…some peace in a war scenario!

…alguma paz, em cenário de guerra! (some peace in a war scenario)!

…andávamos por ali, cigarro entre os dedos, a “tabanca de Luanda”, que era ao norte do aquartelamento, pelo menos era assim que lhe chamávamos no nosso tempo, era a nossa “baixa da vila”, a nossa “zona dos cafés”, o “nosso terreiro do adro”, ou seja a nossa zona preferida para passear, mostrar a “roupa lavada”, dar “dois dedos” de conversa, ao “homem grande” ou a uma das suas filhas, comprar “um peso de mancarra”, um “cigarro feito à mão” ou provar a aguardente de palma!. (we were walking around, cigarette between his fingers, the “tabanca Luanda”, which was north of the barracks, at least that was what we called it in our time, it was our “downtown village”, our “area of cafes”, “our yard of the churchyard”, that is our favorite area to walk around, show the “laundry” give “two fingers talk”, the “great man” or one of her daughters, buy “a peso of mancarra”, a “cigarette handmade” or taste the palm brandy)!.

…aquele cheiro já tinha magia, a terra vermelha, o pó, as casas cobertas de colmo, debaixo de enormes árvores de mango, aquela folhagem muito mal tratada em volta, o cão faminto, cheio de insectos, coçando-se nas nossas pernas quando parávamos, procurando algum carinho, aquela criança, com o ranho no nariz, vindo junto de nós, metendo logo a mão no nosso bolso, procurando os rebuçados que comprávamos no loja do Libanês, a nossa “namoradinha”, (às vezes, só no pensamento), que também esperava, entre outras coisas pela comida do aquartelamento, enfim, lembranças de um passado da vila de Mansoa, do “nosso aquartelamento”, de uma zona de guerra, que tal como em tudo na nossa vida, também tinha o outro lado, o menos mau!. (hat smell had magic, the red earth, the dust, the thatched rondavels, under huge mango trees, that leaves very badly treated around, the hungry dog, full of insects, scratching on our legs when we stopped, looking for some affection, that child, with the snot nose, come with us, just put his hand in our pocket, looking for sweets we bought at the Lebanese shop, our “girlfriend” (sometimes only in thought), which also waited, among other things for food from quartering, finally, memories of a past Mansoa village, “our barracks”, a war zone, such as in everything in our lives, also had the other hand, the least bad)!.

…naquele tempo, pelo menos pela vila de Mansoa, lá naquela parte de África, na então Guiné Portuguesa, onde a imagem no mapa começa a ser mais estreita, falando nos aspectos da vida militar, nós éramos muito mal alimentados, para o final da comissão já não se suportava o cheiro do arroz e peixe da bolanha, (por isso ainda hoje gostamos de amendoins), ou batatas com atum de conserva, éramos muito mal equipados, muito mal apreciados, não havia o mínimo de facilidades para se ter uma higiene primária, não falando no miserável vencimento, éramos, como muitos dos nossos companheiros dizem, “carne para canhão”, em muitos momentos, o nosso moral estava em declínio, o respeito ia diminuindo para com alguns dos nossos superiores, um sentimento crescente de incertezas ia entrando nos nossos pensamentos, qualquer coisa andava por ali, à deriva, sem qualquer rumo, havia mesmo um sentimento revoltoso com uma forte tendência para se “fazer asneiras”, coisas sem qualquer senso comum, mas tudo isto tinha um nome, o tal nome que nos vai acompanhando, pois fomos e continuamos a ser, combatentes de uma maldita guerra de guerrilha, traiçoeira, que podia fazer mortes em qualquer momento, bastava andar por ali!. (at that time, at least by the village of Mansoa, there in that part of Africa, in the then Portuguese Guinea, where the image on the map begins to be narrower, speaking on aspects of military life, we were very poorly fed, to the end of the commission no longer stand the smell of rice and fish from bolanha, (so today like peanuts), or potatoes with canned tuna, were very poorly equipped, badly appreciated, there was minimal facilities to have a primary care, not talking on the miserable salary, we were, like many of our fellow say, “cannon fodder” in many times, our morale was declining, respect dwindled to a few of our superiors, a growing sense of uncertainty was coming in our thoughts, anything walked around, drifting aimlessly, even there was a feeling revolting with a strong tendency to “do stupid things”, things without any common sense, but all this had a name, such name that will accompanying us as we were and continue to be, combatent es of a bloody guerrilla war, treacherous, I could do deaths at any time enough to walk there)!.

…ficámos marcados, um ferro em brasa, sem qualquer tipo de contemplações, deixou a sua marca no nosso corpo, a nossa alma foi baleada, perfurada, depois do que vimos, ouvimos e cheirámos, os nossos sentimentos mais profundos, os princípios de moral que nos foram ensinados em casa e na nossa aldeia, foram violados. Tudo isto, já passado e, agora, sem que nada possamos fazer, continua a acompanhar-nos, pelo menos enquanto por cá andarmos, quer queiramos ou não, vamos transmitindo à nova geração, que por mais que qualquer de nós queira disfarçar, nunca irá conseguir, essa é a verdade!. (we were marked, a hot iron, without any contemplation, left his mark on our body, our soul was shot, punched, then what we see, hear and smell, our deepest feelings, principles of morality that they were taught at home and in our village have been violated. All this passed, and now, without anything we can do, continues to accompany us, at least while over here we walk, whether we like it or not, we will transmit to the new generation, which more than any of us want to hide, never will achieve, that’s the truth)!.

Tony Borie, December 2017.

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