…coisas que no fundo, no fundo… nos divertem!. (…things that deep  down, deep down… amuse us)!.

…nada melhor do que caminhar em algumas trilhas ao redor do lugar onde vivemos, para podermos analisar com mais acuidade o comportamento de certas pessoas!. Muitas até passam despercebidas, mas algumas…, quando paramos para descansar um pouco e nos sentamos num daqueles bancos comunitários que às vezes encontramos, fazem-nos emergir da nossa memória algumas coisas que no fundo, no fundo… nos divertem!. 

…nothing better than walking on some trails around the place where we live, so we can analyze the behavior of certain people more accurately!. Many even go unnoticed, but some…, when we stop to rest a little and sit down on one of those community benches that we sometimes find, make some things emerge from our memory that deep down, deep down… amuse us!.

…por exemplo, uma senhora loura a querer provar que ainda estava nos quarenta, embora na nossa opinião já tivessem passado mais de dez ou quinze anos sobre esse período, que levava lacinhos cor-de-rosa no cabelo, mais apropriados para meninas da escola primária, e que se agitava caminhando e sorrindo sempre que se cruzava com alguém, indo atrás da sua cadelinha, a qual tinha sido penteada como a dona e usava também dois lacinhos cor-de-rosa, iguaizinhos, na cabecinha!. 

…for example, a blonde lady wanting to prove that she was still in her forties, although in our opinion it had been more than ten or fifteen years since that period, who had pink bows in her hair, more appropriate for school girls Primary school, and who was excited walking and smiling whenever he came across someone, going after his little dog, which had been combed like her owner and also wore two identical pink bows on her head!.

…tão parecidas que elas eram!. Chamava a sua cadelinha com diminutivos próprios, usando uma linguagem que curiosamente ficava doce sempre que se lhe dirigia!. E a safada da cadelita, vaidosa como a dona, dava-se ares de menina mimada, toda coquete e atenciosa!. 

…so similar they were! She called her little dog with her own diminutives, using a language that curiously became sweet whenever she was addressed!. And the naughty little dog, vain like her owner, gave off the air of a spoiled girl, all coquettish and attentive!

…a manhã estava radiosa, com um céu azul!. Ao passar por nós dissemos, “bom dia às duas”!. A senhora sorriu e não se ofendeu!. Era o que faltava!. Olhando para as árvores ao redor da trilha ao lado do Canal de água salgada, tornava a senhora e a cadelita num cenário parecido àqueles que às vezes vimos nos filmes de Walt Disney, e que no fundo, no fundo…, nos divertem!.

…the morning was radiant, with a blue sky!. As we passed by we said, “good morning at two”!. The lady smiled and was not offended! That was what was missing! Looking at the trees around the trail next to the Saltwater Channel, the lady and the dog made a scene similar to those we sometimes see in Walt Disney films, and that deep down, deep down…, they amuse us!.

Tony Borie, Século XXI. (Tony Borie, 21st Century).

…fragmentos do tempo, do tempo que nos resta!. (…fragments of time, of the time we have left)!

…na aldeia onde nascemos, lá naquela encosta de uma montanha na Europa, onde toda a gente era pobre…, com excepção de uma pequenina parte da população, que eram os ricos!. Na vila mais próxima, havia uma rua onde também havia uma mercearia, uma loja de fazendas e pano crú e…, uma taberna!. 

…in the village where we were born, there on that mountainside in Europe, where everyone was poor…, with the exception of a tiny part of the population, who were the rich!. In the nearest village, there was a street where there was also a grocery store, a farm and raw cloth store and…, a tavern!.

…a mercearia vendia açúcar, arroz, sal e farinha, às vezes bacalhau, e.., era tudo fiado, onde os clientes pagavam os géneros a prestações ou por ocasião das colheitas, quando faziam algum dinheiro da sua agricultura de subsistência, onde normalmente criavam algumas aves de capoeira e matavam um porco uma vez por ano!. Bifes, peixe fino, café ou pão de trigo com manteiga…, eram um luxo!.

…the grocery store sold sugar, rice, salt and flour, sometimes cod, and…, it was all on credit, where customers paid for the items in installments or during the harvest, when they made some money from their subsistence farming, where they normally They raised some poultry and killed a pig once a year!. Steaks, fine fish, coffee or wheat bread with butter… they were a luxury!

…depois de quase crianças, ser-mos recrutados, mobilizados, treinados à pressa para a Guerra Colonial, “encaixotados” no porão de um navio de carga, navegando no mar do Atlântico, rumo ao sul com destino à costa africana, para combater pessoas que lutavam pela liberdade dos seus territórios, e que nunca antes tínhamos visto e nada tínhamos em contra e…, ao final de dois longos anos, vivendo num cenário de medo e angustia nos pântanos e florestas da então Província Colonial da Guiné, quando regressámos de novo à Europa, decidimos fugir…, ou seja, imigrar!.

…after we were almost children, we were recruited, mobilized, trained in a hurry for the Colonial War, “boxed” in the hold of a cargo ship, sailing in the Atlantic sea, heading south towards the African coast, to fight people who were fighting for the freedom of their territories, and which we had never seen before and had nothing against and…, at the end of two long years, living in a scenario of fear and anguish in the swamps and forests of the then Colonial Province of Guinea, when we returned from new to Europe, we decided to escape…, that is, to immigrate!.

…escolhemos este continente do lado de cá do Atlântico, vindo viver para este país que nos recebeu de “braços abertos”!. Como tal, apesar de termos jurado a cidadania, possuir-mos passaporte deste grande país e termos dado o nosso contributo possível para com a ajuda da nossa dedicada esposa Isaura, criarmos e educarmos uma família com princípios honestos, que por sua vez, já criaram as suas próprias famílias, continuamos a ser imigrantes, descendentes da Europa!.

…we chose this continent on this side of the Atlantic, coming to live in this country that welcomed us with “open arms”!. As such, despite having sworn citizenship, holding a passport from this great country and having given our possible contribution to, with the help of our dedicated wife Isaura, creating and educating a family with honest principles, which in turn, have already created their own families…, we continue to be immigrants, descendants of Europe!.

…e, talvez, pelo sotaque da voz ou qualquer outra qualquer anomalia, é frequente perguntarem-nos: é imigrante, de que país veio?. E a resposta para estas perguntas podem ler-se neste cartaz, que completámos com uma bonita foto tirada da internet e da qual não sabemos o nome do autor, mas com muito respeito lhe agradecemos, e que pode dizer-nos: “a menos que seus ancestrais sejam assim, você provavelmente é um imigrante”!.

…and, perhaps, due to the accent of the voice or any other anomaly, we are often asked: are you an immigrant, what country did you come from?. And the answer to these questions can be read on this poster, which we have completed with a beautiful photo taken from the internet and of which we do not know the name of the author, but with great respect we thank him, and who can tell us: “unless your ancestors are like this, you are probably an immigrant”!.

Tony Borie, Século XXI. (Tony Borie, 21st Century). 

…estamos em Maio!. (…it’s May)!

…já estamos outra vez em Maio!. A semana passou depressa…, era segunda-feira pela manhã, veio quarta-feira à tarde e logo estávamos na sexta-feira à noite!. Uff…, como o tempo voa!. E…, estamos em crer que um dos males deste século è sabermos a todo o momento, toda aquela informação manchada de sangue de inocentes, com adultos e crianças mortas, naquele “cemitério do mediterrâneo” que são a Faixa de Gaza e mais ao norte a Ucrânia, que afinal são o “pão nosso de cada dia” e…, claro, não nos saem do pensamento!.

…it’s May again! The week passed quickly…, it was Monday morning, Wednesday afternoon came and soon we were on Friday night!. Uff…, how time flies!. And…, we believe that one of the evils of this century is that we know at all times, all that information stained with the blood of innocents, with dead adults and children, in that “Mediterranean cemetery” that is the Gaza strip and further north is Ukraine, which after all are our “daily bread” and…, of course, they never leave our thoughts!.

…às vezes pensamos que é melhor não ter memória, porque tendo-a, no actual momento, é tal como caminhar em vão e…, chegar ao nada!. E claro, um dos grandes problemas da globalidade, ao saber-se tudo ao minuto, em alguns momentos está a deixar-nos aterrorizados com as notícias da comunicação social, que talvez esteja com receio de perder a sua plateia, e…, continua a invadir-nos constantemente com narrativas de catástrofes, muito difíceis de compreender para o comum dos mortais!.

…sometimes we think that it is better not to have memory, because having it, at the moment, is like walking in vain and…, arriving at nothing!. And of course, one of the biggest global problems, knowing everything up to the minute, is sometimes leaving us terrified by the news from media outlets, which are perhaps afraid of losing their audience, and…, continues constantly invading us with narratives of catastrophes, very difficult for ordinary mortals to understand!.

…nós, vamos resistindo, vamos tentando esquecer!. Vamos esperando em silêncio e procurando num certo isolamento, que o sol desça até nós todos os dias, para reencontrarmos a floresta com árvores e flores, animais alimentando-se, aves voando, lagos e rios, que afinal são a vida, e foi tal como nascemos lá na Europa, na encosta de uma montanha onde havia uma classe indistinta constituída por remediados sem poder aquisitivo, quase a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza, mas éramos algo felizes, porque afinal…, e vendo este filme a preto e branco, pintado de cinzento para lhe dar alguma cor, (feito com algumas imagens que tirámos da internet), podíamos observar o nosso mundo a partir da nossa aldeia, onde não havia notícias do mundo exterior!.

…we are resisting, we are trying to forget! We wait in silence and seek in a certain isolation, for the sun to come down to us every day, to rediscover the forest with trees and flowers, animals feeding, birds flying, lakes and rivers, which after all are life, and it was such how we were born there in Europe, on the side of a mountain where there was an indistinct class made up of poor people with no purchasing power, almost breaking what we today call the poverty line, but we were somewhat happy, because after all…, and watching this film in black and White, painted gray to give it some color, (done with some images I took from the internet), we could observe our world from our village, where there was no news from the outside world!.

…companheiros de jornada, como acima já mencionámos vamos resistindo e…, felizmente além da família, ainda vamos estando rodeados de alguns amigos autênticos, daqueles que mesmo sabendo tudo sobre nós…, ainda continuam sendo nossos amigos!.

…companions on the journey, as we mentioned above, we are resisting and…, fortunately, in addition to family, we are still surrounded by some authentic friends, those who, even though they know everything about us…, still remain our friends!.

Tony Borie, Século XXI. (Tony Borie, 21st Century).