…the airport, it’s already there!

…o aeroporto, era já ali! (the airport, it’s already there)!

…faltava pouco para as quatro horas da tarde, atravessávamos a “Woodrow Wilson Bridge”, que é a ponte, na parte leste da cidade de Washington, onde existe a fronteira entre os estados de Maryland e Virgínia, é uma estrada rápida, o tráfico é intenso, mas deslizava suave e controlado, muitos letreiros de estrada avisando e dando informações do que por lá havia, constantemente apareciam nos diversos painéis de computador, aquelas palavras mágicas, dizendo “denuncie qualquer veículo suspeito ou pessoa que conduza agressivamente”!. Nós, que desde o estado de New Jersey, levámos com um trânsito lento, alguns acidentes, paragens constantes para controle e pagamento de portagens, tudo o que nos surgisse pela frente já não seria qualquer novidade, mas aquela longa fila de viaturas militares, em sentido ao norte, eles lá iam, passado umas milhas, novas filas, eram aqueles jeeps baixos, camiões cisterna, camiões gigantes com carros de combate em cima, com frentes agressivas, alguns com atrelados, com pinturas amarelas, verdes, castanhas, cinzentas ou pretas, onde predominava o amarelo torrado, (como “torradas” ficam, as zonas por onde essas viaturas passam, quando em combate), camufladas, confundindo-se com o ambiente, com a estrada, com o trânsito, com o céu e com o horizonte!. (little lack for the four hours of the afternoon, we crossed the “Woodrow Wilson Bridge,” which is the bridge on the east side of the city of Washington, where there is a border between the states of Maryland and Virginia, is a fast road, trafficking it is intense, but slid smooth and controlled, many road signs advising and giving information that there had constantly appeared in several computer panels, those magic words, saying “please report any suspicious vehicle or person who drives aggressively”. We who have the state of New Jersey, we have taken with a slow transit, some accidents, constant stops to control and tolls, all that arose in the front would not be anything new, but that long line of military vehicles in direction north they came there, past a couple miles, new lines, were those low jeeps, water trucks, giant trucks with tanks on top with aggressive fronts, some with trailers, with yellow paintings, green, brown, gray or black, where predominant roasted yellow, (such as “toast” are the areas where these vehicles pass when in combat), camouflaged, mingling with the environment, with the road, with traffic, with the sky and the horizon)!.

…vendo todo este cenário, os malditos pensamentos da guerra que tínhamos vivido lá na África, na então Guiné Portuguesa, começámos também, sem notarmos, a ficar agressivos, a proferir palavras agressivas, a dizer mal de tudo, até da nossa própria alma, a lembrar-nos que somos “veteranos de uma maldita guerra de guerrilha”, que em determinado momento da nossa vida, “passámos um cheque em branco à ordem do Governo de Portugal, por um montante de… até…, incluindo a nossa própria vida”, o que infelizmente, muitas pessoas hoje não entendem esse facto, até que a nossa esposa Isaura, nos chamou à realidade, dizendo:

– olha, vamos na estrada, controla-te, temos uma longa distância pela frente!.

(Seeing all this scenario, the cursed thoughts of the war that had been living there in Africa, then Portuguese Guinea, we started also without noticing, to be aggressive, to utter fighting words, slagging of everything, even of our own soul, reminding us that we are “veterans of a bloody guerrilla war”, that at some point in our lives, “we spent a blank check to the order of the Government of Portugal for an amount of up to … … including our own life”, which unfortunately, many people today do not understand this fact, until our wife Isaura, called us to reality, saying:

– look, we on the road, controls you, we have a long way to go!.

…tudo isto se passou por volta dos princípios dos anos noventa do século passado e, o cenário e as palavras agressivas que proferíamos na altura, sem o sabermos, eram o início do que foi a maior mobilização de recursos humanos e materiais desde o final da Segunda Guerra Mundial, era o início do que mais tarde viriam a chamar de, “Operation Desert Storm” e que, por isto ou por aquilo, viria a modificar o sistema de vida das pessoas em todo o mundo e que, também por isto ou por aquilo, juntou uma imensa quantidade dos mais modernos equipamentos militares na zona do Golfo Pérsico, desencadeando de seguida uma campanha relâmpago que esmagou a oposição que por lá havia, com extrema e surpreendente facilidade!. (All this happened around the early nineties of the last century, and the scenery and aggressive words would utter at the time, without knowing it, were the beginning of what was the largest mobilization of human and material resources from the end of the Second world war II was the beginning of what would later called, “Operation Desert Storm” and that for this or that, would modify the system of life of people around the world and also for this or that, joined an immense amount of the most modern military equipment in the Persian Gulf area, triggering then a lightening campaign that crushed the opposition that there had, with extreme and surprising ease)!.

…o nosso destino era o estado da Florida, conduzíamos na altura uma viatura de carga e de aluguer, onde levávamos alguns materiais, haveres, recordações, “tarecos”, uma vida de “coisas”, com destino à construção da nova residência que estávamos a iniciar, no estado da Florida!. Já neste estado do sul, depois de entregarmos a referida viatura na agência, já num táxi a caminho do aeroporto, para regresso ao estado de New Jersey, o condutor, talvez apercebendo-se do nosso sotaque, confundiu-nos com o “resto do mundo”, com “os outros”, pensando talvez que andávamos por ali somente de visita, começou a falar mal da reputação da mãe, do naquela dada nosso presidente, da futura guerra, para que nos “vamos envolver”, mais isto e mais aquilo, com muitas palavras agressivas e obscenas, dizendo também mal de tudo, até da própria alma!. (Our destination was the state of Florida, we conducted at the time a vehicle load and rental, where we took some materials, assets, recalls, “tarecos”, a life of “things”, destined to the construction of the new residence we were starting in the state of Florida!. Already in this state of the south, after surrendering the said car in the agency, as a taxi way to the airport to return to the stade of New Jersey, the driver, perhaps realizing our accent, confused us with the “rest of the world”, with “others”, thinking maybe we walked by there only to visit, she began to speak ill of the reputation of the mother of that date our president, the future war, that we “we will involve” more this and that, with many aggressive and obscene words, saying too bad of everything, even of his own soul)!.

…a nosso favor foi, que o aeroporto era já ali!. (In our favor is, that the airport was already there)!.

Tony Borie, December 2017.

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