…era mesmo ele!

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Já passava da meia-noite, como a nossa mente é jovem, pois agora pouco dormimos, sentamo-nos em frente ao computador, abrimos a página das mensagens e, um tal Vítor Carvalho, procura companheiros criptos do ano de 1964\66, e mais, quem tivesse passado pelo aquartelamento da Trafaria, em Portugal.

Era demais, será que… será ele… aquele companheiro inteligente, magro, muito bom em tudo o que fazia, mas sobretudo na disciplina de ginástica, parecia que tinha sido treinado para fazer parte dos atletas que naquele tempo iam aos “Jogos Olimpicos”, tal era a desenvoltura com que nos deliciava naquelas acrobacias, pois o instrutor dizia, dez exercícios deste modo, todos acabavam cansados, o Vítor continuava naquelas corridas desgastantes para a Costa da Caparica, por vezes levava a minha espingarda e, mesmo assim, chegava na frente. Era mesmo ele, e responde-me em seguida, dizendo:

“…quanto eu adorava apanhar mais alguns como te apanhei a ti, deu-me uma alegria enorme, tenho esperanças de apanhar ainda mais algum”.

“…lembras-te quando íamos fazer os crosses até à Costa da Caparica, e o nosso amigo alferes Coutinho nos levava para a praia e para um café no centro da vila, onde bebíamos o nosso cafezinho e o grande Coutinho pagava a despesa?”.

“…também tinha o melhor pelotão, éramos famosos, éramos o 2.º pelotão. Tivemos coisas giras, tais como duas que me recordo bem, uma foi na parada, estávamos a marchar mas numa agradável cavaqueira e o oficial de dia, o Capitão Oliveirinha mandou parar o pelotão, cujo “comandante” era o instruendo Brandoa, que dava umas vozes em idioma “marroquino”, muito à maneira dele, e o dito capitão fez-nos marchar em ala, não sei se te recordas, era marchar em frente com as duas filas, e fizemos isso impecavelmente e o Oliveirinha disse-nos que realmente estava rendido ao 2.º pelotão”.

“…outra vez foi alguém que foi dizer que o 2.º pelotão ia para a mata contar anedotas e o comandante ordenou ao Coutinho que ficássemos no quartel a fazer ginástica com arma, pois nem isso nos tirou a nossa disciplina, e mesmo com o comandante na janela estivemos impecáveis”.

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Pois, do companheiro “Brandoa”, cujo apelido era Lourenço, era da Brandoa, agora até nos lembramos muito bem, falava “marroquino”, “apache”, “cheyenne”, “Cherokee”, “Sioux”, “Navajo” e, talvez um pouquinho de “Balanta”, oxalá esteja vivo, leia esta mensagem e também apareça por aí.

O nosso companheiro Vítor, defendendo a bandeira do seu País, sem culpa absolutamente nenhuma, que uma tal personagem, que dava pelo nome de Luís Mendes de Vasconcelos, por volta do ano de 1617, após aquelas incursões portuguesas na África Austral, invadisse a aldeia de N’Dongo, em Luanda, território de Angola, e tivesse carregado 60 cativos a bordo do navio negreiro “São João Baptista”, enviando-os para o porto de Vera Cruz, no México. Ninguém ao certo sabe se o negócio era rendoso, houve alguns séculos de história, talvez maior que a “espada de D. Afonso Henriques”, mas o companheiro Vítor, tal como nós, num daqueles anos de guerra no Ultramar, não no navio negreiro “São João Baptista”, não indo para o porto de Vera Cruz, mas sim no navio português “Vera Cruz”, indo talvez para a aldeia de N’Dongo, em Luanda, território de Angola.

Este trocadilho faz alguma confusão, mas bate quase certo, qualquer dia vamos contar a continuação da viajem do navio negreiro “São João Baptista”, mas agora falemos do companheiro Vítor, que ia fardado, equipado, mentalizado e treinado para combate, tal como nós, para defender o seu País, a sua bandeira, a tal mãe Pátria, que muitos jovens, hoje, não sabem o que isso é, passou lá dois anos, sobreviveu e regressou, seguiu a sua vida, completou os seus estudos, que a guerra interrompeu, criou a sua família e, está aí a dar notícias, passado mais de cinquenta anos.

Isto não é absolutamente maravilhoso!

É mais um dos nossos, anda por aí, procura mais companheiros do curso da Trafaria, dos Criptos do ano de 1964.

Tony Borie, Abril de 2015

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 It was really him, Vitor Carvalho

Will was after midnight, as our mind is young, for now little sleep, we sat at the computer, open the page of messages, such Vitor Carvalho, looking fellow Crypto of 1964 \ 66, and more, who had gone through the quartering of Trafaria. It was too much, does … he will … that smart, skinny fellow, very good at everything he did, but especially in the discipline of gymnastics, looked like it had been trained to be part of the athletes who at that time went to “Olympic Games”, such was the ease with which delighted in those stunts, because the instructor said ten years thereafter, each ended up tired, Vitor continued in those exhausting races for the Coast caparica sometimes led to my gun, and yet, in front reached. Was it really him, and answer me then, saying,

“… as I loved catching a few more as I caught thee, gave me great joy, I am hopeful still take some more” .

“… remember when we were doing the crosses to the Costa da Caparica, and our friend Lieutenant Coutinho took us to the beach and a cafe in the town center, where we drank our coffee and the great Coutinho paid the expense? “ .

“. ..também had the best squad, were famous, were the 2nd platoon. We had nice things, such as two that I remember well, was on parade, were to march but a pleasant prattle and the duty officer, Captain Oliveirinha he commanded the platoon, whose “commander” was the Brandoa trainee, who gave a voices in language “Moroccan”, much to his way, and said captain made us march wing, do not know if you remember, was to march forward with the two rows, and did it impeccably and the Oliveirinha told us that really was surrendered to the 2nd platoon “ .

“… again was someone who was saying that the 2nd platoon went to the forest telling jokes and the commander ordered us to stay in the barracks Coutinho doing gymnastics with gun because not it took us to our discipline, and even with the commander in the window were clean “ .

For fellow “Brandoa”, whose nickname was Lourenço, was the Brandoa now to remember very well, spoke “Moroccan”, “apache” “Cheyenne”, “Cherokee”, “Sioux”, “Navajo” and perhaps a little “Balanta”, may be alive, read this message and also to appear there.

Our companion Victor, defending the flag of your country without absolutely no blame, how about a character who went by the name of Luis Mendes de Vasconcelos, around the year 1617, after those Portuguese incursions in southern Africa, invaded the village of N’Dongo in Luanda territory of Angola and had charged 60 captives aboard the slave ship “St. John the Baptist” by sending them to the port of Vera Cruz, Mexico. No one knows for sure if the business was profitable, there were a few centuries of history, perhaps greater than the “sword of King Afonso Henriques,” but a companion Victor, like us, in those years of war overseas, not in the slave ship “Saint John the Baptist” , not going to the port of Vera Cruz, but the Portuguese ship “Vera Cruz” , maybe going to the village of N’Dongo in Luanda territory of Angola.

This pun is some confusion, but it beats almost certain, any day we will tell the continuing journey of the slave ship “St. John the Baptist” , but now let’s talk about companion Victor, who was in uniform, equipped, and trained to combat mentalized as we to defend their country, their flag, to the Homeland mother, that many young people today do not know what it is, went there two years, survived and returned, followed his life, he completed his studies, the war interrupted, created his family, and is there to give news, spent more than fifty years.

This is absolutely wonderful!

It’s one of us, walking around, looking for more members of the Trafaria travel, Criptos the year 1964.

Tony Borie, April 2015.

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