…large roof fire, that covered the city!

…grande telhado de fogo, que cobria a cidade! (large roof fire, that covered the city)! 

…subimos as escadas de ferro, em zig-zag, eram quatro andares. Chegámos ao telhado, andámos, com as mãos sobre os olhos, tropeçando em algumas peças de equipamento que por lá havia, olhávamos o horizonte para os lados de Nova Iorque. Um dos mais mortíferos ataques de que há memória atingiu o coração da capital do Mundo, não era um cenário de pôr do sol, pintado pelo pincel de um artista, era um cenário horrível, escuro, onde se definiam as nuvens de um fumo negro, vindo dum grande telhado de fogo que cobria a cidade, que se espalhava sobre a terra, lembrando-nos que estávamos debaixo de um fogo maldito. Tal cenário de guerra, onde havia milhares, talvez milhões de pessoas, pessoas inocentes. Os pássaros fugiam das árvores, voavam em qualquer direcção, talvez para sul, sem destino, tal com nós naquele preciso momento, também queríamos fugir, mas não sabíamos para onde!. (we went up the iron stairs zig-zag, were four floors. We reached the roof, we walked with his hands over his eyes, stumbling on a few pieces of equipment that were there, we watched the horizon to the sides of New York. One of the deadliest attacks in recent memory has reached the heart of the world’s capital, was not a sunset scene, painted by an artist’s brush, it was a horrible scene, dark, where it defined the clouds of black smoke, coming from a large roof fire that covered the city, spreading over the earth, reminding us that we were under a damn fire. Such a scenario of war, where there were thousands, perhaps millions of people, innocent people. The birds fled from the trees, flying in any direction, perhaps to south, aimlessly, as with us at that very moment, we also wanted to escape, but did not know where)!.

…Setembro, outono, o verão já tinha passado, era tempo das colheitas, as horas marcadas nos sinos da igreja da vila de Águeda, em Portugal, onde nascemos, entoavam pelo vale do rio Águeda, a época da escola começava, a nossa sala de aula, no segundo andar da Escola do Adro, com duas janelas pequenas, mas que aos nossos olhos nos pareciam grandes, mostravam-nos um pouco desse vale. Um certo dia, para os lados da aldeia da Borralha, que fica ao fundo do vale do rio Águeda, houve um fogo numa habitação, ouviu-se o som dos sinos da igreja a chamar os bombeiros, logo seguido pelo som típico da sirene do carro dos soldados da paz, esse cenário ficou gravado na nossa memória de criança, que foi reanimado naquele angustioso momento no telhado do quarto andar, daquela multinacional em Nova Jersey. Ali sentimos a presença de alguns companheiros de classe, descalços, que tal como nós, usavam calções de ganga azul, já coçados, com as duas “alças” apertadas no botão da frente do lado esquerdo, pois o do lado direito tinha sido arrancado para “jogar ao botão”, cheguei mesmo a ver aquele ar de pessoa rude, que era o nosso professor Silvério!. (September, autumn, summer had passed, it was harvest time, the hours marked on the bells of the village of Agueda church sang, in Portugal, where we were born, the Agueda River valley, the school time began, our classroom on the second floor of Adro School with two small windows, but in our eyes they looked great, showed us some of that valley. One day, to the sides of the village Borralha which is the Agueda River valley floor, there was a fire in a house, there was the sound of church bells to call the fire department, followed by the typical siren sound car of the peacekeepers, this scenario was recorded in our child’s memory, which was revived in that ghastly moment on the roof of the fourth floor of that multinational in New Jersey. Ali felt the presence of some classmates, barefoot, which as we wore shorts blue jeans, as seedy, with two “handles” tight in the front button on the left side as the right side had been torn to “playing the button” I even see that air of rude person who was our teacher Silverio)!.

…lembramos, passado todos estes anos, com dor e emoção, os ataques que o solo americano estava a sofrer naquele momento, onde o nosso companheiro de trabalho, a quem carinhosamente chamávamos de “Mississippi”, nos olhou e abraçou, vendo-nos limpar algumas lágrimas, lágrimas de medo, e nos diz com os seus olhos bondosos:

– Tony, the war begins in the world today, everything will be different from now on!

…tomando a liberdade de traduzir, ele dizia mais ou menos isto:

– Tony, a guerra no mundo começa hoje, vai ser tudo diferente a partir de agora!

…os seus bisavós tinham sido escravos, tinham vindo da costa de África, ele sabia do que falava. No bairro de Staten Island, do lado sul do rio Hudson, logo à entrada da barra, em frente à ilha de Manhattan, no Estado de Nova Iorque, também existe um pequeno museu, com objectos trazidos pelos soldados da paz, que por aquela altura se esforçaram no resgate, trabalhando nos escombros das torres gémeas. Há algum tempo, numa nossa ida ao norte, foi por aqui que começámos uma visita ao “Ground Zero”, a zona de impacto dos aviões contra o antigo World Trade Center, naquilo que eram os escombros, hoje está lá um Memorial, onde entre outras coisas, existem dois lagos com quedas de água que ocupam o local onde se erguiam as antigas torres gémeas, onde se gravou na pedra o nome de todas as vítimas mortais do atentado, pois só lembrando o passado se constrói o futuro. (we remember, after all these years, with pain and emotion, attacks the American soil was suffering at time, where our co-worker, whom we affectionately call “Mississippi”, looked and hugged us, watching us wipe some tears, fear of tears, and tells us with his kind eyes:

– Tony, the war begins in the world today, everything will be different from now on!

Your great grandparents had been slaves, had come from the coast of Africa, he knew whereof he spoke. In the district of Staten Island on the south side of the Hudson River, at the entrance of the bar, opposite the island of Manhattan in New York State, there is also a small museum with objects brought by peacekeepers, who by that time they struggled in the rescue, working in the rubble of the twin towers. Some time ago, in our way north, it was here that we began a visit to “Ground Zero”, the impact zone of the aircraft against the former World Trade Center, what were the debris, now is there one Memorial, where between other things, there are two ponds with waterfalls occupying the site where stood the old twin towers, which was recorded in stone the names of all the deadly bombing victims, because only remembering the past the future is built)!.

…os habitantes de Nova Iorque não simpatizam com os grupos que as agências de viajem para lá mandam, com roupas coloridas, numa algazarra própria de pessoas em passeio, alguns habitantes da cidade estão lá, recomendam silêncio e respeito, as pessoas ficam silenciosas, descobrem-se, existe um silêncio só quebrado pelo pequeno sussurro do cair das quedas de água, não é mais um qualquer local, hoje é um local de peregrinação, foi palco de uma grande tragédia, a que o Mundo assistiu quase em directo pelos mais modernos meios de comunicação. Entre outras coisas, existe uma estrutura subterrânea, com um Museu, onde o ataque que os USA sofreram no seu território, está retratado, com um completo conjunto das mais variadas peças, restos de vestuário, partes de ferro, cimento, vidro, fotos, objectos pessoais das vítimas, tudo relacionado com aquele ataque, que nos fazem meditar, assim como algumas histórias sobre as vidas dos homens e das mulheres inocentes que ali perderam a vida. Dizem que foi um milagre e hoje também é um local de peregrinação, é na avenida Broadway, onde fica a Igreja de São Paulo, pois apesar de se localizar próxima do lugar onde os aviões embateram nas torres, foi um dos edifícios da zona que permaneceu intacto, guardando-se no seu interior muitas recordações daquele dia e lembram-se as vítimas, assim como na rua Liberty, onde se situa o Quartel dos Bombeiros N.º 10, engolido pelos destroços das torres gémeas, onde alguns bombeiros perderam a vida, hoje, ali existe um mural de homenagem aos soldados da paz, que por aqui são muito respeitados, pois é frequente assistir a manifestação de carinho para com estes homens e mulheres que foram, talvez, umas das vítimas mais martirizadas daquele traiçoeiro ataque!. (the people of New York do not sympathize with the groups that travel agencies to send there, with colorful clothes, a very hubbub of people walking, some towns people are there, recommend silence and respect, people are silent, they discover themselves, there is a silence broken only by the small whisper of falling from the falls, is no longer any place, is now a place of pilgrimage, was the scene of a great tragedy that the world has witnessed almost live by the most modern means of communication. Among other things, there is a subterranean structure, with a museum, where the attack that the USA suffered on its territory, is portrayed with a full set of the most varied parts, clothing remnants, pieces of iron, cement, glass, photos, personal belongings of the victims, everything related to that attack, that make us meditate, as well as some stories about the lives of innocent men and women who lost their lives there. They say it was a miracle and today is also a place of pilgrimage, is on Broadway Avenue, where is the Church of St. Paul, because although it is located near the place where the planes crashed into the towers, was one of the area’s buildings that remained intact, keeping up inside many memories of that day and remember the victims, as well as in Liberty street, where lies the fire Station No. 10, swallowed the wreckage of the twin towers, where some firefighters lost their lives today there there is a mural tribute to the peacekeepers, who are well respected here as it often watch the expressions of affection for these men and women who were perhaps one of the most martyred victims of that treacherous attack)!.

…sabemos que as flores não podem proferir nenhum som, não se pode ouvir uma violeta sussurrando, uma madressilva murmurando, isso seria um milagre, mas é quase um milagre o aspecto, passados alguns anos dos atentados de 11 de Setembro de 2001, que tiraram a vida a milhares de pessoas, a cidade voltou a viver, às vezes parece-nos uma aldeia muito grande, as pessoas são mais humanas, neste momento, na área das antigas torres gémeas em Nova Iorque, quase tudo nos indica que a lembrança continua lá, numa simples coluna de ferro, um simples bocado de granito, fazendo-nos lembrar a dor e o sentimento dos mortos inocentes, mas o aspeto do lugar que agora chamamos “Ground Zero”, é bastante diferente, os novos edifícios dão-nos esperança, passámos a mão por cima de alguns nomes gravados nas pedras de granito que compõem as paredes dos lagos, lembrando os irmãos inocentes que lá morreram, ficou quase como uma promessa de que nunca se deve dizer adeus, continuamos abraçados, pela mão, pelo braço, juntos, pulando através de tudo, montanhas, vales, rios, oceanos ou continentes, com a certeza de que nos voltaremos a encontrar, talvez num qualquer Setembro, talvez no além!. (we know that the flowers can not utter a sound, you can not hear a violet whispering, honeysuckle murmuring, that would be a miracle, but it is almost a miracle appearance, after some years of the attacks of September 11, 2001, which took the lives of thousands of people, the city came back to life, sometimes it seems a very large village, people are more human, this time in the area of the old twin towers in New York, almost everything tells us that the memory is still there , a simple iron column, a simple granite bit, reminding us of the pain and the feeling of the innocent dead, but the look of the place we now call “Ground Zero”, is quite different, new buildings give us hope , we started to hand over some names engraved on the granite rocks that make up the walls of the lakes, remembering the innocent brothers who died there, it was almost like a promise that one should never say goodbye, still embraced, pel hand, arm, together, jumping through all the mountains, valleys, rivers, oceans or continents, with the certainty that we will turn to find, perhaps in any September, maybe beyond!.

Tony Borie, November 2017.

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