…from New Jersey to Florida!

De New Jersey à Florida! (from New Jersey to Florida)!

…saindo de Nova Jersey, seguindo a rota junto ao oceano Atlântico com direcção ao sul, encontrámos diversos estados que em tempos, para vergonha de alguns capítulos da história mundial, usaram o trabalho forçado de pessoas, vindas principalmente do outro lado desse mesmo Atlântico, da costa de África, pessoas essas, que hoje nos Estados Unidos chamam de afro-americanos!.

…o Tony, talvez pela sua experiência durante o conflito da Guiné, teve muitos amigos afro-americanos, teve um com quem trabalhou por dezenas de anos, e talvez lembrando o Iafane, o tal barqueiro do rio Mansoa, também lhe chamava de “brother”, conviveu com ele e com a sua família, viu os seus costumes e a sua maneira de proceder, que não faziam muita diferença dos costumes de qualquer português, do fim do século passado, oriundo de Trás-os-Montes ou da Beira Litoral!.

…na sua casa a ementa era à base de carne de porco, alguma salgada, comiam couves, batatas e outros vegetais, comiam milho, que podia ser cosido ou frito, depois de um pouco triturado e mal amassado. Os sentimentos de família eram iguais, ou ainda mais puros que os nossos, era oriundo do estado da Geórgia, tinha algum orgulho em dizer que os seus avós eram “escravos”, sabia o que era o bem ou o mal, apesar de ser uma pessoa com o corpo de um atleta, tinha uma humildade rara, mesmo rara, que chegava ao ponto de o Tony lhe dizer por muitas vezes que tinha que ser mais rude e agressivo, para que as pessoas lhe tivessem mais respeito!.

…como vinham frequentemente à Florida, o Tony, junto com sua família, demoraram três dias para fazer a distância, que é mais ou menos mil e quinhentos quilómetros, vieram de automóvel pela costa Atlântica, passando pelas pequenas vilas e aldeias, de Nova Jersey até à Florida. Como viviam do lado sul do rio Hudson, ou seja do outro lado de Manhattan, em Nova Iorque, tomaram o rumo do sul, atravessando o resto do estado de New Jersey, tomando o barco que cruza a Baía de Delaware, com algum nevoeiro pela manhã e algumas gaivotas, que quando lhe acenam com comida voam até à mão das pessoas. Atravessaram o estado de Delaware, onde se pode ver barracas à beira da estrada, tal como se viam no Ribatejo, no verão a venderem melões, que vendiam toda a qualidade de marisco fresco, pescado na noite anterior!. No fim desse estado, atravessaram a ponte, que tem mais de vinte quilómetros de extensão, incluindo um túnel, na Baía de Chesapeake, túnel este que está localizado mais ou menos a meio da ponte, que é para dar passagem aos gigantes Porta-Aviões, onde podiam caber muitos milhares das nossas “LDM”, que andavam pelos rios e canais da Guiné, que saem e entram na base naval de Norfolk, no estado de Virgínia!.

…passaram pelo estado de Carolina do Norte, onde tirando a cidade de Greenville, com algum impacto industrial, especialmente na área farmacêutica, todas as outras povoações, pelo menos junto ao mar, ou são piscatórias ou se dedicam à agricultura, em especial o tabaco. Chegados à cidade de Wilmington, bastante animada, pelo menos à hora que por lá passaram, com “música de Jazz” pelas ruas, onde na parte histórica, com um passeio junto ao rio com mais de um quilómetro de extensão, tem todo o tipo de atracções, aí pararam e dormiram!.

…pela manhã entraram na Carolina do Sul, onde já começaram a ver algumas plantações de algodão, que lhes fizeram lembrar a tal fase menos boa da história mundial, passaram na famosa praia de Myrtle Beach, com mais de vinte quilómetros de praia e atracções, dizem que nos meses de verão esta praia não dorme, seguem rumo ao sul, passam na cidade Charleston, que é uma cidade portuária onde se juntam os rios Ashley e Cooper, e vão juntos para o Atlântico, tem um mercado livre onde se vende de tudo, qualquer pessoa que se queira desfazer de algo, simplesmente vai lá, expõe em alguma banca disponível, e faz o seu negócio. Há esplanadas e cafés como na Europa!.

…na Geórgia, já em mangas de camisa, pois o clima já era quente e agradável, pararam na cidade de Savannah, é histórica, era o principal porto de transacção de escravos para as plantações de algodão e não só, ainda hoje se pode ver onde existiu o mercado de escravos, tem casas senhoriais, autênticas mansões com extensões de terreno e entradas com portões altos e em arco demonstrando grandeza, em comparação pode ver-se nos arrabaldes junto ao rio, em terras alagadiças, as barracas que eram as habitações desses escravos, avós do amigo do Tony, a quem este chamava “brother”. Esta cidade vive muito do historial do passado, quem vai visitar a parte mais antiga fica um pouco impressionado, ao Tony cheirava-lhe a África, cheirava- lhe às tabancas de Mansoa, parece que tudo tem história, as pessoas sentem-se atraídas por essa mesma história. Próximo do porto de mar algumas ruas estreitas estão lá, a mostrar como os senhores no passado compravam, usavam e depois vendiam ou matavam qualquer bisavô do “Iafane”, barqueiro de Mansoa, que não seguisse as leis de escravatura que na época existiam, em que os bisavós, dos agora afro-americanos, eram tratados simplesmente como peças de ferramenta, nas plantações de algodão, ou numa roça de cana de açúcar, onde a vida de um ser humano tinha o mesmo, ou menos valor que a de certos animais!.

…sempre rumo ao sul, no mesmo estado há povoações distantes alguns quilómetros umas das outras, a povoação surge com o aparecimento de uma ponte, sinal de que por ali passa um rio, a seguir, uma pequena casa retirada da estrada, com um pequeno cemitério ao lado dessa mesma casa, dois ou três carros em ruínas, uma pequena plantação de tabaco, uma pessoa ou duas, sentadas na frente da casa mascando tabaco, um cão e algumas galinhas à solta, às vezes um cavalo, seguem-se mais seis ou sete casas idênticas, vem uma loja utilitária, com uma bomba de gasolina, a seguir é a casa dos bombeiros, os correios, no mesmo edifício da polícia, depois uma igreja, retirada e com um largo na frente, e seguem-se mais seis ou sete casas idênticas à primeira, e termina a povoação!.

…pararam, numa dessas povoações, para encher o depósito da gasolina, não estava ninguém a atender, tinha um letreiro, dizendo que chamasse, bem alto, por determinado nome, assim o fizémos e surge uma mulher, afro-americana, com três filhos, todos pela mão uns dos outros, e diz:

– Não posso encher o depósito, mas vendo alguma gasolina. Também tenho aguardente de milho, beterraba, cana de assucar e outras plantas, que o meu marido faz na floresta!. 

…o Tony comprou, e a mulher entregou-lhe a aguardente, “moonshine”, dentro de uma garrafa de água mineral, com rótulo e tudo, dizendo que era a melhor água mineral da Geórgia!.

…finalmente, chegámos à Florida!.

Leaving from New Jersey, following the route along with the Atlantic Ocean towards the south, we found several states that once, shame on some chapters of world history, used the forced labor of people, mainly coming from the other side of that Atlantic the coast of Africa, these people, who today in the United States call african-Americans. 

The Tony, perhaps by his experience during the conflict in Guinea, had many african-American friends, with whom he had a worked for decades, and perhaps remembering the Iafane, the ferryman of the river such Mansoa also called him “brother”, lived with him and his family saw their customs and their way of proceeding, which were not much difference of customs of any Portuguese, the end of the last century, originating from Tras-os-Montes and Beira Litoral.

The menu at your house was made of pork, some salt, eat cabbages, potatoes and other vegetables, ate corn that could be sewn or fried after a bit crushed and badly dented. The family feelings were the same, or even more pure than ours, was a native of Georgia, had some pride in saying that his grandparents were “slaves” knew what was good or bad, although a person with the body of an athlete, had a even rare, rare humility that reached the point of Tony tell him many times that I had to be rude and aggressive, so people had more respect for him. 

How often came to Florida, the Tony, along with his family, took three days to make the distance, which is more or less a thousand miles, and came by car on the Atlantic coast, passing through small towns and villages of New Jersey to Florida. He lived on the south side of the Hudson River, that is the other side of Manhattan, in New York, took the direction of the south and crossed the rest of the New Jersey state, taking the boat crossing the Delaware Bay, with some fog in the morning and some seagulls that beckon you with food when flying to persons hand. Crossed the Delaware, where one can see the roadside stalls, as was seen in Ribatejo, summer melons to sell, selling every kind of fresh seafood, caught the night before, at the end of this state crossed the bridge who has more than twenty miles long, including a tunnel, on the Chesapeake Bay, this tunnel which is located roughly in the middle of the bridge, which is to give way to giant aircraft carrier, which would contain many thousands of our “LDM”, who walked through the rivers and canals of Guinea, leaving and entering the naval base in Norfolk, in Virginia. 

Passed by the state of North Carolina, where taking the city of Greenville, with some industrial impact, especially in the pharmaceutical area, all other villages, at least by the sea, or fishing or are engaged in farming, especially tobacco. Reached the city of Wilmington, quite lively, at least at the time you spent there, with “Jazz music” on the streets, where the historical part, with a walk along the river with more than one kilometer long, has all kinds attractions, then stopped and went to sleep. In the morning came in South Carolina, where he has begun to see some cotton plantations, which made him remember just less good stage of world history, passing the famous beach of Myrtle Beach, with over twenty miles of beach and attractions, say in the summer months this beach does not sleep, follows southwards, passing the city Charleston, which is a port city where they join the Ashley and Cooper rivers, and go together to the Atlantic, has a free market where everything is sold, any person who want to undo something, just go there, exposed in some banking available, and does his business. There are terraces and cafes like in Europe. 

In Georgia, as in shirtsleeves, because the weather was already warm and pleasant, stopped in the city of Savannah is historic, it was the main port of trading of slaves to cotton plantations and beyond, even today one can see where there was the slave market, has manors, mansions authentic extensions of land and inputs with high arched gates and demonstrating greatness in comparison can be seen in the suburbs along the river, in marshy lands, tents that were the homes of those slave, friend of Tony’s grandparents, whom it called “Brother” .This city lives much of the history of the past, who will visit the oldest part gets a little impressed when Tony smelled him to Africa, cheirava- him to tabancas Mansoa, it seems that everything has a history, people are attracted by this same story. Near the sea port some narrow streets are there, to show as you last bought, used and then sold or killed any proprietor’s “Iafane” Mansoa boatman, who did not follow the laws of slavery that existed at the time in the great-grandparents of the now african-Americans were treated simply as pieces of tool in the cotton fields, or in fields of sugar cane, where the life of a human being had the same or less than the value of certain animals .

When heading south, in the same state for distant villages a few kilometers of each other, the village comes with the appearance of a bridge, a signal that passes by a river, then a small retreat house road, with a small cemetery side of this same house, two or three cars in ruins, a small tobacco plantation, a person or two, sitting in front of the house chewing tobacco, a dog and some chickens on the loose, sometimes a horse, here are six or seven identical houses, comes a utilitarian store with a gas pump, then it is the home of the fire, the post office in the same building of the police after a church retreat with a broad front, and following more six or seven identical to the first house, the village and ends. 

Tony stopped in one of those villages to fill the petrol tank, there was no one to meet, had a sign saying to call, loudly, for a given name, and so did a woman, african-american comes with three children, all by the hand of the other, and says: 

– I can not fill the tank, but seeing some gasoline. Brandy also have corn, beet, cane and other plants assucar, my husband makes the forest!. 

Tony bought, and the woman gave him brandy, “moonshine” in a mineral water bottle with the label and all, saying it was the best mineral water from Georgia !. 

Finally, came to Florida !. 

Tony Borie, November 2017.

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