…we speak English!

…nós falamos Inglês! (we speak English)!

…cada País tem o seu idioma oficial, todavia em alguns praticam-se diversos, mas por vezes, pelo menos por aqui, no bairro do Ironbound, na cidade de Newark, no estado de New Jersey, tirando a normal conversação entre pessoas que se querem compreender, pelo menos nós emigrantes, ao ouvir esta frase, (we speak English), vinda da boca de algumas personagens em certas ocasiões, mostra um pouco de, “arrogância”, “xenofobismo”, “querer ser mais”, “mostrar que a pessoa com quem se fala, não tem suficiente educação escolar”, ou única e simplesmente, “querer mostrar-se”!. (each Country has its official language, but in some practice are many, but sometimes, at least here, in the Ironbound neighborhood of Newark, in the state of New Jersey, taking a normal conversation between people who want to understand, at least we emigrants to hear this phrase, (we speak English), mouth coming of some characters at times, shows a bit of “arrogance,” “xenophobia”, “want to be”, “show that the person spoken, do not have enough education,” or purely and simply, “I want to show.)!” 

…nas novas gerações, em qualquer País, é normal falar inglês e, claro, sem o perceberem, estão a esquecer o idioma da sua Pátria, todavia, não é o caso dos emigrantes que viveram ou ainda vivem no bairro do Ironbound, na histórica cidade de Newark, do lado de lá do rio Hudson, no estado de Nova Jersey!. Muito antiga, fundada no ano de 1666, a cidade de Newark é a cidade com mais habitantes no estado de Nova Jersey e, dada a sua localização, é uma das principais cidades da região metropolitana de Nova Iorque, além de centro comercial, industrial e financeiro, que é a Baía do Rio Passaic que abriga um dos maiores portos de mar, inaugurado no ano de 1831, onde chegava o carvão das minas do estado de Pensylvania para sustentar as unidades fabris da região. Também aqui está localizado o segundo principal aeroporto que é o conhecido mundialmente, o Aeroporto Internacional de Newark, que movimenta quase 30 milhões de passageiros anualmente!. (The new generations, in any country, it is normal to speak English and, of course, without realizing it, is to forget the language of your country, however, is not the case of migrants who have lived or still live in the Ironbound Neighborhood in the historic city Newark, on the other side of the Hudson river in the state of New Jersey. Very old, founded in the year 1666, the city of Newark is the city with more inhabitants in the state of New Jersey and, given its location, it is one of the main cities in the metropolitan region of New York, as well as commercial, industrial and financial, which is the Bay Passaic River that houses one of the largest sea ports, opened in the year 1831, which reached the coal from Pennsylvania state mines to sustain the plants of the region. Also here it is located the second major international airport that is known worldwide, Newark International Airport, which handles nearly 30 million passengers annually)!. 

…mas hoje companheiros, não estamos aqui para falar das potencialidades da cidade, mas sim de nós, portugueses, emigrantes do século passado, onde quase todas as conversações entre nós era, trabalho, trabalho e quase só trabalho, onde a palavra “yes”, (sim), ou “overtime”, que neste caso, quer dizer mais ou menos “horas extrordinárias”, era sempre uma das primeiras que se aprendia!. (But today companions, we are not here to talk about the city’s potential, but rather we Portuguese immigrants of the last century, where nearly all conversations between us was, work, work and almost only work where the word “yes” (yes) or “overtime”, which in this case means more or less “extrordinárias hours,” it was always one of the first that was learned)!. 

…existe por aqui o tal bairro operário chamado Ironbound, mais conhecido pelo bairro Português, no qual existe grande concentração de portugueses, onde a principal rua é a Ferry Street, cujo segundo nome é “Portugal Avenue”, ou seja Avenida de Portugal, e nós, caminhámos por lá muitas centenas de vezes, pois o bairro de Ironboundo, foi nossa residência por alguns anos, os nossos olhos viram e, sentimos algum orgulho em dizer-vos que, à medida que os emigrantes Portugueses foram chegando à cidade, atraídos pela concentração de indústria que existia na altura, principalmente no tal bairro do Ironbound, que quer dizer mais ou menos “rodeado de ferro”, com intensa actividade comercial e industrial, cercado de linhas férreas, era um lugar muito atractivo, para quem tinha desejos de trabalhar, onde estes homens e mulheres, de descendência portuguesa, com a sua força física e dedicação, por vezes destruindo a sua própria saúde, compensavam a falta de educação escolar!. (There is here the so called working class neighborhood Ironbound, better known by Portuguese Quarter, where there is large concentration of Portuguese, where the main street is the Ferry Street, whose second name is “Portugal Avenue”, that is Avenida de Portugal, and we have walked there many hundreds of times, for the neighborhood of Ironbound  has been our residence for a few years, our eyes have seen it, and we are proud to tell you that, as the Portuguese emigrants were coming to town, attracted by the industry concentration that existed at the time, especially in this neighborhood Ironbound, which means roughly “surrounded by iron,” with intense commercial and industrial activity, surrounded by lines railway, was a very attractive place for those who had desires to work where these men and women, of Portuguese descent, with their physical strength and dedication, sometimes destroying their own health, made up for the lack of education)!. 

…as raízes portuguesas na área são profundas, com os primeiros emigrantes, talvez chegados na década de 1910, mas o grande afluxo de portugueses veio na década de sessenta e setenta do século passado, porque hoje, a emigração de Portugal é praticamente inexistente, mas o idioma português mantém-se estável e, se voltássemos àquelas décadas do século passado, podíamos ver e ouvir, em qualquer rua do bairro do Ironbound, este cenário: (The Portuguese roots in the area run deep, with the first emigrants, perhaps arrived in the 1910s, but the influx of Portuguese came in the sixties and seventies of last century, because today, the emigration of Portugal is practically nonexistent, but the Portuguese language is stable, and if we return to those decades of the last century, we could see and hear in any street Ironbound neighborhood, this scenario): 

“…a Gracinda, casada com o Manuel Murtosa, que é encarregado de uma “gang” de construção de valas para esgoto, homem robusto e respeitado, até tem “pickup truck” da companhia, onde todos os dias, por volta das quatro ou cinco horas da manhã, pois o trabalho é longe, lá para os lados de Riverville, transporta os outros cinco companheiros do seu grupo. Hoje é domingo, eles, os homens, estão para a “Ferry Street”, foram ouvir o relato e beber uns copos, ela, a Gracinda, neste momento de domingo à tarde, está sentada nas escadas de entrada do edifício onde residem, num compartimento de cave, que repartem com a Ermelinda e o João de Verdemilho, anda sempre vestida de preto, gosta desta cor, às vezes, quando vai à missa, até põe qualquer coisa de outra cor, especialmente uma blusa branca, que uma vizinha lhe trouxe da “fábrica da costura”, onde trabalha, está sol, começou por pentear-se, desfez, tornando a fazer as tranças, deu-lhe duas voltas, fazendo um “carrapito”, os dedos das suas mãos, já estão um pouco tortos, é dos calos, tem que falar com a Nazaré, que trabalha na “fábrica das peles”, para lhe trazer umas luvas, pois ela, trabalha na “fábrica dos colchões”, ganha mais que as outras, compete com os homens, trabalha à peça, monta o esqueleto dos colchões, encaixa as molas, “tudo a pulso”, ali, em frente ao “boss”, que é o seu chefe, mas é “cheap”, pois não lhe dá, lá muito “overtime”!. (the Gracinda, married to Manuel Murtosa, which is in charge of a “gang” of building trenches for sewer, robust and respected man, even has “pickup truck” company, where every day, around four or five in the morning, because the work is far there sideways of Riverville, carries the other five companions of your group. Today is Sunday, they, the men, are for the “Ferry Street” were listening to the story and drinking cups, it, Gracinda, this Sunday afternoon for the moment, is sitting in the building entrance stairs where they reside in a basement compartment, which impart to the Ermelinda and João de Verdemilho, she’s always dressed in black, like this color, sometimes when you go to Mass, to put something another color, especially a white blouse, a neighbor you brought the “sewing factory”, where he works, is sun, began by combing, apart, making do braids, gave him two laps, making a “bun”, the fingers of his hands, already somewhat bent is the calluses, have to talk to Nazareth, who works in the “factory of the skins,” to bring you some gloves, because it works in the “factory of mattresses,” earns more than the other, it is with men, works the piece, assembles the skeleton of mattresses, fits the springs, “all the pul so “there, in front of the” boss “who is your boss, but it is” cheap “because it does not give you, there a lot” overtime)”!. 

…ali sentada, entretem-se a falar com a Ermelinda, está um pouco enjoada, pois comeu uns chocolates que a Alzira lhe trouxe, aquela das “Ilhas”, que trabalha na “fábrica dos chocolates”, parece que lhe “caíram” mal, vai remendando umas meias do seu Manuel, até nem precisava, pois tem mais três pares, que lhe trouxe a Manuela, aquela rapariga alta, que tem cara de homem, pois dizem que corta o bigode, que trabalha na “fábrica das meias”, mas está a guardá-las para levar para Portugal, quando lá for, por altura das vindimas, pois a sua casa, que ela diz a todos que é uma pequena “mansão”, lá em Portugal, precisa de ser aberta e arejada e, talvez necessite de pintura, pois à beira do mar, o vento e a chuva, às vezes traz sal”!. (Sitting there, entertain to talk to Ermelinda, is a little sick because he ate some chocolates that Alzira brought him, that of the “islands”, which works in the “factory of chocolates”, it seems that it “fell” evil, He will mending a half of his Manuel, not even needed, as it has three pairs, which brought him to Manuela, the tall girl who has man’s face, for they say that cuts the mustache, who works at the “factory of socks,” but is save them to take Portugal, where there is, by the time of harvest, for her house, she tells everyone that is a small “mansion”, there in Portugal, needs to be open and airy, and may need paint, as the edge of the sea, the wind and rain, sometimes brings salt.”)!. 

…e continuando, diz: Foda-se, caralho…, que já me espetei na agulha, Santíssima Nossa Senhora de Fátima me perdoe que hoje é “Sunday”, e estou a dizer asneiras, já me esquecia, lembra-me por favor, o meu Manuel tem que chamar o Eurico, aquele da Agência, que fala muito bem inglês, para ir com ele terça-feira ao aeroporto, para “grab” o José Maricas, que foi a Portugal, creio que lhe morreu um irmão, pois ele não sabe o caminho e, já agora, tu sabes se a Filomena, aquela solteirona, que anda “in love” com aquele “bonitinho”, que anda a estudar, que trabalha em “part-time” na farmácia, ainda trabalha na fábrica da “meat”, em Jersey City, queria ver se ela ”bring” umas chouriças italianas, o meu Manuel “like a lot”!. Foda-se, caralho!…, que já me espetei outra vez, (desta ves faz uma cara de sofrimento, chupando no dedo), olha, precisamos de uma panela maior para cozinhar as batatas, couves e a carne de porco salgada, tu sabes, caldo e conduto ao mesmo tempo, para todos nós, vamos falar com a Isaura, aquela que trabalha na “fábrica das cafeteiras”, para ver se nos arranja uma, das grandes, o meu Manuel já tem quase cinquenta garrafões vazios, daquele vinho da Califórnia “Paisano”, que parece português, para “send” para Portugal, quando houver lugar no Contendor da agência do Eurico, que sai do porto de Newark, pelo menos quatro vezes ao ano, tu sabes que o Orlando da mercearia, na Ferry Street, já não põe as coisas em “vegas” (cartuchos) de papel, que eram tão jeitosas, eu até andava a guardá-las para levar para Portugal, agora usa “vegas” de plástico, aquela merda rompe-se toda!. (And on, says: Fuck, fuck…, already jabbed me the needle, Blessed Our Lady of Fatima forgive me that today is Sunday, and I’m swearing, I already forgot, remember me please, my Manuel has to call the Eurico, that the Agency, who speaks very good English, to go with him Tuesday at the airport, to grab  Joseph Nance, who went to Portugal, I believe you a brother died because he did not know the way and, by the way, you know if the Filomena, that old maid, walking in love with that “cute”, walking to school, working on part- time at the pharmacy, still working in the factory of meat, in Jersey City, wanted to see if she bring some Italian sausages, my Manuel like a lot!. Fuck, fuck…, already I jabbed me again, this time makes a face of suffering, sucking on the finger, look, we need a larger pot to cook the potatoes, cabbage and salt pork, you know, and broth conduct at the same time for all of us, let’s talk to Isaura, one that works in the factory of coffee makers, to see it is arranged in one of the great, my Manuel already has nearly fifty empty bottles, that California wine “Paisano”, which seems to Portuguese for send to Portugal, where there is place in the Eurico the agency’s contender, coming out of Newark port, at least four times a year, you know that Orlando grocery store in Ferry Street, no longer puts things into “vegas” (cartridges) of paper, which were so jeitosas, I even walked to save them to take Portugal now uses “vegas” plastic, that shit breaks up the whole)!.

…voltando aos dias de hoje, esta linguagem era corrente e comum, as ditas “asneiras” eram normais, o bairro do Ironbound é um bairro onde o idioma inglês é pouco ouvido, sendo superado pelo idioma português, com palavras em inglês pelo meio, ou mesmo espanhol, tornando-se num bairro famoso, chegando a ser considerado uma das maiores concentrações de portugueses, fora de Portugal, aqui existia tudo o necessário para se poder viver, falava-se, e ainda se fala em alguns lugares, português com sotaque do Minho ao Algarve, com algumas palavras de inglês pelo meio, nos restaurantes, bares, casas de mercearia, alfaiatarias, sapatarias, peixarias, galinheiros, padarias, lojas de fruta, farmácias, lojas de ferramentas, consultórios de doutores, dentistas ou advogados, hospital local e agências de viajem. Construiu-se uma igreja, ao domingo havia e continua a haver, missa em português, oficinas mecânicas e venda de carros e, muito mais, em algumas ruas, em alguns estabelecimentos, onde só viviam portugueses havia letreiros, dizendo: “WE SPEACK ENGLISH”! …pois às vezes, também por lá passava uma pessoa de origem americana!. (Turning to today, this language was common and common, said “blunders” were normal, the Ironbound neighborhood is a neighborhood where English is little heard, being overcome by the Portuguese, with English words in the middle, or even Spanish, becoming a famous district, coming to be considered one of the greatest Portuguese concentrations outside Portugal, here there was everything needed to be able to live, it was said, and is still spoken in some places, Portuguese with an accent Minho to the Algarve, with some English words in the middle, in restaurants, bars, grocery homes, tailors, shoe shops, fishmongers, chicken, bakeries, fruit shops, pharmacies, hardware stores, doctors’ offices, dentists or lawyers, local hospital and travel agencies. Built a church, Sunday was and continues to be, Mass in Portuguese, garages and car sales and more, in some streets, in some establishments where only lived Portuguese had signs saying, “WE speack ENGLISH”!. Because sometimes there also passed a person of American origin)!. 

Tony Borie, November 2017.

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