…maybe a little crazy and something aggressive!.

…maybe a little crazy and something aggressive!.


…talvez um pouco loucos e algo agressivos!. (maybe a little crazy and something aggressive)!.

…talvez dezenas, talvez centenas de vezes temos mencionado aqui a Guerra Colonial Portuguesa em África!. Quiz o destino que lá fossemos parar, participando nela como combatentes, quando ainda éramos jovens, quando a nossa mente devia de estar desanuviada para aprender e procurar motivos de aprendizagem para uma educação de vida sã, de família, produtiva e útil, para ajudar a continuação de um futuro mundo mais justo, sobretudo onde houvesse paz, prosperidade e no mínimo, as crianças tivessem um simples farrapo a cobrir-lhes o corpo e um naco de pão para se alimentarem!. No fundo, no fundo, houvesse, compreenção e alguma benevolência, entre as pessoas!. (Maybe dozens, maybe hundreds of times we have mentioned here the Portuguese Colonial War in Africa!. Perhaps the fate that we would stop there, participating in it as combatants, when we were still young, when our mind should be cleared to learn and look for learning motives for a healthy, productive family life, useful education to help the continuation of a more just world, especially where there was peace, prosperity and, at the very least, the children had a simple rag to cover their bodies and a loaf of bread to feed themselves!. Deep down, deep down, there was understanding and some benevolence among people!

…em lugar de todas estas virtudes, vivemos momentos de angústia, de medo, de sofrimento, de fúria, de injustiças, de actos de profunda repugnância e violência, onde resultaram, combates, ataques nocturnos com granadas de morteiro e balas de espingarda metralhadora, minas e fornilhos a rebentarem e matarem companheiros também jovens como nós!. (Instead of all these virtues, we live in moments of anguish, fear, suffering, fury, injustice, acts of deep repugnance and violence, resulting in night fighting with mortar shells and shotgun bullets machine gun, mines, and fangs to burst and kill fellows who are also young)!.

…de emboscadas traiçoeiras e mortíferas nas savanas, rios e pântanos cobertos de lama e tarrafo que, passado dois anos e, quando regressámos à Europa, já como veteranos de combate, passando por algumas experiências de vida mais traumáticas que se possam imaginar, onde a família que nos recebeu, sabia, notava imediatamente, que alguma coisa estava mal connosco, pela nossa linguagem, maneira de se comportar, pois estávamos diferentes, talvez um pouco loucos e algo agressivos!. (Of treacherous and deadly ambushes on the savannahs, rivers and marshes covered with mud and a pipe that, two years later, and when we returned to Europe, already as veterans of combat, going through some more traumatic life experiences that can be imagined, where the family that received us, knew, noticed immediately, that something was wrong with us, by our language, way to behave, because we were different, maybe a little crazy and something aggressive)!.

…esse nosso aspecto era normal, era o preço muito elevado de ter servido a nação numa zona de guerra, era a lotaria da vida onde nos pode sair um bilhete premiado com a morte, era o síndrome de guerra que nos leva por todo o tempo do resto das nossas vidas, a uma pesada viajem no coração das trevas!. (This aspect of us was normal, it was the very high price of having served the nation in a war zone, it was the lottery of life where we can get a ticket rewarded with death, it was the war syndrome that takes us all over the time of the rest of our lives, to a heavy journey in the heart of darkness)!.

…no fundo, no fundo, éramos sobreviventes de uma maldita guerra de guerrilha, numa região de África, onde uma das partes mais trágicas, para alguns talvez esperançosa, era a cara da necessidade humana!. Era o doente abandonado, a família faminta, a criança que não sabia ler, eram homens e mulheres, alguns sem abrigo, com roupa em farrapos, lutando pela sobrevivência, numa terra muito rica e com um solo muito fértil!. (Deep down we were survivors of a bloody guerrilla war in an area of Africa where one of the most tragic parts, to some perhaps hopeful, was the face of human need!. It was the abandoned patient, the famished family, the child who could not read, were men and women, some homeless, clothed in rags, struggling for survival, in a very rich land with a very fertile soil!

…e tudo isto começou porquê?. Porque, sobretudo quando os navegadores portugueses, ainda no século quinze, saindo da Europa, navegando junto à costa quase sempre com terra à vista, vindo a terra aqui e ali, muitas vezes para se abastecerem de água ou outros produtos de sobrevivência onde, dando largas ao seu instinto de guerreiros, geravam lutas, demonstrando a ganância da conquista de pequenos portos, vilas ou aldeias por onde passavam, começando a chegar à costa de África, concentrando as suas energias no golfo da Guiné, navegando mesmo até Angola!. No início, esperavam encontrar ouro mas, em toda aquela região, logo descobriram que os escravos eram um bem mais valioso, ali à sua disposição, disponíveis, e claro, para uma possível exportação!. (And all this started why?. Because, especially when the Portuguese navigators, still in the fifteenth century, leaving Europe, sailing along the coast almost always with land in sight, coming to land here and there, often to stock up on water or other survival products where, giving long in their instinct of warriors, generated fights, demonstrating the greed of the conquest of small ports, villages or villages where they passed, beginning to reach the coast of Africa, concentrating their energies in the Gulf of Guinea, sailing even to Angola!. At first they hoped to find gold, but throughout that region they soon discovered that slaves were a more valuable commodity, there at their disposal, available, and of course, for possible export)!.

…se consultar-mos a história universal, ela diz-nos que, o Império Islâmico já estava por lá estabelecido no comércio de escravos africanos, talvez por séculos, ligando-o ao comércio de escravos árabes!. Todavia, os portugueses que haviam conquistado o porto islâmico de Ceuta no ano de 1415, assim como várias outros portos, vilas ou aldeias no que é hoje o actual país Marrocos, no que chamavam uma cruzada contra os vizinhos islâmicos, conseguiram estabelecer-se com sucesso naquela área!. (If we look at universal history, it tells us that the Islamic Empire was already established there in the African slave trade, perhaps for centuries, linking it to the Arab slave trade!. However, the Portuguese who had conquered the Islamic port of Ceuta in 1415, as well as several other ports, villages or villages in what is now Morocco today, in what they called a crusade against their Islamic neighbors, managed to establish themselves with success in that area)!.

…portanto, viram, aprenderam!. Lá na Guiné, assim como em toda a costa até Angola, alguns países europeus rivais, já ocupavam grande parte do comércio (principalmente escravos) enquanto os governantes africanos locais confinavam os portugueses à costa, para onde enviavam os africanos escravizados para os tais portos, vilas ou aldeias, ocupados pelos portugueses, ou mesmo para alguns fortes na costa de África, que mais tarde se foram construindo, de onde eram exportados!. (Therefore, they have seen, they have learned!. There in Guinea, as well as all the coast to Angola, some rival European countries already occupied much of the trade (mainly slaves) while the local African rulers confined the Portuguese to the coast, where they sent the Africans enslaved to such ports, villages or villages occupied by the Portuguese, or even for some forts on the coast of Africa, which were later built, from where they were exported)!

…claro, houve lutas pela ocupação e domínio do território ao longo da costa, da Guiné até Angola, pois os portugueses queriam consolidar a sua vantagem contra invasões de rivais holandeses, britânicos e franceses!. No entanto, as cidades portuguesas fortificadas de Luanda (estabelecida em 1587 com 400 colonos portugueses) e Benguela (um forte de 1587, uma cidade de 1617) permaneceram quase continuamente em mãos portuguesas!. (Of course, there were struggles for occupation and domination of the territory along the coast, from Guinea to Angola, as the Portuguese wanted to consolidate their advantage against invasions of Dutch, British and French rivals!. However, the fortified Portuguese cities of Luanda (established in 1587 with 400 Portuguese settlers) and Benguela (a fort of 1587, a city of 1617) remained almost continuously in Portuguese hands)!.

…tal como na Guiné, o comércio de escravos tornou-se a base da economia local em Angola!. As excursões eram cada vez mais para o interior, para obter cativos que foram vendidos por governantes africanos!. A principal fonte desses escravos, foram os capturados como o resultado da perda de uma ou outra guerra, ou de conflitos entre etnias com outras tribos africanas, todavia o resultado foi que, mais de um milhão de homens, mulheres e crianças foram enviados de toda a costa africana, desde a Guiné até Angola, para o outro lado do Atlântico!. Nesta região, diferentemente da Guiné, o comércio permaneceu em grande parte nas mãos dos portugueses, onde quase todos os escravos foram destinados ao Brazil!. (As in Guinea, the slave trade became the basis of the local economy in Angola!. The excursions were more and more inland, to get captives that were sold by African rulers!. The main source of these slaves were captured as the result of the loss of either war or ethnic conflict with other African tribes, but the result was that more than one million men, women, and children were sent from all the African coast, from Guinea to Angola, to the other side of the Atlantic!. In this region, unlike Guinea, trade remained largely in the hands of the Portuguese, where almost all slaves were destined for Brazil)!.

…mais tarde, na disputa pela África, durante a Primeira Guerra Mundial, tal qual como o dividir do espólio de qualquer saque, a reivindicação das Colónias Africanas de Portugal, foi reconhecida pelas outras potências europeias durante a década de 1880, onde os limites finais da África Portuguesa foram acordados pela negociação na Europa, no ano de 1891, onde Portugal ficou com o controle efectivo de pouco mais do que a faixa costeira desde a Guiné, passando por Angola até Moçambique!. (Later in the dispute over Africa during World War I, just as the division of the spoils of any plunder, the claim of the African Colonies of Portugal, was recognized by the other European powers during the 1880s, where the final boundaries of Portuguese Africa were agreed by the negotiation in Europe in the year 1891, where Portugal was effectively in control of little more than the coastal strip from Guiné, through Angola to Mozambique)!.

…na Segunda Guerra Mundial e, já no final da década de 1950, as Forças Armadas Portuguesas viram-se confrontadas com o paradoxo gerado pelo regime ditatorial do Estado Novo que se encontrava no poder desde 1926!. Por um lado, a política de neutralidade portuguesa na Segunda Guerra Mundial colocou as Forças Armadas Portuguesas fora do caminho de um possível conflito Leste-Oeste, por outro lado, o regime sentiu a crescente responsabilidade de manter sob controle as suas Colónias Ultramarinas em África e, assim proteger os cidadãos que por lá habitavam!. (In the Second World War, and in the late 1950s, the Portuguese Armed Forces found themselves confronted with the paradox generated by the dictatorial regime of Estado Novo, which had been in power since 1926!. On the one hand, the policy of Portuguese neutrality in World War II put the Portuguese Armed Forces out of the way of a possible East-West conflict, on the other hand, the regime felt the growing responsibility of keeping its Overseas Colonies in control in Africa and, thus protecting the citizens who lived there)!.

…assim, Portugal viu como solução, ingressar na OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, também chamada de Aliança do Atlântico Norte, que é uma aliança militar intergovernamental entre 29 países norte-americanos e europeus, como membro fundador em 1949, integrado nos seus vários comandos militares e que, constitui um sistema de defesa colectiva pelo qual os seus estados membros independentes concordam com a defesa mútua em resposta a um ataque de qualquer parte externa!. Naquela época, o principal foco da OTAN, era a prevenção de um ataque soviético convencional contra a Europa Ocidental, em detrimento dos preparativos militares contra as revoltas guerrilheiras nas Províncias Ultramarinas de Portugal, consideradas essenciais para a sobrevivência da nação!. (Thus, Portugal saw as a solution, joining NATO, North Atlantic Treaty Organization, also called the North Atlantic Alliance, which is an intergovernmental military alliance between 29 North American and European countries, as a founding member in 1949, integrated into its various military commands and which constitutes a system of collective defense by which its independent member states agree to mutual defense in response to an attack from any outside! At that time, NATO’s main focus was the prevention of a conventional Soviet attack against Western Europe, to the detriment of military preparations against guerrilla revolts in the Overseas Provinces of Portugal, considered essential for the survival of the nation)!.

…depois, depois veio a revolta do povo africano, veio a Guerra Colonial Portuguesa em África que, nas aldeias e vilas de Portugal era conhecida como a Guerra Ultramarina e, nas então Colónias Portuguesas de África, o povo que lutava pela libertação e independência do seu território, chamava a Guerra de Libertação, entre os anos de 1961 e 1974, que foi travada entre os militares (muitos eram milicianos e forçados), ao serviço do então governo de Portugal e os emergentes movimentos nacionalistas que se foram criando nas então Colónias Africanas Portuguesas, onde no fundo, no fundo, nenhuma das partes saíu vencedora, porque entretanto, elementos das Forças Armadas Portuguesas deram um golpe de estado, na capital do então Portugal Colonial, a cidade de Lisboa, no mês de Abril, no ano de 1974, derrubando o governo, cujo pretexto, era um protesto contra o custo e a duração desta, como já anteriormente dissémos, maldita e sangrenta guerra!. (Then came the revolt of the African people, the Portuguese Colonial War in Africa came to be known in the villages and towns of Portugal as the Overseas War, and in the then Portuguese Colonies of Africa the people fighting for liberation and independence, called the Liberation War between 1961 and 1974, which was fought between the military (many were militias and forced), serving the then Portuguese government and the emerging nationalist movements that were Portuguese Colonies, where, deep down, neither party was victorious, because in the meantime, elements of the Portuguese Armed Forces gave a coup in the capital of Portugal Colonial, the city of Lisbon, in April, in the year 1974, overthrowing the government, whose pretext was a protest against the cost and duration of this, as we have said before, damn and bloody war)!.

…e nós, ainda jovens, oriundos da Europa, com uma educação de aldeia, onde os princípios honestos de família vinham de há séculos, vivemos todo este cenário, muitas vezes a angústia, o desespero e o medo!. Todavia ainda vamos escrevendo, com a intenção de que a nossa dor, sirva de exemplo, sobretudo para os jovens, para que nunca se envolvam em nenhum conflito armado!. (And we, still young, from Europe, with a village education, where the honest principles of family came from centuries ago, we live this whole scenario, often the anguish, despair and fear!. However, we are still writing, with the intention that our pain be an example, especially for young people, so that they never get involved in any armed conflict)!.

…longe do nosso pensamento, recordar aquele ditado que diz, “É frustante quando você conhece quase todas as respostas, mas ninguém se preocupa em fazer as perguntas”!. Não, não é essa a nossa intenção, temos alguma experiência de vida, já por nós passaram muitas primaveras floridas, muitas temperaturas tórridas de verão, chuvas torrenciais de outono e muitos frios glaciares de inverno, contudo, a força que nos faz mover os dedos, ao passar pelo computador, é o reflexo de momentos de horror, mêdo e angústia, de um veterano de guerra, que deu os melhores anos da sua jovem vida em defesa do seu País, numa guerra sangrenta em África, a milhares de quilómetros da aldeia onde nasceu, combatendo pessoas, que nenhum mal lhe tinham feito antes e, que nem sequer conhecia!. (Far from our thinking, remember that saying that says, “It’s frustrating when you know almost all the answers, but no one cares to ask the questions”!. No, this is not our intention, we have some experience of life, already we have passed many flower springs, many torrid summer temperatures, torrential autumn rains and many cold winter glaciers, yet the force that makes us move our fingers , is a reflection of moments of horror, fear and anguish, of a war veteran, who gave the best years of his young life in defense of his Country, in a bloody war in Africa, thousands of kilometers away from the village where he was born, fighting people, whom no evil had done to him before, and whom he did not even know)!.

Tony Borie, February 2019.