…I’m Layla James!.

…I’m Layla James!.

…olá, bom dia!. Eu sou a Layla James!. (…hello good day!. I’m Layla James)!.

…o meu pai Brian, a minha mãe Sandy, o meu irmão Brian Anthony e a minha irmã Ava Monroe, convidaram os meus avós, os meus primos, os meus tios e tias, assim como a família e, também alguns amigos da família, para assistirem à cerimónia do meu baptismo!. (My father Brian, my mother Sandy, my brother Brian Anthony and my sister Ava Monroe, invited my grandparents, my cousins, my uncles and aunts, as well as the family and some friends of the family, to attend the ceremony of my baptism)!.

…que alegria eu sinto neste dia, em vos ver aqui todos juntos!. (What a joy I feel in this day, in seeing you here together)!.

…vou ser baptizada!. Dizem-me que, vou nascer de novo, vai ser um novo começo de vida, que as coisas velhas já passaram, que tudo se vai tornar novo em minha vida!. (I’m going to be baptized!. They tell me that, I will be born again, it will be a new beginning of life, that old things have passed, that everything will become new in my life)!.

…embora ainda não saiba andar, mas já “engatinho”, portanto estou pronta a começar essa nova caminhada na novidade da vida, que me dizem que começa, depois de ser baptizada em Cristo!. (Although I still do not know how to walk, but already “crawling”, so I am ready to begin this new journey in the novelty of life, which tell me that begins, after being baptized in Christ)!.

…penso que ainda não tenho “pecados”, pois sou tão nova!. Mas às vezes choro e faço algumas “birras”, é natural, pois é a única maneira que conheço para comunicar com os adultos, principalmente quando tenho sede ou fome, alguma dor ou quero que me mudem a “fralda”, que quando está molhada, me faz sentir sem aquele conforto que todos os bebés devem ter!. (I think I still do not have “sins”, because I’m so young!. But sometimes I cry and make some “tantrums”, it’s natural because it’s the only way I know to communicate with adults, especially when I’m thirsty or hungry, some pain or I want to change my “diaper” when wet, makes me feel without that comfort that all babies should have)!.


…alguns de vocês vieram de longe, como os meus avós da Flórida, todavia espero que passem um bom dia, porque os meus pais, querem a vossa presença, depois desta cerimónia do meu baptismo na Igreja, num restaurante local!. (Some of you have come from afar, like my grandparents from Florida, but I hope you have a good day, because my parents want your presence, after this ceremony of my baptism in the Church, in a local restaurant)!.

…divirtam-se, regressem a vossas casas com segurança e, qualquer dia quero ver-vos de novo, por ocasião da minha primeira comunhão!. (Have fun, come back to your homes safely and I want to see you again sometime on my first communion)!.

…abraços e beijinhos, agora quero que a minha mãe (às vezes é o meu pai, o meu irmão ou a minha irmã), me dê a “chucha”!. (Hugs and kisses, now I want my mother (sometimes it’s my father, my brother or my sister), give me the “chucha” (baby pacifier)!.

…desculpem quando às vezes choro, mas como já antes expliquei, é a única maneira que conheço de me comunicar com vocês!. (Sorry when I sometimes cry, but as I explained before, it’s the only way I know to communicate with you)!.

Tony Borie, August 26, 2016.

…let’s go north!.

…let’s go north!.

…vamos para norte!. (let’s go north)!.

…vamos para norte!. Agora, no século 21, da Era Comum, de acordo com o calendário Gregoriano, que começou no dia 1º de Janeiro de 2001 e terminará em 31 de Dezembro de 2100, se ainda houver oceanos, rios ou lagos com água, árvores, pessoas, animais ou aves, andando ou voando por aqui!. (Let’s go north!. Now, in the 21st century of the Common Era, according to the Gregorian calendar, which began on January 1, 2001 and will end on December 31, 2100, if there are still oceans, rivers or lakes with water, trees, people, animals or birds, walking or flying here)!.

…vamos para norte!. Mas não para o “telhado do mundo”, para onde termina o norte, para o “Arctic Circle” (Circulo Ártico), cuja latitude é de 66º33’47.3 ao norte do Equador, onde já estivémos, quando viajámos no célebre “Dalton Highway” (Estrada de Dalton), que é uma área de mar e terreno selvagem congelado, que no mapa mundo, fica situada lá muito longe ao norte!. (Let’s go north!. But not to the “roof of the world”, where the north ends, to the “Arctic Circle”, whose latitude is 66°33’47.3 north of Ecuador, where we once were when we traveled on the celebrated “Dalton Highway”, which is an area of sea and frozen wild terrain, which on the world map, is situated there far to the north)!.

…vamos para norte!. Mas felizmente não vamos no “Trail of Tears”, que tem muitas traduções, mas para nós quer dizer mais ou menos o Caminho das Lágrimas, mas na linguagem Cherokee é chamado de “Nunna daul Isunyi”, “o caminho onde eles choraram”, que fez correr muitas lágrimas começando assim a sua migração forçada por mais de 1200 milhas para o chamado Território Indígena, que é hoje o actual estado de Oklahoma!. (Let’s go north!. But fortunately we do not go in the “Trail of Tears”, which has many translations, but for us it means more or less the Way of Tears, but in the Cherokee language it is called “Nunna daul Isunyi”, “the way where they wept”, which caused many tears to begin, thus forcing their forced migration for more than 1,200 miles to the so-called Indigenous Territory, which is now the state of Oklahoma)!.

…naquele tempo, os nativos da tribo Cherokee, acompanhados por centenas de escravos e afro-americanos libertos, que viviam com os índios, sofreram muito com esta migração, onde muitos foram transportados em grandes carroças, mas a neve e o frio de inverno dificultavam este procedimento e, com a diminuição da comida, havia racionamento, alguns moradores das aldeias por onde passavam iam ajudando, viajando em barcos ou jangadas, quando era possível pelos rios ou pântanos, mas quando a temperatura baixava, os rios congelavam, forçando a pararem e formarem acampamentos!. (At that time, Cherokee natives, accompanied by hundreds of slaves and freed Afro-Americans living with the Indians, suffered greatly from this migration, where many were transported in large carts, but the snow and cold of In the winter, these procedures made it difficult, and with the reduction of food there was rationing, some residents of the villages where they went were helping, traveling in boats or rafts, when possible by rivers or swamps, but when the temperature went down, the rivers froze, forcing to stop and form camps)!.

…vamos para norte!. Mas vamos por uma boa causa!. Vamos assistir a uma cerimónia, igual àquela com que o apóstolo João Batista, baptizou o seu primo Jesus!. Mas esta cerimónia é especial para nós, pois é o baptismo da nossa neta Layla James, que oxalá se sinta feliz e sorria todos os dias, em família, com as pessoas que a querem e que acreditam nela e, que fazem tudo para a verem sorrir e, que lhe dão um lar, porque ter um lugar para se estar, é um lar, e ter alguém que nos ama, também é um lar, e ter ambos é uma benção!. (Let’s go north!. But let’s go for a good cause!. Let’s attend a ceremony, just like the one with which the apostle John the Baptist baptized his cousin Jesus!. But this ceremony is special for us, because it is the baptism of our granddaughter Layla James, who wishes to feel happy and smile every day, in family, with the people who love her and who believe in her and who do everything to see her smile, and give you a home, because having a place to be, is a home, and having someone who loves us, is also a home, and having both is a blessing)!.

…vamos para norte!. Mas vamos encorajados pela vontade de ver não só a nossa neta Layla James, como os seus irmãos, os seus primos, os seus pais e os seus tios, que são a nossa família!. (Let’s go north!. But we are encouraged by the desire to see not only our granddaughter Layla James, as her brothers, her cousins, her parents and her uncles, who are our family)!.

…vamos para norte!. Mas agora, viajamos na estrada rápida número 95, no conforto da nossa “White Fox”, parando aqui e ali, vendo diferentes paragens e diferentes pessoas, com sol, chuva ou nevoeiro, sempre na esperança de que ao chegar ao nosso destino, a família está lá e, já agora, que esteja feliz!. (Let’s go north!. But now we travel on the fast road number 95, in the comfort of our “White Fox”, stopping here and there, seeing different stops and different people, with sun, rain or fog, always in the hope that when arriving at our destination, the family is there and, by the way, you are happy)!.

Tony Borie, August 2018.

…we woke up at five!.

…we woke up at five!.

…acordámos às cinco!. (we woke up at five)!.

…acordámos às cinco da madrugada!. Fizémos um chá, que bebemos bem quente, na nossa caneca preferida, que está quebrada na asa, portanto é segurada entre as mãos, que nos aqueceu, sobretudo o corpo e, talvez a alma, se é que ela existe!. (We woke up at five in the morning!. We made tea, which we drank very hot, in our favorite mug, which is broken in the wing, so it is held between our hands, which has warmed us, especially the body and, perhaps the soul, if it exists)!.

…não podemos resmungar sobre a nossa saúde, pelo contrário, alegramo-nos por ainda estar vivos e, também não nos vamos sentir tristes por o dinheiro não chegar até ao final do mês, pelo contrário, ficamos felizes por ainda termos memória para controlar as nossas finanças, encorajando-nos a planear as nossas compras com sabedoria, para nos guiarem para longe da catástrofe que era, não haver dinheiro para a medicina de manutenção, ou o fogão lá na cozinha, não trabalhar mais, por falta de arroz, massa, vegetais ou outros géneros alimentícios!. (We can not grumble about our health, on the contrary, we rejoice that we are still alive and we will not feel sad because the money does not arrive until the end of the month, on the contrary, we are happy that we still have memory for control our finances by encouraging us to plan our purchases wisely, to guide us away from the catastrophe that was, to have no money for maintenance medicine, or the stove in the kitchen, not to work anymore, for lack of rice, pasta, vegetables or other foodstuffs)!.

…saímos de casa, ainda é noite que tenta clarear, vamos lá fora ao pequeno jardim, tocamos numa rosa que tenta florescer, picamo-nos, não ficamos tristes porque aquela flor tem espinhos, pelo contrário, ficamos contentes porque aquela pequena árvore com muitos espinhos, é onde nascem aquelas bonitas rosas!. (We leave the house, it is still night that tries to clear, we go outside to the small garden, we touch a rose that tries to flourish, we sting, we are not sad because that flower has thorns, on the contrary, we are happy because that small tree with many thorns, is where those beautiful roses are born)!.

…entrámos em casa de novo, procuramos qualquer livro para ler, porque, pela manhã, aqueles noticiários da TV, é só desgraças!. Se for uma boa notícia, não transmitem, não tem interesse, não faz audiências, não entusiasma as pessoas, não as faz ficarem “excitadas”, portanto, quanto maior for a catástrofe, mais audiências existem e, para a competição entre as diversas estações de TV, isso é muito importante!. (We went home again, we look for any book to read, because, in the morning, those TV news, it’s only misfortunes!. If this is good news, they do not transmit, have no interest, do not audiences, do not enthuse people, do not make them “excited”, therefore, the greater the catastrophe, the more audiences there are, and, for competition between the various TV stations, this is very important)!.

…continuando, abrimos o nosso diário de guerra, sentamo-nos numa cadeira na parte de trás da nossa casa, onde sentimos alguma paz e onde algumas aves pela manhã sobrevoam, visitando-nos na procura de alguma água e comida!. Naquele diário, que continuamos a guardar quase religiosamente, vem lá escrito, não importa a página que abrimos, aqueles ataques ao aquartelamento, emboscadas, fornilhos que rebentaram, mortos, feridos e, todo aquele, blá, blá, blá, que os queridos leitores já conhecem, principalmente os antigos combatentes, onde alguns, infelizmente ainda sentem no seu próprio corpo!. (Continuing, we open our war diary, sit in a chair in the back of our house, where we feel some peace and where some birds fly in the morning, visiting us in search of some water and food!. In that diary, which we continue to keep almost religiously, it comes written, no matter the page we open, those attacks on the barracks, ambushes, fodder that burst, dead, wounded and, everyone, blah, blah, blah, that dear readers already know, especially the former combatants, where some unfortunately still feel in their own body)!.

…em determinada página, está escrito um texto, embora seja um pouco difícil de explicar, pois muitas palavras são ilegíveis e não encaixam, talvez fosse o desespero naquele dia menos feliz, tentámos colocar algumas palavras no seu verdadeiro lugar, assim como algumas vírgulas e pontos finais, cá vai:

“Hoje, dia 29 de Abril de 1965 – Estou triste, não vou escrever nada, mesmo nada, acordei com o mosquiteiro e a cama toda molhada!. Quando é que esta “porcaria” vai secar, estou triste e angustiado, estou aqui, junto destes jovens, é a mesma coisa que estivesse preso, pois estou rodeado de arame farpado e, para cúmulo, aquele janelo ainda não está acabado!. A chuva entra cá dentro, a culpa é do “Marafado”, (companheiro, militar de combate), que costuma lá pôr o casaco do camuflado, cheio de lama a secar e, esta noite não o fez, não sei porquê”!.

(On a certain page, a text is written, although it is a little difficult to explain, since many words are illegible and do not fit, perhaps it was despair on that less happy day, we tried to put some words in their true place, as some commas and endpoints, here goes:

“Today, April 29, 1965 – I’m sad, I’m not going to write anything, nothing at all, I woke up with the mosquito net and the bed all wet!. When this “crap” is going to dry up, I’m sad and distressed, I’m here, with these young people, it’s the same thing that was stuck, because I’m surrounded by barbed wire, still to the point, that window is not finished yet!. Rain enters inside, the fault is of the “Marafado”, (companion, combat military), who usually puts there the coat of the camouflaged, full of mud to dry and, tonight did not do it, do not know why”)!.

“Olha a minha sorte, sem o querer já estou a escrever, mas para quê, só vai sair “porcaria”, pois estou muito triste, passei a noite a sonhar que estava na minha aldeia, no Vale do Ninho d’Águia, naquela encosta agreste da montanha do Caramulo, onde próximo passava a estrada de Lisboa ao Porto”!. (“Look at my luck, without wanting to write, but for what, it’s going to be “crap”, because I’m very sad, I spent the night dreaming that I was in my village, in the Valley of the Eagle’s Nest, on that slope rugged mountain of Caramulo, where near passed the road from Lisbon to Porto”)!.

“A estrada estava renovada, o senhor Francisco, que era o cantoneiro, que os visinhos diziam que pela manhã colocava o carro de mão, a pá e a enxada, na beira da estrada, com a placa uns metros à frente, a dizer “obras”, só para marcar presença, indo de seguida cultivar umas leiras de terra seca, que também diziam que não eram dele, era da “JAE”, ou seja, da Junta Autómona das Estradas, que lhe pagava o ordenado, onde ele plantava, quase sempre fora do tempo, umas favas e às vezes tremoço, que os coelhos e as lebres selvagens comiam tudo, mesmo antes de nascer”!. (“The road was renewed, Mr. Francisco, who was the “cantoneiro” (person repairing the road), that the neighbors said that in the morning he would put the hand cart, the shovel and the hoe on the side of the road, with the sign a few meters ahead, say “man works”, just to make a presence, and then to cultivate some dry land, which also said that they were not his, was the “JAE”, that is, of the Autonomous Board of Roads, which paid him the wages, where he planted, almost always out of season, some fava beans and sometimes lupine, which rabbits and wild hares ate everything even before they were born”)!.

“No meu sonho, via o senhor Francisco, a tapar os buracos da estrada com areia e alcatrão, a que ele chamava “pixe”, depois começou a marcar a estrada, com tinta branca ou amarela, pois assim podia evitar acidentes, quando o carro dos bois do senhor Manuel Lagareiro, passasse pela camionete da carreira, que era mais larga, afrouxando naquela curva, onde havia uma árvore, que estava sempre com o tronco pintado de branco, mas onde o “pessoal do contra” (pessoas que não concordavam com o regime de governação colonial), lá iam colocar panfletos, às vezes até pinturas, com letras a dizer coisas que o senhor Francisco, que também todos diziam que era “Bufo”, palavra que na linguagem do povo, designava os informadores da polícia do estado e, às vezes alterado, dizia:

– Se sei, ou agarro o filho da puta, que escreve estas coisas, vou denunciá-lo à polícia e, não vê mais a luz do sol, vai para o “Tarrafal” (estabelecimento prisional de políticos, nas ilhas de Cabo Verde, em pleno Oceano Atlântico), com toda a certeza”!.

(“In my dream, I saw Mr. Francisco, covering the holes in the road with sand and tar, which he called “pixe”, then started marking the road with white or yellow paint, so that he could avoid accidents when the car of the oxen of Mr. Manuel Lagareiro, passed by the bus of the career, which was wider, loosening in that curve, where there was a tree, that always was with the trunk painted white, but where the “personnel of the against” (people who did not agree with the regime of colonial rule), there would be pamphlets, sometimes even paintings, with letters to say things that Mr. Francisco, who also all said was “Bufo”, a word that in the language of the people, designated police informers of the state and, sometimes altered, said:

– If I know, or I catch the son of a bitch who writes these things, I’m going to report him to the police and he does not see the sun, he goes to the “Tarrafal” (prison establishment of politicians, in the islands of Cape Verde, in the middle of the Atlantic Ocean), with all certainty”)!.

“Neste meu sonho, o pai António, lá ia pela estrada abaixo, descalço, levantava o braço a dizer “olá”, a toda a gente por quem passava, às vezes até tirava o chapéu roto e encurrilhado!. De repente, vem um carro preto e parou, dois homens grandes e feios, levaram-no à força, pois o pai António, apesar de analfabeto, também tinha fama de ser do “contra”!. Foi preso para uma prisão onde estavam muitos companheiros, cercada de arame farpado, onde a água da chuva entrava por um janelo roto e aberto, que naquela altura, não estava encoberto por um farrapo, que um companheiro lá punha todas as noites”!. (“In this dream of mine, my father, Antonio, was walking down the road, barefoot, raising his arm to say hello to everyone he passed by, sometimes he even took off his broken and curled hat!. Suddenly, a black car came and stopped, two big and ugly men, took him by force, because the father Antonio, although illiterate, was also reputed to be the “against”!. He was arrested for a prison where many companions were surrounded by barbed wire, where rainwater entered through a broken and open window, which at that time was not covered by a rag, which a companion put there every night”)!.

“Quando acordei, estava todo molhado, e era EU!. Felizmente não era o pai António, que tinha fama de ser do “contra”!. (When I woke up, it was all wet, and it was ME!. Luckily it was not the father Antonio, who was reputed to be the “against”)!

…hoje, lendo tudo isto, não ficamos tristes porque o pai António e a mãe Ilda, não nos deram mais quando estávamos crescendo, pelo contrário, sentimo-nos gratos, por terem permitido que viéssemos a este mundo!. (Today, reading all this, we were not sad because father António and his mother Ilda did not give us more when we were growing up, on the contrary, we felt grateful for allowing us to come to this world)!.

…neste momento, levantamos a cabeça, olhamos o céu, o que o dia de hoje será, depende só de nós!. Nós é escolhemos o tipo de dia que vamos ter e, a menos que existam outros planos, lembramo-nos sempre que, um “sorriso” fará com que os dias melhorem, nesta já avançada idade, no entanto, não ficamos nunca tristes porque temos que fazer alguns trabalhos domésticos, pelo contrário, compreendemos e ficamos felizes, por termos um lugar, a que ainda podemos chamar de “lar”!. (At this moment, we lift our heads, look at the sky, what today will be, it’s up to us! We are choosing the type of day we are going to have, and unless there are other plans, we always remember that a “smile” will make the days improve in this already advanced age, however, we are never sad because we have to do some housework, on the contrary, we understand and are happy, because we have a place, which we can still call home)!.

…tenham um óptimo dia, queridos leitores!. (Have a great day, dear readers)!.

Tony Borie, August 2018.

…Borie’s Five, it’s cool!.

…Borie’s Five, it’s cool!.

…Borie’s Cinco, é fixe!. (Borie’s Five, it’s cool!

…com cinco, faz-se um número mágico!. Com cinco, é divertido!. Com cinco, é uma alegria!. Com cinco, é “fixe”!. (With five, make yourself a magic number!. With five, it’s fun!. With five, it’s a joy!. With five, it’s “cool”)!.

…antes a nossa casa estava demasiado limpa mas, com cinco netos em casa, não podemos manter muitas regras!. Porquê!. Porque ficamos sempre em desvantagem!. (Before our house was too clean but, with five grandchildren at home, we can not keep too many rules!. Because!. Because we are always at a disadvantage)!.

…não é que esteja a defender a anarquia!. Mas não se pode dizer a um neto ou neta que não se pode pendurar no sofá!. Que não se pode atirar para cima da cama, enrolando-se no lençol!. Que não pode correr pela casa segurando um gelado, que se vai derretendo nas mãos, deixando um rasto de diversas cores no chão, que antes estava limpo!. Que nos esconde o remoto control da TV, porque queremos mudar o canal que nesse momento está transmitindo “desenhos animados”!. Que sobe a uma cadeira da mesa, para espreitar o que os adultos estão a comer ou beber nesse momento e, não compartilham com eles!. (It is not that you are defending anarchy!. But you can not tell a grandson or granddaughter that you can not hang on the couch!. That you can not throw yourself on the bed, curling up in the sheet!. That he can not run around the house holding an ice cream, which melts in his hands, leaving a trail of several colors on the floor, which was clean before!. That hides the remote control of the TV, because we want to change the channel that is transmitting “cartoons”!. It climbs a table chair, to peek into what the adults are eating or drinking at that time and, do not share with them)!.

…que fogem para a garagem, para descobrirem algo escondido nas diversas caixas armazenadas, que guardam anos de história da vida dos avós!. Que a todo o momento querem subir para os braços dos avós, para ficarem em posição mais alta e olharem-nos nos olhos!. Para nos puxarem para a rua, tirando-nos do sofá, querendo analizar a área onde residem agora!. Que ficam admirados se chove, porque no seu pensamento, na Flórida é só sol e bom tempo!. Que na praia, nos puxam para as ondas do mar, pensando que com a nossa presença têm mais protecção!. (Who flee to the garage, to discover something hidden in the various boxes stored, that keep years of history of the life of the grandparents!. That at all times they want to climb into the arms of the grandparents, to stand in a higher position and look us in the eyes!. To pull us into the street, getting us off the couch, wanting to analyze the area where they now reside!. Who are amazed if it rains, because in his thought, Florida is only sun and good weather!. That on the beach, they pull us into the waves of the sea, thinking that with our presence they have more protection)!.

…temos notado que os nossos netos gostam muito de vir a nossa casa, porque também para eles, “é uma alegria” e, logo percebemos que a casa, com as crianças por aqui, produz uma atmosfera festiva!. Sobretudo os mais velhos, claro, tiram alguma vantagem sobre os mais novos e, às vezes dizem-nos que a casa está “demasiado limpa” e, não aceitam um fluxo de regras que, nós adultos de outra geração lhes queremos impor, como por exemplo, tentar repreendê-los de saltar ou correr pela casa enquanto seguram um copo de plástico com água na mão, que quando a água cai, “é uma alegria”!. (We have noticed that our grandchildren are very fond of coming to our house, because for them too “it is a joy” and soon we realize that the house, with the children around here, produces a festive atmosphere!. Especially the older ones, of course, take some advantage over the younger ones and sometimes tell us that the house is “too clean” and they do not accept a flow of rules that we adults of another generation want to impose on them, such as for example, try to scold them from jumping or running around the house while holding a plastic cup with water in hand, which when the water falls, “it is a joy”)!.

…viagens casuais ao parque ou à praia, tornaram-se excitantes para eles, porque as crianças precisam é mais tempo para descontrair e relaxar com a liberdade de não fazer nada e, isso foi uma opção a que demos alguma prioridade, embora na nossa idade, para nós, nos roubasse alguma energia!. (Casual trips to the park or the beach have become exciting for them because children need is more time to chill and relax with the freedom to do nothing and that was an option to which we gave some priority, although in the our age, for us, steal some energy)!.

…com cinco netos em casa, não temos lá muito tempo para gastar analisando cada movimento ou humor de cada um, e claro, também existe menos controle nas suas vidas, o que significa que as crianças têm mais controle nelas, concentrando-se mais sobre o que fazem, o que lhes agrada!. (With five grandchildren at home, we do not have much time to spend analyzing each movement or mood of each, and of course, there is also less control in their lives, which means that children have more control in them, concentrating more about what they do, what they like)!.

…mesmo quando vamos a algum lugar especial, esquecemo-nos que somos adultos, deixamos de ser orgulhosos e, escolhemos os locais, acreditando que lhes estamos a proporcionar uma oferta especial, onde eles se podem sentir o mais felizes possível!. (Even when we go somewhere special, we forget that we are adults, we stop being proud, and we choose the places, believing that we are providing them with a special offer, where they can feel as happy as possible)!.

…convivemos com eles por algum tempo, provávelmente vão esquecer o que lhes dissémos ou o que lhes fizémos mas, nunca esquecerão a alegria que lhes fizémos sentir!. Tal como a nós avós, uma palavra deles, boa ou má, ficará em nós por algum tempo, mas o que nos fizeram sentir, vai ficar para sempre em nossas memórias!. (We live with them for some time, they will probably forget what we said or what we did to them, but they will never forget the joy we made them feel!. Like grandmothers, one word of them, good or bad, will stay in us for a while, but what they have made us feel will forever remain in our memories)!.

…mas cinco netos é “fixe”!. Cremos mesmo que estes cinco netos, não vão ser um problema de superpopulação do mundo e, do seu esgotamento nos recursos para a sobrevivência do Planeta Terra!. Na realidade, o grande problema que o nosso Planeta enfrenta, é mesmo a falta de crianças!. (But five grandchildren is “cool”!. We even believe that these five grandchildren will not be a problem of overpopulation of the world and of their depletion in the resources for the survival of Planet Earth!. In fact, the big problem facing our Planet is the lack of children)!.

…ter cinco netos “é fixe”!. Os avós, esperam por vocês outra, outra e outra vez e, as vossas imagens ficam para sempre nos nossos já um pouco velhos corações, assim como aos vossos pais, que nos proporcionaram momentos únicos com a vossa visita!. (Having five grandchildren “is cool”!. Grandparents, wait for you again, again and again and again, and your images remain forever in our already old hearts, as well as your parents, who have given us unique moments with your visit!.

Tony Borie, August 2018.

…american with portuguese heart!.

…american with portuguese heart!.

…americano com coração português!. (…american with Portuguese heart)!.

…antes do ano de 1907, muitas crianças fizeram a viagem para os Estados Unidos sózinhas, onde algumas viajaram milhares de quilómetros sem a companhia de um pai, mãe ou outro qualquer guardião!. Mas, depois do ano de 1907, era proibido para qualquer pessoa que tivesse menos de 16 anos, passar pela Estação de Imigração, situada na Ellis Island (Ilha de Ellis), sem a companhia de um adulto!. (Before the year 1907, many children made the trip to the United States alone, where some traveled thousands of miles without the company of a parent, or any other guardian! But after 1907, it was forbidden for anyone under the age of 16 to pass through the Immigration Station, located on Ellis Island (Ellis Island), without the company of an adult)!.

…esta ilha está situada no estado de New Jersey, na Upper Bay (Baía Superior), quase onde o rio Hudson termina e as suas águas entram no Oceano Atlântico, a que os colonos holandeses chamavam a Ilha Oyster Island (Ilha das Ostras), por causa da abundância de ostras nas proximidades e, as ostras eram uma valiosa fonte de alimento, primeiro para as tribos nativas americanas, depois para aqueles que iam chegando ao Novo Mundo!. (This island is located in the state of New Jersey in the Upper Bay, almost where the Hudson River ends and its waters enter the Atlantic Ocean, which the Dutch settlers called Oyster Island, because of the abundance of oysters nearby, and oysters were a valuable source of food, first for the Native American tribes, then for those who were coming to the New World)!.

…bem, vamos começar com a história de hoje!. (Well, let’s start with today’s story)!.

…o António e a Ermelinda, foram emigrados nos Estados Unidos!. Aqui nasceu o seu único filho, o António Manuel, todavia, uns anos depois decidiram regressar a Portugal, quando este, ainda era uma criança!. Com algumas economias, construiram a sua casa e, cultivando algumas terras que herdaram, viviam razoávelmente, no conforto de uma aldeia na encosta da Serra da Estrela, próximo da cidade de Viseu!. (Antonio and Ermelinda were emigrated to the United States!. Here was born his only son, António Manuel, however, a few years later they decided to return to Portugal, when he was still a child!. With some savings, they built their home and, cultivating some land they inherited, lived reasonably, in the comfort of a village on the slope of Mountain of the Estrela (Star), near the city of Viseu)!.

…o António Manuel, a que todos chamavam o Tó Manel, foi crescendo, era um rapaz popular, podiam fazer-lhe as maiores brincadeiras, que ele não levava nada a mal, só às vezes é que ficava um pouco irritado quando lhe chamavam “Americano”, mas em certos momentos até achava graça!. Era um estudante um pouco melhor que o normal, era inteligente, mas não levava os estudos muito a sério!. Quando no intervalo das aulas, os colegas formavam um grupo de futebol, todos o queriam no seu time, pois ele, com habilidade ou com força, levava tudo à frente até à baliza adversária!. (Antonio Manuel, whom everyone called Tó Manel, grew up, he was a popular boy, they could make the biggest jokes to him, that he did not take anything to bad, only sometimes it was that he was a little annoyed when called “American”, but at times it even found grace!. He was a slightly better student than usual, he was smart, but he did not take his studies too seriously!. When, at the interval of classes, his colleagues formed a football group, everyone wanted him on his team, because he skillfully or forcefully took everything ahead to the opposing goal)!.

…quando iam tomar banho no rio, que passava ao fundo da aldeia, sabia as partes mais fundas do rio, onde existia a maior concentração de água, atirando-se lá de cima, de alguma árvore próxima, perante o desespero dos colegas, julgando que se ia matar!.

…nesse momento sim, alguns diziam:

  – O “Americano”, é “atravessado”!.

…mas outros, logo respondiam:

– Ele não é “atravessado”, ele é “maluco”!.

…esta, era a opinião dos colegas da escola!.

   (When they went to bathe in the river, that went to the bottom of the village, he knew the deepest parts of the river, where there was the greatest concentration of water, throwing himself up there, from some nearby tree, before the despair of his colleagues, thinking that he was going to kill himself!

    At that moment, yes, some said:

    – The “American” is “crossed”!.

    But others answered:

    – He is not “crossed”, he is “crazy”!.

   This was the opinion of school colleagues)!.

…mesmo no rio, a nadar, com habilidade ou com força, passava à frente de todos!. Não podia estar em casa, andava sempre na rua!. Os pais, faziam tudo para que o Tó Manel, tivesse algum tempo de descanso, mas não adiantava nada, nasceu assim, era traquino!. Os vizinhos gostavam dele e, muitas das traquinices que ele fazia, não diziam nada aos pais, pois era uma criança de quem gostavam!. Foi crescendo, acabou a escola primária, os pais matricularam-no na escola industrial, numa vila próxima, onde o levavam todos os dias, completou o curso de indústria, indo trabalhar numa empresa francesa, que se tinha instalado nessa vila próxima da sua aldeia!. (Even in the river, swimming, skillfully or forcefully, passed in front of everyone!. She could not be at home, she was always on the street!. The parents, they did everything so that the Tó Manel, had some time of rest, but it was no use, it was born like this, it was naughty!. The neighbors liked him, and many of the tricks he did did not say anything to his parents, because he was a child they liked!. He grew up, finished elementary school, parents enrolled him in industrial school, in a nearby village, where they took him every day, completed the industry course, going to work in a French company that had settled in that village near his village)!.

…as raparigas vizinhas, andavam quase todas, apaixonadas pelo Tó Manel!. Ele não prestava nenhuma atenção a elas!. O que ele queria era jogar futebol, andar nos bailes, corridas de motorizadas, pois ele alterava os motores para darem mais velocidade e ninguém sabia, assim, ganhava sempre!. Enfim, tudo o que de mal ou de bem se passasse na aldeia, o nome do Tó Manel, era sempre mencionado!. (The neighboring girls, almost all of them, in love with the Tó Manel!. He paid no attention to them!. What he wanted was to play football, to ride the balls, motorcycle races, because he changed the engines to give more speed and nobody knew, thus, he always won!. Anyway, all that bad or good happened in the village, the name of the Tó Manel, was always mentioned)!.

…fazendo um pequeno intervalo e voltando à Estação de Imigração situada na Ellis Island (Ilha de Ellis), nunca é demais lembrar que, por apenas 30 centavos, um imigrante com fome, poderia comprar pão, queijo, linguiça e limonada na tenda de comida que ali existia!. Os tempos eram outros e, depois da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa, havia um medo generalizado do comunismo!. Foi chamada a era de “Red Scare”, ( vermelho de medo), onde as autoridades de imigração tentaram impedir a entrada de comunistas, também conhecidos como “radicais” e “indesejáveis”!. Todavia, também havia benefícios para os passageiros de primeira e segunda classe, que não eram obrigados a ir à Estação de Imigração de Ellis Island, (Ilha de Ellis), para processamento de imigração, pois as autoridades pensavam que, se um imigrante pudesse comprar uma passagem de primeira ou segunda classe, provávelmente não estava doente ou com problemas financeiros, condições que poderiam torná-los um fardo para a sociedade americana!. (Taking a short break and returning to the Immigration Station on Ellis Island, it’s never too easy to remember that for just 30 cents a hungry immigrant could buy bread, cheese, sausage and lemonade in the tent of food that existed there!. The times were different, and after World War I and the Russian Revolution, there was a widespread fear of communism!. It was called the “Red Scare” era, where immigration officials tried to block the entry of communists, also known as “radicals” and “undesirable”!. However, there were also benefits for first and second class passengers who were not required to go to Ellis Island Immigration Station for immigration processing, as authorities believed that if an immigrant could afford to buy a first or second class pass, was probably not sick or in financial trouble, conditions that could make them a burden to American society)!.

…regressamos agora à personagem do nosso Tó Manel que, embora tivesse nascido nos Estados Unidos, adorava Portugal, considerando Portugal a sua Pátria e, aproximando-se a idade do serviço militar obrigatório, mesmo sabendo que a Guerra Colonial o levaria a África, vai à inspecção, fica apurado para todo o serviço militar, completa a instrução militar, vai defender Portugal, para a então Província Colonial da Guiné Portuguesa, junto de nós, no mesmo barco, mas em diferente unidade militar, recebendo o nome de guerra de “Furriel Miliciano”, pois era esse o seu posto, mas era tal e qual um vulgar soldado, pois convivia com todos, tal como quando era criança, com os seus colegas de escola!. (We now return to the character of our Tó Manel who, although he was born in the United States, loved Portugal, considering Portugal his Homeland, and approaching the age of compulsory military service, even though he knew that the Colonial War would take him to Africa, goes to the inspection, is apprehended for all military service, completes the military training, will defend Portugal, for the then Colonial Province of Portuguese Guinea, next to us, in the same boat, but in different military unit, receiving the name of war of “Furriel Militiano”, for this was his post, but he was just as vulgar a soldier, for he lived with everyone, just as when he was a child, with his schoolmates)!.

…sobrevive dois anos naquela zona de combate, estacionado no aquartelamento da vila de Mansoa, combatendo e ajudando a construir este posto avançado, tal como nós, onde já mencionámos o seu nome por diversas vezes, em que a sua personagem era o principal protagonista, e claro, entre outros factores, com muita sorte, regressa a Portugal!. (Survives for two years in that combat zone, stationed in the quarter of the village of Mansoa, fighting and helping to build this outpost, just like us, where we have mentioned his name several times, where his character was the main protagonist, and of course, among other factors, with great luck, returns to Portugal)!.

…o Tó Manel, como tinha nascido nos Estados Unidos, regressa ao seu país de origem, aterrando no aeroporto de Nova Iorque, onde nos serviços de Imigração, lhe deram as boas vindas a casa, talvez lhe dizendo em seguida, “continue andando”, pois o lema não oficial dos trabalhadores da Estação de Imigração de Ellis Island, (Ilha de Ellis), era “continue andando”, assim, os trabalhadores estavam a tentar manter a linha em movimento, porque a estação estava superlotada!. Naquela época, a Estação de Imigração de Ellis Island, (Ilha de Ellis), tinha sido projectada para processar 5.000 pessoas por dia, todavia durante o pico do período de imigração, mais de 11.000 imigrantes chegavam todos os dias!. (The Tó Manel, as he was born in the United States, returns to his country of origin, landing at New York airport, where he was welcomed by Immigration Services, perhaps telling him “continue walking”, because the unofficial motto of workers at Ellis Island Immigration Station was” keep walking”, so the workers were trying to keep the line moving because the station was overcrowded!. At that time, the Ellis Island Immigration Station had been designed to process 5,000 people per day, but during the peak of the immigration period, more than 11,000 immigrants arrived every day)!.

…continuando, o Tó Manel, regressou aos Estados Unidos, para a companhia de uns tios, que viviam na mesma cidade onde nós naquela época também vivíamos, aliás, onde vivia quase toda a comunidade portuguesa oriunda da zona de Aveiro e Viseu, lá em em Portugal!. (And continued, Tó Manel, returned to the United States, to the company of some uncles, who lived in the same city where we also lived in that time, in fact, where almost all the Portuguese community came from the zone of Aveiro and Viseu, there in Portugal)!.

…com a mais pura das coincidências, o Criador põe-nos de novo frente a frente, num arraial do Clube Português, naquela cidade, pois normalmente era o local onde as pessoas emigradas das diversas regiões de Portugal, aproveitavam as festas socias que se realizavam no clube para se encontrar!. Abraçámo-nos, rimos, chorámos, fumámos um cigarro feito à mão e, lembrámos os momentos passados na Guerra Colonial!. (With the purest coincidence, the Creator puts us face to face again, in a camp of the Portuguese Club, in that city, since it was usually the place where people emigrated from different regions of Portugal took advantage of the social parties that they performed at the club to meet!. We hugged, laughed, cried, smoked a handmade cigarette, and remembered the moments spent in the Colonial War)!.

…na multinacional onde exercíamos a nossa profissão, precisavam de novos empregados!. Por essa razão foi que, no já longínquo ano de 1907, chegaram à Estação de Imigração de Ellis Island, (Ilha de Ellis), 1.007.765 imigrantes, onde milhares de telhas foram usadas na construção do Grande Salão, a maior e principal sala do edifício desta Estação de Imigração, onde depois do ano de 1917, o governo dos EUA exigiu que os imigrantes fossem alfabetizados!. Isso significava que eles deveriam ser capazes de ler e escrever na sua língua nativa, onde a alfabetização era determinada no Grande Salão, durante o processo de inspeção!. (In the multinational where we carried out our profession, they needed new employees!. That is why, in the distant year 1907, 1,007,765 immigrants arrived at the Ellis Island Immigration Station, where thousands of shingles were used in the construction of the Great Hall, the largest and largest room of the building of this Immigration Station, where after the year 1917, the US government demanded that the immigrants be literate!. This meant that they should be able to read and write in their native language, where literacy was determined in the Great Hall during the inspection process)!.

…felizmente, não foi o caso do Tó Manel, que além de nascer neste país, sabia ler e escrever, não só em Português, como era fluente na língua francesa ou inglesa!. Com o nosso auxílio, foi trabalhar para a multinacional, sendo nosso companheiro de trabalho, tal como já tinha sido em cenário de guerra!. (Fortunately, it was not the case of Tó Manel, who not only was born in this country, but could read and write, not only in Portuguese, but also fluent in French or English!. With our help, it was to work for the multinational, being our workmate, as it had already been in a scenario of war)!.

…tal como quando era criança em Portugal, ou quando estava em zona de combate na então Província Colonial da Guiné Portuguesa, passado um tempo, já era popular!. Todos conheciam o Tó Manel!. Nos primeiros dois anos, conheceu diversas posições no seu trabalho!. Foi ajudante, operador de um forno onde se derretia alumínio, condutor de empilhador, operador de um moinho de misturar diversos produtos metálicos, empacotador, enfim, aplicava para todos os trabalhos que estavam disponíveis!.

…na sala do lanche, os portugueses, diziam:

   – Porra, o Tó Manel não pára em “ramo verde”!.

   (Just as when I was a child in Portugal, or when I was in combat zone in the then Colonial Province of Portuguese Guinea, after a while, it was already popular!. Everyone knew Tó Manel!. In the first two years, you have met different positions in your work!. It was helper, operator of a furnace where aluminum melted, driver of forklift, operator of a mill to mix various metal products, packer, in short, applied for all the jobs that were available!.

    In the snack room, the Portuguese said:

    – Damn, Tó Manel does not stop at “green branch”)!.

…nos intervalos do trabalho, quando os portugueses se juntavam, qualquer conversação era motivo para o Tó Manel finalizar, com uma destas expressões:

  – Hó, mas em Portugal é melhor!. Hó, mas em Portugal é que é bom!. Hó, mas em Portugal é assim!. Hó, mas em Portugal é diferente!.

   (In the intervals of work, when the Portuguese joined, any conversation was cause for the Tó Manel to finish, with one of these expressions:

    – Hó, but in Portugal is better!. Hó, but in Portugal it is good!. Hó, but in Portugal it is so!. Hó, but in Portugal it is different)!.

…voltando um pouco à Ellis Island (Ilha de Ellis), o Tó Manel, tinha nascido nos Estados Unidos, já muito depois do tamanho original da Ellis Island (Ilha de Ellis), que era de 3,3 acres, mas cresceu ao longo dos anos, chegando ao tamanho actual de 27,5 acres, isto é, oito vezes maior!. Como isso aconteceu? Pedra e terra extraídas de projetos de construção maciços, como a construção dos túneis do metropolitano de Nova York, que foram adicionados como aterros, ao redor da ilha original!. Mas, apesar de ter nascido nos Estados Unidos, o Tó Manel, gostava, adorava mesmo Portugal, aliás, tinha dado a sua vida, tinha dado o corpo às balas, na Guerra Colonial em África, defendendo a bandeira de Portugal!. (Returning to Ellis Island, the Tó Manel, had been born in the United States long after the original size of Ellis Island, which was 3.3 acres, but grew over the years, reaching the current size of 27.5 acres, that is, eight times greater!. How did this happen?. Stone and land extracted from massive construction projects, such as the construction of the tunnels of the New York metropolitan, which were added as landfills, around the original island!. But despite being born in the United States, Tó Manel liked it, he really loved Portugal!. In fact, he had given his life, had given his body to the bullets, in the Colonial War in Africa, defending the Portuguese flag)!.

…a Rosa, a quem os pais chamavam “Bezuga”, (rapariga bonita, neste caso filha bonita, na linguagem das ilhas), e o Tó Manel, depois de a conhecer, lhe passou a chamar única e simplesmente Zita, que era o diminuitivo de Rosita, uma rapariga de dezoito anos, filha de um casal, em que o pai era das ilhas, mais propriamente da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, e a mãe do continente, mais propriamente de Moncorvo e, tinha um irmão mais novo, de apenas oito anos, que completava esta família a que os vizinhos chamavam os “Açoreanos”!. (Rosa, whom her parents called “Bezuga” (beautiful girl, in this case beautiful daughter, in the language of the islands), and the Tó Manel, after knowing her, called him simply and simply Zita, who was the diminutive of Rosita, an eighteen-year-old girl, the daughter of a couple, whose father was from the islands, more specifically Ribeira Grande, on the island of São Miguel, and the mother of the continent, more specifically Moncorvo, a younger brother, just eight, who completed this family the neighbors called the “Azoreans”)!.

…num sábado à tarde, a Rosa foi com a família, ao arraial à portuguesa, que se realizou no Clube Português, da cidade onde vivíamos!. Havia sardinhas assadas, febras, frango de churrasco, cerveja, vinho e música de Portugal, como tal, era aí que o Tó Manel, se sentia feliz!. Estava no meio de Portugal!. (On a Saturday afternoon, Rosa went with her family, to the Portuguese village, which took place in the Portuguese Club, the city where we lived!. There were roasted sardines, fries, barbecue chicken, beer, wine and music from Portugal, as such, that’s when Tó Manel felt happy!. I was in the middle of Portugal)!.

…a Rosa, viu o Tó Manel no meio de um grupo de rapazes, que logo lhe despertou a atenção, pois era um pouco mais velho que os outros, mas convivia, falava, ria-se e brincava com todos!. Simpatizou com ele e, quando teve oportunidade de o encarar, pisca-lhe o olho!. (Rosa, saw Tó Manel in the middle of a group of boys, who soon aroused his attention, because he was a little older than the others, but he lived, talked, laughed and played with everyone!. He sympathized with him, and when he had a chance to face him, his eye blinked)!.

…o Tó Manel, habituado a todo o tipo de provocações, não ligou!. Passado algum tempo, já depois de ter bebido umas cervejas, quando a música começou a tocar e, como a Rosa andava por perto, o Tó Manel convida a Rosa para dançar!. Ninguém sabe o que a Rosa lhe disse ou lhe fez, a verdade é que não mais a largou!. (Tó Manel, accustomed to all kinds of provocations, did not call!. After some time, after drinking a few beers, when the music began to play and, as Rosa was around, Tó Manel invites Rosa to dance!. No one knows what Rosa told or did to him, the truth is that he did not leave her)!.

…começaram a namorar!. O local de namoro era num parque, que havia em frente à casa da Rosa!. Num dia de chuva, namoravam dentro do carro do Tó Manel, a mãe, de vez em quando vinha à janela, para ver se via algo de anormal!. Pareceu-lhe que viu o carro a balançar e, diz ao filho de oito anos, na linguagem que se usava em casa e que só eles compreendiam, que era um português americanizado, com sotaque e algumas palavras originalmente faladas nos Açores:

   – Hó “nisca de gente”, (rapazinho), veste a jaqueta (casaco), “vá larê” (vai dar uma volta), lá fora, ver se a “bezuga”, (filha bonita), tua irmã, que está no carro do Tó Manel, “parqueado” (estacionado), ali no parque, e “take a look”, (dá uma olhada), se a “bezuga” está bem?.

…e continuando, enquanto levava uma cerveja “Korisca” (marca de cerveja original dos Açores, que só bebiam ao domingo, e que compravam num estabelecimento de importação de bebidas, numa cidade ao norte do estado de Nova Jersey) ao marido, que estava sentado em frente à televisão:

   – Que tempo, não “escampar” (parar de chover), se vêm para “outside” (cá para fora), ficam todos “enlameirados” (molhados e sujos), anda, “pega drêt” (desaparece)!.

   (Started dating!. The place of dating was in a park, that was in front of the house of the Rose!. On a rainy day, they would get into Tó Manel car, his mother would occasionally come to the window to see if he saw anything abnormal!. It seemed to him that he saw the car swaying, and told the eight-year-old son in the language used at home that only they understood that he was an Americanized Portuguese with an accent and a few words originally spoken in the Azores:

   – Ho “nisca de gente”, (little boy), wear the “jacket” (coat), “go larê” (go for a walk), outside, see if “bezuga” (beautiful daughter), your sister, who is in the car of Tó Manel, “parked”, there in the park, and “take a look”, if the “bezuga” is well?.

   And continuing, while carrying a “Korisca” beer (the original Azores beer brand, which they only drank on Sunday, and which they bought at a liquor import establishment in a town in northern New Jersey) who was sitting in front of the television:

    – What time, do not “escampar” (stop raining), if they come out side, are all “enlameirados” (wet and dirty), “anda” (walks), “pega drêt” (disappears)!.

…o irmão da Rosa, veio cá fora, aproximou-se do carro, encostou-se à janela, colocou a mão sobre os olhos, servindo de protecção por causa da chuva e, viu o que não devia ver!. Regressa a correr para casa, gritando para a mãe:

  – Mãe, mãe, a “bezuga”, está debaixo do Tó Manel, com a saia levantada!.

   (Rosa’s brother came outside, approached the car, leaned against the window, put his hand over his eyes, served as protection because of the rain and saw what he should not see!. He runs back home, shouting at his mother:

     – Mother, mother, the “bezuga”, is under the Tó Manel, with the skirt raised)!.

…o pai, honrado homem das ilhas, ao ouvir isto, salta do sofá, pois como já mencionámos, estava a ver um jogo do Benfica-Sporting, em frente à televisão, onde o seu Sporting, clube do seu coração estava a perder, larga a garrafa de cerveja “Korisca”, que tinha entre as mãos, pega na faca da cozinha e, querendo salvar a honra da sua querida “bezuga”, (filha bonita), não se importando se estava a chover, vem a correr direito ao carro, abre a porta, agarra o Tó Manel pela camisa, encosta-lhe a faca ao pescoço, dizendo-lhe na sua linguagem, que como já mencionámos entravam muitas palavras que só as pessoas oriundas dos Açores compreendiam e, com cara de um guerreiro combatente, que se encontrava debaixo de fogo, numa emboscada nos pântanos da então Guiné Portuguesa:

   – Houve lá, meu “corisco mal amanhado” (meu safado), vais fazer a “bezuga”, (filha bonita), tua esposa, ou “vais apanhar nas ventas”, (vais levar na cara), ou no “ilhó” (no cú), que vais ficar com os “olhos arregalados” (olhos em bico), talvez te arranque essas “gadelhas” (cabelos), ou talvez queiras que te agarre com os “gadanhos” (dedos), no “rabixel” (rabo), ou te arranque essa “picanca” (nariz), e te ensine, as boas maneiras de respeitar um “householder” (chefe de família)!. Se és “Petxeno” (rapazola), e pensas o contrário, “tás bem amanhado” (estás lixado)!. “pelo’ê” (ai de ti), “asno” (burro), “tás vesgueta” (estás cego), a minha “bezuga” (filha bonita), não é nenhum “podão” (mulher feia)!.

   (The father, an honorable man from the islands, on hearing this, jumps off the couch, because as we have already mentioned, he was watching a game of Benfica-Sporting, (soccer), in front of the television, where his Sporting club of his heart was to lose, drop the bottle of “Korisca” beer, which he had in his hands, he took the kitchen knife and, wanting to save the honor of his beloved “bezuga” (beautiful daughter), did not care if it was raining, run right into the car, open the door, grab Tó Manel by the shirt, lean his knife around his neck, telling him in his language that as we mentioned, many words entered that only people from the Azores understood and, with a face of a fighting warrior, who was under fire, in an ambush in the swamps of the then Portuguese Guinea:

   – There was there, my “corisco mal amanhado” (my naughty), you will be “bezuga” (beautiful daughter), your wife, or “vais apanhar nas ventas”, (you will take in the face), or the “ilhó” (on your ass), that you’re going to have the “olhos em bico” (eyes in the beak), maybe you’ll tear out those “gadelhas” (hair), or maybe you want to catch you with the “gadanhos” (fingers), on “rabixel” (tear) off that “picanca” (nose), and teach you, the good manners of respecting a householder!. If you are “Petxeno” (young man), and you think the opposite, “tás bem amanhado” (you are sanded)!. “Pelo’ê” (woe to you), “asno” (donkey), “tás vesgueta” (you’re blind), my “bezuga” (beautiful daughter), is not a “podão” (ugly woman)!.

…ninguém sabe se foi pela faca encostada ao pescoço, ou pela linguagem do pai da Rosa, pois já estava habituado a ver isto, quando foi combatente e, esteve em zona de combate na então Província Colonial da Guiné Portuguesa, mas a verdade é que passado três meses, foram à presença do senhor padre da Igreja Portuguesa de Nossa Senhora de Fátima, que lhe leu a epístola, fazendo deles, marido e mulher!. (No one knows if it was the knife leaning on his neck, or the language of Rosa’s father, since he was already used to seeing it when he was a combatant and was in a combat zone in the then Colonial Province of Portuguese Guinea, but the truth is that after three months, they went to the presence of the Lord Father of the Portuguese Church of Our Lady of Fatima, who read the epistle, making them husband and wife)!.

…seguiu-se um banquete, no Clube Português, onde lá para o final houve alguma diferença de opiniões entre o continente e as ilhas, que ia acabando em zaragata, mas com um discurso lento, intervalado com alguns soluços, o senhor padre, fez ver a todos, que era um dia de alegria, acabando finalmente por todos irem para suas casas, embora alguns não se cumprimentassem no momento da despedida!. (A banquet followed in the Portuguese Club, where towards the end there was some difference of opinion between the mainland and the islands, which ended in a ruckus, but with a slow speech, interrupted with some sobs, the priest , made everyone see that it was a day of joy, finally ending by everyone going to their homes, although some did not greet each other at the moment of farewell)!.

…o Tó Manel, na multinacional, agora era uma pessoa mais calma!. No entanto aplicou para nova ocupação, agora operava uma máquina de cortar arame!. Era um trabalho que necessitava de alguma habilidade, mas o Tó Manel, aos poucos, foi aperfeiçoando a máquina à sua maneira, e passado algum tempo, fazia mais produção num dia que os restantes operadores em três!.

…na sala do lanche, os portugueses, diziam:

   – Porra, parece que o Tó Manel, agora “acentou”!.

   (The Tó Manel, in the multinational, was now a calmer person!. However applied for new occupation, now operated a wire cutting machine!. It was a job that needed some skill, but the Tó Manel, little by little, perfected the machine in its own way, and after some time, it did more production one day than the remaining operators in three !.

    In the snack room, the Portuguese said:

    – Damn, it seems that Tó Manel has now “accentuated”)!.

…trabalhava algumas horas extras!. A Rosa, que agora era a sua Zita, também trabalhava, sendo secretária numa companhia de seguros!. O sogro, honrado homem das ilhas, cossando a “cramalheira” (queixo), como ele sempre fazia, um dia disse-lhe:

   – Hó Tó Manel, tenho uma “apoquentação” (inquietação)!. Para criar a “bezuga”, (filha bonita), eu e a mãe, passámos “fominha negra” (muita fome), creio que és um marido “binsuade” (abençoado), “mêm de veras” (a sério), é o momento de comprarem uma casita, estão a trabalhar os dois, podem “agantar” (aguentar) essa responsabilidade!.

   (Worked some overtime!. Rosa, who was now her Zita, also worked as a secretary at an insurance company!. His father-in-law, an honorable man of the islands, sewing the “cramalheira” (chin), as he always did, one day said to him:

    – Ho Tó Manel, I have a “apoquentação” (uneasiness)!. To create the “bezuga”, (beautiful daughter), me and the mother, we passed “fominha negra” (very hungry), I believe that you are a husband “binsuade” (blessed), “mêm de veras” (seriously), it’s time to buy a house, they’re both working, they can “agantar” (to endure) that responsibility)!.

…o Tó Manel e a sua Zita, um pouco contrariados, compraram uma casa, mas nunca esquecendo, que o seu pensamento era Portugal, pois lá é que era bom!. Tudo corria com normalidade, só que o seu pensamento, era em Portugal!. Vinham, uma ou duas vezes por ano a Portugal!. Eram umas saudades terríveis, era mais forte do que ele. A Zita, também já adorava Portugal, aquela aldeia, aquela gente simples e, como vinham de férias, claro, temporáriamente, tudo eram simpatias, não existia qualquer problema no dia a dia, regressavam sempre com vontade de voltar!. (Tó Manel and his Zita, a little annoyed, bought a house, but never forgetting, that his thought was Portugal, because there it was good!. Everything ran normally, only his thought was in Portugal!. They came once or twice a year to Portugal! They were terribly longing, stronger than him. Zita, also loved Portugal, that village, those simple people and, since they were on vacation, of course, temporarily, everything was sympathy, there was no problem on a day-to-day basis, they always returned with a desire to return)!.

…a desculpa na multinacional, para tirar o tempo fora do seu trabalho, e sempre que ia ao departamento do pessoal, era:

   – Preciso de duas semanas de férias, tenho que ir pintar a casa aos meus pais, em Portugal, que já estão velhos!. 

   (The excuse in the multinational to take time out of his job, and whenever he went to the staff department, it was:

     – I need two weeks of vacations, I have to paint the house to my parents, in Portugal, who are already old)!.

…na multinacional, gostavam dele e, concediam-lhe o tempo fora!. Um dia, quando chegou de Portugal, numa dessas muitas visitas, disse, na sala do lanche, para os companheiros portugueses:

   – Vou comprar um carro novo desta marca, pois é o que se usa agora em Portugal!. E vou levá-lo para lá!.

   (In the multinational, they liked him and, granted him time out!. One day when he arrived from Portugal on one of these many visits, he said to the Portuguese companions in the snack room:

    – I am going to buy a new car of this brand, because it is what is used now in Portugal!. And I’ll take you there)!.

…assim fez, comprou o carro, ficou na garagem da casa, coberto com um grande pano, esperando o envio para Portugal, continuando a usar o carro que tinha antes!. Os anos passaram, continuou com as viagens a Portugal!. A sua Zita, entretanto fica grávida, nasce uma linda menina!.

…sempre que lhe perguntavam se já mandou o carro para Portugal, respondia:

   – Ainda não, vou levá-lo, quando for de vez!. É mais fácil de legalizar lá!.

   (So he did, bought the car, stayed in the garage of the house, covered with a large cloth, waiting for the shipment to Portugal, continuing to use the car he had before!. The years passed, continued with the trips to Portugal!. Your Zita, meanwhile gets pregnant, is born a beautiful girl)!.

     Whenever he was asked if he had already sent the car to Portugal, he would answer:

    – Not yet, I’ll take when it’s time!. It’s easier to legalize there)!.

…passaram nove anos, ainda não tinha ido de vez!. O carro continuava na garagem coberto com um pano, em alguns locais já com ferrugem, os pneus, com a borracha ressequida e perdendo o ar!. Era um carro novo, já velho!. (It had been nine years, I still had not gone!. The car remained in the garage covered with cloth, in some places already with rust, the tires, with the rubber parched and losing the air!. It was a new car, already old)!.

…ainda não tinha completado doze anos de estadia nos Estados Unidos e, já tinha feito vinte e sete viagens a Portugal!.

…na sala do lanche, os companheiros portugueses, diziam:

   – Porra, o Tó Manel, já deve saber pilotar um avião e, ir de olhos fechados a Portugal!.

   (Had not yet completed a twelve-year stay in the United States, and had already made twenty-seven trips to Portugal!.

     In the snack room, the Portuguese companions, said:

     – Damn, Tó Manel, you must know how to fly a plane, and go with your eyes closed to Portugal)!.

…trabalhou, mais oito anos na multinacional!. Acabou por vender o carro novo, já velho, a um companheiro de trabalho, que por sua vez, acabou por vendê-lo para a sucata, para tirarem algumas partes!.

…na sala do lanche, os companheiros portugueses, diziam:

– Então o Tó Manel, não vai de vez para Portugal!. Esse carro, para mim, nem dado o queria!.

   (Worked, eight more years in the multinational!. He ended up selling the new, old car to a fellow worker, who in turn eventually sold it to the junk to get some parts!.

    In the snack room, the Portuguese companions, said:

    – Then the Tó Manel, does not go to Portugal!. This car, for me, not even given it wanted !.

…o sogro, o honrado homem das ilhas, era encarregado de uma “gang” (grupo de trabalhadores), numa companhia de construção de estradas, andava sempre todo “enlameirado” (enlameado)!. Considerava o Tó Manel como um filho “brassad” (amigo), fazendo com que largasse o trabalho na multinacional, levando-o para trabalhar a seu lado, com a intenção de que, quando se reformasse, passar o lugar de encarregado ao Tó Manel!. (His father-in-law, the honored man of the islands, was in charge of a “gang” (a group of workers), in a company of road construction, he was always “enlameirado” (muddy)!. He considered Tó Manel as a son “brassad” (friend), causing him to leave the work in the multinational, taking him to work with him, with the intention that, when he retires, to change the position of person in charge to Tó Manel)!.

…algum tempo depois, encontrámos o Tó Manel, num desses arraiais, no Clube Português, e perguntámos:

   – Então, como estás, sempre vais de vez para Portugal?.

…ao que ele respondeu, como uma certa amargura no olhar:

   – Ainda não!. A minha filha está a completar a escola!. O meu pai já morreu, a minha mãe está sózinha, não quer vir para aqui, isso ainda me faz sofrer mais!. Como sabes, nasci aqui, mas adoro Portugal!. Quero vêr se faço mais três anos de trabalho na construção, para ter direito à reforma, depois sim, irei, dôa a quem doer!.

  (Some time later, we found Tó Manel, in one of these camps, in the Portuguese Club, and we asked:

    – So, how are you, you always go to Portugal?.

    To which he replied, as a certain bitterness in the gaze:

     – Not yet!. My daughter is completing school!. My father is dead, my mother is alone, does not want to come here, it still makes me suffer more!. As you know, I was born here, but I love Portugal!. I want to see if I do three more years of construction work, to have the right to retirement, then yes, I will, whoever hurts)!.

…passaram mais alguns anos, viemos viver aqui no estado da Florida e, um certo dia, também por pura casualidade, encontrámo-nos de novo, desta vez na praia, onde em alguns dias é costume ir-mos pescar!. Chega alguém, com um balde na mão e uma cana de pesca, cremos mesmo que nos conheceu e sabia que era costume nos encontrar-mos por ali, toca-nos no ombro, e pergunta:

   – Então, como vai a pesca?.

   (A few years passed, we came to live here in the state of Florida and, one day, also by pure chance, we met again, this time on the beach, where in a few days it is customary to go fishing!. Someone arrives, with a bucket in hand and a fishing rod, we believe that he met us and knew that it was customary to meet us there, touch us on the shoulder, and ask:

     – So, how’s the fishing?.

…imediatamente reconhecemos a voz!. Era ele, o Tó Manel!. Conta-nos que, foi para Portugal de vez, a sua mãe já tinha morrido, mas não se dava mais com o ambiente, agora com aquela coisa dos euros, ninguém se entende, não se sentia bem, tanto ele como a sua Zita, pois a filha, já casada e com dois filhos, ficou nos Estados Unidos!. Os sogros, infelizmente também já tinham morrido!. (We immediately recognize the voice!. It was him, Tó Manel!. He tells us that he went to Portugal from time to time, his mother had already died, but he did not care about the environment, now with that euros thing, nobody understands, he did not feel well, he and his Zita, because the daughter, already married and with two children, stayed in the United States!. The in-laws, unfortunately, had already died)!.

…resolveu vender tudo lá em Portugal e, vir de novo para cá!. Comprou uma casa aqui, na mesma cidade onde vivemos e vivem mais Portugueses, com grande destaque para a comunidade oriunda dos Açores, mas estava a pensar em ir viver para as montanhas do estado da Geórgia, aí sim, aí é que era bom, aí é que era melhor, aí é que era diferente!. A verdade, é que foi mesmo. Por quanto tempo, ninguém sabe, só Deus!. (Decided to sell everything there in Portugal and, come again here!. Bought a house here, in the same city where we live and live more Portuguese, with great emphasis on the community from the Azores, but it was thinking of going to live in the mountains of the state of Georgia, there, that was good, there it was better, that’s where it was different!. The truth is that it was!. For how long, no one knows, God alone!.

…o Tó Manel, o “Furriel Miliciano, que andava sempre com um cigarro feito à mão na boca, não parava em “ramo verde”!. (The Tó Manel, the “Furriel Miliciano, who always walked with a handmade cigarette in his mouth, did not stop at “green branch”)!.

…no entanto, não queremos terminar sem lembrar que, no ano de 1965, o presidente Lyndon B. Johnson, assinou uma proclamação para tornar Ellis Island (Ilha de Ellis), num Monumento Nacional!. Antes de Ellis Island (Ilha de Ellis) abrir como a primeira estação de imigração federal, os imigrantes que chegavam à cidade de Nova York, eram processados no Castle Garden (Jardim do Castelo), localizado na ponta da ilha de Manhattan!. Mais de 11 milhões de imigrantes passaram pelo Jardim do Castelo, desde 1820 a 1892!. (However, we do not want to end without remembering that in the year 1965, President Lyndon B. Johnson signed a proclamation to make Ellis Island, a National Monument!. Before Ellis Island opened as the first federal immigration station, immigrants arriving in New York City were sublet at Castle Garden, located on the tip of Manhattan Island!. More than 11 million immigrants passed through the Garden of the Castle, from 1820 to 1892)!.

Tony Borie, August 2018.

…we were almost soldiers without a country!

…we were almost soldiers without a country!

 

…éramos quase uns soldados sem um país!. (we were almost soldiers without a country)!.

…naquela época, as forças militares que faziam parte do Exército de Portugal, pelo menos aquelas que estavam estacionadas na frente de combate da então Província Colonial da Guiné Portuguesa, começavam a ver a guerra de guerrilha agressiva e violenta, com que os guerrilheiros que lutavam pela independência do seu território usavam, como uma séria ameaça!. (At that time, the military forces that were part of the Portuguese Army, at least those that were stationed on the battlefront of the then Colonial Province of Portuguese Guinea, began to see the aggressive and violent guerrilla warfare with which the guerrillas who fought for the independence of their territory used, as a serious threat)!.

…eles, os guerrilheiros, entre outras vantagens, havia a de lutarem pelo seu ideal, pela sua terra prometida, pelo seu imaginável, pelo seu fantástico sonho de correr de vez com as pessoas (que a história universal lhes ensinou), que entre outras coisas lhe tinham escravizado os seus avós!. (The guerrillas, among other advantages, had to fight for their ideal, for their promised land, for their imaginable, for their fantastic dream of running with people (which universal history taught them), which among other things his grandparents had enslaved him)!.

…além de eles, os guerrilheiros, conhecerem e se sentirem confortáveis naquele terreno de terra vermelha, onde naquela região de África, era plano, coberto de pântanos, com corredores entre densa floresta ou terras alagadas, (onde se calcava lama, ou uma água morna, parada e coberta de mosquitos, que exalava um mau cheiro muito intenso, que a nós Europeus, nos causava tonturas, desmoralização e mau estar)!. (Besides them, the guerrillas, knew and felt comfortable in that red earth terrain, where in that region of Africa, it was flat, covered with marshes, with corridors between dense forest or wetlands, (where mud was soaked, or a warm, still water covered with mosquitoes, which exuded a very intense stench, which to us Europeans caused us dizziness, demoralization and malaise)!.

…eles, os guerrilheiros, já tinham armas sotisficadas para a época, tinham planos de ataque, conheciam o terreno em que se movimentavam, atacavam os diversos aquartelamentos das tropas Portuguesas, que existiam em lugares considerados estratégicos na então Província Colonial!. Entre outras armas, usavam o morteiro de calibre 90 mm, metralhadoras ligeiras, colocavam minas e fornilhos nos corredores de ascesso às suas bases, que às vezes eram a única via que existia, por entre os pântanos, para qualquer ser humano se deslocar de uma aldeia para outra!. (They had already had weapons for the time, had plans of attack, knew the terrain in which they moved, attacked the various barracks of Portuguese troops, which existed in places considered strategic in the then Colonial Province!. Among other weapons, they used the 90 mm caliber mortar, light machine guns, mines and fornillos in the corridors of their base, which were sometimes the only way out of the marshes for any human being to move from one village to another)!.

…muitas vezes, as tropas Portuguesas encontravam-se na pior posição, para avançar e identificar com precisão a sua localização no terreno, onde ou existia selva cerrada, pântanos ou canais, com água, lama e tarrafo, e frequentemente, quando atravessavam os rios ou canais, havia os “macaréus”, (grande vaga impetuosa que, em certos rios, se forma quando as águas desse mesmo rio se encontram com as água do mar), algumas vezes até animais perigosos, como por exemplo crocodilos, onde em algumas situações o inimigo, tirando alguma vantagem, surgia de todos os lados, atacando, disparando, sem dar qualquer oportunidade para que se recuperasse os nossos mortos ou feridos!. (Portuguese troops were often in the worst position to advance and accurately identify their location on the ground, where there were either closed jungle, swamps, or canals, with water, mud, and tarrafo, and often when they crossed the rivers or canals, there were the “macaréus”, (great impetuous wave that, in certain rivers, is formed when the waters of that same river meet with the water of the sea), sometimes even dangerous animals, as for example crocodiles, where in some situations the enemy, taking some advantage, appeared from all sides, attacking, firing, without giving any opportunity for our dead or wounded to recover)!.

…naquele cenário, não existiam condições, para se tentar recuperar qualquer morto ou ferido, pois as vítimas, deviam ser puxados para algum tipo de posição onde houvesse alguma segurança, para serem tratados e, levar um homem ferido ou morto, requer até quatro homens como portadores, o que também enfraquecia uma unidade militar num momento crítico, portanto esses infelizes militares, quando eram atingidos, alguns deles, por lá ficavam para sempre!. (In that scenario, there were no conditions, to try to recover any dead or injured, since the victims were to be pulled into some sort of position where there was some security, to be treated and to take a wounded or dead man, requires until four men as carriers, which also weakened a military unit at a critical moment, so these unhappy soldiers, some of them, when they were hit, stayed there forever)!.

…o inimigo estava bem treinado, agressivo e estava equipado com uma preponderância de armas automáticas com muitas munições, e nós, “éramos quase uns soldados sem um país”, para ali mandados, para longe das aldeias, vilas ou cidades onde nascemos, para longe do nosso continente, treinados à pressa e mal, com equipamento de combate quase absoleto, mal alimentados ou sem assistência médica, desmoralizados, vendo morrer os nossos companheiros, que ficaram ali enterrados na lama dos pântanos para sempre!. Alguns comandantes diziam, “que as tropas em cenário de guerra, não deviam ficar tão preocupadas com as baixas, para que esqueçam o inimigo, pois podiam naquele momento crítico, sofrer mais baixas na tentativa de recuperar ou ajudar os seus feridos”!. (The enemy was well trained, aggressive and equipped with a preponderance of automatic weapons with lots of ammunition, and we, “we were almost soldiers without a country”, sent there, away from the villages, towns or cities where we were born, away from our continent, trained in haste and evil, with combat equipment almost absolete, malnourished or without medical assistance, demoralized, watching our companions die, who were buried there in the mud of the marshes forever!. Some commanders said, “that the troops in a war scenario should not be so preoccupied with casualties as to forget the enemy, for they could at that critical moment suffer more casualties in an attempt to recover or help their wounded”)!.

…nós, que naquele cenário de uma guerra terrestre de guerrilha, éramos o “Cifra”, um soldado desarmado, onde a disciplina de um campo de batalha não era lá muito eficaz para a nossa sobrevivência, onde um pequeno descuido ou desleixo, onde as emboscadas, minas ou fornilhos, podiam a qualquer momento fazer com que a nossa alma nos abandonasse, na procura de uma qualquer galáxia distante, onde uma tijela de arroz ou um naco de pão era mais importante do que uma ração de combate, às vezes até mesmo do que a espingarda G-3, onde os campos abandonados da plantação de arroz, se transformaram em pântanos perigosos, onde o volume e o ruído do fogo inimigo nos trazia estarrecidos, onde só talvez, o escesso de álcool, nos dava algum miserável conforto!. (We, who in that scenario of guerrilla warfare, were the “Cipher,” an unarmed soldier, where the discipline of a battlefield was not very effective there for our survival, where a little carelessness or sloth, where ambushes, mines, or fodder, could at any moment cause our soul to abandon us, in search of any distant galaxy, where a bowl of rice or a loaf of bread was more important than a ration of combat, at sometimes even than the G-3 shotgun, where the abandoned fields of the rice plantation turned into dangerous marshes, where the volume and the noise of the enemy’s fire brought us terrified, where only perhaps the excess of alcohol gave us some miserable comfort)!.

…sim, o escesso de álcool ou alguma comida roubada no aquartelamento, como naquele dia em que tinha sido de um calor tórrido e abafado, jà noite, tavez por volta das nove e meia, dez horas da noite, mais próximo das dez do que das nove e meia, saímos do Centro de Cripto, onde executávamos as nossas tarefas, passando pela cozinha do aquartelamento, para roubar um naco de pão, aliás, como fazíamos quase todos os dias, para comer com um bocado de chouriça de conserva, que ao meio dia, nos deu o sargento da messe, a quem ajudávamos a acertar as contas no final de cada mês, pois as contas tinham que terminar em zero, não podia haver lucros nem perdas e, esse acerto por vezes era complicado!. Tinham que arranjar produtos, que quase sempre eram cigarros, às vezes até chegavam ao descaramento de incluir garrafas de “Vat 69”, que vinham da Escócia, com uma legenda no rótulo que dizia mais ou menos, “to the Portuguese Armed Forces with love” (para as Forças Armadas Portuguesas com amor), para que no final, acabasse tudo em zero!. (Yes, the amount of alcohol or some food stolen in the barracks, as on that day when it had been a hot and steamy heat, late at night, about nine-thirty, ten o’clock at night, nearer ten than nine-thirty, we left the Cripto Center, where we performed our tasks, passing by the kitchen of the quarter, to steal a loaf of bread, incidentally, as we did almost every day, to eat with a mouthful of preserved chorizo, who at noon gave us the sergeant of the harvest, whom we helped to settle the accounts at the end of each month, because the accounts had to end at zero, there could be no profits and no losses, and that was sometimes a tricky hit!. They had to find products, which were almost always cigarettes, sometimes even cheating to include bottles of “Vat 69,” which came from Scotland with a caption on the label that read, “to the Portuguese Armed Forces with love”, so that in the end, everything would end in zero)!.

…quando passávamos pela cozinha fora das horas habituais, o responsável pela precária alimentação a que estávamos sujeitos, que fazia o possível e o impossível, para que pelo menos uma vez ao dia nos fosse fornecida alguma comida quente, e que nós carinhosamente o chamávamos de “Arroz com Pão”, pois era este o seu nome de guerra, derivado a sempre que alguém dizia que não gostava da comida, ele logo se aproximava do espaço de onde tinha vindo a reclamação e, com um farrapo amarrado à cinta servindo de avental, que todos sabiam que esse farrapo, alguns meses atrás, tinha sido uma camisa, dizia:

    – Qual é a reclamação?. A comida está limpa e muito bem confeccionada!. Se não gostam, façam sandes de arroz com pão!.

(When we passed by the kitchen outside the usual hours, the person responsible for the poor food we were subjected to, who did the possible and the impossible, so that at least once a day we were provided with some hot food, and that we affectionately we called it “Rice with Bread,” since this was his name of war, derived from whenever someone said he did not like the food, he soon approached the space where the complaint had come from, and with a rag tied to the serving belt in an apron, that everyone knew that this rag, a few months ago, had been a shirt, said:

   – What is the complaint?. The food is clean and very well made!. If you do not like it, make rice sandwiches with bread)!.

…como era possível fazer sandes de arroz com pão!. Ainda bem que o companheiro Curvas, alto e refilão, andava sempre com fome e comia de tudo, porque de contrário havia conflito, e do grande!. (How it was possible to make rice sandwiches with bread!. Thank goodness that Curvas, tall and complicative, was always hungry and ate everything, because otherwise there was conflict, and the great)!.

…normalmente, quando nos aproximávamos da cozinha, fora das horas habituais e, o “Arroz com Pão”, andava por perto, logo nos dizia:

   – Hó “Cifra”, se vens aqui outra vez, depois da cozinha fechar, dou-te um tiro!. Se eu não posso entrar no Centro de Cripto, tu também não podes entrar aqui!. Caralho, que gente mais gulosa e descarada!.

…ao que nós, normalmente respondíamos:

   – Parece que isto é teu!. Hó “Arroz com Pão”!.

…nesse momento ficava mau e barafustava, mas de repente lhe passava, indo buscar uma caneca que normalmente servia o café, cheia de vinho para os dois!.

(Usually, as we approached the kitchen, outside the usual hours, and “Rice with Bread,” walked around, it would soon tell us:

    – Cipher, if you come here again, after the kitchen closes, I’ll shoot you!. If I can not enter the Crypto Center, you can not enter here either!. Fuck, people who are greedy and brazen!.

To which we would normally respond:

    – Looks like this is yours!. Hó “Rice with Bread”!.

At that moment it would get bad and it would get wet, but suddenly it would happen, going to get a mug that usually served the coffee, full of wine for both)!.

…nessa fatídica noite, que não mais esquecemos, ao entrar na cozinha, o “Arroz com Pão”, estava a fazer as suas últimas tarefas, preparando as coisas para o café da manhã, quase pronto para fechar!. O argumento foi o mesmo de sempre, a nossa resposta foi a mesma e, no final a mesma caneca do café cheia de vinho, para os dois!. (On that fateful night, which we no longer forget, as he entered the kitchen, “Rice with Bread”, was doing his last tasks, preparing things for breakfast, almost ready to close!. The argument was the same as always, our response was the same, and in the end the same coffee mug full of wine for both)!.

…já fora da cozinha, a caminho das barracas onde dormíamos, ouvimos uma forte rebentação numa área próximo da cozinha, seguida do som de tiros de metralhadora, também nos pareceu ouvir alguns gritos de aflição!. Era o fogo inimigo, era o som de armas automáticas que penetravam nos nossos ouvidos!. Ainda não havia arame farpado em redor do aquartelamento, o inimigo tentava entrar no nosso espaço, as rajadas das suas armas automáticas eram terríveis, o calor tórrido e abafado que se tinha feito sentir durante o dia, transformou-se naquele momento numa chuva que, de miudinha se foi aumentando, encharcando aquele campo de batalha onde num cenário de medo e angústia, já se ouviam gritos de aflição e militares a correr em direcção aos abrigos ainda improvisados!. (Already out of the kitchen, on the way to the tents where we slept, we heard a strong surf in an area near the kitchen, followed by the sound of machine gun shots, we also seemed to hear some cries of distress!. It was the enemy fire, it was the sound of automatic weapons that penetrated our ears!. There was still no barbed wire around the barracks, the enemy tried to enter our space, the gusts of their automatic weapons were terrible, the torrid, muffled heat that had been felt during the day, it became in that moment a rain that, of little one was increasing, flooding that field of battle where in a scene of fear and anguish, there were already cries of distress and military to run towards the shelters still improvised)!.

…lembramo-nos de que durante os rebentamentos, olhando para fora da área do aquartelamento, apenas o pequeno crepúsculo misterioso penetrava no chão da selva, rodeada de pântanos, que era a área onde estávamos situados!. O inimigo tentava empurrar-nos mais para dentro do nosso espaço!. Estávamos em pânico, escorregando na lama, também fugimos para um abrigo ainda improvisado, que por ali existia, onde já não havia lugar, mas antes parámos, ficando como que paralizados e, nesse momento lembramo-nos de dizer, quase gritando:

  – Hó meu Deus, é o “Arroz com Pão”!..

(we remember that during the bursts, looking out of the barracks area, only the small mysterious twilight penetrated the jungle floor, surrounded by marshes, which was the area where we were situated!. The enemy tried to push us further into our space!. We were in a panic, slipping in the mud, we also fled to a still improvised shelter that existed there, where there was no place, but before we stopped, being paralyzed and at that moment we remember saying, almost shouting:

    – Oh my God, it’s the “Rice with Bread”)!.

…nós éramos era um militar razoável, mas um fraco guerreiro, dessa componente, nós já sabíamos, mas com uma coragem que ainda hoje, já com esta idade, nunca soubémos onde a fomos buscar, voltámo-nos, invertendo a nosso rumo, indo de novo em direcção ao lugar onde estava situada a cozinha, onde o “Arroz com Pão”, já vinha ao nosso encontro, quase arrastando-se, com um lado do seu corpo com algum sangue, mas com a nossa ajuda e com alguma sorte, nos fomos arrastando para um outro abrigo também improvisado, já coberto de água e lama!. (We were a reasonable soldier, but a weak warrior, of that component, we already knew, but with a courage that even today, at this age, we never knew where we went to seek it, we turned, reversing our course, heading back to the place where the kitchen was located, where “Rice with Bread” was already coming to us, almost dragging itself, with one side of his body in some blood, but with our help and with some luck, we were dragging ourselves to another shelter also improvised, already covered with water and mud)!.

…o nosso pelotão de morteiros, que sempre esteve estacionado neste aquartelamento, ajudando tal como nós, na construção deste posto avançado, onde começava a zona de guerra, era composto por militares com experiência em combate, eram guerreiros!. Depressa se organizaram, tomando uma posição defensiva, no entanto os guerrilheiros inimigos, continuaram a atacar pelos flancos, onde eram repelidos pelas agora rajadas das nossas armas e pelas granadas de morteiro, embora de calibre 60 mm, eram disparadas por militares experientes, que de pouco a pouco foram dissuadindo os guerrilheiros, diminuindo a força e intensidade dos seus ataques, que talvez derivado às inúmeras baixas, ou notando que estavam a enfrentar um inimigo com uma força maior, acabaram por se retirar para a selva rodeada de pântanos, que nos circundava!. (Our mortar platoon, which was always stationed in this barracks, helping us, as we were, in the construction of this outpost, where the war zone began, was composed of soldiers with experience in combat, they were warriors! They quickly organized, taking a defensive position, yet the enemy guerrillas continued to attack by the flanks, where they were repulsed by the now bursts of our weapons and by the mortar grenades, although of caliber 60 mm, were fired by experienced military, that of little by little they were dissuading the guerrillas, diminishing the force and intensity of their attacks, that perhaps derived to the countless casualties, or noticing that they were facing an enemy with a greater force, they ended up to retire to the jungle surrounded by marshes, that in us it circled)!.

…a chuva continuava, havia muitos destroços no aquartelamento, a cozinha ficou práticamente destruída, nós voltámos ao Centro de Cripto, que assim como outras instalações de comando, sofreram menos destruição, formando-se lá um posto de enfermagem de emergência, onde no meio de uma intensa confusão, se ouviam constantemente os “Alfas”, “Bravos” e “Charlies”, que eram o códigos das letras do alfabeto e, o “Pastilhas” (enfermeiro), prestava ajuda a uns e outros, esperando pela primeira luz da manhã, onde chegaria o helicóptero para a evacuação de alguns para o hospital miltar, em Bissau!. (The rain continued, there was a lot of wreckage in the barracks, the kitchen was practically destroyed, we returned to the Cripto Center, which, like other command facilities, suffered less destruction, forming an emergency nursing station, where in the midst of intense confusion, “Alphas”, “Bravos” and “Charlies”, which were the codes of the letters of the alphabet, were constantly being heard, and “Pastilhas” (nurse) was helping some and others, waiting for the first light of morning, where the helicopter would arrive for the evacuation of some to the hospital miltar in Bissau)!.

…o resultado deste violento ataque foi, um militar morto, atingido pela explosão de uma granada de morteiro 90 mm, destruindo parte do seu corpo, um civil e natural da província, também morto, que era habitante da tal aldeia, com casas cobertas de colmo, que ficava perto do aquartelamento, pois uma dessas granadas de morteiro foi cair à aldeia!. Houve também ferimentos com balas em dois militares das forças de intervenção, que já depois do ataque, saíram a patrulhar a zona, disparando as suas armas aqui e ali, no intuito de repelir de vez os guerrilheiros, um foi de raspão, numa perna, outro, tinha uma bala alojada num braço, perto da clavícula!. (The result of this violent attack was, a dead soldier, struck by the explosion of a mortar shell 90 mm, destroying part of his body, a civilian and natural of the province, also dead, that was inhabitant of such village, with houses covered with stalk, which was near the quarter, for one of those mortar grenades was to fall into the village!. There were also gunshot wounds in two of the intervention forces, who, after the attack, went out to patrol the area, firing their weapons here and there, in order to repel the guerrillas once and for all, one was a scrape, one leg, another had a bullet lodged in one arm near the collarbone)!.

…dos outros quatro militares feridos, o mais mal tratado era o “Arroz com Pão”, que tinha estilhaços de granada de morteiro de um lado corpo, num braço e nas pernas, felizmente não foi atingido na zona da cara, os restantes militares ficaram feridos, com escoriações ligeiras, nos quais nos incluíamos, também com estilhaços de granada de morteiro, na parte superior da perna direita, que só nos apercebemos da situação, ao deitarmo-nos, quando descalçámos as botas, vendo uma húmida e a meia suja de sangue, reparámos no rasto do sangue, que vinha da parte superior da perna!. Recebemos os estilhaços de granada, no momento em que fugíamos pela primeira vez, sobre pânico e angustiados, para o tal abrigo improvisado, onde já não havia espaço!. (Of the other four wounded soldiers, the most ill-treated was “Rice with Bread,” which had mortar shell fragments on one side of the body, on one arm and on the legs, fortunately was not hit in the face area, the remaining the soldiers were wounded, with slight excoriations, in which we also included mortar shell fragments in the upper part of the right leg, which we only noticed when we went to bed, when we took off our boots, seeing a damp and half dirty of blood, we noticed the trace of blood, which came from the upper part of the leg!. We received the splinters of grenade, the moment we fled for the first time, panic and distressed, to such an improvised shelter, where there was no space)!.

…pela manhã, foram detectadas diversas marcas na lama, nos flancos do aquartelamento, de sangue e corpos arrastados dos guerrilheiros inimigos, assim como um boné de caqui amarelo, uma metralhadora e algumas munições de origem chinesa, deixadas pelo inimigo, que deviam de ter sofrido algumas baixas, recolhendo os corpos em seguida, como era seu costume!. (In the morning, several marks were detected in the mud, on the flanks of the barracks, blood and dragged bodies of the enemy guerrillas, as well as a cap of yellow persimmon, a machine gun and some ammunition of Chinese origin, left by the enemy, which of having suffered some casualties, collecting the bodies then, as was his custom)!.

…o Curvas, o tal soldado atirador, alto e refilão, gritando dizia:

     – Filhos da puta!. Eu penso que matei dois ou três!. Já não tinha mais carregadores cheios!. Eu creio que alguns tiros vinham do lado aldeia, que fica perto do aquartelamento!.

…todos diziam, que era só basófia, não tinha matado ninguém, mas o Curvas, alto e refilão, continuava a afirmar que alguns tiros tinham vindo da aldeia, próximo do aquartelamento!.

(The Curvas, that soldier, sniper, high and complicative, shouting said:

     – Sons of bitches!. I think I killed two or three!. There were no more full loaders!. I believe some shots came from the village side, which is near the quartering!.

Everyone said, that it was just a bassoon, had not killed anyone, but the Curvas, high and complicative, continued to claim that some shots had come from the village, near the barracks)!.

…nós não fomos evacuados para o hospital militar em Bissau, curámos o ferimento e, uns tempos antes de regressar a Portugal, viémos então ao hospital militar em Bissau, tirar o fragmento da granada, que felizmente cicratizou, sem mais complicações, mas que ainda hoje é visível!. (We were not evacuated to the military hospital in Bissau, we healed the wound and, some time before returning to Portugal, we then came to the military hospital in Bissau, to remove the fragment of the grenade, which happily healed, without further complications, but which is still visible today)!.

…pela manhã, o café foi feito mais tarde que o habitual, numa cozinha que se improvisou, pois a original ficou com uma parte inutilizável, pelas granadas inimigas, que lá caíram!. Ninguém mais disse que não gostava da comida e, o “Arroz com Pão”, recebeu uma grande salva de palmas, no dia em que se apresentou de novo no aquartelamento, já restabelecido dos ferimentos, com o seu habitual avental, que tempos atrás, tinha sido uma camisa!. E nós, continuámos a roubar pão na nova cozinha!. (In the morning, the coffee was made later than usual, in a kitchen that improvised, because the original was left unusable, by the enemy grenades, that fell there!. No one else said that he did not like the food, and “Rice with Bread” received a great deal of applause on the day he returned to the barracks, already recovered from the wounds in his usual apron, it had been a shirt!. And we, we continued to steal bread in the new kitchen)!.

…naquela época, “éramos quase uns soldados sem um país”!. E hoje, mais de cinquenta anos depois, continuamos a ser, pois o país que para lá nos mandou, para aquela maldita guerra de guerrilha, tirando-nos, ainda jovens das nossas aldeias, vilas ou cidades, oferecendo-nos naquele tempo um bilhete de lotaria, onde podíamos ser contemplados com uma morte violenta, num cenário de combate, onde a qualquer momento o nosso jovem corpo podia ser destruído por balas ou estillaços de uma qualquer granada, mina ou fornilho, que com alguma sorte seria recolhido, embrulhado no seu camuflado sujo com o seu próprio sangue, para não ser abandonado naqueles pântanos cobertos de água suja de lama, como aconteceu a muitos companheiros, ou os traumas daquela maldita guerra, que nos têm acompanhado durante a nossa já longa existência e, como dizíamos, esse nosso país, continua a ignorar-nos, contemplando-nos com uma ‘fortuna’, equivalente a 41 centavos por dia!. (At that time, “we were almost soldiers without a country”!. And today, more than fifty years later, we continue to be, for the country that sent us there, for that damn guerrilla war, taking us still young from our villages, towns or cities, offering us at that time a ticket where we could be contemplated with a violent death, in a scene of combat, where at any moment our young body could be destroyed by bullets or stings of any grenade, mine or fornillo, that with some luck would be collected, wrapped in the his dirty camouflage with his own blood, so as not to be abandoned in those marshes covered with muddy water, as happened to many companions, or the traumas of that damn war that have accompanied us during our long existence and, as we said, our country, continues to ignore us, contemplating us with a ‘fortune’, equivalent to 41 cents a day)!.

…talvez por tudo isto, agora, com mais frequência, vamos morrendo, vamos desaparecendo, vamos libertando-nos deste mundo onde muitas injustiças ainda existem!. (Perhaps because of all this, now, more often, we die, we are disappearing, let’s free ourselves from this world where many injustices still exist)!.

…nós combatentes da Guerra Colonial Portuguesa, já somos poucos, cada vez menos, talvez para “alívio” de alguns políticos governantes que, vivendo com conforto em cidades, recebendo mensalmente ordenados e mordomias relevantes, vêm em nós pessoas que, embora defendendo a bandeira de Portugal, dando o corpo às balas, defendendo o então país Colonial Portugal, agora os “atrapalham”, para não dizer outra palavra que normalmente se junta ao substantivo para o qualificar, que pode ser o adjectivo qualificativo “envergonham”, que também pode ser considerado um verbo pronominal!. (We fighters of the Portuguese Colonial War, there are already few, less and less, perhaps for the “relief” of some ruling politicians who, living with comfort in cities, receiving monthly ordained and relevant stewards, come in us people who, while defending the Portuguese flag, giving the body to the bullets, defending the then Colonial Portugal country, now “hinder” them, not to say another word that normally joins the noun to qualify it, which may be the adjective qualifier “ashamed”, which can also be considered a pronominal verb)!.

…apetece-nos gritar!. Hó linda língua portuguesa, língua de Camões, que aprendemos na escola rudimentar do Adro, na então vila de Águeda, que hoje, já lá vão tantos anos, vivendo tão longe, ainda adoramos, tentando ensiná-la aos nossos netos e, tão complicada que é, nunca nos “atrapalhou” e, nunca nos há-de “envergonhar”! (Feel like screaming!. There is a beautiful Portuguese language, the language of Camões, which we learned in the rudimentary school of the Adro, in the village of Águeda, which today, so many years of existence, living so far away, we still love it, trying to teach it to our grandchildren, that is, it never “got in the way” and will never “embarrass us”)!.

Tony Borie, August 2018.

 


 

…heading north!. (fourth episode)

…heading north!. (fourth episode)

…rumo ao norte!. (quarto episódio) …heading north!. (fourth episode)


…passámos uma semana na província de Terra Nova e Labrador, conhecemos parte da província, talvez o suficiente para admirar parte de um dos cenários mais deslumbrantes e ainda um pouco selvagens de uma parte do mundo, que merece ser conservada o mais tempo possível assim, com enseadas, falésias e água do mar brilhante verde ou azul, ao longe “icebergs”, (montanhas de gelo com milhares de anos), que vagueiam no mar gelado do norte, onde a natureza continua a ser respeitada, principalmente as baleias que competem com as aves marinhas e, nos continuam a deslumbrar com os seus movimentos e cores, em muitos casos únicos, onde a sua área e modos de sobrevivência são naturais e respeitados!. (We spent a week in the province of Newfoundland and Labrador, we know part of the province, perhaps enough to admire part of one of the most breathtaking and still a bit wild of a part of the world that deserves to be kept as long as possible so with coves, cliffs and bright green or blue sea water, in the distance “icebergs” (ice mountains with thousands of years), which roam the frozen sea of the north, where nature continues to be respected, especially the whales which compete with seabirds, and continue to dazzle us with their movements and colors, in many unique cases where their area and ways of survival are natural and respected)!.

…era tempo de regresso ao continente!. O porto de Channel-Port aux Basques, localizado na fronteira sudoeste da província, onde chegámos uma semana antes, ficava a quase mil quilómetros de distância!. Portanto optámos por embarcar de regresso em outro porto, que ficava a pouco mais de cem quilómetros da cidade de St. John’s!. (It was time to return to the continent!. The port of Channel-Port aux Basques, located on the southwest border of the province, where we arrived a week earlier, was almost a thousand miles away!. So we chose to embark back on another port, which was just over a hundred miles from the city of St. John’s)!.

…enfim, depois de viajar por entre um cenário de pinheiros, abetos negros, bálsamo e bétulas, numa estrada com alguns desafios, onde a beleza rústica de algumas enseadas maravilhosas nos encantaram!. (Finally, after traveling through a scene of pines, black spruce, balm and birch trees, on a road with some challenges, where the rustic beauty of some wonderful coves enchanted us)!.

…chegámos ao local de embarque, que era o porto de Argentia, que é um porto comercial e um parque industrial, localizado na cidade de Placentia, na costa sudoeste da Península de Avalon e, é definida por um promontório de forma triangular que se estende para o norte em direcção à baía de Placentia, criando um porto natural de 3 quilómetros de comprimento!. (We arrived at the embarkation place, which was the port of Argentia, which is a commercial port and an industrial park, located in the city of Placentia, on the southwest coast of the Avalon Peninsula, and is defined by a promontory of triangular shape that extends northward towards the Bay of Placentia, creating a natural harbor 3 miles long)!.

…tem a sua história, pois originalmente foi colonizado pelos franceses por volta dos anos de 1630, como um assentamento pesqueiro, a que chamavam Petit Plaisance, que significa “Pleasant Little Place”, cujo nome foi mantido em inglês (Little Placentia) quando os franceses perderam o controle da área após o Tratado de Utrecht no ano de 1713!. O nome actual, de “Argentia” é latim, que significa “Terra de Prata” e foi escolhido pelo Padre John St. John, que era na época o pároco da Paróquia do Santo Rosário, sendo dado oficialmente por volta do ano de 1901, pela presença de minério de prata perto de Broad Cove Point, no lado leste do porto!. A Silver Cliff Mine operou até o início do ano de 1920, mas nunca foi rentável, todavia, durante a maior parte do século XIX, a pesca era a força vital da comunidade, onde o governo construiu uma fábrica de arenque!. (Has its history, for it was originally colonized by the French around the 1630s as a fishing settlement, which they called Petit Plaisance, which means “Pleasant Little Place”, whose name was kept in English (Little Placentia) when the French lost control of the area after the Treaty of Utrecht in the year 1713!. The current name of “Argentia” is Latin, which means “Land of Silver” and was chosen by Father John St. John, who was at the time the parish priest of the Holy Rosary Parish, being officially given around the year 1901, by the presence of silver ore near Broad Cove Point on the east side of the harbor!. Silver Cliff Mine operated until the early 1920s, but it was never profitable, however, for most of the nineteenth century, fishing was the lifeblood of the community, where the government built a herring factory)!.

…enquanto esperávamos pelo embarque, havia diversa documentação por ali, anunciando uma exposição a que davam o nome de “Festival of Flags” (Festival de Bandeiras), onde fazia parte a bandeira de Portugal!. (While we waited for the embarkation, there was diverse documentation by announcing an exhibition that they called the Festival of Flags, where the flag of Portugal was part)!.

…tomámos conhecimento de que por ocasião da Segunda Guerra Mundial, a guerra entre a Grã-Bretanha e a Alemanha nazista, foi declarada em 3 de Setembro de 1939, após a invasão da Polónia por Hitler!. Esta localidade de Argentia, foi escolhida no ano de 1940 para ser a localização da Naval Argentia da Marinha dos Estados Unidos!. O local de Argentia foi selecionado devido à sua proximidade com a Europa, assim como a natureza relativamente livre de gelo da Baía de Placentia, o canal de acesso seguro de navegação, o porto protegido com ancoradouros seguros em águas profundas nas proximidades de Fox Harbour e Ship Harbour, bem como a topografia local para um aeródromo e uma linha ferroviária!. A base era urgentemente necessária como parte da linha de suprimento transatlântica que unia a América do Norte à Grã-Bretanha, a fim de fornecer patrulhas anti-submarinas para proteger o transporte marítimo dos ataques da frota de submarinos alemães!. (We learned that on the occasion of World War II, the war between Britain and Nazi Germany was declared on September 3, 1939 after Hitler’s invasion of Poland!. This locality of Argentia, was chosen in the year of 1940 to be the location of Naval Argentia of the Navy of the United States!. The site of Argentia has been selected because of its proximity to Europe, as well as the relatively free ice nature of Placentia Bay, the safe navigation access channel, the protected port with safe anchorages in deep waters near Fox Harbor and Ship Harbor as well as the local topography for an aerodrome and a railway line!. The base was urgently needed as part of the transatlantic supply line linking North America to Britain in order to provide anti-submarine patrols to protect maritime transport from the German submarine fleet attacks)!.

…chegou a hora de embarcar, depois de uma longa espera!. (It’s time to embark, after a long wait)!.

…entre os marinheiros pescadores portugueses, que pescavam nas águas geladas da Terra Nova, havia os “escaladores”, os “salgadores”, os “troteiros” ou os pescadores “maduros e verdes”, que era como designavam algumas das suas tarefas a bordo!. Nós já não éramos “verdes”, aqueles que embarcavam pela primeira vez e que se iniciavam na pesca à linha!. Éramos “maduros”, pois era a segunda vez, que navegávamos nos mares da Terra Nova!. (Among the Portuguese fishermen who fished in the frozen waters of Newfoundland, there were the “climbers”, the “salgadores”, the “troteiros” or the “mature and green” fishermen, who were as they assigned some of their tasks on board!. We were no longer “green”, those who were first boarded and started fishing! We were “mature”, for it was the second time, we sailed the seas of Newfoundland)!.

…naquela época, aqueles pescadores, chegavam a trabalhar 20 horas por dia, a maior parte do tempo em pé, contando a faina nos Dóris (pequenos barcos de pesca a remos) e depois, nas tarefas de salgador ou escalador a bordo do navio!. Foi este mais ou menos o tempo que passámos a bordo no navio de regresso ao continente, onde felizmente havia sofás onde podíamos dormir, ou cabines que se alugavam para dormir com mais conforto, que não foi o nosso caso, porque como já por diversas vezes aqui dissémos, na nossa idade todos os centavos contam!. (At that time, these fishermen came to work 20 hours a day, most of the time standing, counting their work in the Dóris (small rowboats) and then, in the tasks of saltador or climber aboard the ship!. This was more or less the time we spent aboard the ship back to the continent, where there were, fortunately, sofas where we could sleep, or cabins that were rented to sleep more comfortably, which was not our case, because as we have done several times here we said, at our age all cents count)!.

…aqueles nossos antepassados pescadores, no curto período de repouso, dormiam vestidos, retirando apenas parte do seu equipamento, como por exemplo o oleado e as botas, que ficavam penduradas da parte de fora do beliche a secar, tal como nós durante a travessia, que também retirámos parte da roupa que levávamos vestida, assim como os sapatos, para dormirmos com algum conforto!. (Our ancestors fishermen, in the short rest period, slept in dresses, taking away only part of their equipment, such as oil and boots, which hung from the outside of the bunk to dry, just as we did during the that we also removed some of the clothes we wore dressed, as well as the shoes, to sleep with some comfort)!.

…normalmente aqueles nossos heróis, durante o dia levavam consigo nos Dóris, (pequenos barco de pesca a remos), algum peixe frito, pão, azeitonas, café, água, marmelada ou conserva de atum, que os ajudavam a sobreviver naquele gelado mar do norte, também tal como nós, que levámos alguns desses suprimentos junto de nós, para comermos durante a viajem, apesar de ser-mos uns felizardos, pois a temperatura ambiente era óptima e haviam por lá diversos restaurantes!. (Usually our heroes carried with them in the Doris (small rowboat), some fried fish, bread, olives, coffee, water, marmalade or tuna preserves, which helped them to survive in that ice cream the sea of the north, just as we did, that we took some of these supplies with us to eat during the trip, although we were lucky because the room temperature was great and there were several restaurants there)!.

…bem, com leitura, algumas horas dormindo, ouvindo música, vendo televisão, fugidas ao convés do navio para tirar algumas fotos, navegámos pelas águas geladas, mais do Oceano Atlântico do que do Golfo de São Lourenço, que é a saída dos Grandes Lagos da América do Norte, para o Oceano Atlântico!. (Well, with reading, a few hours of sleep, listening to music, watching television, fled to the deck of the ship to take some photos, we sailed through the icy waters, more of the Atlantic Ocean than the Gulf of St. Lawrence, Great Lakes from North America to the Atlantic Ocean)!.

…chegando de novo ao porto da cidade de Sydney, uma cidade portuária na Ilha Cape Breton, na província de Nova Escócia, que é uma das províncias marítimas do leste do Canadá no Oceano Atlântico!. (Coming back to the port city of Sydney, a port city on Cape Breton Island in the province of Nova Scotia, which is one of the maritime provinces of eastern Canada in the Atlantic Ocean)!.

…desembarcámos!. (We disembarked).

…começando a atravessar de novo as províncias de Nova Escócia e Nova Brunswick, agora na direcção oeste!. ( beginning to cross again the provinces of Nova Scotia and New Brunswick, now heading west)!.

…na província de Nova Escócia, viajámos em algumas áreas junto à costa norte!. (In the province of Nova Scotia, we traveled in some areas along the north coast)!.

…era já ao final da tarde, quando viajávamos na província de Nova Brunswick, progredindo, enquanto havia luz do dia, tentando a aproximação à fronteira com os USA!. (It was already late afternoon, when we were traveling in the province of New Brunswick, progressing, while there was daylight, trying to approach the border with the USA)!.

…pela manhã, atravessámos a fronteira para o estado de Maine, voltando aos USA, começando a viajar pela estrada rápida número 95, na direcção sul, que nos havia de levar alguns dias depois, a nossa casa, no estado da Flórida!. (In the morning, we crossed the border into the state of Maine, returning to the USA, beginning to travel along the fast road number 95, in the south direction, which we were to take a few days later to our home in the state of Florida)!.

…no estado do Maine, já nos USA, havia em nós alguma curiosidade por visitar alguns locais, que eram o Parque Estadual de Baxter, que é parte da montanha onde termina a célebre Appalachian Trail, (Trilha dos Apalaches), um marco histórico que sempre nos desperta a atenção quando junto a ela passamos, o Parque Nacional de Acadia, junto ao Oceano Atlântico e, como todos os visitantes ao estado do Maine, saborear o marisco lagosta, que por aqui abunda, com um preço bastante razoável, dizendo os seus habitantes, que na época colonial, este marisco, que normalmente é vendido a um alto preço, era parte de uma alimentação normal, especialmente das famílias com menos recursos financeiros!. (In the state of Maine, already in the USA, there was in us some curiosity to visit some places, which were Baxter State Park, which is part of the mountain where the famous Appalachian Trail ends, a landmark a historic landmark that always strikes our attention when we pass by it, Acadia National Park, by the Atlantic Ocean and, like all visitors to the state of Maine, savor the lobster seafood, which abounds here, at a very reasonable price, telling its inhabitants that in colonial times, this seafood, which is usually sold at a high price, was part of a normal diet, especially for families with less financial resources)!.

…explicando um pouco o que é a trilha cénica nacional dos Apalaches, geralmente conhecida como a Trilha dos Apalaches ou simplesmente a A.T., é uma trilha de caminhada marcada no leste dos Estados Unidos que se estende entre a Montanha Springer no estado da Geórgia e o Monte Katahdin no estado do Maine!. Tem cerca de 3.500 km, embora a extensão exacta mude com o tempo conforme as partes são modificadas, derivado à neve ou outras intempéries!. A organização sem fins lucrativos Appalachian Trail Conservancy, relata que a Trilha dos Apalaches é a mais longa trilha apenas para caminhadas em todo o mundo. Diz-se que mais de 2 milhões de pessoas fazem uma caminhada em parte da trilha pelo menos uma vez por ano, que é o que normalmente acontece com nós, pois já percorremos algumas pequenas distâncias nos estados de Carolina do Norte, Carolina do Sul, Tennessee, Virgínia, Virgínia Ocidental, Pennsilvânia, Nova Jersey e agora no Maine!. (Explaining somewhat what the Appalachian National Scenic Trail, commonly known as the Appalachian Trail or simply the AT, is a marked hiking trail in the eastern United States stretching between Springer Mountain in the state of Georgia and Mount Katahdin in the state of Maine!. It has about 3,500 km, although the exact extent changes over time as the parts are modified, derived from snow or other weather!. The non-profit Appalachian Trail Conservancy reports that the Appalachian Trail is the longest hiking trail in the world!. It is said that more than 2 million people take a walk on part of the trail at least once a year, which is what usually happens to us, since we have traveled some small distances in the states of North Carolina, South Carolina, Tennessee, Virginia, West Virginia, Pennsylvania, New Jersey and now Maine)!.

…a maior parte desta trilha é em florestas ou terras selvagens, embora algumas partes percorram cidades, estradas e fazendas, passando por 14 estados, que são, Geórgia, Carolina do Norte, Tennessee, Virgínia, Virgínia Ocidental, Maryland, Pensilvânia, Nova Jersey, Nova York, Connecticut, Massachusetts, Vermont, New Hampshire, terminando no Maine!. (Most of this trail is in forests or wild lands, although some parts travel cities, roads and farms, passing through 14 states, which are Georgia, North Carolina, Tennessee, Virginia, West Virginia, Maryland, Pennsylvania, New Jersey, New York, Connecticut, Massachusetts, Vermont, New Hampshire, ending in Maine)!.

…uma extensão conhecida como a Trilha dos Apalaches Internacionais continua para o nordeste, atravessando o Maine e cortando o Canadá até à Terra Nova, onde também caminhámos uma pequena distância, com secções que continuam na Groenlândia, pela Europa, até Marrocos, imaginem!. Outras extensões separadas continuam o extremo sul da cordilheira dos Apalaches no Alabama, continuando para o sul, até à Flórida, criando o que é conhecido como a Trilha Continental Oriental!. A Trilha dos Apalaches, a Trilha da Divisão Continental e a Trilha da Crista do Pacífico formam o que é conhecido como a Tríplice Coroa de Caminhadas nos Estados Unidos!. (An extension known as the International Appalachian Trail continues northeast, crossing Maine and cutting Canada to Newfoundland, where we also walked a short distance, with sections that continue in Greenland, across Europe, to Morocco, imagine!. Other separate extensions continue the southern end of the Appalachian ridge in Alabama, continuing south to Florida, creating what is known as the Eastern Continental Trail!. The Appalachian Trail, the Continental Divide Trail, and the Pacific Crest Trail form what is known as the Triple Crown of Hiking in the United States)!.

…bem, vamos continuar com a narrativa!. Demorámos à volta de três horas a percorrer o Parque Estadual de Baxter, que é uma grande área selvagem preservada permanentemente como um parque estadual, localizado no centro-norte do estado, onde dentro do limite do parque não há electricidade, água corrente ou estradas pavimentadas!. A vida aqui é de acordo com a filosofia “Forever Wild”, (para sempre selvagem), que proíbe o uso de dispositivos de áudio ou visuais que de qualquer maneira prejudique ou possa perturbar a vida selvagem!. (Well, let’s continue with the narrative!. It took us about three hours to walk through Baxter State Park, which is a large wilderness permanently preserved as a state park, located in the north-central part of the state, where within the park boundary there is no electricity, running water, or paved roads!. Life here is according to the “Forever Wild” philosophy, which prohibits the use of audio or visual devices that in any way harms or can disrupt wildlife)!.

…abriga o pico mais alto do estado, o Monte Katahdin, que é a região onde termina a célebre Appalachian Trail, (Trilha dos Apalaches), e, onde sómente os caminhantes de longa distância no norte dos Apalaches podem ficar no parque sem reservas!. Estando no entanto limitados a uma noite de estadia na área do acampamento, que é limitada aos primeiros 12 caminhantes que entrem e que visitem o quiosque de informações, para o respectivo controlo, que se situa a alguns quilómetros de distância da trilha do sul, dentro do limite sul do parque!. (Hosts the highest peak in the state, Mount Katahdin, which is the region where the famous Appalachian Trail ends, and where only long-distance walkers in northern Appalachia can stay in the park without reservations!. However, they are limited to one night’s stay in the camp area, which is limited to the first 12 hikers who enter and visit the information kiosk, for their control, which is located a few kilometers away from the southern trail, within the southern limit of the park)!.

…possui uma população diversificada de animais selvagens, dos quais os mais comuns são o alce, o urso preto e o veado de cauda branca, animais estes que são mais ativos durante os meses de verão, e que nós vimos alguns, que faziam parar a nossa “White Fox”!. Também por aqui existem pequenos riachos, pântanos e lagos que servem de habitats para animais como castores, ratos almiscarados, lontras e guaxinins!. Existem várias colónias de castores activos dentro dos perímetros do parque, nas áreas arborizadas, que suportam outros tipos de vida selvagem, incluindo linces, martas, doninhas, esquilos, esquilos vermelhos, lebres com patas de neve, coiotes, lemingues e raposas vermelhas, assim como uma população aviária, onde as aves mais comuns são os toutinegras, os tordos e os papa-moscas, bem como as corujas, os falcões, as águias, os patos e outros pássaros das zonas húmidas!. (Has a diverse population of wild animals, the most common of which are elk, black bear and white-tailed deer, which are most active during the summer months, and which we have seen a few, stop our “White Fox”!. Also here are small streams, marshes and lakes that serve as habitats for animals such as beavers, musk rats, otters and raccoons!. There are several colonies of active beavers within the perimeters of the park, in forested areas, which support other wildlife including lynx, martens, weasels, squirrels, red squirrels, snowy hare, coyotes, lemmings and red foxes, as an avian population, where the most common birds are warblers, thrushes and flycatchers, as well as owls, hawks, eagles, ducks and other birds from the wetlands)!.

…depois de voltar à estrada rápida número 95, na direcção sul, seguimos pela estrada estadual número 3, na direcção do Oceano Atlântico, quando nos surge na beira da estrada, o que viria a ser, a partir deste local, um cenário muito frequente, que eram restaurantes cozinhando e vendendo o marisco lagosta!. (After returning to the fast road number 95, in the south direction, we follow the state highway number 3, towards the Atlantic Ocean, when it appears to us at the roadside, which would be, from this place, a scenery very often, they were restaurants cooking and selling the lobster seafood)!.

…parámos num qualquer, havia fornos que funcionavam a lenha, cozinhando em panelas gigantes, lagosta de diversos tamanhos!. Ensinavam, explicando a maneira mais fácil para manusear e comer este pitéu!. (We stopped at any, there were ovens that worked the firewood, cooking in giant pans, lobster of various sizes!. They taught, explaining the easiest way to handle and eat this delicacy)!.

…depois de passar a noite num parque de caravanas, ao lado de um bonito lago, ainda tivémos tempo para visitar o Acadia Nacional Parque, que é um parque nacional a sudoeste de Bar Harbor, (Barra do Porto)!. Ocupa a maior parte do Mount Desert Island, (Monte da Ilha Deserta), e as suas ilhas menores, associadas ao longo da costa do Maine!. (After spending the night in a caravan park, next to a beautiful lake, we still had time to visit the Acadia National Park, which is a national park southwest of Bar Harbor!. It occupies most of Mount Desert Island, and its smaller islands, associated along the coast of Maine)!.

…o Acadia Nacional Parque, é o mais antigo parque nacional nos Estados Unidos a leste do rio Mississippi, tal como o governo do Canada, que designou dois parques nacionais no leste de Ontário, que são, o Mil Ilhas e o Point Pelee, cuja área era originalmente habitada pelo povo Wabanaki!. (The Acadia National Park, is the oldest national park in the United States east of the Mississippi River, as is the government of Canada, which has designated two national parks in eastern Ontario, which are the Thousand Islands and Point Pelee , whose area was originally inhabited by the Wabanaki people)!.

…no Centro de Visitas, ofereceram-nos um mapa com o itinerário para percorrer o parque, onde podemos parar em alguns locais estratégicos, com cenários magníficos e mar e floresta, no entanto para nós, depois de ver os cenários na Terra Nova, embora estes cenários fossem lindíssimos, pareciam-nos quase normais!. (In the Visitor Center, they offered us a map with the itinerary to walk through the park, where we can stop in some strategic places, with magnificent scenery and sea and forest, however for us, after seeing the scenarios in Terra Nova , although these scenarios were beautiful, they seemed almost normal)!.

…a vida selvagem do parque, é o lar de cerca de 40 espécies diferentes de mamíferos, entre estes estão os esquilos vermelhos e cinzentos, as lebres com patas de neve, veados de cauda branca, alces, castores, porcos-espinhos, martas, ratos almiscarados, raposas, guaxinins, coiotes, linces e ursos negros!. As aves presentes e que que se obsrvam normalmente são, as águias douradas, as corujas e os falcões, onde muitas espécies marinhas podem ser observadas na área circundante e nas suas águas de mar verdes ou azul brilhante!. (The wildlife of the park, is home to about 40 different species of mammals, among them are red and gray squirrels, snowy hare, white-tailed deer, elk, beaver, porcupine, mink, musk rats, foxes, raccoons, coyotes, bobcats and black bears!. The birds present and usually observer are golden eagles, owls and hawks, where many marine species can be observed in the surrounding area and in its sea water green or bright blue)!.

…até à fronteira com o estado de Nova Hampshire, viajámos por estradas secundárias, atravessando pequenas aldeias e vilas, com alguns cenários pitorescos de aldeias piscatórias!. (To the border with the state of New Hampshire, we traveled by secondary roads, crossing small villages and villages, with some picturesque scenes of fishing villages)!.

…o estado de Nova Hampshire, por uma pequena distância foi atravessado na estrada rápida número 95, que não havíamos de mais largar até ao estado da Flórida!. (The state of New Hampshire, by a short distance was crossed on the fast road number 95, that we should not leave to the state of Florida)!.

…entrando no estado de Massachusetts, onde pernoitámos!. (Entering the state of Massachusetts, where we spent the night)!.

…depois no de Rhode Island!. (Then Rhode Island)!.

…depois no de Connecticut!. (Then Connecticut)!.

…depois no de Nova Iorque, com um trânsito lento, mesmo muito lento!. (Later in New York, with a slow, even very slow transit)!.

…finalmente passando a área da Ponte George Washington!. (Finally passing the George Washington Bridge area)!.

…antes de entrar finalmente no estado de Nova Jersey, onde ficámos por algum tempo em casa dos nossos familiares!. (Before finally entering the state of New Jersey, where we stayed for some time at our family’s home)!.

…era tempo para regressar à nossa casa no estado da Flórida e, como todos os emigrantes que regressam de visita aos estados do norte, onde tiveram residência e ainda estão os seus familiares e amigos, ainda no estado de Nova Jersey, visitámos a histórica cidade de Newark, na portuguesa “Ferry Street”, carregando a nossa “White Fox”, em tudo o que era espaço livre, com bacalhau, azeite, latas de conserva de atum dos Açores, castanhas, queijo, marmelada, rebuçados “São Braz”, sabão “Clarim”, pão de centeio e pastéis de nata ou de bacalhau!. (It was time to return to our home in the state of Florida and, like all the emigrants who return to visit the northern states where they were resident and their families and friends are still in the state of New Jersey, we visited the historic city from Newark, on the Portuguese “Ferry Street”, carrying our “White Fox”, in everything that was free space, with cod, olive oil, canned tuna cans from the Azores, chestnuts, cheese, marmelade, “Clarim Soap”, rye bread and cream or cod cakes)!.

…já a caminho do sul, atravessámos quase em toda a sua dimensão, a portuguesa “Ferry Street”, onde muitos anos atrás, por ali andava a Inês, aquela portuguesa espanholada, que além de fumar “Malrboro”, também usava, pelo menos ao fim de semana um perfume exótico, que lhe trouxe a Eulália, que trabalhava na “fábrica dos perfumes”, que vivia maritalmente com o Zé Paulo, um rapaz muito educado, que servia ao balcão no “Bar do Minhoto” no seu tempo livre, pois trabalhava a tempo inteiro na construção, fazendo parte do “gang” do Manuel Murtosa, marido da Gracinda, mulher honrada e respeitadora, que não falava na vida de ninguém, mas referindo-se à Inês, a tal rapariga portuguesa espanholada, que praticamente vivia na “Ferry Street”, na sua boca, era esta e aquela, fazia favores aos homens honrados e trabalhadores, era mesmo o “diabo em figura de gente”, uma tentadora, com aquele corpinho jeitoso, fazia com que os homens perdessem todo o seu tempo livre na “Ferry Street”, e agora, aquela “descarada” usava pinturas, fumava “Marlboro”, fazia a permanente e usava uns óculos à “Hollywood”!. (On the way to the south, we crossed almost all of its size, the Portuguese “Ferry Street”, where many years ago, there was Inês, that Portuguese Spaniard, who besides smoking “Malrboro” also used, at least at the end of the week, an exotic perfume, which brought him to Eulalia, who worked in the “perfumery factory”, who lived maritally with Ze Paulo, a very educated young man, who served the counter in “Bar do Minhoto” in his free time because she worked full time in the construction, being part of the “gang” of Manuel Murtosa, husband of the Gracinda, honored and respectful woman, who did not speak in anyone’s life, but referring to Inês, to that Portuguese girl , who practically lived in the “Ferry Street”, in her mouth, was this and that, she did favors to honorable and hardworking men, she was really the “devil in figure of people”, a tempting woman with that handsome little body, men lose all their love “Ferry Street,” and now, that “cheeky” woman used paintings, smoked “Marlboro”, made the permanent and wore glasses to “Hollywood”)!.

…depois, depois, viajámos para sul, sempre na estrada rápida número 95, chegando ao sul de Nova Jersey, atravessando a ponte sobre o Rio Delaware, entrando no estado de Delaware!. (Then we drove south, always on the fast road number 95, arriving south of New Jersey, crossing the bridge over the Delaware River, entering the state of Delaware)!.

…o estado de Maryland era a seguir, atravessando o Túnel Fort McHenry, na cidade de Baltimore, que carrega todo o tráfico desta estrada rápida, com a particularidade de ser o ponto mais baixo em todo o sistema deste Interstate, desde o estado de Maine, no norte, ao estado da Flórida, no sul!. (The state of Maryland was to follow, crossing the Tunnel Fort McHenry, in the city of Baltimore, which carries all the traffic of this fast road, with the particularity of being the lowest point in any system of this Interstate, from the state from Maine in the north to the state of Florida in the south!

…chegámos ao estado de Virginia, sempre com muito tráfico na área da capital Washington, entrando no estado de Norte Carolina!. (We reached the state of Virginia, always with much traffic in the area of the capital Washington, entering the state of North Carolina)!.

…antes de entrar no estado de Carolina do Sul, parámos para comer e dormir, numa área de descanso, voltando à estrada, entrando no estado de Geórgia, onde já havia alguma árvores de palmeira e a temperatura já era quase tropical! (Before entering the state of South Carolina, we stopped to eat and sleep, in a rest area, returning to the road, entering the state of Georgia, where there were already some palm trees and the temperature was almost tropical)!.

…o estado da Flórida era já ali, assim como a nossa cidade, dando algum descanso à nossa “White Fox”, que nos tinha transportado por mais de sete mil milhas, por estradas de alcatrão, cascalho, terra, água e lama, dormindo e comendo em diferentes horas, conforme a latitude a que nos encontrávamos, parando aqui e ali, mostrando-nos um cenário de sol brilhante, onde também havia alguma chuva, nevoeiro, vento ou tempestade, mas a paisagem das enseadas escondidas entre penhascos, lugares remotos do mar do norte, os “icebergs”, (montanhas de gelo com milhares de anos), que vagueiam no oceano, as baleias que competem com as aves marinhas ou conhecer costumes e pessoas oriundas de diferentes zonas do globo, compensaram!. (The state of Florida was already there, as was our town, giving some rest to our “White Fox,” which had transported us for more than seven thousand miles, through roads of tar, gravel, dirt, water, and mud, sleeping and eating at different times, depending on the latitude we were in, stopping here and there, showing us a scene of bright sun, where there was also some rain, fog, wind or storm, but the landscape of coves hidden between cliffs, remote places of the northern sea, icebergs (thousands of years of ice), wandering in the ocean, whales that compete with seabirds or know customs and people from different parts of the globe, have compensated!.

…estamos muito gratos à nossa “White Fox”!. (We are very grateful to our “White Fox”)!.

Tony Borie, August 2018.