…Orquídia Negra da “Bolanha”!. (Black Orchid of the “Bolanha”!.


…Orquídia Negra da “Bolanha”!. (Black Orchid of the “Bolanha”!

…foram os 30 a 40 minutos piores da nossa vida em cenário de guerra!. Fugíamos para os abrigos improvisados sob o fogo da noite, naquele mês de Setembro de 1964, quando fomos atingidos pelos estilhaços das rajadas intensas dos guerrilheiros, que nos atacavam, bombardeando toda a área com granadas de morteiro calibre 90, tentando entrar no aquartelamento!. Não éramos só nós, havia já outros militares vítimas de queimaduras, alguns gritando de angústia, outros feridos, mesmo mutilados e, onde infelizmente dois não resistiram, morrendo ao nosso lado!. (It was the worst 30 to 40 minutes of our war-time life !. We fled to the makeshift shelters under the night’s fire that September 1964, when we were struck by the shattering of the intense bursts of guerrillas attacking us, bombing the area with 90-caliber mortar shells, trying to get into the barracks! It was not just us, there were other soldiers already burned, some screaming in anguish, others wounded, even mutilated and at where unfortunately two did not resist, dying beside us)!.

…servir a nação numa zona de guerra, é um preço muito elevado!. Na lotaria da vida pode-nos sair um bilhete premiado com a morte!. Com alguma sorte podemos sobreviver mas, o síndrome de guerra, leva-nos por todo o tempo do resto das nossas vidas, a uma pesada viajem no Coração das Trevas!. Não mais esquecemos a jornada de um soldado combatente numa mortífera guerra de guerrilha, de um país que nos USOU e nos ESQUECEU, desde a nossa mobilização na época de uma pré-guerra, passando pela miserável experiência no campo de batalha, até a um difícil retorno de pós-guerra, sempre nos IGNORANDO!. (Serving the nation in a war zone, is a very high price!. In the lottery of life can leave us a ticket rewarded with death!. With some luck we can survive but the war syndrome takes us all the way through the rest of our lives, to a heavy trip in the Heart of Darkness!. We no longer forget the journey of a combatant soldier in a deadly guerrilla war, from a country that has USED us and FORGOTTEN us, from our mobilization in the prewar period, through the miserable experience on the battlefield, to a difficult one post-war return, always IGNORING us)!

….estávamos no período da construção no novo aquartelamento, ainda não havia arame farpado e nós, depois de termos sido feridos com estilhaços de granada, tomámos a iniciativa da construção de um abrigo com alguma segurança, próximo do lugar onde exercíamos as nossas tarefas militares!. Alguns companheiros, incluindo o nosso comandante, aprovaram o projecto!. Nas horas fora das nossas tarefas, começámos a escavar a terra numa certa área onde ainda não havia construção, onde o comandante nos recomendou a mão de obra de alguns prisioneiros!. (We were at the time of construction in the new barracks, there was still no barbed wire, and we, after being wounded with garnet splinters, took the initiative to build a shelter with some security, near the place where we wielded our military tasks!. Some comrades, including our commander, have approved the project!. In the hours outside our tasks, we began to dig the earth in a certain area where there was still no construction, where the commander recommended us the labor of some prisoners)!.

…em conjunto, pensámos que seria uma boa ideia, pois deste modo, sempre estariam pelo período de algumas horas ao ar livre, onde podiam fazer alguns exercícios físicos, sobretudo verem o cenário das bolanhas (pântanos) e florestas, de onde eram oriundos e nós, éramos livres de lhes poder dar alguma comida que roubávamos na cozinha!. Assim, pela manhã, quase todos os dias, alguém iam buscar dois ou três prisioneiros, (onde todos queriam vir) dos mais jovens e melhor porte físico, para nos ajudarem nessa tarefa!. (Together, we thought that would be a good idea, because in this way, they would always be for a few hours in the open air, where they could do some physical exercises, especially seeing the scenario of the bolanhas (swamps) and forests, from where they were and us, we were free to give them some food we stole in the kitchen!. So in the morning, almost every day, someone was going to get two or three prisoners, (where everyone wanted to come) from the youngest and best physical, to help us with this task)!.

…passado algum tempo de convivência com os ditos prisioneiros, um dos mais novos, que tinha sido preso recentemente, já depois daquele mortífero ataque ao aquartelamento, que falava um pouco de português acrioulado, dizia-nos, mais ou menos estas palavras:

– mi, não saber porque estar preso!. Mi, querer ser militar do Portugal, como “Cifra”!. Mãe e irmãs necessita de mi, para trabalhar bolanha e trazê manga de arroz para pessoal comê!. Mi, viver próximo do quartel da tropa!. Não é justiça estar preso, já não ter pai, quando família necessita de mi!.

(After some time of living with the prisoners, one of the youngest, who had been arrested recently, after that deadly attack on the barracks, who spoke a little Portuguese Creole, told us, more or less these words:

– Mi, not knowing why to be arrested!. Mi, want to be military of Portugal, as “Cipher”!. Mother and sisters need me, to work bolanha (marsh) and bring much from rice to staff eat!. Mi, live near the troop barracks!. It is not justice to be imprisoned, to have no father, when family needs me)!.

…uma série de palavras que nos deixou a pensar!. Num dos próximos dias, ao entregar uma mensagem decifrada directamente ao comandante, na nossa inocência e boa fé, contámos a história do prisioneiro!. O comandante, depois de nos ouvir, dá-nos uma tremenda repreensão, dizendo numa voz um pouco alterada e com o dedo apontado em nossa direcção:

– Isto é uma ordem!. Não deves falar com os prisioneiros, isso são assuntos que não te dizem respeito, nem a mim tu deves falar nesses assuntos!. A partir de hoje, não usas mais esse prisioneiro na escavação do abrigo!. Entendidos!.

…a palavra “entendidos”, foi dita lá de cima, do lugar de comandante, a falar para as tropas, no entanto tomou nota do nome do prisioneiro, nós vimos isso!.

(A series of words that left us thinking!. In one of the next days, when delivering a message deciphered directly to the commander, in our innocence and good faith, we told the story of the prisoner!. The commander, after listening to us, gives us a tremendous rebuke, saying in a slightly altered voice with his finger pointing in our direction:

– This is an order!. You must not speak to the prisoners, these are matters that do not concern you, nor should you speak to me in these matters!. From today, you no longer use this prisoner in the excavation of the shelter!. Understood!.

The word “understood” was said from above, from the commander’s place, to speak for the troops, nevertheless took note of the name of the prisoner, we saw it)!.

…nós éramos um militar razoável, mas um fraco guerreiro!. Ficámos com algum receio e, nos dias seguintes tentávamos não enfrentar o comandante, procurando todos os truques possíveis para não o enfrentar, entregando as mensagens decifradas a qualquer militar do comando, que trabalhando junto dele, lha fizesse chegar às mãos!. O importante, era que assinassem a folha de entregas!. (We were a reasonable military man, but a weak warrior!. We were afraid, and in the following days we tried not to face the commander, searching for all the possible tricks not to confront him, delivering the decrypted messages to any of the command’s soldiers, who, working with him, could get him to his hands!. The important thing was that they sign the delivery slip)!.

…passado algum tempo, quando fomos ao comando entregar uma mensagem decifrada, sempre tentando evitá-lo, o comandante, ouvindo a nossa voz, sai do seu gabinete e entre outras palavras diz-nos:

– anda cá, hó “Cifra”!. Vem aqui ao meu gabinete!.

…nós não levávamos nada vestido, a não ser uns calções, já um pouco coçados, ficámos ainda mais embaraçados!. A muito custo entrámos no seu gabinete, fizémos uma saudação, muito mal feita, dizendo:

– dá-me licença meu comandante!. Vossa Excel…

…o comandante, não nos deixou acabar a palavra, e diz-nos:

– deixa-te de salamaleques, vamos ao que interessa, põe-te à vontade, parece que o teu comandante já não existe!. Ouve bem, pois tenho uma missão para ti, vamos libertar o prisioneiro de que tu me falas-te!. Se ele vive perto do aquartelamento, tenta visitá-lo, ele já te conhece, se vires alguma coisa suspeita, como visitas estranhas, armas ou qualquer outro objecto, lá na sua casa ou à sua volta que te desperte a atenção, informa-me, talvez não seja como ele diz, pelo menos as informações que temos são diferentes, mas vamos ver como as coisas correm!.

(After some time, when we went to the command to deliver a decrypted message, always trying to avoid it, the commander, listening to our voice, leaves his office and among other words tells us:

– Come here, there is “Cipher”!. Come here to my office!.

We did not wear anything dressed, except some shorts, already a little scratched, we were even more embarrassed!. At great cost we went into his office, we made a salutation, very badly made, saying:

– excuse me, Commander!. Your Excel …

The commander, did not let us finish the word, and he tells us:

Leave your mind off, let’s get down to business, put yourself at ease, it seems your commander no longer exists!. Listen, I have a mission for you, let’s free the prisoner that you told me!. If he lives near the barracks, try to visit him, he already knows you, if you see anything suspicious, such as strange visits, weapons or any other object, in your house or around you that arouses your attention, inform me, maybe not as he says, at least the information we have is different, but let’s see how things go)!.

…as coisas correram perfeitamente, passámos a ser amigo dele!. Tinha duas irmãs, as duas tinham os olhos azuis com tonalidade verde, talvez descendentes dos padres da ordem religiosa francesa que existiu na área, antes das tropas portuguesas se instalarem na povoação!. As duas gostavam, ou pareciam que gostavam da nossa companhia, fazendo tudo para nos agradar, mas uma delas, de nome Cumba, é que afirmava a pés juntos que era a nossa lavadeira!. Era com essa que mais simpatizávamos, pois lavava e passava a ferro as camisas, calções e remendava as nossas meias, fazendo-nos andar sempre com um aspecto mais ou menos limpo!. Claro, o companheiro “Curvas, alto e refilão”, logo comentava na sua reles linguagem:

– caralho, o “Cifra” agora anda vestido, como se fosse um “maricas”!.

(Things went perfectly, we became friends with him!. She had two sisters, both of whom had blue eyes with green tones, perhaps descendants of the priests of the French religious order that existed in the area before the Portuguese troops settled in the village!. The two of them liked, or seemed to like our company, doing everything to please us, but one of them, named Cumba, was the one who stood by and said that she was our laundress!. It was the one we liked the most, for we washed and ironed our shirts, shorts and stockings, and made our clothes look more or less clean!. Of course, the companion “Curvas, high and complicative”, soon commented in his unreliable language:

– fuck, the “Cipher” now is dressed, as if it were a “fags”)!.

…ela, sempre colocava uma flor de cheiro em cima da roupa lavada!. Enfim, “era um amor de rapariga”, como se dizia na nossa aldeia do Vale do Ninho d’Águia, lá em Portugal, naquela encosta agreste da montanha do Caramulo!. Se a nossa mãe Ilda, visse a maneira com que ela cuidava da roupa e não só, de tudo o que nos dizia respeito, com certeza que diria, “mas que rapariga mais prendada o meu filho arranjou”!. Naquela época, as mães tinham alguma influência nas decisões dos filhos!. A nossa mãe Ilda, poderia dizer isto tudo, sem ter visto os dotes físicos com que o Criador a beneficiou!. (She would always put a scent on her washed clothes!. Anyway, “it was a girl’s love”, as it was said in our village of Valley of the Nest of Eagle, in Portugal, on that rugged hillside of Caramulo mountain!. If our mother, Ilda, saw the way she took care of the clothes and not only of everything that concerned us, she would surely say, “but what a more attractive girl my son has gotten”!. At that time, mothers had some influence on their children’s decisions!. Our mother Ilda, could say all this, without having seen the physical gifts with which the Creator has benefited)!.

…mas continuando com a narrativa, bebíamos aguardente de palma, comíamos papaia fresca e fruta de caju, andávamos pela beira do rio, vendo as raparigas pescando camarão na maré baixa ou lavando a roupa na maré alta!. Durante o dia, numa certa área à volta do aquartelamento, circulávamos sem qualquer protecção, indo para a “bolanha” (pântano), que era onde crescia o arroz, na companhia do nosso amigo, da nossa Cumba, da irmã e da mãe, ajudando-os, algumas vezes, nalgumas tarefas!. Também navegávamos de canôa nos momentos da maré alta, que bastante nos divertia!. Enfim, parecia que tínhamos uma família e, algumas vezes fechando os olhos, pensávamos que vivíamos na nossa aldeia em Portugal!. O “Setubal”, sempre que estava livre, ia na nossa companhia, pois simpatizava com a outra irmã!. (But continuing the narrative, we drank palm brandy, we ate fresh papaya and cashew fruit, we walked by the river’s edge, watching the girls catch shrimp at low tide or washing their clothes at high tide!. During the day, in a certain area around the barracks, we would circulate without any protection, going to the “bolanha” (marsh), which was where rice grew, in the company of our friend, our Cumba, sister and mother, helping them, sometimes, in some tasks!. We also sailed canoe at times of high tide, which amused us enough!. Anyway, it seemed we had a family and, sometimes closing our eyes, we thought we lived in our village in Portugal!. The “Setubal”, whenever he was free, was in our company, because he sympathized with the other sister)!.

…quando iam para a “bolanha” (pântano) trabalhar, a bonita e apaixonada Cumba, sempre a brincar e com um ar sensual, com uma mão cheia de lama, pintava a nossa cara, dizendo que assim era mais parecido com ela, tal qual um africano!. Abraçáva-nos, ficando os dois corpos quase nús, colados um ao outro, encharcados em lama, caindo abraçados e felizes, ficando por algum tempo juntos, rebolando-nos na água e na lama da “bolanha” (pântano), tal como dois animais selvagens da savana africana, em plena época do cio, beijando-se e mordendo-se!. (When they went to the “bolanha” (marsh) to work, beautiful and passionate Cumba, always playing and with a sensual air, with a hand full of mud, painted our face, saying that it was more like her, just like an African!. He was hugging us, the two bodies almost naked, glued to each other, soaked in mud, falling in embrace and happiness, staying together for some time, whirling in the water and mud of the “bolanha” (marsh), like two African savannah wildlife, in the heat of heat, kissing and biting)!.

…nessa momento, o sabor e o cheiro feminino e sensual daquilo a que se podia chamar “Orquídia Negra da Bolanha”, ferravam tal como um demónio, as mais profundas entranhas do nosso corpo, para não mais sair!. Quando isto acontecia, o amigo, a outra irmã e a mãe, fugiam para longe, falando uma linguagem alegre, pensando que tudo o que nós fazíamos, devia ser feito em paz, sem olhares indiscretos e no mais profundo silêncio, sómente interrompido pelos uivos e gritos de dor e prazer, que saíam das nossas gargantas!. (At that moment, the taste and the feminine and sensual scent of what could be called “Black Orchid of Bolanha” (marsh), pierced like a demon, the deepest entrails of our body, to never leave!. When this happened, the friend, the other sister and the mother, fled away, speaking in a cheerful language, thinking that everything we did should be done in peace, without indiscreet glances and in the deepest silence, only interrupted by the howls and cries of pain and pleasure that came out of our throats)!.

…vão por certo perdoar a maneira como descrevemos esta fase de recordações da juventude, passada num maldito cenário de combate, que não é muito apropriado para fazer parte do contexto da história da Guerra Colonial Portuguesa vivida em África, mas isto é um retrato da verdade!. Os povos amam-se, sómente os governos se guerreiam!. Pensando bem, estes episódios também devem fazer parte dessa mesma história, pois todos nós combatentes, talvez pelo isolamento a que estivemos sujeitos, quando havia contacto com a população, havendo raparigas, depois de um certo tempo de convívio, por mútuo afecto, de uma maneira ou de outra, todos tivémos a nossa pequena ou grande aventura de amor em África!. (Will certainly forgive the way we describe this phase of youthful memories, spent in a damn battle scene, which is not very appropriate to be part of the context of the history of the Portuguese Colonial War experienced in Africa, but this is a portrait of truth!. People love each other, only governments wage war!. On the other hand, these episodes must also be part of the same story, for all of us combatants, perhaps because of the isolation to which we were subjected, when there was contact with the population, after a certain time of conviviality, by mutual affection, way or another, we all had our little or great adventure of love in Africa)!.

…mas continuando com a narrativa, durante o tempo em que convivemos com esta família, nunca suspeitámos de nada, ou algum contacto fora do normal com as forças dos guerrilheiros que faziam parte do movimento de libertação do seu território!. Talvez não reparássemos em pequenos pormenores, pois era uma fase da nossa vida em que andávamos com alguma felicidade!. Quando abriam as latas de alimentos de conserva que se consumiam no aquartelamento, levávamos parte, com as respectivas latas, sempre com o consentimento do sargento da messe, que era nosso amigo!. Pão, era normal levar quase todos os dias, a princípio, não gostavam do pão, mas depois já pediam mais, assim como o resto da comida que se consumia no aquartelamento!. (But continuing with the narrative, during the time we live with this family, we never suspected anything, or any contact outside the normal with the forces of the guerrillas that were part of the liberation movement of their territory!. Perhaps we did not notice small details, for it was a phase of our life when we walked with some happiness!. When we opened the cans of canned food that were consumed in the barracks, we took part, with their cans, always with the consent of the sergeant of the harvest, who was our friend!. Bread, it was normal to take almost every day, at first, not they liked the bread, but then they asked for more, as did the rest of the food that was consumed in the barracks)!.

…o nosso comandante, ia perguntando por novidades!. Nós, respondíamos:

– meu comandante, se Vossa Excel…

…como era seu costume, não nos deixava terminar e dizia:

– deixa-te de salamaleques, diz-me com vão as coisas!.

…então, nós respondíamos:

– não percebemos nada de espionagem, mas nunca nos apercebemos de nada fora do normal, todavia duma coisa estamos certos, durante o dia, pois não sabemos o que se passa durante a noite e, principalmente nas horas que passamos com a sua família, são das coisas melhores que nos aconteceram neste miserável cenário!. Ainda não reparou, como agora ando limpo!. Até já uso camisa!.

…o comandante, mostrava um pequeno sorriso, mantendo-se calado!. Algum pessoal no comando, ao saber destas conversas, riam-se, com um sorriso matreiro!. Alguns, até mandavam piadas!.

(Our commander, I was asking for news! We replied:

– My commander, if your Excel…

As was his custom, he would not let us finish and say:

– Leave me alone, tell me things in vain!.

Then, we would answer:

– we do not perceive anything of espionage, but we never perceive anything unsual, but we are certain of something during the day, because we do not know what happens at night and, especially in the hours we spend with his family, are of the best things that have happened to us in this miserable scenario!. You have not noticed yet, as I am now clean!. I even wear a shirt)!.

The commander, showed a small smile, keeping silent!. Some people in charge, on learning of these conversations, would laugh, with a sly smile! Some even sent jokes)!

…passou algum tempo!. Um pelotão de reconhecimento, regressa ao fim da tarde ao aquartelamento, com um guerrilheiro feito prisioneiro, que tinham encontrado, por mera casualidade, deitado debaixo de uma árvore, dando a intender que adormeceu mascando “coca”, pois eram esses os indícios que vinham da sua boca, ou talvez se tenha deixado mesmo adormecer, esperando pela noite, para continuar com a sua missão!. Estava fardado, trazia uma metralhadora, uma catana segura na sua cinta, sendo possuidor de diversos documentos e alguma quantidade de dinheiro, dando a entender, que devia ser mesmo um mensageiro!. (Spent some time!. A platoon of reconnaissance, he returned to the barracks at the end of the afternoon, with a guerrilla prisoner, who had found, by chance, lying under a tree, giving the impression that he fell asleep chewing “coca”, for these were the signs that came from your mouth, or maybe you even let yourself fall asleep, waiting for the night, to continue with your mission!. He was in uniform, he had a machine gun, a machete held in his belt, and he had several documents and some money, implying that he must really be a messenger)!.

…estava com as mãos amarradas com uma corda!. Avisado o comando, surge um major que fazia parte do serviço de operações especiais, a quem nós nunca vimos um sorriso, durante os dois anos de comissão!. Para esta personagem, todos os naturais eram “terroristas”, se não eram agora, iriam ser no futuro, pelo menos era esta a opinião a seu respeito que circulava no aquartelamento!. Ao ver o guerrilheiro fardado, aproxima-se e, no momento em que o guerrilheiro, talvez vendo as divisas de major, diz mais ou menos estas palavras, num português, que se compreendia:

– sou um militar guerrilheiro, membro do movimento de libertação PAIG!. Quero ser tratado como um prisioneiro de guerra!.

(His hands were tied with a rope!. When the command was told, a major appeared, who was part of the special operations service, whom we never saw a smile during the two years of commission!. For this character, all the natives were “terrorists”, if they were not now, they would be in the future, at least that was the opinion about him that circulated in the barracks!. Seeing the uniformed guerrilla, he approaches, and at the moment when the guerrilla, perhaps seeing the major’s motto, says more or less these words, in a Portuguese that understood:

– I am a military guerrilla member of the liberation movement PAIG!. I want to be treated like a prisoner of war!

…alguns militares, não compreendendo a mensagem, riram-se!. O major aproxima-se mais um pouco, desferindo uma enorme bofetada na cara do guerrilheiro, parecendo mais um soco, pois o guerrilheiro com as mãos amarradas, desiquilibrado, caiu no chão imediatemente!. Com uma voz de fúria mal contida, disse:

– levem este “terrorista”, para o local dos interrogatórios!.

(Some soldiers, not understanding the message, laughed!. The Major came a little closer, slapping a huge slap in the face of the guerrilla, looking like another punch, for the guerrilla with his hands tied, unbalanced, fell to the ground immediately!. With a voice of fury barely restrained, he said:

– Take this “terrorist” to the interrogation site!).

…foi interrogado!. As conclusões do interrogatório foram que, devia de ser um mensageiro, que fazia a ligação entre as diferentes bases do movimento de libertação que actuavam na zona, pois era portador de dinheiro em alguma quantidade, documentos que comprometiam o nosso amigo, irmão da bonita Cumba, que queria ser militar de Portugal, que era nem mais nem menos, o informador dos guerrilheiros que actuavam na zona do aquartelamento!. (Was interrogated!. The conclusions of the interrogation were that it must have been a messenger, who made the connection between the different bases of the liberation movement that acted in the area, since it was a money carrier in some quantity, documents that compromised our friend, brother of the beautiful Cumba, who wanted to be a military officer from Portugal, who was neither more nor less, the informant of the guerrillas who acted in the zone of the barracks!.

…em aditamento a tudo isto, veio a saber-se também que, parte da comida que nós ou o “Setubal” levávamos para a sua família, à noite, era entregue a alguns guerrilheiros, sendo este um deles!. Informava os guerrilheiros de toda a movimentação das tropas, que saíam e entravam no aquartelamento!. Tanto naquele momento como antes de nos conhecer e antes de ser preso, principalmente na noite em que os guerrilheiros bombardearam o aquartelamento, com granadas de morteiro calibre 90, tentando mesmo entrar naquelas miseráveis instalações, em que fomos feridos, alguns companheiros ficaram mutilados, onde dois não resistiram aos ferimentos morrendo, ele, o nosso amigo, irmão da bonita Cumba, era quem dava o sinal, com tiros de pistola por código, mais para o sul, ou mais para o norte, de modo a acertar com mais precisão no alvo, que neste caso era o aquartelamento!. (In addition to all this, it was also known that part of the food that we or the “Setubal” took to his family at night, was delivered to some guerrillas, this being one of them!. He informed the guerrillas of all the movements of the troops, who went out and entered the barracks!. Both at that time and before we met, and before being arrested, especially on the night the guerrillas bombarded the barracks with 90-caliber mortar shells, even attempting to enter those miserable facilities, where we were wounded, some of our companions were mutilated, where two did not resist the wounds dying, he, our friend, the brother of the beautiful Cumba, was the one who gave the signal, with pistol shots by code, more to the south, or more to the north, so as to hit more accurately in the target, which in this case was the barracks)!.

…imediatamente, uma secção de combate, reforçada com alguns africanos que colaboravam com as forças militares portuguesas, cercaram a área da sua casa, recapturando o nosso dito amigo, que muito admirado com a atitude dos militares, em o levarem preso de novo para o aquartelamento, dizia mais ou menos isto:

– que pessoal da tropa quer de mim? O “Cifra” está lá, no quartel da tropa?.

(Immediately a section of combat, reinforced with some Africans who collaborated with the Portuguese military, surrounded the area of their house, recapturing our friend, who was much astonished at the attitude of the military, to take him back in prison to the barracks, said more or less this:

– What staff do you want from me?. The “Cipher” is there, at the troop barracks?).

…interrogado na frente do guerrilheiro mensageiro, perante as provas dos documentos que o comprometiam, confessou e explicou que, sentia orgulho no que tinha feito, pois era africano e esta era a sua terra!. Mais disse, que a base de onde recebia ordens por intermédio deste mensageiro, era em determinado local, mas que já deviam de ir tarde para a destruírem e, lastimava a sua pouca sorte em ter sido preso de novo, pois tinha sido uma fracção de segundos, estando naquele momento a preparar a sua fuga!. Nomeou por diversas vezes o nosso nome, sem nunca nos comprometer ou acusar, mas que nos queria ver!. (Interrogated in front of the messenger guerilla, before the evidence of the documents that compromised it, confessed and explained that, felt pride in what he had done, for he was an African and this was his land!. He further said that the basis from which he received orders through this messenger was in a certain place, but that they should be late to destroy it and, it was his unluckyness to have been arrested again, for it had been a seconds, being at that moment preparing his escape!. He named our name several times without ever committing or accusing us, but he wanted to see us)!.

…hoje, já lá vão mais de cinco décadas, ainda não compreendemos porque é que ele, vendo chegar o guerrilheiro mensageiro, que ele devia conhecer, preso no meio dos militares que regressaram ao aquartelamento, pois vigiava todos os movimentos das tropas, não fugiu!. Talvez pensasse que nós o protegíamos e que nada lhe ia acontecer!. Nós lamentamos, se pensou assim, pois não tínhamos qualquer influência, éramos um simples militar desarmado, que tentava sobreviver num ambiente miserável de guerra!. O tempo que passámos com a sua família, era naquela ocasião, uma dádiva do destino!. Entregámo-nos de alma e coração àquela família, seguindo os princípios honestos com que fomos criados na nossa aldeia do Vale do Ninho d’Águia, lá na vertente agreste da montanha do Caramulo, naquele Portugal distante!. (Today, more than five decades have gone by, we still do not understand why he, seeing the messenger guerrilla arrive, that he should know, arrested in the midst of the soldiers who returned to the barracks, for he watched all the movements of the troops, not fled!. Maybe he thought we were protecting him and nothing was going to happen to him! We were sorry, if you thought so, because we had no influence, we were a simple unarmed military man, who tried to survive in a miserable war environment!. The time we spent with his family was, at that time, a gift of destiny!. We surrendered our hearts and souls to that family, following the honest principles with which we were raised in our village of the Valley of the Eagle’s Nest, on the rugged slope of Caramulo Mountain, in that distant Portugal)!.

…nunca pensámos em estar a ser usados, o que talvez fosse o único motivo para o afecto que aquela família nos dispensava, talvez fosse essa única e simplesmente a verdade!. Não aquele sentimento puro e um pouco selvagem que as raparigas africanas eram portadoras, que depois de acreditarem, cheirarem o corpo do seu companheiro, se dedicavam, enfrentando a morte, se tal dependesse defender a personagem a quem dispensavam os seus nobres sentimentos!. (We never thought of being used, which was perhaps the only reason for the affection that that family would give us, perhaps it was the one and only the truth!. Not that pure and somewhat wild feeling that the African girls were carriers, that after they believed, they smelled the body of their companion, they dedicated themselves, facing death, if that depended to defend the person to whom they excused their noble sentiments)!.

…mas continuando, o comando, que tratava os guerrilheiros por “terroristas”, não ia perdoar ao nosso dito amigo pelo que ele tinha feito antes!. Toda esta informação do interrogatório, ninguém sabe como, mas correu de boca em boca, pelo aqurtelamento!. Alguns militares brincavam, tanto connosco como com o “Setubal”, dizendo:

– o vosso amiguinho, afinal era guerrilheiro!. Que era africano já nós sabiamos, pois a cor não enganava!. Quanto às irmãs, ainda vão ficar viúvos, coitadinhos!.

…o Curvas, alto e refilão, não escondia a sua reles linguagem, dizendo:

– se tiver oportunidade, vou matá-lo. Então o filho da puta, era o que dava os tais sinais por código, com uma pistola!. Porque é que não o matei antes!.

(But continuing, the command, which treated the guerrillas as “terrorists”, would not forgive our friend for what he had done before!. All this information of the interrogation, no one knows how, but ran from mouth to mouth, by squatting!. Some military men played with us as well as with the “Setubal”, saying:

– Your little friend, he was a guerrilla!. Who was African already we knew, because the color did not deceive!. As for the sisters, they will still be widowed, poor things!.

The Curvas, high and complicative, did not hide his reals language, saying:

– If I have the opportunity, I’ll kill him!. So the son of a bitch, he was the one who gave those signals by code, with a pistol!. Why did not I kill him before)!

…coincidência ou não, durante o tempo em que convivemos com esta família, o aquartelamento nunca foi atacado pelos guerrilheiros!. Passado algum tempo, quando começaram de novo com os frequentes ataques nocturnos ao aquartelamento levou a que, numa das visitas ao aquartelamento pela tal polícia do estado, que tinha a sua central na capital da província a cidade de Bissau, mas que se passeava por algumas áreas do aquartelamento, umas vezes de passagem de rotina, outras vezes convocados para interrogatórios de grau elevado, que quase sempre acabava em morte dos interrogados, metendo o nariz em tudo o que no seu entender lhes parecia suspeito!. Alguns até diziam que esta polícia mandava mais que o comando militar, andando por ali para fiscalizar esse mesmo comando, a que nós pertencíamos!. (Coincidence or not, during the time that we live with this family, the quartering was never attacked by the guerrillas!. After some time, when they began again with the frequent nocturnal attacks to the quartering, in one of the visits to the quartering by the state police, that had its central in the capital of the province the city of Bissau, but that went for some areas of the barracks, a few times of routine passage, sometimes summoned for interrogations of high degree, which almost always ended in the death of those questioned, putting their noses in everything that in their opinion seemed suspicious!. Some even said that this police commanded more than the military command, walking around to supervise that same command, to which we belong)!.

…numa dessas passagens pelo aquartelamento, andando nós por ali, chamaram-nos a determinado local onde era costume fazerem interrogatórios, onde fomos bombardeado com perguntas, por dois polícias arrogantes, durante uns longos vinte minutos, tempo esse que ainda hoje consideramos um dos momentos mais difíceis e humilhantes, da nossa passagem por este cenário de guerra!. As perguntas não eram do género do polícia bom e do polícia mau, eram perguntas com frases já feitas, escritas num papel, que tanto um como outro queriam pôr na nossa boca e, que finalizavam quase sempre com as palavras, “anda confessa, diz que sim” ou “nós sabemos que tu sabes, diz que sim”!. Isto tudo, intervalado com algumas perguntas estúpidas a respeito de sexo, sendo feitas com os olhos a brilhavam, esperando a resposta, dizendo sempre qualquer coisa como, “elas eram boas, não eram, até tinham olhos azuis”, dando a entender que estes miseráveis polícias, não deviam ter tido sexo há um milhão de anos!. (In one of those passages through the barracks, as we were walking around, they called us to a certain place where interrogations were carried out, where we were bombarded with questions by two arrogant policemen for a long twenty minutes, which we still consider today of the most difficult and humiliating moments, of our passage through this scenario of war!. The questions were not of the kind of good policeman and bad cop, they were questions with phrases already made, written in a paper, that both wanted to put in our mouths and, that ended almost always with the words, “walks confess, says that yes “or” we know that you know, say yes “!. All this, interspersed with some stupid questions about sex, being made with the eyes they gleamed, waiting for the answer, always saying something like, “they were good, they were not, they even had blue eyes”, implying that these miserable cops, they should not have had sex a million years ago)!.

…tudo isto se passou até que o comandante, talvez por obra do destino, ou quando alguém o avisou do que se estava a passar, aparece no local e diz:

– quem autorizou todo este interrogatório?. Terminem imediatamente, com este disparate, pois fui eu que lhe dei ordens, para conviver com o prisioneiro e sua família, pois havia um plano que entretanto abortou, mas mais tarde ficou completo, com a chegada de novas informações!.

(All this happened until the commander, perhaps because of fate, or when someone warned him of what was happening, appears in the place and says:

– Who authorized all this interrogation? Immediately stop with this nonsense, for I was the one who gave you orders, to live with the prisoner and his family, because there was a plan that he had aborted, but later it was complete, with the arrival of new information)!.

…nunca chegámos a saber que plano era esse, se éramos uma cobaia nesse referido plano, mas pensamos que o comandante se referia à prisão definitiva do nosso dito amigo, irmão da bonita Cumba!. Por uma fracção de segundos, ainda pensámos se o comandante não entraria no interrogatório, fazendo de polícia bom, mas não, o comandante, veio pôr as mãos nas nossas costas, tentando levar-nos para fora do local dos interrogatórios mas, ouvindo estas palavras do comandante, recuperámos alguma coragem, falando sem qualquer control, expressando tudo o que nos ia na alma, usando a parte da linguagem do “Curvas, alto e refilão”, terminando mais ou menos assim, referindo-se aos polícias:

– vocês, são os maiores filhos da puta, que encontrei em toda a minha vida!.

(We never knew what the plan was, if we were a guinea pig in this plan, but we thought that the commander referred to the definitive arrest of our friend, brother of the beautiful Cumba!. For a fraction of a second, we still wondered if the commander would not enter the interrogation, making the police good, but no, the commander came to put his hands on our backs, trying to get us out of the interrogation room, but hearing these words of the commander, we recovered some courage, speaking without any control, expressing everything that was in our soul, using the language part of “Curvas, high and complicative”, ending more or less like this, referring to the police:

– You’re the biggest motherfuckers I’ve ever encountered)!.

…infelizmente ou não para nós, a bonita Cumba, sua irmã e a mãe, pois o pai há muito que tinha falecido, com uma doença que lhe comeu parte das pernas, diziam que era a “lepra” ou coisa parecida, desaparecem da aldeia, na noite em que o nosso dito amigo foi de novo levado pelos militares!. Passado um tempo, ouve informações, passando mensagens pelas nossas pela mãos que, os guerrilheiros, informados da prisão do irmão e do guerrilheiro mensageiro, vieram buscá-las pela alta noite, usando-as na fronteira norte, como guerrilheiras transportadoras de material de guerra!. Claro, de seguida, mudaram imediatamente a localização das suas bases na região!. (Unfortunately or not for us, the beautiful Cumba, her sister and the mother, because the father had long since died, with an illness that ate part of his legs, said it was “leprosy” or something, disappear of the village, the night our friend was taken back by the military! After a while, he hears information, passing messages through our hands, which the guerrillas, informed of the brother’s and the guerrilla messenger’s arrest, came to pick them up through the night, using them on the northern frontier, as guerrilla war carriers !. Of course, then immediately changed the location of their bases in the region)!.

…a partir do momento em que esta mensagem nos passou pelas mãos, ficámos com quase a certeza, que elas já eram guerrilheiras, mesmo antes de nos conhecerem, tinham recebido treino, sendo instruídas e mentalizadas para fazerem tudo, mesmo tudo, sem qualquer restrição, em prol do seu movimento de libertação, e viram em nós, uma potencial fonte de informação, mas nesse aspecto não tinham sido bem treinadas, pois nós, como já dissémos antes, éramos um razoável militar, embora um fraco guerreiro, contudo exercíamos as nossas tarefas militares com seriedade e todo o sigilo, para o qual fomos treinados, nem nós sabíamos porquê, mas tínhamos assimilado essa vertente do treino!. (From the moment this message passed through our hands, we were almost certain, that they were already guerrillas, even before they met us, had received training, were educated and thoughtful to do everything, even everything, without any restrictions on their liberation movement and saw in us a potential source of information, but in this respect they had not been well trained, for we, as we have said before, were a reasonable military man, though a weak warrior, however we carried out our military tasks with seriousness and secrecy, for which we were trained, nor did we know why, but we had assimilated this training aspect)!.

…mas vamos continuar com a narrativa!. O comando, imediatamente, organiza uma operação para destruir a base que o nosso dito amigo citou!. Uma operação destas não era simples, mas também não era complicada, normalmente, incluía a força aérea e algumas unidades do exército!. Esta, começou com parte de um pelotão de morteiros e de uma companhia de intervenção, onde actuavam alguns militares africanos, onde ia o suposto nosso dito amigo, que seria o principal guia, forçado, claro!. Talvez com promessas de libertação!. (But let’s continue with the narrative !. The command immediately organizes an operation to destroy the base that our friend mentioned!. Such an operation was not simple, but it was not complicated either, it usually included the air force and some units of the army!. It began with part of a mortar squad and an intervention company, where some African military personnel were operating, where our supposed friend was supposed to be the main guide, of course! Maybe with promises of deliverance)!.

…querendo nós exemplificar o que se passou a seguir, vamos contar a história de acção, que foi descrita por alguns intervenientes, após chegada ao aquartelamento, contudo o relatório oficial, que seguiu para o comando territorial na capital da província, a cidade de Bissau, era um pouco diferente!. (Wanting to exemplify what happened next, we will tell the action story, which was described by some actors, after arrival in the barracks, yet the official report, which followed for territorial command in the provincial capital, the city of Bissau, was a little different)!.

…as forças militares, saíram ao amanhecer do aquartelamento, (durante a noite ninguém circulava), em viaturas auto!. Quando próximo do objectivo, em lugar que entendessem ser de alguma segurança, deixaram as viaturas, onde ficou parte da força militar a manter a sua segurança!. Os restantes militares seguiram a pé por pouca distância, comunicaram à força aérea, que fez deslocar um avião, que largou algumas bombas que normalmente continham napalma, que praticamente destruíu o objectivo!. Depois foi o tempo de espera para que o fogo que as bombas produziram terminasse, seguindo-se o serviço de limpeza e recuperacão de algum material bélico que o inimigo utilizava em combate, que ainda possa ter sobrevivido à explosão das bombas, como armas, documentos ou qualquer outros objectos que possam ter interesse militar!. Normalmente depois da actuação das bombas do avião, nada ficava que fosse possível recuperar!. (The military forces, left at the dawn of the barracks, (at night no one circulated) in auto vehicles!. When close to the objective, in places that they understood to be of some security, they left the vehicles, where it was part of the military to maintain their security!. The rest of the military followed on foot for a short distance, they told the air force, which had to move a plane, which dropped some bombs that normally contained napalma, that practically destroyed the objective!. Then it was the waiting time for the fire that the bombs to produce to end, followed by the cleaning and recovery of some of the enemy’s war material that could have survived the explosion of the bombs, such as weapons, documents or any other objects that may be of military interest!. Usually after the bombing of the plane, nothing was possible that could be recovered)!.

…nos anos da nossa estadia naquele cenário de guerra, cremos que havia, um ou dois aviões, na base aérea da capital da província, cidade de Bissau, que largavam estas bombas e, que uma organização internacional, com o nome de ONU, a que o governo de Portugal pertencia, tinha proibido esse mesmo governo de usar esses aviões, neste cenário de guerra de guerrilha, pois nessa altura já não tinha o suporte de um terço dos seus membros, para lhe dar essa legitimidade!. Não sabemos se estamos certos, mas cremos que sim!. Passaram pelas nossas mãos mensagens com alguma informação nesse sentido, por ocasião de uma possível visita de enviados ao território para inspecção, por essa organização internacional!. (In the years of our stay in that war scenario, we believed that there were one or two airplanes at the air base of the provincial capital, Bissau, that dropped these bombs and that an international organization, named UN , to which the government of Portugal belonged, had forbidden this same government from using these planes in this scenario of guerrilla warfare, since at that time it no longer had the support of a third of its members, to give it such legitimacy! We do not know if we’re right, but we think so! Messages were sent through our hands with some information to this effect, on the occasion of a possible visit of sent to the territory for inspection, for this international organization)!.

…continuando, por vezes o pelotão de morteiros, era fundamental, com o lançamento de algumas granadas, quando havia alguma força de guerrilheiros e estava em actividade!. Não era o caso nesta situação, porque se houvesse actividade e, se por tal motivo fosse necessário, tinha vindo uma força de tropas pára-quedistas, ou até um grupo de comandos da capital da província, cidade de Bissau, que nessa altura estava no início da sua formação, sendo composto quase na sua totalidade por naturais e por alguns militares seleccionados, experientes em combate!. Diziam que estes comandos, como grupo de tropas de acção, eram muito eficazes em combate, nesta guerra de guerrilha!. A base inimiga, no momento e como se esperava, não tinha actividade, foi destruída, não havendo contacto com o inimigo!. (Continuing, sometimes the mortars platoon, was fundamental, with the launching of some grenades, when there was some guerrilla force and it was in activity!. This was not the case in this situation, because if there was activity and if it were necessary, a force of parachute troops had come or even a group of commanders from the capital of the province, Bissau, which at that time was in the beginning of its formation, being composed almost in its totality by natural and by some selected military, experienced in combat!. It was said that these commands, as a group of action troops, were very effective in combat in this guerrilla war! The enemy base, at the moment and as expected, had no activity, was destroyed, there being no contact with the enemy)!.

…terminada a operação, já no regresso, antes de chegarem às viaturas auto, executaram o principal guia, neste caso o suposto nosso dito amigo!. Ninguém sabe porquê, talvez, porque deixou de ter interesse militar, ou pelas informações do interrogatório, que andaram de boca em boca no aquartelamento, onde ele, colaborando nos bombardeamentos constantes a que o aquartelamento era alvo, o tornou num dos causadores de ferimentos e morte de alguns companheiros!. Portanto o nosso dito amigo, no entender de alguns militares, não tinha mais possibilidade de sobrevivência naquela área!. Estava condenado!. (After the operation, on the way back, before reaching the car, they executed the main guide, in this case, the supposedly our friend! No one knows why, perhaps, because he ceased to have a military interest, or the interrogation information, that went by word of mouth in the barracks, where he, collaborating in the constant bombardments to which the barracks were targeted, made him one of the cause of injuries and death of some companions!. Therefore our friend, in the opinion of some military, had no possibility of survival in that area!. He was doomed)!.

…é horrível a parte que se segue mas, para quem anda na guerra, para quem perdeu quase todos os sentimentos de dignidade, derivado ao local e ambiente onde se encontra, que é de constante conflito, angústia, mêdo e sobrevivência, ou seja, tentar estar vivo a todo o momento, nem que para isso tenha que praticar as coisas mais horríveis, que um ser humano alguma vez pensou em fazer, enfim, para quem foi instruído e treinado para matar!. Debaixo de fogo, em luta ou em combate, tudo pode acontecer, pode-se matar ou morrer, mas neste caso não, é uma execução, onde as coisas, infelizmente se passavam mais ou menos assim!. (It is horrible the part that follows, but for those who walk in the war, for those who have lost almost all the feelings of dignity, derived from the place and environment in which it is found, which is of constant conflict, anguish, fear and survival, or try to be alive at all times, or even have to practice the most horrible things that a human being has ever thought to do, finally, to those who have been trained and trained to kill!. Under fire, in combat, anything can happen, one can kill or die, but in this case no, it is an execution, where things unfortunately happened more or less like this)!.

…um certo grupo de militares, deixou-se atrazar dos demais, onde se incluía o nosso dito amigo!. Soltaram-no, dizendo:

– estás livre, vai-te embora!.

…o desgraçado, vendo-se livre, correu em direção oposta ao grupo!. Naquele momento, há sempre um militar, como no caso do ‘Curvas, alto e refilão”, que num ascesso de fúria, ou que, derivado à sua pouca educação escolar, ou porque carrega uma enorme frustação de qualquer coisa que ainda não conseguiu realizar na sua ainda curta vida, ou porque na sua ignorância, quer mostrar que é mais valente que os companheiros, ou até às vezes um natural que colabora com os militares servindo de guia e tradutor, que também leva uma arma e, que não simpatizando com a personagem, pois é de diferente etnia, lhe dispara um tiro ou uma rajada da metralhadora G-3, nas costas e, assim foi executado o nosso dito amigo!.

(A certain group of military personnel, allowed themselves to be held back from the others, where our friend was included!. They released him, saying:

– You’re free, go away!.

The bastard, seeing himself free, ran in the opposite direction of the group!. At that moment, there is always a military man, as in the case of “Curvas, high and complicative”, that in an ascetic rage, or that, due to his little school education, or because he carries a huge frustration of anything he has not yet succeeded in his still short life, or because in his ignorance, he wants to show that he is braver than his companions, or sometimes a natural who collaborates with the military as a guide and translator, who also carries a weapon and who does not sympathize with the character, because it is of different ethnicity, fired a shot or a blast of the machine gun G-3, in the back and, thus was executed our said friend)!.

…não foi o militar que o matou, mas sim, o regime que o levou para aquele maldito cenário de guerra, que o treinou para matar, que lhe dizia, na altura da instrução básica, qualquer coisa como, não importa, vai em frente, tens a razão do teu lado, em força, contra tudo, mata, tens uma arma na mão, estamos a ensinar-te a manuseá-la, usa-a, pois quando ganhares, serás um herói!. Embora neste caso, a situação não seja a mesma, mas o sentido do treino e da formação estava lá e, alguns militares, absorveram toda a mensagem, enfim, aprenderam a lição, que os instrutores lhe explicavam e exemplificavam no seu próprio corpo, por centenas de vezes, qual a melhor maneira de matar um ser humano, com uma faca, uma metralhadora, com morte rápida, ou com prolongamento de dor!. (It was not the military man who killed him, but the regime that led him to that accursed war scenario, which trained him to kill, which told him, at the time of basic instruction, anything like, no matter, it goes in front of you, you have the reason on your side, in force, against everything, kill, you have a gun in your hand, we are teaching you how to handle it, use it, because when you win, you will be a hero!. Although in this case, the situation was not the same, but the sense of training and training was there, and some military personnel absorbed the whole message, at last they learned the lesson, which the instructors explained and exemplified in their own body, for hundreds of times, what is the best way to kill a human being with a knife, a machine gun, quick death, or prolonged pain)!.

Tony Borie, July 2018.

One thought on “…Orquídia Negra da “Bolanha”!. (Black Orchid of the “Bolanha”!.

  1. Interessante história daquela maldita guerra onde fomos obrigados a participar…teve sorte em não ter sido o Borrie, o Homem oriundo de Vale do Ninho d’Águia, lá na vertente agreste da montanha do Caramulo, a levar uma rajada traiçoeira do irmão da Cumba, a rapariga de olhos azuis/verdes…adorei a história, era assim naquele cenário de guerra. Um abraço Borrie.

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