…the Woman in the War!

…a Mulher na Guerra! (the Woman in the War)!

…a foto com que o Cifra inicia este texto, veio-lhe parar às mãos, na região do Oio, na então província da Guiné, nos anos de 1964/66. Não sabe se são mesmo guerrilheiras, ou se é somente uma foto para impressionar, mas ambas mostram uma cara com alguma angústia, também não sabe se foi o Cifra que a tirou, nas suas andanças de fim de mês, na entrega de material classificado de cifra, pela região onde estavam as forças militares que pertenciam ao seu agrupamento, que estava estacionado em Mansoa. O Cifra acredita que foi ele que a tirou, mas não sabe em que situação ou em que lugar, ou se estava mais algum militar com ele nesse momento com máquina fotográfica, sabe que foi na região do Oio, e talvez em Mansoa, Mansabá, Bissorã, Olossato, Cutia, Nhacra, Encheia, ou qualquer outro lugar, na região do Oio ou próximo. As armas que elas seguram são parecidas com as que as milícias usavam, e que acompanhavam os militares, servindo de guias tradutores. Se os antigos combatentes, que nessa altura lá se encontravam e souberem a sua proveniência, por favor contem a história, o Cifra e os demais agradecem, oxalá que ainda estejam vivas, e esta fotografia, é uma homenagem de respeito e apreciação, pelo seu sofrimento e pela sua coragem, não só delas, como todas as mulheres africanas que de uma maneira ou de outra estiveram envolvidas no conflito, e é assim que deve ser vista!.

…agora vamos ao texto:

..o Cifra, entende que nos relatos em que lembramos as nossas memórias, os homens, antigos combatentes, sempre falam de si, contam isto e aquilo, às vezes até criam um certo protagonismo. E então as mulheres, não estiveram por trás dos homens, não sofreram, não sentiram a ausência, não ficaram viúvas, não ficaram sem noivos, namorados, filhos, irmãos, netos, não choraram a ausência do marido, não ficaram sozinhas, às vezes com filhos bebés? E não foram só as mulheres dos militares europeus, foram também as mulheres africanas, das famílias dos guerrilheiros, isto é uma verdade, que alguns de nós, mas infelizmente poucos, ainda lembramos. Somos sobreviventes de uma guerra horrorosa, que não desejo, em nenhuma circunstância, se volte a repetir, mas vou mencionar algumas passagens de relatos de textos anteriores, onde o Cifra fala da mulher, portanto cá vai:

“Na aldeia havia somente uma mulher, magra, já de uma certa idade, nua da cinta para cima, com algumas argolas em volta do pescoço, servindo de enfeite, talvez. Estava sentada, ao lado de um balaio de arroz com casca, com as mãos ao lado da cara, falando aflita, numa linguagem incompreensível, e de vez em quando, tirava as mãos da cara, fazia gestos para a frente, ao mesmo tempo que balançava o corpo para a frente e para trás. Na sua frente, estavam duas crianças, também magras e nuas. Estas três pessoas, eram no momento, os habitantes da aldeia. 

Os soldados africanos, chamados pelo alferes, para traduzirem as palavras da mulher, diziam:

– Ela se lastima, por os militares lhe terem morto os seus dois filhos, e diz para se irem embora, que aqui não há mais ninguém. Também diz que tem quatro filhas, que desapareceram um certo dia pela madrugada, e que as visitam de vez em quando, pois neste momento eram guerrilheiras, transportadoras de material de guerra”. 

…e agora, outro relato tirado de outro texto:

“Em Portugal, o Cifra, visitou a família deste militar, por diversas vezes. Era de uma aldeia da serra da Estrela, tinha uma irmã e um irmão, ambos casados. A mãe andava sempre vestida de preto e dizia: 

– Ainda não fui, mas não tarda muito tempo. Sou viúva duas vezes, do meu Joaquim, que Deus lhe guarde a alma em descanso, e do meu António, que era a cara do pai, quando nasceu, e que foi dar o corpo às balas, e que morreu na guerra, lá na África. E mostrava sempre o farrapo do camuflado ensanguentado, que o Cifra lhe mandou, e a fotografia do António, que beijava e encostava ao coração”. 

…estes relatos exprimem dor, angústia e sofrimento, da mulher, tanto africana com europeia, e o Cifra acredita, que não existe nenhum ser humano, por mais estudos e experiência que tenha, que esteja qualificado para analisar o que ia na mente destes seres humanos, que perderam os seus entes queridos!.

…só para terminar, o Cifra fez o arranjo desta foto que é uma simples homenagem À MULHER, que de algum modo, esteve envolvida no conflito, tanto africana como europeia, que colocou frente-a-frente, os militares de Portugal contra os guerrilheiros que lutavam pela independência do seu território!.

The Woman and the conflit!

The photo with the Cipher begins this text, it came into the hands, on the Oio region of the then province of Guinea, in the years 1964/66. 

Do not know if they are even guerrilla or is it just a photo to impress but both show a guy with some trouble, did not know it was that took the Cipher, in their wanderings month-end, the delivery of classified material cipher, which were the region’s military forces belonging to his group, parked in Mansoa. The Cipher believes that he took, but do not know where that place or situation, or if he was any more military with him this time with a camera, was known to have been in the Oio region, and perhaps in Mansoa, Mansaba, Bissorã, Olossato, Agouti, Nhacra, Encheia, or anywhere else in the region or near Oio. The weapons that they hold are similar to that used militias, and who accompanied the military, serving as translators guides. If the former fighters, who at that time were there and know its provenance, please tell the story, the cipher and the other thanks, hopefully they are still alive, and this photo, is a tribute of respect and appreciation for his suffering and their courage, not only them, like all African women who in one way or another were involved in the conflict, and so it should be seen. 

Now for the text: 

The Cipher, believes that the reports we remember our memories, men, former soldiers, always speak of themselves, have this and that, sometimes even create a certain role. And then women were not behind the men, did not suffer, did not feel the absence, not widowed, were not without boyfriends, boyfriends, sons, brothers, grandsons, not mourned her husband’s absence, were not alone, sometimes with babies born? And it was not only women of European military, were also African women, the families of the guerrillas, it is a fact that some of us, but unfortunately few, we still remember. We are survivors of a horrific war, I do not want under any circumstances, happen again, but I will mention a few passages from reports of earlier texts, where the Cipher woman talking, so here goes:

 “In the village there was only one woman, lean because of a certain age, naked from the waist up, with some rings around the neck, serving as a garnish, perhaps. Was sitting beside a hamper of paddy, hands next to face, talking afflicted, an incomprehensible language, and occasionally, took his hands to the face, beckoned forward, while rocked forward and backward. In front of him were two children, too thin and bare. . These three people were at the time, the villagers African soldiers, called by the lieutenant, to translate the words of the woman, said: 

– It is with regret by the military have killed her two sons, and says to go away, that there’s nobody else here. Also says he has four daughters, who disappeared one day at dawn, and that visit from time to time, because this time they were guerrillas, carriers of war material”!.

 And now, another story taken from another text: 

“In Portugal the Cipher, visited the family of this soldier several times. It was a village of Serra da Estrela, had a sister and brother, both married. The mother was always dressed in black and said: 

 – I have not been, but not long long time. I am a widow twice, my Joaquim, God rest his soul at rest, and my Anthony, who was the face of his father when he was born, and that was to give the body the bullets, and who died in the war, there in Africa. And always showed the bloodied rag of camouflage, the Cipher commanded him, and the photograph of Anthony, who kissed and touched to the heart”!. 

These reports express pain, grief and suffering of women, both African, European, and Cipher believes that no human being, however studies and experience I have, you are qualified to analyze what was in the minds of those humans who lost their loved ones. Just to finish, the Cipher did the arrangement of this photo is a simple tribute to the woman, who somehow was involved in the conflict, both African and European, who placed face-to-face military of Portugal against the guerrillas fighting for independence of their territory. 

Tony Borie, November 2017.

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