…the beret!

…a boina!. (the beret)!.

…a Guerra Colonial Portuguesa em África, que nós, em plena juventude vivemos, teve diversos rostos!. Talvez o primeiro fosse o verdadeiro conflito armado, das emboscadas mortíferas, do terror, dos tiroteios, dos ataques aos aquartelamentos com as armas morteiro, calibre 90, de algumas bombas lançadas pelos aviões, que destruiam aldeias e, dos soldados cansados, alguns desmotivados por verem os seus companheiros morrerem, ali mesmo, junto de si, o qual ajudavam a embrulhar o que restava dos seus corpos!. (the Portuguese Colonial War in Africa, which we, in our youth, live in, had several faces!. Perhaps the first was the real armed conflict, the deadly ambushes, the terror, the shootings, the attacks on the barracks with the 90-caliber mortar weapons, some bombs dropped by the planes that destroyed villages, and the tired soldiers, some unmotivated by to see his companions die, right there, next to him, which helped to wrap what was left of their bodies!.

…nós, estávamos envolvidos num conflito armado, cujos objectivos eram provar que a força encontrava a força e, para qualquer dos vencedores, era uma conquista fútil, era uma agressão errada, pois num conflito armado, não existem vencedores, os que perdem nunca esquecem, transmitindo a mensagem à próxima geração de família, portanto está provado que um conflito armado, simplesmente não funciona!. (we were involved in an armed conflict whose purpose was to prove that the force met the strength and for any of the winners was a futile achievement, it was a wrong aggression, because in an armed conflict, there are no winners, the losers never forget, conveying the message to the next generation of family, so it is proven that an armed conflict simply does not work)!.

…talvez o segundo rosto da guerra que vivemos em África fosse a busca de uma solução política, ou seja, a diplomacia política, mas naquele tempo, com um primeiro ministro, que se considerava um pai da nação, que tinha falado ao seu povo que devíamos “ir para a guerra e, em força”, sabendo que ia traumatizar uma geração de jovens que, práticamente foram abandonados, assim que se procedeu à independência das ditas Colónias Portuguesas em África, possívelmente envergonhando-se que essa geração, era uma geração de combatentes, que defenderam a bandeira do país Portugal, ignorando a legenda que diz: “País que não respeita o passado, não pode ter um bom futuro”!. (perhaps the second face of the war in Africa was the search for a political solution, that is, political diplomacy, but at that time, with a prime minister, who considered himself a father of the nation, who had spoken to his that we should “go to war and in strength”, knowing that it would traumatize a generation of young people who, practically, were abandoned, as soon as the Portuguese Colonies in Africa were independent, possibly embarrassing that this generation was a generation of fighters, who defended the flag of the country Portugal, ignoring the legend that says: “Country that does not respect the past, can not have a good future”)!.

…não nos querendo alongar, talvez um terceiro rosto da guerra que vivemos em África seja a mais trágica!. Era a necessidade humana!. Onde existia o doente abandonado, a família faminta, a criança analfabeta, centenas, talvez milhares de homens, mulheres e crianças abandonadas, sem abrigo, vestidas com farrapos, lutando pela sua sobrevivência, numa terra muito rica, onde as árvores, deixando-as em paz, cresciam com fruto, o peixe dos rios era abundante, os animais nas savanas, florestas e pântanos, também se houvesse paz, cresciam e, cujo solo era muito fértil!. (not wanting to stretch, maybe a third face of the war that we live in Africa is the most tragic! It was the human need!. Where there was the abandoned patient, the hungry family, the illiterate child, hundreds, perhaps thousands of abandoned men, women and children, homeless, clothed, struggling for their survival in a very rich land where trees, leaving them in peace, they grew with fruit, the fish of the rivers were abundant, the animals in the savannas, forests and marshes, also if there was peace, they grew and whose soil was very fertile)!.

…enfim, esta última vertente da guerra, trazia-nos angustiados, pois infelizmente alguns, mesmo nos dias de hoje, não querem o fruto das árvores para comer, procuram única e simplesmente, os frutos materiais das árvores!. (finally, this last aspect of the war, brought us anguish, because unfortunately some, even today, do not want the fruit of the trees to eat, simply look for the material fruits of the trees)!.

…mas vamos continuar, nós, andávamos por ali, faltava pouco tempo para regressar-mos à Europa, portanto a nossa mente andava um pouco ocupada, mas não tanto ocupada para que não se reparasse na falta de recursos dessas pessoas, visitávamos algumas aldeias próximo da aquartelamento quase todos os dias, pelo menos quando livres das nossas tarefas, levando comida e pão que por vezes roubávamos no aquartelamento, assim como rebuçados que comprávamos na loja do Libanês!. (but we are going to continue, we were walking around, there was not enough time to go back to Europe, so our mind was a little busy, but not so busy that we did not notice the lack of resources of these people, we visited some villages near the barracks almost every day, at least when we were free of our duties, carrying food and bread that we sometimes stole in the barracks, as well as sweets we bought at the Lebanese store)!.

…talvez para outros fosse normal, mas para nós, não compreendíamos a alegria nos rosto daquelas pessoas ao ver-nos chegar!. Viviam na mais profunda miséria, mas aparentavam sentir-se bem, aquelas casas térreas, cobertas com folhas de colmo, com toda aquela falta de utensílios domésticos, uma simples lata vazia de conserva, que levávamos do aquartelamento, era guardada como se fosse uma coisa preciosa, não havia água potável, era suja de lama, pó, lixo em tudo o que fosse lugar, improvisando quase tudo e, nunca ouvimos da boca daquelas pessoas uma pequena lamúria!. (perhaps for others it was normal, but for us, we did not understand the joy in the faces of those people when seeing us arrive!. They lived in the deepest misery, but they seemed to feel well, those earthen houses, covered with thatch leaves, with all that lack of household utensils, a simple empty can of tin, which we carried from the barracks, was guarded as if it were a thing precious, there was no drinking water, it was dirty with mud, dust, rubbish in every place, improvising almost everything, and we never heard from the mouth of those people a small whine)!.

…vivendo naquela profunda miséria, quando comiam, chamavam os cães magros e famintos, que por ali andavam, repartindo o pouco que lhe levávamos!. Estas cenas ainda nos davam mais angústia, fazendo-nos lembrar os valores morais da nossa civilização, que repousa na natureza de ser-mos úteis ao próximo e, não procurar a guerra em que estávamos envolvidos, que naquela época, era uma ameaça àquelas pessoas, que viviam uma vida de sobrevivência!. (living in that deep misery, when they ate, they called the thin and hungry dogs, who walked around, sharing the little we took! These scenes still gave us more anguish, reminding us of the moral values of our civilization, which rests on the nature of being useful to others and not looking for the war in which we were involved, which at that time was a threat to those people, who lived a life of survival)!.

…havia por lá uma criança, que não nos largava, sempre vinha em nosso redor agarrando-nos na mão, queria carinho e talvez rebuçados, pois imediatamente nos colocava a mão no bolso!. Nós, às vezes embaraçados, não sabíamos com agir para nos despedirmos dessa criança, os seus olhos falavam, eram humildes, dizendo tudo o que lhe ia na alma, não necessitava abrir a boca, aqueles olhos falavam todos os idiomas do mundo!. (there was a child there, who would not leave us, always came around us holding us in the hand, wanted affection and maybe candy, because immediately put our hand in our pockets! We, sometimes embarrassed, did not know how to act to say goodbye to this child, his eyes spoke, were humble, saying everything that was in his soul, he did not need to open his mouth, those eyes spoke all the languages of the world)!.

…ao regressar à Europa, deixámos as botas de cabedal e parte da roupa da farda, assim como algum dinheiro a essa família, mas a criança, não queria a roupa da farda, queria a boina e o emblema!. Nós, quase chorando, entregámo-la com um grande beijo, mas a criança sorriu, tirou o dedo da boca, limpou o ranho do nariz com as costas das mãos, deu uma gargalhada, mostrando um sorriso que dispensava palavras, pois a sua alegria falava todos os idiomas do mundo!. (when we returned to Europe, we left our leather boots and some of the uniforms, as well as some money for this family, but the child, did not want the uniform, wanted the beret and the emblem!. We almost cried, we delivered her with a big kiss, but the child smiled, took his finger from his mouth, wiped the snot of the nose with the back of his hands, gave a laugh, showing a smile that dismissed words, because his joy spoke all the languages of the world)!.

Tony Borie, April 2018.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s