…o correio!. (…the mail!).

…o correio!. (…the mail)!.

…somos sobreviventes de uma maldita guerra de guerrilha numa região quase selvagem de África e, já por algumas vezes escrevemos que uma das partes mais trágicas, talvez para alguns esperançosa, era a cara da necessidade humana!. Era o doente abandonado, a família faminta, a criança que não sabia ler, eram homens e mulheres, alguns sem abrigo, com roupa em farrapos, lutando pela sobrevivência, numa terra muito rica e com um solo muito fértil!. 

(…we are survivors of a bloody guerrilla war in an almost wild region of Africa, and we have sometimes written that one of the most tragic parts, perhaps for some hopeful, was the face of human need!. It was the abandoned patient, the hungry family, the child who could not read, they were men and women, some without shelter, with tattered clothes, fighting for survival, in a very rich land and with very fertile soil)!.

…nós jovens, oriundos da Europa, com uma educação de aldeia, onde os princípios honestos de família vinham de há séculos, vivendo neste cenário, muitas vezes a angústia, o desespero e o medo, colocáva-nos numa situação horrível, onde entre outras coisas, as notícias, ou seja o tal “correio”, nos aliviava a mente, pelo menos por momentos, pois este cenário estava lá, estava sempre presente, era a cara da guerra, com feridos e mortos em combate para ambos os lados, incluindo a população civil desarmada!. 

(…we young people, from Europe, with a village education, where honest family principles came from centuries ago, living in this scenario, often anguish, despair and fear, put us in a horrible situation, where among other things, the news, that is, the “mail”, relieved our minds, at least for a moment, because this scenario was there, it was always present, it was the face of war, with wounded and killed in combat for both. sides, including the unarmed civilian population)!.

…tudo isto acima mencionado é para recordar as “quartas-feiras”, que era o dia do correio!. Quando a avioneta sobrevoava o aquartelamento, por vezes nem aterrava, passava rasteiro e largava os sacos no local a que  chamávamos campo de aviação, que era uma área plana que existia ao norte da aldeia, com casas cobertas de colmo!. 

(…all of the aforementioned is to remember the “Wednesdays”, which was the day of the post!. When the plane flew over the quarter, sometimes it didn’t even land, crawled and dropped the bags, in the place we called the airfield, that was a flat area that existed to the north of the village, with thatched houses)!.

…o piloto costumava ser o “Pardal”, pois foi assim que o baptizaram, que fazia umas habilidades antes de largar os sacos do correio, como por exemplo, dava uma volta rasteira ao aquartelamento, de lado, a rasar a enorme árvore de mango, que existe dentro do aquartelamento, fazendo os macacos e periquitos fazerem um barulho fora do normal!. O “Pardal”, sabia isso!. 

(…the pilot is usually the “Sparrow”, because that was how they baptized him, who used to do some skills before dropping the mail bags, like, for example, taking a low turn to the quarter, on the side, scraping the huge tree of mango, which exists inside the barracks, making monkeys and parakeets make an unusual noise!. The “Sparrow”, knew that)!.

…uma secção de combate ia buscar os sacos para o aquartelamento, onde já todo o pessoal esperava pela sua distribuição!. Alguns, com uma dúzia de madrinhas de guerra, recebem um monte de cartas, com fotografias e tudo!. Outros, nem uma carta, mas não ficam tristes, iam direitos à cantina e abafavam a amargura numas garrafas de cerveja!.

(…a combat section was going to pick up the bags for the quartering, where all the personnel were already waiting for their distribution!. Some, with a dozen godmothers of war, receive a lot of letters, with photographs and everything!. Others, not even a letter, but are not sad, went straight to the canteen and drowned out bitterness in beer bottles!. 

…as cartas ou os “aerogramas” (que eram umas folhas de papel que depois de dobradas se tornavam em correspondência oficial gratuita), quando escritas pelos militares, tornavam-se numa forma de expressar as nossas actividades num cenário de combate quase permanente, o nosso entretenimento e os registos que refletiam o verdadeiro valor pesicológico de uma camaradagem verdadeira!. 

(…the letters or the “aerograms” (which were sheets of paper that, after being folded, became free official correspondence), when written by the military, became a way of expressing our activities in an almost permanent combat scenario, the our entertainment and the records that reflected the true psychological value of true camaraderie)!.

…escrever mensagens para os familiares ou amigos lá na Europa, era uma oportunidade para falar das nossas motivações pessoais, que como se compreendia eram poucas ou nenhumas, onde a falta de texto era evidente, no entanto, mesmo não dizendo nada ou sempre as mesmas palavras, o facto de estar a escrever era mostrar ao destinatário a nossa presença no papel, que ainda estávamos vivos, compartilhando isto com eles, desde longe, na África, envolvidos num maldito campo de batalha!.

(…writing messages to family or friends there in Europe, was an opportunity to talk about our personal motivations, which as we understood were few or none, where the lack of text was evident, however, even saying nothing or always the same words, the fact that I was writing was to show the recipient our presence on paper, that we were still alive, sharing this with them, from afar, in Africa, involved in a damn battlefield)!.

…porque capturar as actividades abrangentes do nosso dia a dia, para que lá em casa podessem entender a guerra, (como por exemplo os nossos pais que eram analfabetos), era muito difícil esboçar ou retratar-lhes a vida diária num cenário de combate, a realidade do custo da vida humana envolvida num conflito armado, no entanto, cremos que lhes dava alguma alegria e esperança ao receberem notícias nossas, assim como para nós, também era um sinal de muita alegria quando as recebíamos!.

(…because capturing the broad activities of our daily lives, so that at home they could understand the war, (such as our illiterate parents), it was very difficult to sketch or portray their daily life in a combat scenario, the reality of the cost of human life involved in an armed conflict, however, we believe it gave them some joy and hope when they received news from us, as well as for us, it was also a sign of great joy when we received it)!.

…voltando ao principio, naquele dia recebemos quatro cartas e três aerogramas, chamaram o nosso nome sete vezes!. Alguns colegas assobiaram, e como mostrávamos cara de riso, alguns fizeram-nos um gesto erótico com o dedo da mão direita!. Mas adiante, pois de outras vezes, em situação oposta, nós faziamos o mesmo!. 

(…going back to the beginning, that day we received four letters and three aerograms, they called our name seven times!. Some colleagues whistled, and as we showed a laughing face, some made an erotic gesture with the finger of their right hand!. But later on, because at other times, in the opposite situation, we did the same)!.

…uma dessas cartas, era dos nossos pais!. Lá, a mãe Ilda começava por dizer que tinha pedido à menina Teresa para escrever, que era uma vizinha costureira e solteira de quase sessenta anos que, por saber ler e escrever, entre outras coisas era a conselheira da família!. Nós, nesse preciso momento até lembrámos de uma vez, a menina Teresa aparecer muito aflita lá em casa  pela manhã, dizendo com a voz embargada pela angústia, “Ilda, hoje é um dia de luto, arranja alguma roupa de cor preta e veste, pois morreu o Marechal Óscar Carmona e a mãe Pátria está de luto, estamos todos de luto, anda vai mudar de roupa, mulher de Deus”!.

…one of those letters was from our parents!. There, mother Ilda started by saying that she had asked the girl Teresa to write, that she was a seamstress and unmarried neighbor of almost sixty years who, because she knew how to read and write, among other things, was the family advisor!. We, at that very moment, even remembered once, the girl Teresa appeared very distressed at home in the morning, saying in a voice choked with anguish, “Ilda, today is a day of mourning, get yourself some black clothes and wear them, because Marshal Óscar Carmona died and mother Pátria is in mourning, we are all in mourning, she is going to change clothes, woman of God”)!.

…ao que a mãe Ilda, muito admirada, nesse momento limpando as mãos ao avental, já muito sujo e roto, pois tinha acabado de regressar do curral dos porcos, onde tinha deitado na pia, um balde com alguns restos de comida, que tinham sobrado do dia anterior, lhe responde, “Oh meu Deus, deve ser alguém conhecido dos primos de Lisboa, pois não me recordo de ninguém na família com esse nome”! E nós, que nesse momento da nossa vida ainda éramos crianças, ficámos radiantes, pois a menina Teresa, logo explicou que nesse dia não havia escola, por o País estar de luto para chorar a morte daquele ilustre presidente!. 

(…to which the mother Ilda, very admired, at that moment cleaning her hands on her apron, already very dirty and ragged, as she had just returned from the pig pen, where she had laid in the sink, a bucket with some remains of food, which had the previous day’s house, he replied, “Oh my God, it must be someone known to the cousins ​​of Lisbon, because I don’t remember anyone in the family with that name”!. And we, who at that time in our life were still children, were overjoyed, because Miss Teresa, soon explained that on that day there was no school, because the country was in mourning to mourn the death of that illustrious president)!.

…mas adiante, vamos continuar com a história!. A mãe Ilda explicava na carta que tinha andado um pouco “sem cabeça” para notar esta carta, mas naquele dia estava melhor, dizendo que o irmão mais velho, queria casar com uma rapariga para os lados do rio Vouga, e não paráva em casa, andava sempre fugido!. O irmão do meio, que sempre foi um aventureiro, lembrando nós que esse irmão andava sempre vestido com alguns farrapos, que colocava no corpo, parecendo tal e qual o “Robin dos Bosques”, e com uma habilidade espantosa no manejo de um arco, feito por ele, acertando com uma flecha, feita de pau, nas galinhas, no cão, nas ovelhas, nas cabras ou nos porcos!. 

…but ahead, let’s continue with the story!. Mother Ilda explained in the letter that she had been a little “headless” to notice this letter, but that day she was better, saying that the older brother wanted to marry a girl on the sides of the Vouga River, and did not stop at home, was always on the run!. The middle brother, who was always an adventurer, reminding us that this brother was always dressed in some rags, which he put on his body, looking just like the “Robin of the Woods”, and with an amazing skill in handling a bow, made by him, hitting with an arrow, made of wood, in the hens, the dog, the sheep, the goats or the pigs)!.

…recordamo-nos deste irmão, tal e qual o víamos nos desenhos dos livros de quadradinhos que o Carlos, filho do Santos dos correios, que tinha vindo dos lados de Leiria, que sempre nos trazia, com um lápis de cor vermelha ou azul, que o pai geralmente usava nos correios, e não só, pois também fazia a revisão e censura do jornal da vila, que o senhor Castanheira, compunha letra por letra na travessa da venda da Tia Zinia, tudo isto a troco de uma simples conta de multiplicar, que lhe resolvíamos em dois minutos na lousa de pedra, com um riscador também de pedra, todavia, não nos querendo desviar do texto, esse irmão, estava com a mania de ir para Lisboa, ter com os primos!. 

(…we remember this brother, just as we saw him in the drawings in the square books that Carlos, son of “Santos dos Correios”, who had come from the sides of Leiria, who always brought us, with a red or blue pencil, that the father usually used in the post office, and not only, because he also reviewed and censored the village newspaper, which Mr. Castanheira wrote letter by letter on the tray of the sale of Aunt Zinia, all in exchange for a simple account of multiply, which we solved in two minutes on the stone slate, with a stone marker, however, not wanting to deviate from the text, that brother, was in the habit of going to Lisbon, to see his cousins ​)!.

…escrevia também, que o pai estava muito resmungão, todavia, era a sua companhia!. A quinta estava muito mal tratada, já tinha algumas silvas nas terras altas do pinhal. Explicava ainda que na semana que passou, foram à vila buscar o dinheiro!. (Dinheiro este que recebiam do governo, que diziam, metade era pago pelo governo, que nos mandou para a guerra em África, e outra metade era pago por uma multinacional de nome parecido com “Marconi”, nós nunca soubémos a verdade, mas o dinheiro que os  nossos pais recebiam, era parte do nosso salário militar por nos encontrar-mos em cumprimento de serviço militar na guerra colonial, em África!). 

(…I also wrote that the father was very grumpy, however, it was his company!. The farm was very badly treated, it already had some brambles in the highlands of the pine forest!. He explained that last week, they went to the village to get the money!. (Money they received from the government, they said, half was paid by the government, which sent us to war in Africa, and the other half was paid by a multinational with a name similar to “Marconi”, we never knew the truth, but the money that our parents received, was part of our military salary for being in military service in the colonial war, in Africa!).

…escrevia também que no local onde foi receber o dinheiro, lhe deram café com leite e pão com manteiga, e que um senhor que parecia militar, lhe explicou que o seu filho já não era seu filho, mas sim filho da Pátria ou coisa parecida, e que estava pronto a morrer para salvar essa Pátria, que era a sua verdadeira mãe!.

(…also wrote that in the place where he went to receive the money, they gave him coffee with milk and bread and butter, and that a man who looked like a military man explained to him that his son was no longer his son, but a son of the Fatherland or something like that, and that he was ready to die to save this homeland, which was his true mother)!.

…nesse preciso momento à mãe Ilda, “parece que lhe deu uma coisa” e, começou logo a chorar e sempre chorava quando lhe vinha isto à lembrança, pois tinha sido ela que o trouxe na barriga por nove meses e dois dias e, foi a sua mãe, a nossa avó Agar, que a ajudou a trazê-lo ao mundo, que lhe deu de mamar, que o criou e, agora vem o maldito do militar dizer que não é seu filho!. Que “o diabo o arrenegue para as profundezas do inferno”, pedindo a todos os Santos, mais à Nossa Senhora de Fátima, para que ao receber-mos esta carta, ainda estejamos vivos, aliás, a partir desse momento, todas as cartas que recebíamos da mãe Ilda, começavam sempre com a frase, “Oxalá que ainda estejas vivo”!. 

(…at that very moment to mother Ilda, “it seems that she gave him something” and, she immediately started crying and always cried when it came to her, because she had been the one who brought him in her belly for nine months and two days, and it was her mother, our grandmother Agar, who helped her bring him into the world, who gave him a breastfeed, who raised him and, now comes the damn military man saying he is not his son!. May “the devil cast him down to the depths of hell”, asking all the Saints, plus Our Lady of Fatima, so that when we receive this letter, we are still alive, in fact, from that moment, all the letters that we received from mother Ilda, they always started with the phrase, “I hope you are still alive”)!.

…continuando, dizia na carta que esse dinheiro lhe tem dado algum jeito, a ela e ao nosso pai!. Cada um já tem um par de tamancos novos, e o pai tem umas botas de borracha, a que chamam “galochas”, agora anda sempre com os pés secos e quentes!. Comprou cobertores novos, o nosso pai e ela andam mais bem calçados!. Os vizinhos perguntam por nós e mandam recomendações!. Na vila tinha visto algumas pessoas do grupo folclórico, que lhe perguntaram se  ainda estávamos vivos, pois tinham visto na televisão umas notícias da Guiné, onde morreram muitos militares, que a guerra aí era feia, mandavam saudações e que esperavam por nós!. Pronto, ia acabar, que recebesse a sua benção, e finalizava com a frase, “que Deus te proteja”!..

(…continuing, I said in the letter that this money has given her somehow, to her and to our father!. Each one already has a pair of new clogs, and the father has rubber boots, which they call “galoshes”, now he always walks with dry and hot feet!. She bought new blankets, our father and she walk better!. The neighbors ask for us and send recommendations!. In the village he had seen some people from the folkloric group, who asked him if we were still alive, because they had seen news on Guinea on television, where many soldiers died, that the war was ugly, they were sending greetings and they were waiting for us!. There, he was going to end, to receive his blessing, and ended with the phrase, “May God protect you”)!.

…as outras cartas eram dos primos de Lisboa e das madrinhas de guerra, pois nesse momento, trocávamos correspondência com uma brasileira, duas espanholas e duas portuguesas, uma das quais viria a ser a nossa companheira e esposa para o resto da vida!.

(…the other letters were from cousins ​​in Lisbon and godmothers of war, because at that moment, we exchanged correspondence with a Brazilian, two Spanish and two Portuguese, one of whom would become our companion and wife for the rest of our lives)!.

…tudo isto se passava num cenário onde os famintos, os doentes, os analfabetos e a miséria eram constantes e, infelizmente continuaram, mesmo depois, quando parecia que já havia paz, fazendo-nos lembrar que defacto saímos de África físicamente, mas possívelmente não trouxémos as armas, as bombas e as balas, deixando lá apenas, como seria nossa inteira obrigação, todas as maravilhosas armas da paz do século XX!. 

(…all this was happening in a scenario where the hungry, the sick, the illiterate and the misery were constant and, unfortunately, they continued, even afterwards, when it seemed that there was already peace, reminding us that in fact we left Africa physically, but possibly not we brought the weapons, bombs and bullets, leaving there, as would be our entire obligation, all the wonderful weapons of peace of the 20th century)!.

Tony Borie, Século XXI. (Tony Borie, 21st Century).

…morreu o “Zé Pesca”, na Ilha do Como!. (…”Zé Pesca”, on Como Island, died)!.

…morreu o “Zé Pesca, na Ilha do Como!. (…“Zé Pesca, on Como Island, died)!.

…o corpo e a mente de um veterano de guerra, reage automáticamente aos disparos da memória, sentindo de novo em certos momentos as feridas, o medo e o horror que por si passaram enquanto presente num cenário de combate e, a sua maior maldição é que nunca esquece!. 

(…the body and mind of a war veteran, reacts automatically to the firing of the memory, feeling again at certain times the wounds, the fear and the horror that they went through while present combat scenario and, his biggest curse is that he never forgets)!.

…contudo, já o escrevemos em algumas vezes, o mêdo ou talvez  coragem, que nos ajudou a sobreviver num campo de batalha, não funciona muito bem agora, nesta avançada idade, mas ainda vai sendo possível assumir o control dessa horrível vivência e, vamos continuando a expulsar alguma energia positiva que nos resta, daquela que nos foi roubada, pelo desastre da Guerra Colonial Portuguesa, em África!.

(…however, we have already written it a few times, fear or perhaps courage, which helped us to survive on a battlefield, does not work very well now, at this advanced age, but it will still be possible to take control of this horrible experience and, let’s continuing to expel some positive energy that we have left, the one that was stolen from us, by the disaster of the Portuguese Colonial War, in Africa)!.

…por um período de dois longos anos, o então governo colonial de Portugal, arrancou-nos da nosso aldeia, lá na Europa, naquela encosta agreste da montanha do Caramulo, treinou-nos para combate, metendo-nos no porão de um qualquer navio de carga, navegando pelo oceano Atlântico rumo ao sul, desembarcando-nos numa zona de combate, no interior das selvas, savanas e pântanos da então província da Guiné Portuguesa, onde além do mêdo constante e da angústia, estávamos pagando um preço muito elevado na lotaria da vida, onde nos podia sair um bilhete premiado com a morte, que era muito frequente, bastando andar por ali!.

(…for a period of two long years, the then colonial government of Portugal, dragged us out of our village, back in Europe, on that rough slope of the Caramulo mountain, trained us to fight, getting us into the hold of any ship cargo, sailing across the Atlantic Ocean heading south, disembarking in a combat zone, inside the jungles, savannas and swamps of the then province of Portuguese Guinea, where in addition to constant fear and anguish, we were paying a very high price in lottery of life, where we could get a ticket awarded with death, which was very frequent, just walking around)!.

…com alguma sorte sobrevivemos mas, o síndrome de guerra, leva-nos por todo o tempo do resto das nossas vidas, a uma pesada viajem no Coração das Trevas!. Não mais esquecemos a jornada de um soldado combatente numa mortífera guerra de guerrilha, de um país que nos USOU e nos ESQUECEU, desde a nossa mobilização na época de uma pré-guerra, passando pela miserável experiência no campo de batalha, até a um difícil retorno de pós-guerra, sempre nos IGNORANDO!.

(…with any luck we survive but, the war syndrome, takes us all the time for the rest of our lives, to a heavy journey in the Heart of Darkness!. We no longer forget the journey of a combatant soldier in a deadly guerrilla war, of a country that USED and FORGOT us, from our pre-war mobilization, through the miserable battlefield experience, to a difficult one post-war return, always IGNORING us)!.

…quando o encontramos de novo, o tal pensamento, às vezes em momentos sombrios e silenciosos, tentamos repudiá-lo, mandar para longe, a explosão de uma granada ou o som do bater das lâminas de um helicóptero em cenário de guerra, recolhendo o que resta do corpo de um combatente, embrulhado num camuflado sujo com o seu próprio sangue!. Não importa quantas vezes esses pensamentos nos visitam, pois  terminam sempre da mesma maneira, que é uma catástrofe total!. 

(…when we meet him again, that thought, sometimes in dark and silent moments, we try to repudiate him, send away, the explosion of a grenade or the sound of the blades of a helicopter in a war scenario, collecting what remains of a combatant’s body, wrapped in a dirty camouflage with his own blood!. It doesn’t matter how many times these thoughts visit us, as they always end in the same way, which is a total catastrophe)!.

…nós, que naquele cenário de uma guerra terrestre de guerrilha, éramos o “Cifra”, um soldado desarmado que sabíamos o que não deveríamos saber e, onde a disciplina de um campo de batalha não era lá muito eficaz para a nossa sobrevivência, onde um pequeno descuido ou desleixo, onde as emboscadas, minas ou fornilhos, podiam a qualquer momento fazer com que a nossa alma nos abandonasse, na procura de uma qualquer galáxia distante, onde uma tijela de arroz ou um naco de pão, por vezes era mais importante do que uma ração de combate!.

(…we, in that scenario of a terrestrial guerrilla war, were “Cifra”, an unarmed soldier who knew what we shouldn’t know and, where the discipline of a battlefield was not very effective for our survival, where a small carelessness or negligence, where ambushes, mines or bowls, could at any time cause our soul to abandon us, in search of any distant galaxy, where a bowl of rice or a loaf of bread, sometimes it was more important than a combat ration)!.

…e, as tropas portuguesas, pelo menos no tempo em que estivémos estacionados em zona de combate, assumiam inicialmente uma postura defensiva, limitando-se a defender territórios de vilas ou aldeias já detidas, porque os guerrilheiros, cada vez se encontravam mais bem treinados, agressivos e equipados com uma preponderância de armas automáticas com muitas munições, ao contrário de nós, que naquele horrível cenário, “éramos quase uns soldados sem um país”, para ali mandados, treinados à pressa e mal, com equipamento de combate quase absoleto!.

(…and, Portuguese troops, at least when we were stationed in the combat zone, initially assumed a defensive posture, limiting themselves to defending territories of towns or villages already detained, because the guerrillas were increasingly better trained, aggressive and equipped with a preponderance of automatic weapons with lots of ammunition, unlike us, who in that horrible scenario, “we were almost soldiers without a country”, sent there, trained in haste and evil, with almost absolute combat equipment)!.

…como tal, as forças de infantaria portuguesas, limitavam-se a realizar algumas patrulhas ou operações defensivas, por vezes particularmente devastadoras, porque eram regularmente atacadas fora das áreas povoadas pelas forças dos guerrilheiros e, na situação que acima descrevemos, as forças portuguesas, por vezes sentiam-se algo desmoralizadas, não só pelo crescimento constante dos simpatizantes e pessoal recrutado pelos movimentos de libertação entre a população rural, como pela situação desesperada de ver morrer os seus companheiros, que ali ficavam enterrados para sempre na lama daqueles pântanos!.

(…as such, the Portuguese infantry forces were limited to carrying out some patrols or defensive operations, sometimes particularly devastating, because they were regularly attacked outside the areas populated by the guerrilla forces and, in the situation described above, the Portuguese forces, sometimes they felt somewhat demoralized, not only by the constant growth of supporters and personnel recruited by the liberation movements among the rural population, but also by the desperate situation of seeing their companions die, who were buried there forever in the mud of those swamps)!

…lá naquele interior quase selvagem, vivíamos um cenário de violência, onde os famintos, os doentes, os analfabetos e a miséria eram constantes,  e claro, hoje sabemos que a violência nunca traz uma paz permanente,  não resolve nenhum problema social, pelo contrário, cria novos e mais complicados problemas, e ali era desesperante, onde a segurança não existia, os seres humanos não tinham acesso a alimentos suficientes, água limpa, remédios ou um abrigo necessário para sobreviver!. 

(…there in that almost wild interior, we lived a scenario of violence, where the hungry, the sick, the illiterate and the misery were constant, and of course, today we know that violence never brings permanent peace, it does not solve any social problem, on the contrary , creates new and more complicated problems, and there it was desperate, where security did not exist, human beings did not have access to enough food, clean water, medicine or a shelter necessary to survive)!.

…por algum período de tempo, os guerrilheiros conseguiram reduzir o controlo administrativo e militar português do país para uma área relativamente pequena como a da então província da Guiné e, ao contrário de em outros territórios coloniais, as táticas de combate das forças portuguesas, para se tornarem bem sucedidas, demoraram a evoluir, tendo então começado com operações navais anfíbias, para superar alguns dos problemas de mobilidade inerentes às áreas subdesenvolvidas e pantanosas, utilizando os comandos dos Fuzileiros, assim como Grupos de tropas Páraquedistas, como forças de ataque!.

…for some period of time, the guerrillas managed to reduce the Portuguese administrative and military control of the country to a relatively small area like that of the then province of Guinea and, unlike in other colonial territories, the combat tactics of the Portuguese forces, to become successful, they took time to evolve, and then started with amphibious naval operations, to overcome some of the mobility problems inherent in underdeveloped and swampy areas, using the Marines’ commands, as well as Parachute Troops, as attacking forces)!.

…aqui começa a história que hoje vamos contar, onde relatamos um episódio que nos anda “atravessado” já há muitos anos!. Quando nos sentamos em frente ao computador, começando a trazer este episódio para a realidade, escrevemos umas tantas linhas, pondo tudo de parte, porque a emoção toma conta de nós, é mais forte, o som do “catra-pum-pum-pum”, começa a zumbir nos nossos ouvidos, parece que vamos a fugir para o nosso abrigo preferido, a que eu chamávamos o abrigo “Olossato”, por existir este tipo de abrigos, no aquartelamento algo improvisado, que naquela altura lá existia perto da fronteira, na aldeia de Olossato!.  

(…here begins the story that we are going to tell today, where we report an episode that has been “crossed” for many years!. When we sat down at the computer, starting to bring this episode to reality, we wrote a few lines, putting everything aside, because the emotion takes over us, it is stronger, the sound of the “catra-pum-pum-pum”, It starts ringing in our ears, it seems that we are going to flee to our favorite shelter, which I called the “Olossato” shelter, because there is this type of shelter, in the somewhat improvised quartering, which at that time existed near the border, in the village of Olossato)!.

…no nosso pensamento aparece o “Zé Pesca”, que era um soldado para-quedista, do mesmo grupo de combate do nosso companheiro de infância, também para-quedista, que já aqui mencionámos por diversas vezes, cujo nome de guerra era “Zargo”, e que num certo fim de semana, viémos no “carro dos doentes” à capital da província Bissau, portanto numa sexta-feira, regressando na segunda-feira seguinte na avioneta do furriel Honório, que sempre fazia passagem quase obrigatória na vila de Mansoa, onde estávamos estacionados num aquartelamento que ajudámos a construir e considerávamos um “posto avançado de fronteira”, porque apartir daqui é que era verdadeira zona de combate!.

(…in our thoughts, “Zé Pesca” appears, who was a paratrooper, from the same combat group as our childhood companion, also a paratrooper, who we have mentioned here several times, whose war name was “Zargo”, and that on a certain weekend, we came in the “car of the sick” to the capital of the province Bissau, therefore on a Friday, returning the following Monday in the plane of furriel Honório, who always made an almost mandatory passage in the village of Mansoa, where we were stationed in a barracks that we helped to build and considered a “border outpost”, because from here it was really a combat zone)!.

…voltando ao início, passámos todo o fim de semana, alojados em Bissalanca, nas instalações do Batalhão de Para-quedistas, na companhia do nosso amigo “Zargo” e, nesse sábado fizemos lá uma “tremenda patuscada”, que meteu ostras, ameijoas e camarão, onde bebemos um barril de vinho entre todos, e para não ficar “vestígios”, queimou-se o barril!. 

…back to the beginning, we spent the whole weekend, staying in Bissalanca, in the Battalion of Paratroopers, in the company of our friend “Zargo” and, that Saturday we made a “tremendous patuscada”, that put oysters, clams and shrimp, where we drank a barrel of wine among everyone, and so as not to be “traces”, the barrel was burned)!.

…o “Zé Pesca”, era amigo da farra, lutador, combatente, com a boina verde sempre de lado, corpo de atleta, cujos pais eram agricultores na província do Ribatejo!. Já tínhamos comido e bebido, como tal, bastante “contente”, dizia que não gostava da Guiné, “porque não havia cavalos” e,  que tinha ido para o corpo de Para-quedistas “por causa da farda”!.

(…“Zé Pesca”, was a friend of the party, fighter, combatant, with the green beret always on his side, body of athlete, whose parents were farmers in the province of Ribatejo!. We had already eaten and drank, as such, quite “happy”, said that he did not like Guinea, “because there were no horses” and that he had gone to the body of paratroopers “because of the uniform”)!.

…uns dias depois o “Zé Pesca” morreu!. Ficou crivado de balas disparadas por aquela perigosa arma a que nós chamáva-mos “costureirinha”, que era uma arma metralhadora, que os guerrilheiros usavam em cima de um tripé com duas rodas em ferro, para ser transportada para a zona de combate e usada nas emboscadas, principalmente onde havia capim, fazendo fogo muito rasteiro, com cadência de tiro e som que a identificava e, quase sempre no fim de uma emboscada os guerrilheiros, talvez desesperados, abandonavam-na, ou pelo menos abandonavam o tripé, preocupando-se em retirar os seus mortos ou feridos, usando-a nas mãos, como uma arma vulgar sem as ditas rodas!. Pelo menos era esta a descrição, que  recebíamos nas mensagens, desses heróis combatentes que eram os militares de acção!.

(…a few days later “Zé Pesca” died!. It was riddled with bullets fired by that dangerous weapon that we called “seamstress”, which was a machine gun, which the guerrillas used on top of a tripod with two iron wheels, to be transported to the combat zone and used in ambushes, especially where there was grass, making very low fires, with a rate of fire and sound that identified her and, almost always at the end of an ambush, guerrillas, perhaps desperate, abandoned her, or at least abandoned her tripod, worrying to remove their dead or wounded, using it in their hands, as a common weapon without the said wheels!. At least this was the description, which we received in the messages, of these fighting heroes who were the military in action)!.

…algum tempo depois, perguntando nós pelo “Zé Pesca”, o “Zargo”, explicou-nos com alguns pormenores a causa da morte do “Zé Pesca”, num terrível cenário, onde se encontravam já a algumas horas esperando, numa operação de destruição de uma base dos guerrilheiros, cobertos com a típica capa camuflada impermeável, já com muitos buracos, portanto molhados “até aos ossos”, por uma chuva miudinha e, se não fosse da chuva, era a humidade que naquela altura se fazia sentir!.

(…some time later, asking us about “Zé Pesca”, “Zargo”, he explained to us in some detail the cause of the death of “Zé Pesca”, in a terrible scenario, where they were already waiting a few hours, in an operation of destruction of a guerrilla base, covered with the typical waterproof camouflage cap, already with many holes, so wet “to the bone”, by a small rain and, if it weren’t from the rain, it was the humidity that was felt at that time)!.

…já era noite quando sairam do aquartelamento base onde estavam acantonados, todos beberam muito café, não sabiam se estavam sobre influência, mas estavam nervosos, queriam acção!. Passou um grupo de guerrilheiros perto, onde não deviam intervir, pois em caso de haver tiros toda a operação que seria desenvolvida no futuro, seria denunciada!. 

(…it was already night when they left the base quarters where they were huddled, everyone drank a lot of coffee, they didn’t know if they were under influence, but they were nervous, they wanted action!. A group of guerrillas passed by, where they were not supposed to intervene, because if there were shots, the entire operation that would be carried out in the future would be denounced)!.

…o “Zé Pesca” já aí queria intervir, os companheiros seguraram-no, foram avançando e, já próximo do objectivo não esperou por qualquer ordem, avançou quase sózinho na frente, gritando, disparando, talvez amaldiçoando a sua própria alma, onde os companheiros aterrorizados com aquele movimento de quase suicídio, ouviram a tal “costureirinha”, fazendo ouvir o seu amaldicionado som, do “catra-pum-pum-pum-pum”, que crivou o “Zé Pesca”, fazendo o seu corpo, rodopiar em zig-zague, caindo uns metros à frente, encolhido, crivado de balas!.

(…“Zé Pesca” already wanted to intervene, the companions held him, went forward and, already close to the goal, he did not wait for any order, he advanced almost alone in front, shouting, shooting, perhaps cursing his own soul, where companions terrified of that movement of almost suicide, heard the “seamstress”, making their cursed sound, “catra-pum-pum-pum-pum”, that sifted “Zé Pesca”, making his body, spin zigzag, falling a few meters ahead, huddled, riddled with bullets)!.

…a operação de destruição desenrolou-se, queimaram o pequeno acampamento dos guerrilheiros que estava naquela área, destruindo as instalações e muito material de guerra!. No regresso, transportando o corpo do “Zé Pesca”, trazendo também diversas mulheres guerrilheiras, transportadoras de material de guerra, que depois de feitas prisioneiras acompanharam os militares, por uma certa distância, pois serviam de escudo, pois enquanto acompanhassem os militares, os guerrilheiros não atacavam, onde já a manhã ia alta, perto do local onde deviam ser recolhidos, as libertaram!.   

(…the destruction operation took place, they burned the small guerrilla camp that was in that area, destroying the facilities and a lot of war material!. On their return, carrying the body of “Zé Pesca”, also bringing several guerrilla women, carriers of war material, who after being taken prisoner accompanied the military for a certain distance, because they served as a shield, because while they accompanied the military, guerrillas did not attack, where the morning was already high, near the place where they were to be collected, they released them)!.

…algum tempo depois, os militares do seu grupo de combate, pelo menos em momentos de convívio, olhavam uns para os outros e diziam:

      – morreu o “Zé Pesca”, na ilha do Como!.

(…some time later, the soldiers of his combat group, at least in moments of conviviality, looked at each other and said:

     – “Zé Pesca” died on the island of Como)!.

…enquanto o grupo de combate, a que pertencia o malogrado “Zé Pesca”, esteve estacionado na província, a sua cama nunca foi utilizada, estava lá, feita com roupa limpa, ao lado dos seus companheiros, que antes de se deitarem, lhes davam as boas noites!.

(…while the combat group, to which the ill-fated “Zé Pesca” belonged, was stationed in the province, his bed was never used, it was there, made with clean clothes, beside his companions, who before going to bed, they said good night)!.

…oxalá o país Portugal de hoje, respeitasse os seus combatentes, como estes militares de acção, respeitavam o companheiro morto em combate, pois é dos livros, já muitos escreveram que, “Nação que não respeita o passado, não pode ter bom futuro”!.

(…I wish today’s country Portugal, respected its combatants, like these military men in action, respected the companion killed in combat, as it is in the books, many have already written that, “Nation that does not respect the past, cannot have a good future”)!.

…nós combatentes, defendemos a bandeira, somos passado, de um País que se chama Portugal!. 

(…we fighters, we defend the flag, we are the past, of a country called Portugal)!.

Tony Borie, Século XXI. (Tony Borie, 21st Century).

…a trilha para o “Horseshoe Bend”!. (…the trail to the “Horseshoe Bend”)!.

…a trilha para o “Horseshoe Bend”!. (…the trail to the “Horseshoe Bend”)!.

…o Ano de 2020, já se foi!. Que se fique por lá, a milhões de anos luz, sobretudo, levando consigo esse maldito “Coronavírus19”, porque nós, os humanos, continuamos confinados num ambiente de clausura, onde alguns, nos quais nos inserimos, procuramos algo que nos desanuvie a memória, ou seja, libertar-nos do que causa sensação ou sentimento negativo, ou até mesmo de alguma opressão, pois os meios de comunicação, mesmo fora do “the six o’clock news”, não param de nos massacrar com notícias negativas de última hora, que na verdade não são de última hora mas, é a guerra de audiências!. Quanto pior, melhor!.

(…the Year of 2020, is gone!. May we stay there, millions of light years, above all, taking this damned “Coronavirus19” with us, because we humans remain confined in an enclosed environment, where some, in which we are inserted, look for something to clear our memories, that is, to free ourselves from what causes negative feeling or feeling, or even some oppression, because the media, even outside the “the six o’clock news”, do not stop slaughtering us with negative news of the last hour, which in fact are not last minute but, is the war of audiences!. The worse the better)!.

…adiante!. Hoje mesmo confinados e nesta já um pouco longa idade, querendo fugir a um possível abaixamento de nível, ou a um enfraquecimento, num abatimento, tanto físico como moral que, com a situação de fechados em casa, nos faz viver numa zona de baixa pressão atmosférica, em torno da qual o vento não sopra seja em que direcção for e, o único movimento que vimos à nossa volta, são os ponteiros do relógio!. 

(…forward!. Nowadays confined and in this already a long age, wanting to escape a possible lowering of the level, or a weakening, in a dejection, both physical and moral that, with the situation of being closed at home, makes us live in an area of ​​low pressure atmospheric, around which the wind does not blow in any direction and, the only movement we saw around us, are the hands of the clock)!.

…assim, fomos ao baú das recordações e, vamos falar de algo positivo, que nos desanuvie, mas que na vida real estamos quase proibidos, como por exemplo, viajens!. Cá vai!.

(…so, we went to the chest of memories and, let’s talk about something positive, that will unravel us, but that in real life we ​​are almost forbidden, for example, travel!. Here you go)!.

…já andávamos há algum tempo fora de casa, vínhamos do norte, saindo de um cenário de rios, planícies e montanha, viajando na estrada U.S. Route 89, no sentido sul, que por aqui chamam também de “Utah Heritage Highway 89”, que se estende por mais de 500 milhas, desde o estado do Idaho até ao Arizona, levando-nos através do coração de uma cultura, arquitectura, história e cenários únicos!. 

(…we had been out of the house for some time, we were coming from the north, leaving a backdrop of rivers, plains and mountains, traveling on the US Route 89 road, heading south, which here also call “Utah Heritage Highway 89”, which stretches over 500 miles from Idaho to Arizona, taking us through the heart of a culture, architecture, history and unique scenery)!.

…e afinal onde estávamos?. Estávamos num daqueles lugares raros que é absolutamente de tirar o fôlego, uma daquelas maravilhas que foram esculpidas ao longo de milénios pelas águas do rio Colorado, enquanto descia pelo Grand Canyon!. Estávamos a voltar à cerca de 20 milhões de anos atrás, onde eventualmente todas as dunas de areia foram petrificados pela calcita, mantendo as suas belas formas de dunas inclinadas, que hoje são simples grãos de areia!. 

(…and where were we anyway?. We were in one of those rare places that is absolutely breathtaking, one of those wonders that have been sculpted over millennia by the waters of the Colorado River, while going down the Grand Canyon!. We were going back about 20 million years ago, where eventually all the sand dunes were petrified by calcite, maintaining their beautiful forms of sloping dunes, which today are simple grains of sand)!.

…estávamos também a viver as evidências dos nossos antepassados, que foram deixadas aqui por Puebloans ancestrais (chamados por alguns “Anasazi”) há mais de 800 anos, que fizeram esculturas nas rochas de arenito, dizendo-nos que cultivavam, milho, feijão ou abóbora, mas não parecem ter vivido ao nível do rio, porque embora a água do rio estivesse ótima para a agricultura, era muito sedosa para se beber!.

(…we were also experiencing the evidence of our ancestors, which were left here by ancestral Puebloans (called by some “Anasazi”) more than 800 years ago, who made sculptures in sandstone rocks, telling us that they cultivated, corn, beans or pumpkin, but they don’t seem to have lived at the river level, because although the river water was great for agriculture, it was too silky to drink)!.

…enfim, também estávamos a voltar à juventude, quando ainda crianças, vimos uma cena, no salão de espectáculos da vila onde nascemos, lá na Europa, numa película onde entrava o actor John Wayne, cujo cenário, era passado no local, nas rochas do “Horseshoe Bend”!. Tudo isto nos ficou no pensamento!. Aquele rio, dando a volta lá em baixo!. Uff, tanta emoção, que sentimos agora, ao lembrar este local!.

(…in short, we were also returning to youth, when we were still children, we saw a scene, in the concert hall of the village where we were born, back in Europe, in a film where the actor John Wayne, whose scene was shown on the rocks of the “Horseshoe Bend”!. All this stayed in our thoughts!. That river, going around down there!. Uff, so much emotion, that we feel now, remembering this place)!.

…no pequeno percurso para lá chegar, podemos ver todo o tipo de pessoas, que querem visitar o local, desde  caminhantes bem preparados, até aqueles “flip flop”, com sapatos de ir às festas, no entanto isso não nos desamina, porque ficar no limite do penhasco, ver aquela vista, vale bem o curto momento de sacrifício de uma caminhada forçada!. 

(…on the short route to get there, we can see all kinds of people, who want to visit the place, from well-prepared walkers, to those “flip flop”, with shoes to go to parties, however that does not disappoint us, because staying at the edge of the cliff, seeing that view is well worth the short sacrifice of a forced walk)!.

…a trilha começa no final do parque de estacionamento, com um sinal avisando os caminhantes para ter cuidado, lembrando de que não há trilhos com segurança, na borda do penhasco!. Tudo começa  com uma caminhada gradual, por uma pequena colina, depois, é só preciso boa sorte!. 

(…the trail starts at the end of the car park, with a sign warning hikers to be careful, remembering that there are no safe trails at the edge of the cliff!. It all starts with a gradual walk, up a small hill, then you just need good luck)!.

…mas afinal, ainda não mencionámos o nome do maravilhoso local onde estávamos?. É fácil, se viajar-mos, vindos do norte, pela estrada US 89, o “Horseshoe Bend”, está localizado a aproximadamente oito milhas a jusante da represa de Glen Canyon e do lago Powel, podendo nós ter ascesso à trilha que lá nos levará diretamente da estrada, fazendo uma caminhada de ida e volta de aproximadamente 2,4 milhas, que nos leva a subir uma colina moderada e depois uma curva e voltar!. 

(…but after all, haven’t we mentioned the name of the wonderful place where we were?. It is easy, if we travel from the north on US 89, the “Horseshoe Bend”, is located approximately eight miles downstream from Glen Canyon Dam and Lake Powel, and we may have access to the trail that leads us there\, will take you directly from the road, making a hike around 2.4 miles, which takes us up a moderate hill and then a curve and back)!.

…percorrendo este trajecto, estamos mais ou menos a 1.000 pés acima do rio Colorado, num local maravilhoso, onde entre outros cenários de tirar a respiração, se podem tirar lindas fotos, pois “Horseshoe Bend” é um meandro em forma de ferradura do rio Colorado, que foi resistindo aos ciclos de tempo, onde à cerca de 200 milhões de anos atrás, a areia que fazia parte do maior sistema de areia e dunas do continente norte-americano, que talvez fossem “mares de areia” que eventualmente se foram endurecendo pela água e minerais no Navajo Sandstone, numa uniforme e incrível camada lisa de arenito, que se estendia do Arizona para Wyoming, e ainda hoje pode ter mais de dois mil pés de expessura em alguns lugares!.

(…along this path, we are more or less 1,000 feet above the Colorado River, in a wonderful place, where among other breathtaking sceneries, beautiful photos can be taken, as “Horseshoe Bend” is a meandering meander of the river Colorado, which was resisting the cycles of time, where about 200 million years ago, the sand that was part of the largest system of sand and dunes on the North American continent, which maybe were “seas of sand” that eventually went away hardening by water and minerals in the Navajo Sandstone, in a uniform and incredible smooth layer of sandstone, which stretched from Arizona to Wyoming, and even today it can be more than two thousand feet thick in some places)!.

…quando alcançamos a borda do “Horseshoe Bend”, estamos a olhar para aproximadamente a 1.000 pés (305 metros), do arenito para o rio, pois depois de Arenito Navajo endurecido, outras camadas diferentes de sedimentares se foram empilhadando, e claro, ao longo de alguns milhões de anos, a paciente água sob a forma de chuva, gelo, inundações e córregos, foi trabalhando, corroendo essas diferentes camadas de Arenito Navajo, onde a areia foi lentamente desaparecendo, surgindo um cenário a que hoje chamam “Horseshoe Band”!.

(…when we reach the edge of the “Horseshoe Bend”, we are looking at approximately 1,000 feet (305 meters), from the sandstone to the river, because after the hardened Navajo sandstone, other different layers of sedimentary have been piled up, and of course , over a few million years, the patient water in the form of rain, ice, floods and streams, was working, eroding these different layers of Navajo Sandstone, where the sand was slowly disappearing, emerging a scenario that today they call Horseshoe Band)!.

…ficámos muito felizes de caminhar até lá, até ao topo da colina, porque olhando à nossa volta, não vimos apenas o ” Horseshoe Band”, pois à nossa volta estava o resto da trilha para “Horseshoe Bend”, e além disso, estava o Planalto de Paria e o Vermillion Cliffs e, à nossa direita, o rio leva-nos ao lago Powell, na área de recreação nacional de Glen Canyon, que também visitámos, e à nossa  esquerda, estendia-se a vasta nação Navajo, e nós, parados, maravilhados na encruzilhada destes locais, que são um encontro de coisas naturais e culturais, únicas!.

(…we were very happy to walk there, up to the top of the hill, because looking around us, we didn’t just see the “Horseshoe Band”, because around us was the rest of the trail to “Horseshoe Bend”, and besides, there was the Plateau de Paria and the Vermillion Cliffs and, on our right, the river leads to Lake Powell, in the Glen Canyon national recreation area, which we also visited, and to our left, the vast Navajo nation stretched out, and we, standing still, amazed at the crossroads of these places, which are a meeting of natural and cultural things, unique)!.

…apesar de no regresso ao parque de estacionamento, nos faltar alguma força nas pernas e já não havia água fresca para beber, pois a que levávamos acabou-se, ao percorrer esta trilha, além de um cenário único e maravilhoso, aprendemos mais uma parte da história deste rio Colorado, que sempre que passamos junto a ele, não perdemos a oprtunidade de o apreciar!.

(…although on the return to the car park, we lacked some strength in our legs and there was no fresh water to drink, because the one we were taking was over, when walking this trail, in addition to a unique and wonderful scenery, we learned one more part of the history of this Colorado River, that whenever we pass by it, we do not lose the opportunity to appreciate it)!.

Tony Borie, Século XXI (Tony Borie, 21st century)