…wine in war, and peace in wine!

…o vinho na guerra e, a paz no vinho! (wine in war, and peace in wine)!

…relatando algumas das nossas viagens por aqui, nos USA, lembro a então Guiné Portuguesa, lá na África, onde fomos combatentes na então Guerra Colonial, perdoem-nos, mas quem passa por um terrível cenário de guerra como nós, é difícil esquecer e, tirando a parte da luta armada, na então Guiné Portuguesa, havia rios, pântanos, florestas, savanas, animais e aves selvagens, onde o cenário era bonito, o problema era, entre outras coisas, o mêdo constante!. Pelo menos nós, andávamos sempre esperando o pior, que podia ser uma rajada de metralhadora, calcar uma mina ou fornilho, ali, ao passar por aquelas savanas, rios, pântanos ou florestas, que nos trazia sempre com os nervos “à flôr da pele”, como era costume dizer-se!. Nos momentos fora das tarefas militares, havia confraternização entre irmãos de guerra, onde a bebida alcoólica e cigarros eram constantes, era o tal “stress de guerra”!. (reporting some of our travels here in the USA, I remember then Portuguese Guinea, back in Africa, where we were fighters in the then Colonial War, forgive us, but whoever goes through a terrible war scenario like us, it’s difficult forgetting and, apart from the armed struggle, in the then Portuguese Guinea, there were rivers, marshes, forests, savannas, animals and wild birds, where the scenery was beautiful, the problem was, among other things, constant fear!. At least we were always expecting the worst, which could be a blast of machine-gun, trapping a mine or fornillo, there, passing through those savannas, rivers, swamps or forests, which always brought us with our nerves “to the skin”, as was customary to say!. In the moments outside the military tasks, there was confraternization between war brothers, where the alcoholic beverage and cigarettes were constant, was such a “war stress”)!.

…um certo dia de princípio de mês, fora do aquartelamento, na vila de Mansoa, pagámos sete ou oito “pesos”, no bar dos “Balantas”, por um copo de vinho verde!. O nosso irmão de guerra, o “Curvas, alto e refilão”, que era assim que carinhosamente o chamávamos, porque entre outras virtudes, era refilão, deu-nos um “abanão”, chamando-nos entre outras palavras reles do seu normal vocabulário:

– bêbado, alcoólico, é só cigarros e vinho, depois, lá para o fim do mês, “andas à crava”!.

…e por fim, mal podendo abrir os olhos, pelo reflexo do luar, colocando-nos a mão sobre o ombro, não sabendo nós, se era num afecto de irmão ou talvez para se equilibrar, entre dois soluços, dizia:

– três cervejas, já não te chegam!.

(a certain day, of month of principle, outside the quarter, in the village of Mansoa, we paid seven or eight “pesos” in the bar of the “Balanta” for a glass of white wine!. Our war brother, the “Curves, tall and complicative”, that was how we affectionately called him, because among other virtues, it was complicating, gave us a “shake up”, calling us among other paltry words of their normal vocabulary:

– drunk, alcoholic, it is only cigarettes and wine, then, towards the end of month, “you walk the stick”!.

…and finally, barely able open his eyes, the reflection of moonlight, putting the hand on the shoulder, not knowing us, it was a brother of affection or perhaps to balance between two sobs, he said:

– three beers, can no longer reach you)!.

…o vinho servido no aquartelamento era tinto e do barril, estava a cargo do “Arroz com pão”, que era o cabo do rancho, que para nós era um irmão, sempre nos facilitava o seu consumo, cedendo-nos a chave do “curral”, que era um casebre feito de latas, que existia entre outro casebre do forno da padaria, onde entre outras coisas roubávamos pão, quase todos os dias. Mas voltando ao vinho verde, daquelas garrafas ovais, era um luxo, era uma novidade, pelo menos para nós que éramos “beirões”, e mais, servido lá no bar dos “Balantas” era um “ronco”, bebido e saboreado entre o aspirar do fumo dum cigarro “Três Vintes”, sem filtro, daqueles que deixavam marcas entre os dedos!.. Lembranças de uma zona de guerra, de irmãos combatentes, de quem nunca mais tivemos qualquer notícia, oxalá andem por aí, fica-nos a lembrança, há que seguir em frente!. (the wine served in the barracks was red and the barrel, was in charge of “Rice with Bread”, which was the ranch of the cable, which for us was a brother, he always facilitated its consumption, giving us the key to “corral”, which was a hovel made of cans, that existed between the other shanty bakery oven, where among other things we stole bread almost every day!. But back to the green wine, those oval bottles, was a luxury, it was a novelty, at least for us that we were “beirões” and more, served there in the bar of the “Balantas” was a “ronco”, drunk and savored between suck the smoke of a cigarette “Three Twenty Something” without filter, those who left marks between the toes!. Memories of a war zone, fighters brothers, who never had any news, if only I walk around, gets in the memory, it is necessary to move forward)!.

…vamos falar da área de São Francisco, no estado da Califórnia, onde também existe vinho, que pode ser verde, tinto, branco, do Porto, que dizem que é uma cópia, champanhe ou qualquer outro derivado das milagrosas uvas!. (let’s talk about the San Francisco area, in the state of California, where there is also wine, which can be green, red, white, Porto, who say it is a copy, champagne or any other derivative of the miraculous grapes)!.

…quase cinquenta anos depois, deixando a cidade de São Francisco, no estado da Califórnia, atravessando a “Oakland Bay Bridge”, sobre a Baía de São Francisco, que é uma longa ponte, sobre um estuário que recebe não só as águas do rio Sacramento e do rio São Joaquim a partir das montanhas da Serra Nevada, como também os rios que desaguam na baía de Suisun, a qual desagua no estreito de Carquinez, para se unir ao rio Napa na entrada da baía de São Paulo que se conecta com a Baía de São Francisco, entrando finalmente no oceano Pacífico!. Descrevendo tudo isto com alguns pormenores, talvez faça alguma confusão, mas só assim podemos explicar a importância do rio Napa e do seu extenso vale, que tomando a rota de leste, um pouco para norte, nas montanhas que circundam a estrada rápida, pode-se admirar por uma extensão de dezenas e dezenas de quilómetros, tanto de um lado como do outro, plantações de vinha, organizadas, alinhadas, onde a sua pulverização é feita por avionetas, que passam rasteiras, assim como a sua colheita é mecanizada, fazendo-nos entender que dali podia sair vinho ou seus derivados, que podiam abastecer o resto do mundo. (almost fifty years later, leaving the city of San Francisco, in California, crossing the “Oakland Bay Bridge” on the San Francisco Bay, which is a long bridge over an estuary that receives not only the river water Sacramento and the São Joaquim from the mountains of Sierra Nevada, as well as the rivers that flow into the bay of Suisun, which flows into the Straits of Carquinez, to join the Napa river at the mouth of the bay of Sao Paulo that connects with San Francisco bay, finally entering the Pacific ocean!. Describing all this in some detail, it may make some confusion, but only then can we explain the importance of the Napa River and its extensive valley, that taking the east route, a little tonorth, in the mountains that surround the fast road, it can wonder by an extension of dozens and dozens of kilometers, both on one side and the other, vine crops, arranged, aligned which their spray is made by planes which pass sweeps, as well as their harvest is mechanized, making -In understand that there could go wine or its derivatives, which could supply the rest of the world)!.

…seguíamos em direcção à região do Napa Valley e Sonoma Valley, que são dois extensos vales seguidos de enorme planície, com algumas pequenas montanhas, mesmo pequenas, mas cobertas de videiras e outras árvores de fruto, onde nos disseram que sendo nós europeus com toda a certeza que gostaríamos, pois quintas, vinhas e adegas, não faltam na área!. Assim aconteceu, algum tempo depois, surgiu a placa de sinalização anunciando “Napa Valley & Sonoma Valley” e, dizem-nos que tudo começou por volta da metade do século dezoito, quando um tal H. W. Crabb, se estabeleceu por aqui, próximo do rio Napa, e plantou 130 acres (1 acre = 4046,8564224 metros quadrados) de vinha, depois começou a dizer a toda a gente que produzia 50.000 galões de vinho por ano, claro no final desse mesmo século, já existiam centenas de casas agrícolas plantando videiras, hoje existem aqui casas agrícolas com vinhas e outras árvores de fruto por distâncias de quilómetros, dizem que está considerada a primeira região de vinho do mundo, existem mesmo recordes de produção de vinho que vão desde o século dezanove!. (we headed towards the Napa Valley and Sonoma Valley region, which are two long straight valleys of enormous plain, with some small mountains, even small, but covered in vines and other fruit trees, which said that we Europeans being with us all sure they would because estates, vineyards and wineries abound in the area. This happened some time later came the signpost announcing “Napa Valley & Sonoma Valley” and tell us that it all began around the middle of the eighteenth century, when such HW Crabb, settled here, near the Napa River, and planted 130 acres (1 acre = 4046.8564224 square meters) of vineyards , then began to tell everyone that produced 50,000 gallons of wine per year, of course at the end of that century, there were hundreds of farm houses planting vines, there are now here farm houses with vineyards and other fruit trees for distances of kilometers , say that is considered the world’s first wine region, there are even wine production records ranging from the nineteenth century)!.

…é uma zona de combinação de clima mediterrâneo e a geologia na região, que fazem nascer videiras saudáveis e as uvas com muita qualidade. Nós, lembrando o vinho verde, dos sete ou oito “pesos”, do bar dos “Balantas”, andámos de quinta para quinta, entrando e provando em algumas, que sempre nos ofereciam o precioso líquido, verificámos em algumas o modo de fabricação do vinho, a limpeza e cuidado na preparação das pipas, o envelhecimento e armazenamento, em túneis abertos na rocha, por distâncias de centenas de metros, com temperaturas controladas, com o líquido armazenado em pipas de carvalho, que só tinham vida de cinco anos, depois eram destruídas, ficando somente uma pequena amostra para futura análise. Em algumas quintas também serviam comida à base de queijos, carne curtida, grelhados, saladas, pão de trigo ou centeio, e claro, vinho, branco ou tinto, e com fartura, só que nesta idade, havia controle, não como quando éramos jovens, mas mesmo que não quiséssemos, eram amáveis, insistiam para provar o precioso líquido, dizendo sempre que aquela quinta produzia o melhor vinho!. (It is an area of combination of Mediterranean climate and geology in the region, which give birth to healthy vines and grapes with high quality. We, remembering the green wine, seven or eight “pesos”, the bar of the “Balantas”, we went from vineyards to vineyards, in and proving in some, who always offered us the precious liquid we found in some the manufacturing mode wine, cleaning and care in the preparation of the barrels, aging and storage in open tunnels into the rock, over distances of hundreds of meters, with controlled temperatures, with the liquid stored in oak casks, which only had life of five years, then they were destroyed, leaving only a small sample for further analysis. In some vineyards also serve food-based cheeses, leathery meat, grilled, salad, wheat bread or rye, and of course, wine, white or red, and plenty, except that at this age, there was control, not like when we were young but even if we did not want, they were kind, insisted to prove the precious liquid, always saying that one fifth produced the best wine)!.

…um pequeno pormenor, em algumas quintas um pouco mais pequenas na sua dimensão, havia sempre um jardim com plantas aromáticas, no meio das vinhas, dizendo os responsáveis que era para atrair os insectos ou mosquitos que por ali viviam, deixando assim as uvas em paz, podendo crescer saudáveis!. Quando nos falaram em insectos ou mosquitos, logo nos lembrámos das “bolanhas” de Mansoa e arredores, onde aqueles malditos, pelo menos no começo da comissão, nos feriam muito mais que as palavras reles do seu normal vocabulário, do saudoso amigo e companheiro combatente, “Curvas, alto e refilão”!. (a small detail, on some vineyards a little smaller in size, there was always a garden with herbs, in the middle of the vineyards, saying those responsible it was to attract insects and mosquitoes that by living there, thus leaving the grapes alone and can grow up healthy!. When we spoke in insects and mosquitoes, then we remember the “bolanhas” of Mansoa area, where those damned, at least at the beginning of the commission, the more hurt than the paltry words of their normal vocabulary of the late friend and fellow combatant , “Curves, high and complicative”)!.

Tony Borie, December 2017.

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