…a nossa Árvore de Natal!

…a nossa Árvore de Natal!

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Um feliz Natal a todos!.

Temos convivido com a família e com os amigos, da-mos graças por  todo o bem, que o Criador nos tem dado, nos tem contemplado!

Viemos ao Norte, é quase como dizer, saímos da floresta, da praia, do sol, do interior, talvez da aldeia, regressando à cidade, é tempo de Natal, é norte, há neve!.

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…temos andado numa bendita azáfama, quase todos os dias vimos pessoas e lugares, de quem já tínhamos saudades, hoje, quase ao fim do dia, da nossa janela, vimos o nosso quintal, que olha a cidade, uma cidade que se retirou para dentro de si, deixando finalmente de ser grande, talvez de ser um país, dentro do seu próprio país!.

Olho mais ao perto, vejo remoinhos de neve, alguma folhagem, que a natureza empurrou para junto da neve, existe um pequeno arvoredo, algumas árvores, pequenas, grandes, parecem árvores de Natal, a neve enfeita os seus ramos, alguns parecem cristais, lá fora, deve fazer alguma aragem, talvez fria, que faz voar a folhagem  num rodopio, dançando em volta das árvores, que parecem “Árvores de Natal”!

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Aconchego-me na cadeira, aperto a camisola em volta do meu corpo, o cenário no quintal, transmite-me algum frio, a camisola é verde, faz-me lembrar a minha juventude, um pouco rebelde, quando era conhecido na vizinhança da minha aldeia, lá na Europa velha e distante, como “o rapaz da camisola verde”!

O rodopio daquela folhagem não está definido, voa sem direcção, indica o sul, leste, ou oeste, mas eu vim para o norte, para ver a neve, para a companhia da família, para junto de alguns amigos, que por aqui ficaram no norte, alguns sem norte, outros com muito norte!.

Mas o estranho é que na cidade, lá ao longe, que parece que se retirou para dentro de si, não vejo “Árvores de Natal”, vejo algumas luzes, aqui e ali, chaminés, de onde sai algumas nuvens de fumo, parece-me um amontoado de cimento, ainda mais frio do que a neve, alguns edifícios sobressaiem, em direcção ao infinito, em direcção a nada, onde eu penso que já perderam o norte!.

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Voltando à minha cadeira, em frente da minha janela, por momentos, vejo pessoas daquela cidade, que se retirou para dentro de si, que me parece um amontoado de cimento, ainda mais frio do que a neve, onde alguns edifícios sobressaiem, em direcção ao infinito, em direcção a nada, onde penso que já perderam o norte, que me querem comprar as minhas “Árvores de Natal”, que existem em frente a mim, no meu quintal, onde a neve enfeita os ramos, alguns parecem cristais, onde a folhagem voa em rodopio, nesse momento, volto a ser  “o rapaz da camisola verde”, fico furioso, e digo-lhes não, estas “Árvores de Natal”, não estão à venda, são a minha família, são alguns dos meus amigos, são parte da natureza, são entre outras coisas, os homens, mulheres e crianças,   um abrigo para os mais desprotegidos, para os animais, para as aves, pois elas fazem parte do maravilhoso cenário, que por enquanto vai enfeitando o planeta, a que vamos chamando Terra!.

Tony Borie, Dezembro de 2014.