…we used to go there!

…nós andávamos por ali! (we used to go there)!

…nós andávamos por ali, falávamos com muita gente, faziamos parte de diversas agremiações portuguesas, não só de carácter social, como de angariação de fundos para ajudar pessoas e causas, entre outras!. Por altura das celebrações do “Dia de Portugal”, o senhor Cônsul de Portugal, na cidade de Newark, no estado de New Jersey, solicitava a nossa colaboração para que mostrássemos alguma coisa do passado do nosso País, em exposições e não só e, porque nos relacionávamos com alguns ilustres da comunidade Portuguesa, era fácil convidarem-nos para isto e para aquilo!. (we used to go there, we talked with a lot of people, we were part of several Portuguese associations, not only of a social nature, but also of raising funds to help people and causes, among others! At the time of the “Day of Portugal” celebrations, Mr. Consul of Portugal, in the city of Newark, New Jersey, requested our collaboration so that we could show something of the past of our Country, in exhibitions and not only and, because we related to some of the illustrious Portuguese community, it was easy to invite us to this and that)!.

…o Senhor Primeiro Ministro, mais tarde, Presidente da República de Portugal, veio com a sua esposa aos USA, fizeram-lhe uma recepção no estado de Nova Jersey, o senhor Cônsul de Portugal na cidade de Newark, convidou-nos!. Lá fomos, era à noite, no salão do mais representativo e antigo clube português na cidade de Newark. Na altura havia alguns casos com assuntos relacionados com propriedades e direitos dos emigrantes em Portugal, portanto, cá fora havia manifestações dos descontentes, falavam-se alguns nomes, até mesmo frases, não muito correctas, mesmo obscenas, quase tudo na língua de Camões, gestos não muito usuais, mas tudo em ordem, sem provocações directas, pois a polícia estava lá e não admitia qualquer violência!. (the Prime Minister, later President of the Republic of Portugal, came with his wife to the USA, made him a reception in the state of New Jersey, you Consul of Portugal in the city of Newark, invited us!. There we were, it was at night, in the hall the most representative and former Portuguese club in the city of Newark. At the time there were some cases with issues related to property and rights of migrants in Portugal, so out here were manifestations of discontent, some names were spoken, even sentences, not very correct, even obscene, almost everything in the language of Camões, gestures not very usual, but all in order, without direct provocation, because the police were there and did not allow any violence)!.

…passámos pela multidão e, como tanto nós como a nossa esposa Isaura, íamos com “roupa de domingo”, um pouco de cerimónia, também “levámos com o ruído”, como por exemplo:

– também és do tacho!.

…como nessa altura nos lembrámos, de quando por aqui chegámos, ainda sós, sem a companhia da família, que se veio juntar a nós, algum tempo depois, de algumas noites que dormimos sobre neve fria, com outros descamisados, à beira do “Passaic River”, que por acaso era mesmo ali, logo após duas quadras, para os lados de Nova Iorque, mas passámos!. Entrámos, mostrando o respectivo convite, levaram-nos a sentar numa mesa ao lado do Senhor Primeiro Ministro e esposa!. (we passed through the crowd and, as both I and my wife Isaura, we went with “sunday clothes”, a little ceremony also, “we took with the noise”, such as:

– You’re also from the pot!.

As then remembered the when we arrived here, still alone, without the company of the family, who joined us some time later, the nights I slept on cold snow, with other shirtless on the edge of “Passaic River,” which happened to be right there, right after two blocks to the sides of New York, but we spent. We started showing its invitation, led us to sit at a table next to the Prime Minister and wife)!.

…começou a cerimónia, discursos de “beija mão”, muitas palmas, empregados de luvas brancas a servirem qualquer coisa, que devia de ser “caviar e champanhe”, todos a falarem uma linguagem que, ou nós somos mesmo “burros”, ou então não compreendemos nada de português e, os anos que passámos na escola do Adro, na vila de Águeda, em Portugal, não serviram de nada, pois falavam de grandezas, investimentos, produtos que em Portugal eram quase de graça e, aqui rendiam fortunas, pois os “estúpidos dos americanos”, não sabem o que compram!.

…entre dois goles de champanhe, diziam qualquer coisa como:

– o nosso grupo é forte, é o melhor, ou o nosso Banco tem investimentos em todo o mundo, é o mais sério, é gerido por uma família honrada!.

…e, de vez em quando, olhavam para nós e diziam:

– qual é o vosso ramo, em termos de seriedade e eficácia, somos só nós!.

(began the ceremony, speeches “kisses hand”, many palms, employees in white gloves to serve anything that had to be “caviar and champagne”, all speak a language that, or am I really “dumb”, or I do not understand anything Portuguese, and my years in Adro school in the village of Agueda, in Portugal, not served anything because they spoke quantities, investments, products in Portugal were almost free and here yielded fortunes, as “stupid Americans” they do not know what they buy!.

Between two sips of champagne, they said something like:

– our group is strong and the best, or our bank has investments worldwide, is the most serious, is managed by an honorable family!.

And, from time to time, looked at us and they said:

– what is your business, in terms of seriousness and effectiveness, just us!.

…como o “nosso ramo” era o trabalho honesto do dia-a-dia para irmos tentando sobreviver, colocando comida na nossa mesa de jantar todos os dias, para que os nossos filhos se sentissem em casa, com carinho, incentivando-os nos estudos para que no futuro pudessem ter uma educação superior, portanto ouvíamos aquelas personagens fazendo não perceber a ironia das perguntas, sorrindo, aquele sorriso que nós dizemos que é “amarelo” quando não simpatizamos com as pessoas ou o local em que nos encontramos!. Mas eles teimavam, esticando o pescoço e puxando os braços no sentido da mesa, ocupando o seu espaço e o que normalmente seria nosso, continuavam dizendo:

– não tente investir no nosso ramo, nós somos os melhores!.

…e depois falavam qualquer coisa baixinho, como a dizerem-nos um segredo ao ouvido, que era mais ou menos:

– aquilo é um dinheiro tão fácil, quando nos avisam que chega mais uma ajuda da Europa, é só meter o requerimento, é um dinheiro limpinho, a fundo perdido!.

(as “our industry” was the honest work day to day to go trying to survive, putting food on our dinner table every day, so that our children feel at home, with caring, encouraging them in studies to that in the future could have a higher education, so we listened to those characters doing not realize the irony of questions, smiling that smile that we say it is “yellow” when not sympathize with the people or the place where we met! But they insisted, craning his neck and pulling his arms towards the table, occupying their space and what would normally be ours, kept saying:

– do not try to invest in our business, we are the best!.

And then speak any softly something like to tell us a secret to the ear, which was more or less:

– that is a money so easy, when warn us that reaches more help from Europe, just get the application, it’s a pretty clean money, the background lost!.

…as senhoras, na sua maioria vindas de Portugal, mostravam lindos vestidos adornados de colares com algum valor e, esperando um elogio, diziam:

– não é lindo, amanhã vou a Nova Iorque comprar outro para levar para Portugal!.

(ladies, mostly from Portugal, showed beautiful dresses adorned with necklaces with some value and, expecting a compliment, said:

– is not beautiful, tomorrow I’ll buy another to New York to take to Portugal!.

…era demais!. O ambiente não era o nosso, não esperamos pelo final, com a desculpa de “temos que nos retirar, pois temos outros compromissos”, saímos!.

…cá fora, os manifestantes e descontentes, continuavam, um jornalista local, que nos conhecia, queria saber se já tinha acabado o jantar, dizendo nós que não, nos retirávamos porque defacto o ambiente não era o nosso!.

…antes de returnar a casa, fomos tomar um café a um restaurante de pessoa amiga, do nosso tempo, da nossa vivência na cidade de Newark, que depois de lhe contar-mos o resumo desta “aventura”, se veio sentar ao nosso lado, dizendo:

– cada vez tenho mais orgulho em ser vosso amigo!.

(it was too much !. The environment was not ours, we did not wait for the end, with the excuse of “we have to withdraw because we have other commitments”, we left !. Outside, protesters and disgruntled ones continued, a local journalist, who knew us, wanted to know if we had already finished dinner, saying we would not, we would leave because defacto the environment was not ours!.

Before returning home, we went to have a coffee at a friend’s restaurant of our time, our experience in the city of Newark, who after telling him the summary of this “adventure”, if he came to sit next to us, saying:

– I am more and more proud to be your friend!

Tony Borie, December 2017.

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