…four in the morning!

…quatro da madrugada! (four in the morning)!

…não durmo, estou levantado não sei há já quanto tempo, aqui, nesta parte do mundo, são “quatro da madrugada”, pelo menos é o que dizem os relógios que marcam o tempo, devia estar a dormir, a descansar o corpo já um pouco cansado, entre outras coisas da idade, mas não durmo, já fui lá fora, está quente, há luzes no céu, parecem as noites de Mansoa, lá na Guiné, só que aqui, não é cenário de guerra, não existe humidade nem aqueles malditos mosquitos. Ouço um pequeno barulho, anda um esquilo no telhado, vejo a sua silhueta, a mexer com a cauda, procura o fruto daquela árvore, ele até tem razão, já aqui vivia, antes de eu vir para aqui roubar-lhes o espaço, além deste pequeno pormenor, não se houve viva alma. Voltei para dentro, fiz um chá, bom, bastante forte, que um familiar me costuma trazer da Inglaterra, apalpei a caneca, quente, bebo uns goles, fico calmo, sento-me, penso, mil coisas me vêm ao pensamento, começo a contar o tempo, portanto já não sou eu, sou um relógio, que neste momento marca “quatro da madrugada”. É normal nesta idade, creio que já dormi o suficiente, pois foram tantas “quatro da madrugada” que por mim passaram, algumas quentes, outras geladas, outras assim-assim, foram na Europa, na guerra em África ou aqui neste continente, mas as “quatro da madrugada” no verão do Alaska, eram um pouco diferentes, pois era quase sempre dia, e às “quatro da madrugada”, já tinha feito muita coisa, entre outras, tinha ido à pesca!. (I do not sleep, I raised do not know there is already much time, here, in this part of the world, are “four in the morning,” at least thatwhat they say the clocks marking the time should be sleeping, resting the body already a little tired, among other things age, but do not sleep, I’ve been out there, it’s hot, there are lights in the sky, seem the nights of Mansoa, there in Guinea, except that here it is not war scenario, there is no moisture or those damn mosquitoes. I hear a little noise, walk a squirrel on the roof, I see your silhouette, tinkering with the tail, looking for the fruit of that tree, he even is right, already lived here before I came here, steal their space, apart from this small detail, there was not a soul. I went back inside, did a tea, good, very strong, a family I usually bring from England, fumbled mug, hot, drink a few sips, I am calm, I sit down, I think,thousand things come to mind, start tell the time, so no longer I am a clock, which at this time brand “four in the morning”. It is normal at this age, I think I have ever slept enough because there were so many “four in the morning” that for me now, some hot, some cold, some so-so, were in Europe, war in Africa or here on this continent, but the “four in the morning” in Alaska the summer, were a little different, since it was almost always day, and the “four in the morning”, had already done a lot, among others, had gone fishing)!. 

…as “quatro da madrugada”, quando se é jovem, são tal como fossem “quatro da tarde”, estamos sempre prontos, não existem problemas de movimentação, de alimentação, cuidados médicos, pode fazer frio, chuva, calor ou vento, o movimento ambiental não nos importa, pois sabemos que às “quatro da madrugada” vai nascer o dia, com luz, vamos ver o mundo, as pessoas, conviver, caminhar, ocupar o tempo, às vezes até fazendo uma coisa para alguns rara, que é trabalhar. Isto é só pensamentos, pois não tenho a certeza se os mais novos vão perder tempo a ler estes escritos, ou se vão envelhecer, se tal acontecer ainda bem para eles!. Continuando, apalpando a caneca deste chá bem quente, dou uns passos, sento-me na frente do computador, pensando que nunca trocaria a minha vida maravilhosa de pessoa idosa, a minha amada família ou os meus amigos, por mais cabelo, ainda que seja branco, ou por uma barriga mais lisa. À medida que fui envelhecendo, tornei-me mais amável, menos crítico, se estou sentado e preciso desta caneca, a minha preferida, que até está quebrada na asa, mas me tem dado de beber por décadas, vou eu mesmo buscá-la, não incomodo a esposa Isaura, que nesse momento anda de pé, atarefada, da mesa para o fogão, fogão esse que ainda vai cozinhando pelo menos uma vez ao dia!. (The “four in the morning”, when you are young, are as they were “four o’clock”, we are always ready, no handling problems, food, medical care, can be cold, rain, heat or wind, the movement environment does not matterus, because we know that the “four in the morning” will be born the day, with light, we see the world, people, live, walk, take the time, sometimes even doing something for some rare, it is to work. This is just thoughts, because I’m not sure if the younger will spend time reading these writings, or will age, even if it does well for them. Continuing, feeling mug this hot tea, do my steps, I sit in front of computer, thinking itnever trade my amazing life of elder, my beloved family or my friends, no hair, although it is white, or a flatter tummy. As I grew older, I became kinder, less critical, if I sit and I need this mug, my favorite, that even is broken on the wing, but it has given me to drink for decades, I myself get it, I do not mind the wife Isaura, who now walks up, busy, from the table to the stove,stove that it will still cooking at least once a day)!. 

…às vezes penso que me tornei o meu próprio amigo, não gosto de incomodar ninguém, e claro, não me censuro por comer todas aquelas comidas que dizem que nos fazem muito mal, mas que são adoráveis, ou por entre outras coisas, não fazer a cama, não ajudar nas tarefas da casa, andar por aí a brincar com o meu helicóptero brinquedo, que quando está vento mais forte, vai parar à propriedade do vizinho, que vieram lá do norte, de Nova Iorque e, quando a amável senhora me traz o brinquedo de volta, diz-me, com um ar entre a censura e o feliz, “então os netinhos estão por cá, tenha cuidado com eles, não os deixe brincar com estes brinquedos, pois são muito perigosos, podem partir as janelas ou mesmo ferir as pessoas, pois eu vi na televisão…”, e lá vem a história toda, contada com pormenores, pois o que ela quer é conversa, passar o tempo, tal como nós, não sabendo que eu fui o causador de todo esse “desastre”, pois os meus netos estão lá no norte!. (Sometimes I think I’ve become my own friend, do not like to bother anyone, of course, do not blame me for eating all those foods that say they do us much harm, but which are lovely, or among other things, do the bed, not help around the house, running around playing with my toy helicopter that when stronger wind will stop the neighbor’s property, who came out of the north, New York, and when the kind lady me brings the toy back, tell me, with an air of censorship and happy, “so the grandchildren are around here, be careful with them, do not let them play with these toys, because they are very dangerous, can break the windows or even hurt people because I saw on television … “ , and there is the whole story, told in detail, because what she wants istalk, spend time, like us, not knowing that I was the cause all this “disaster” because my grandkids are up north)!. 

…eu tenho o direito de ser desarrumado, de ser livre, pois já vi muitos amigos queridos e familiares deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem me vai censurar por fazer aquela viajem estúpida ao estado do Alaska, com muita aventura, dormindo na caravana, ou atravessar a ponte Golden Gate, na cidade de San Francisco, a pé, com todo aquele vento e nevoeiro por momentos e logo a seguir céu azul e sol radiante, por andar por aí na minha bicicleta, armado em campeão de ciclo-cross, atravessando praias e riachos com alligators ou cobras, caindo aqui, levantando-me ali, por comprar algo supérfluo que não precisava, ou mesmo se resolvo ficar a ler, ou a procurar novos horizontes no computador até tarde, se às “quatro da madrugada” já não durmo, e depois, talvez vá dormir até meio-dia!. Se, como alguém já disse, me apetecer dançar ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 e 70, e se, ao mesmo tempo, quiser chorar por um amor perdido, lá na minha aldeia da montanha, danço e choro, às vezes com baba e ranho!. Se me apetecer ir à pesca, andar na praia com uns calções não muito apropriados, sobre um corpo decadente, mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros, que me há-de importar, eles também vão envelhecer!. (I have the right to be messy, to be free, because I have seen too many dear friends and family leave this world too soon, before they understood the great freedom that comes with aging. Whom I’ll blame for making that stupid journey to the state of Alaska, with lots of adventure, sleeping in the caravan, or crossing the Golden Gate Bridge in San Francisco, on foot, with all that wind and fog formoment and then following blue sky and bright sun, walk around on my bike, armed in cyclo-cross champion, crossing beaches and creeks with alligators or snakes, falling here, standing up there, to buy something superfluous that did not, or even if I decide to stay to read, or to seek new horizons in the computer until later if the “four in the morning” no longer sleep, and then perhaps go to sleep until noon!. If, as someone once said, I please dance to those wonderful hits from the 60s and 70s, and at the same time, want to weep for a lost love, there on my mountain village, dance and cry, sometimes with baba and snot. If I want to go fishing, walking on the beach with a not very appropriate shorts on a decaying body, dive into the waves with abandon despite the looks penalized the other, who is to care, they too will grow old)!. 

…eu sou um abençoado por ter vivido o suficiente para já não ter muitos cabelos na cabeça, não ter o riso da juventude, pois muitos nunca riram, muitos dos meus amigos, e lembro os meus companheiros de guerra, lá na Guiné, que morreram jovens, muito antes de perder o cabelo. Eu, com os anos a passarem por mim, tenho o direito de estar errado, gosto de ser idoso, a idade libertou-me e gosto da pessoa em que me tornei, embora sabendo que não vou viver para sempre, o meu futuro pode ser daqui a um minuto, talvez segundos!. Mas voltando às “quatro da madrugada”, fazem-se milhares de coisas diferentes, em milhares de lugares diferentes, mas o mais normal é dormir, mas também há pessoas que a esta hora viajam, outras trabalham, outras fazem amor, outras tomam a primeira refeição do dia, outras vão única e simplesmente à pesca, como é o caso do outro meu vizinho, que mesmo agora por aqui passou, fazendo sinal com a luz do carro, talvez convidando-me, enfim, milhares de coisas diferentes que as pessoas fazem, mas para mim, o importante é que são “quatro da madrugada”, estou acordado e não durmo!. (I am blessed to have lived long enough to no longer have many hairs on the head, not having the youth laughing because many have never laughed, many of my friends, and I remember my war companions there in Guinea, who died young long before losing hair. I, with the years pass me by, I have the right to be wrong, I like to be old, age freed me and I like the person I became, while knowing that I will not live forever, my future may be in a minute, maybe seconds!. But back to the “four in the morning”, make up thousands of different things, in thousands of different places, but the most usual is to sleep, but there are also people who at this time traveling, others work, others do love, others take the first meal of the day, others will simply and solely to fishing, as is the case with other my neighbor, who even now here now, motioning to the car light, perhaps inviting me, in short, thousands of different things people do, but for me, the important thing is that they are “four in the morning”, I’m awake and not sleep)!. 

…saio do computador, caminho até à televisão, lá vem o sinal, em letras grandes, com música de fundo, uma música irritante, anunciando algum desastre, é o “Five o’clock news”, pois já são cinco da manhã, vem logo um chorrilho de novidades, que já não são novidades nenhumas, pois infelizmente são as notícias normais, deste mundo normal, “que cada vez, está mais cada vez”, e o noticiário é só desgraças, sendo raro dizerem que nasceu uma criança, mostrarem um jardim com flores ou aquela pessoa, com bons recursos financeiros, deu um beijo e acariciou, dando comida e roupa, àquela criança com o tal “ranho no nariz”!. Não me importo nada de ter vivido no tempo em que as pessoas atendiam o telefone, pois agora, quando queremos falar ao telefone, tirando qualquer dúvida, de uma despesa que fizemos e, não está de acordo com o nosso parecer, depois de ouvir por muito tempo aquelas lengalengas da mensagem, “para saber isto, carregue um, carregue dois, carregue três”, há sempre uma mensagem que diz “estamos abertos, em dias úteis, no horário da zona leste, das oito às quatro”, lá está, às “quatro”, só que desta vez não é às “quatro da madrugada”!. (I leave the computer, the way to television, there comes the sign in large letters, with background music, an annoying song, announcing a disaster, it is the “Five o’clock news”, as they are already five in the morning, coming soon one chorrilho of updates that are no longer news no, because unfortunately are the normal news, this normal world, “that every time is more time,” and the news is only misfortunes, is rare say that a child was born, show a garden with flowers or that person with good financial resources, kissed and caressed, giving food and clothing, that child with such a “snot nose”!.  I do not mind having lived in the time when people attended the phone, for now, when we want to talk on the phone, removing any doubt, an expense we did and not in accordance with our opinion after listening for long those message rhymes, “to know this, press one, press two, press three,” there is always a message that says “we are open on weekdays in the eastern time zone, from eight to four,” there is , the “four”, only this time it’s not the “four in the morning”)!. 

…neste momento já passa das “quatro da madrugada”, por aqui, uma região com um clima sub-tropical, existem muitas festas de final de dia, a que chamam, “It’s 5 o’clock somewhere”, que quer dizer mais ou menos, “são 5 horas, em qualquer lugar”, tanto faz ser às cinco da manhã ou às cinco da tarde, onde as pessoas se divertem, dançam, bebem, comem, namoram, encontram-se, conhecem-se, confraternizam, procuram tudo para se esquecerem da vida dura do dia a dia, o que no meu entender está muito bem, mas continuo a pensar que isto não tem mesmo nada a ver com as “quatro da madrugada”, mas já são cinco da manhã e continuo acordado quando devia de estar a dormir!. (This time it’s after “four in the morning”, here, a region with a sub-tropical climate, there are many day-end festivities, they call, “It’s 5 o’clock somewhere” , which means more or less , “are five hours, anywhere”, whatever be at five in the morning or at five in the afternoon, where people have fun, dance, drink, eat, dating, meet, know each other, socializing, looking all to forget the hardships of everyday life, which in my opinion is very good, but I still think that this has really nothing to do with the “four in the morning”, but they are already five in the morning and still awake when ought to be asleep)!. 

…só mais uma “achega” a este pensamento, há um povo na Europa, mais propriamente em Portugal, na região do Alentejo, povo culto e sabedor, que os mal intencionados contam histórias, às vezes não muito abonatórias, que têm uma canção que eu menciono muitas vezes, que é quase um hino à sua região, que começa assim, “`às quatro da madrugada…, o passarinho cantou…”, querendo isto dizer que o passarinho acordou aquela gente às “quatro da madrugada”, portanto talvez também me tivesse acordado a mim, talvez tivesse acordado as minhas raízes da Europa distante, que não me saem do pensamento e de que muito me orgulho. (One more “draws near” to this thinking, there is a people in Europe, more specifically in Portugal, in the Alentejo region, cultured people and knowing that the intended hardly tell stories, sometimes not very abonatórias, who have a song, I  mention often that it is almost a hymn to their region, which begins, “at four in the morning …, the bird sang …” , meaning that the bird woke those people at “four in the morning”, so maybe also had me agreed to me, I might have agreed my roots from distant Europe, which do not leave the thought and I am very proud)!. 

Tony Borie, November 2017.

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