.

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Quarta feira, é dia de correio, vem a avioneta, que por vezes nem aterra, passa rasteiro e larga os sacos, no que os militares chamam o campo de aviação, que é a tal área plana que existe ao norte da tal aldeia com casas cobertas de colmo. O piloto da avioneta, costuma ser o “Pardal”, foi assim que o baptizaram, pois costuma fazer umas habilidades antes de largar os sacos do correio, como por exemplo, dá uma volta rasteira ao aquartelamento, de lado, a rasar a enorme árvore, a que chamam a  “Mangueira do Setúbal”, que existe dentro do aquartelamento, fazendo os macacos e periquitos fazerem um barulho fora do normal. O “Pardal”, sabia isso!.

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Uma secção de combate, vai buscar os sacos, que os trás para o aquartelamento, onde já todo o pessoal espera a distribuição, alguns com uma dúzia de madrinhas de guerra, recebem um monte de cartas, com fotografias e tudo, outros, nem uma carta, mas não ficam tristes, vão direitos à cantina e abafam a amargura numas garrafas de cerveja ou numas canecas do café, cheias de vinho.

O Cifra, recebeu quatro cartas e três aerogramas, chamaram o seu nome sete vezes. Alguns colegas assobiaram, e como o Cifra se ria, alguns fizeram-lhe um gesto erótico com o dedo da mão direita, mas adiante, pois de outras vezes, e em situação oposta, o Cifra fazia o mesmo, uma dessas cartas, era dos seus pais, onde a mãe Joana, começava por dizer que tinha pedido à menina Teresa, que era uma vizinha,  costureira e solteira, de quase sessenta anos, e como sabia ler e escrever,  entre outras coisas era a conselheira da família, e o Cifra até se lembra de uma vez, a menina Tereza, aparecer muito aflita em casa de seus pais pela manhã, e dizer com a voz embargada pela angústia:

– Joana, hoje é um dia de luto, arranja alguma roupa de cor preta e veste, pois morreu o Marechal Óscar Carmona, e está a mãe Pátria de luto, estamos todos de luto, anda vai mudar de roupa, mulher de Deus!.

Ao que a mãe Joana, muito admirada, e nesse momento limpando as mãos a um avental, já muito sujo e roto, pois tinha acabado de regressar do curral dos porcos, onde tinha deitado na pia, um balde com alguns restos de comida, que tinham sobrado do dia anterior, lhe responde:

– Hó meu Deus, deve ser alguém conhecido dos primos de Lisboa, pois eu não me recorda de ninguém na família com esse nome!.

E o Cifra, que nessa altura se chamava Tó d’Agar, ficou radiante, pois a menina Tereza, mais à frente dizia que nesse dia não havia escola, pois o País estava de luto, para chorar a morte do presidente!.

Mas adiante, vamos continuar com a história, ela contava na carta, que tem andado um pouco sem cabeça, para notar a carta, mas hoje estava melhor, e dizia, que o irmão mais velho, quer casar com uma rapariga para os lados do rio Vouga, e não pára em casa, anda sempre fugido. O irmão do meio, que sempre foi um aventureiro, e quando o Cifra era criança, lembra-se que esse irmão andava sempre vestido com alguns farrapos, que colocava no corpo, e parecia tal e qual o “Robin dos Bosques”, e com uma habilidade espantosa no manejo de um arco, feito por ele, e acertava com uma flecha, feita de pau, nas galinhas, no cão, nas ovelhas, nas cabras e nos porcos!.

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O Cifra, recorda-se do irmão, tal e qual ele via nos desenhos dos livros de quadradinhos que o Carlos, filho do Santos dos correios, que tinha vindo dos lados de Leiria, e sempre lhe trazia, com um lápis de cor vermelha ou azul, que o pai geralmente usava nos correios, e não só, pois também fazia a revisão e censura do jornal da vila, que o senhor Macieira, compunha letra por letra na travessa da venda da Tia Zinia, tudo isto a troco de uma simples conta de multiplicar, em que o Cifra, naquela altura, To d’Agar, lhe resolvia, em dois minutos na louza de pedra, com um riscador também de pedra. Mas não tirando o fio à meada, esse irmão, está com a mania de ir para Lisboa, ter com os primos.

Dizia também, que o pai, estava muito resmungão, mas era a sua companhia. A quinta, estava muito mal tratada, já tem algumas silvas nas terras altas. Explica ainda, que na semana que passou, foram à vila buscar o dinheiro. (Dinheiro este, que recebem do governo, e que diziam, que metade era pago por o governo, que o mandou para aquela província, e outra metade era pago por uma multinacional de nome parecido com “Marconi”, o Cifra, nunca soube, mas o dinheiro que os pais do Cifra iam receber, é parte do salário militar do Cifra, por se encontrar em cumprimento de serviço numa província do ultramar).

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 …por se encontrar em serviço militar, numa província do ultramar!   

Dizia também, que no local onde foi receber o dinheiro, lhe deram café com leite e pão com manteiga, e que um senhor que parecia militar, lhe explicou, que o seu filho, já não era seu filho, mas sim filho da Pátria, ou coisa parecida, e que estava pronto a morrer, para salvar essa Pátria, que era a sua verdadeira mãe, ao que ela começou logo a chorar, e sempre chorava quando lhe vinha isto à lembrança, pois tinha sido ela que o trouxe na barriga por nove meses e dois dias, e foi a sua mãe, avó do Cifra, que naquela altura se chamava Tó d’Agar, que a ajudou a trazê-lo ao mundo, e que lhe deu de mamar, e que o criou, e agora vem o maldito do militar dizer que não é seu filho, que o “diabo o arrenegue para o meio do inferno”, e que pedia a todos os Santos, mais à Nossa Senhora de Fátima, para que ao receber esta carta, ainda estivesse vivo, aliás, a partir desse momento, todas as cartas que recebia da mãe, começavam sempre com a frase, “Oxalá que ainda estejas vivo”!.

E continuava dizendo na carta, que esse dinheiro, é o que lhe tem dado algum jeito, a ela e ao seu pai. Cada um tem um par de tamancos novos, e o pai tem umas botas de borracha, a que chamam “galochas”, agora anda sempre com os pés secos. Comprou cobertores novos, o seu pai e ela andam mais bem calçados. Os vizinhos, perguntam por ele, e mandam recomendações. Na vila, tinha visto algumas pessoas do grupo folclórico, que lhe perguntaram se ele estava vivo, pois tinham visto na televisão umas notícias da Guiné, onde morreram muitos militares, e que a guerra aí era feia, mandavam saudações, e que esperavam por ele.

Pronto, ia acabar, que recebesse a sua benção, e finalizava com a frase, “que Deus te  proteja”. As outras cartas, eram dos primos de Lisboa, e das madrinhas de guerra, pois neste momento, escreve-se com uma brasileira, duas espanholas e duas portuguesas, uma das quais, viria a ser a sua companheira para o resto da vida.

Tony Borie, 2013.

…agora a versão em língua inglesa, para os mais novos!

The News

Wednesday is the day to post. Comes the plane, which sometimes lands or passes keeper and large bags, in what the military calls the airfield, which is such a flat area that is north of that village houses with thatched roofs. rider usually the “Sparrow” was so christened because usually do some skills before dropping the bags of mail, such as strolling the undergrowth quartering aside, close the huge tree, which they call the “Mangueira the Setubal “that exists within the barracks, making the monkeys and parakeets make a noise out of the ordinary. The “Sparrow”, knew it. A section of combat will get the bags, which brings to the barracks, where it all staff waiting for distribution. Some, with a dozen bridesmaids war, receive a lot of letters, with photos and everything. Other, not a letter, but do not get sad, go right to the cafeteria and drown the bitterness  beer bottles or mugs of coffee, full of wine. Cipher The received four letters and three letter cards, called his name seven times. Some fellow whistled, and laughed as the Cipher, some have made it a erotic gesture with his finger on his right hand. But later, because of other times, and in the opposite situation, the Cipher did the same. One of these letters was from their parents.

The mother Joan began by saying that he had asked the girl Teresa, who was a neighbor, a seamstress and single, of nearly sixty years to learn to read and write, among other things was the adviser of the family, and the Cipher to remember a time the girl Teresa appears very distressed at his parents’ home in the morning, saying in a voice choked with anguish:

– Joan, today is a day of mourning, get some clothes and wears black because he died Marshal Óscar Carmona and mother Fatherland is in mourning, we are all in mourning, walks will change clothes, woman of God.

When her mother Joan, much admired at that time wiping her hands on her apron, already very dirty and shabby, I had just returned from swinery, where he lay in the sink, a bucket with some leftovers, which were left from the previous day, he answers: – Oh my God, it must be someone known cousins Lisbon, because I do not remember anyone in the family with that name! And Cipher, which at that time was called Tó d’Agar, was radiant as the girl Teresa, later said that there was no school that day, for the country to mourn, to mourn the death of the president. But further, let’s continue with the story. The mother Joan told in the letter that has been a little head off to notice the letter, but today was better, and said that the elder brother wants to marry a girl to the side of the river Vouga, and does not stop at home ‘s always fled. The middle brother, who was always an adventurer, when the cipher was a child, remember that this brother was always dressed in some rags, which placed in the body, looking just like the “Robin Hood,” and with a skill amazing in handling a bow, made by him, acertava with an arrow made of wood, the chickens, the dog, the sheep, the goats and pigs. Cipher The recalled his brother, just like he saw the drawings of comic books that Carlos, son of postal Santos, who had come from the sides of Leiria, who always brought him with a pencil red or blue, the father usually wore in the mail, and not only because it also was to review and censorship of the newspaper of the village, that Mr. Apple Tree, composed letter by letter on the platter of the sale of Tia Zinia, all this in exchange for a simple account of multiplying in the Cipher at that time To d’Agar , solved it in two minutes on the slate stone with a scriber also stone. But not taking the thread, this brother is with the craze of going to Lisbon, take with cousins. said also that his father was very grumpy, but it was his company. The fifth was badly treated, already has some brambles in the highlands. Explains that in the past week were the village to collect the money. (This money they receive from the government, they said, was half paid by the government, which sent him to that province, and the other half was paid by a multinational name like “Marconi”, the Cipher, never knew, but the money Cipher’s parents would receive military pay is part of the Cipher, because he is fulfilling a province of overseas service.) He also said that in the place where it was to receive the money, gave him coffee with milk and bread with butter, and that a man who looked military, explained that his son was not his son, but the son of the Fatherland, or something, and he was ready to die to save this country, that was his real mother, she soon began to cry, and always cried when he came to this memory because she had been brought in the womb for nine months and two days, and it was her mother, grandmother Cipher, which at that time was called Tó d’Agar , who helped bring him to the world that he gave to nurse, who created it, and now comes the goddamn military say it is not his son, the “devil arrenegue to the middle of hell,” and that requested all the saints, more to Our Lady of Fatima, so that when you receive this letter, still alive, in fact, from that moment, all the letters he received from the mother, always beginning with the phrase, “I wish you’re still alive. “ He continued saying in the letter that the money has given him somehow, her and her father. Each has a pair of new clogs, and her father has some rubber boots, which they call “wellies,” now always walk with dry feet. Bought new blankets, her father and her walk better shoes. Neighbors ask for it and send recommendations. In the village had seen some of the folk group, who asked if he was alive, they had seen on television some news of Guinea, where many soldiers died, the war there was ugly, sent greetings and waiting for him. Ready, would end, he received his blessing, and ended with the phrase, “God protect you.” Other letters were cousins of Lisbon and godmothers of war, because this time, it is written with a Brazilian, two Spanish and two Portuguese, one of which was to be his companion for life.

Tony Borie, 2013.

 

 

One thought on “…desenhando passagens da guerra! – as noticias

  1. Amigos Antonio e Isaura
    Que o espírito de aventura e de descoberta vos continue a acompanhar por muitos anos e cá ficamos à espera de mais notas de viagem e de fotografias.
    A viagem ao Alasca (e as outras) precisa de ser deixada num livro.
    Parabéns e… planear a próxima aventura.

    Fernando e Fernanda Santos
    Lanoka Harbor, NJ

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