…a Tundra do Ártico, Alaska!. (…the Artic Tundra, Alaska)!.

…”quando cruzámos aquela grande linha, lá no polo norte, viajando numa estrada deserta construída sobre a Tundra, que é uma área onde o subsolo é “permafrost”, ou seja, solo permanentemente congelado, formando uma planície sem árvores ou plantas de baixo crescimento, como o musgo ou a urze, onde a terra é nua e às vezes rochosa que inclui vastas áreas do norte da Rússia e Canadá, até à região de Prudhoe Bay, junto do Oceano Ártico, onde ao tocar-mos naquele chão e naquela água, tivémos a sensação do previlégio que é viver, de que a vida deve ser preservada e de quanto importante ela é!.

(…”when we crossed that great line, down at the north pole, traveling on a desert road built over the Tundra, which is an area where the subsoil is“ permafrost ”, that is, permanently frozen soil, forming a plain without trees or plants below growth, such as moss or heather, where the land is bare and sometimes rocky that includes vast areas of northern Russia and Canada, up to the Prudhoe Bay region, next to the Arctic Ocean, where when we touch that ground and that water, we had the feeling of the privilege that it is to live, that life should be preserved and how important it is)!.

…porquê?. Porque no nosso caso, descendentes do povo “Celta”, que formaram um ramo da família indo-europeia e se espalharam por grande parte da Península Iberica, onde está localizado o país Portugal onde nascemos e, quando crianças em pleno crescimento, corríamos descalços e com pouca roupa no corpo, descendo ou subindo aquelas encostas agrestes, imitando os guerreiros medievais, e claro, por norma ainda somos aventureiros, gostamos do mar, da natureza pura e de procurar lugares exóticos!.

(…because?. Because in our case, descendants of the “Celtic” people, who formed a branch of the Indo-European family and spread over a large part of the Iberian Peninsula, where the country where Portugal was born is located and, when children were growing up, we ran barefoot and with little clothes on their bodies, going down or going up those rough slopes, imitating medieval warriors, and of course, as a rule we are still adventurers, we like the sea, the pure nature and looking for exotic places)!.

…uau, desculpem o desabafo e vamos à história de hoje!. 

…wow, sorry for the outburst and let’s go to today’s story)!.

…ao contrário da maioria das pessoas que experimentaram o extremo norte, vimos a “Tundra Ártica” viajando na companhia da nossa dedicada esposa Isaura, companheira de vida por mais de meio século, numa rota de aventura para o norte, desde a cidade de Fairbanks, no Alaska e, não havendo sinal de GPS, seguimos guiados quase pelo nosso fascínio infantil por aventuras e mapas descrevendo lugares exóticos, como acima já explicámos!.

(…unlike most people who have experienced the far north, we saw the “Arctic Tundra” traveling in the company of our dedicated wife Isaura, life companion for more than half a century, on an adventure route north from the city of Fairbanks , in Alaska and, with no GPS signal, we continue to be guided almost by our childhood fascination with adventures and maps describing exotic places, as we explained above)!.

…não era a primeira vez!. Alguns anos atrás já tínhamos tentado, entrando no início desta famosa rota, percorrendo mesmo algumas milhas, mas a chuva, o nevoeiro, o vento, o frio, a neve e os acidentes que havia pelo percurso, além dos avisos feitos pelas pessoas de uniforme, alguns militares, que frequentemente nos apareciam, fizeram com que desanimados, voltásse-mos para trás, desistindo, percorrendo um caminho de regresso com alguma revolta, jurando que um dia havia-mos de nela viajar, pelo menos até ao Circulo Ártico!. 

(…it was not the first time!. A few years ago we had already tried, entering the beginning of this famous route, covering even a few miles, but the rain, the fog, the wind, the cold, the snow and the accidents that were on the route, in addition to the warnings given by the people in uniform , some military personnel, who frequently appeared to us, made us discouraged, turning back, giving up, following a path of return with some revolt, swearing that one day we would travel there, at least to the Arctic Circle)!.

…assim começámos de novo esta nossa aventura, que frustrados e revoltados, fomos obrigados a desistir uns anos atrás!. Agora o tempo estava a nosso favor, um céu limpo, não sendo necessário esperar por outros aventureiros para seguir em “combóio”!. Seguimos sózinhos em frente, convictos de que o lema é, “Conduzir no Dalton Highway, é uma aventura, talvez uma vez na vida, mas os viajantes devem preparar-se para se saber defender sózinhos”!.

(…so we started this adventure again, which, frustrated and angry, we were forced to give up a few years ago!. Now the weather was on our side, a clear sky, and there was no need to wait for other adventurers to go on “train”!. We move on alone, convinced that the motto is, “Driving on the Dalton Highway is an adventure, maybe once in a lifetime, but travelers should be prepared to know how to defend alone”)!.

…era num mês de verão e naquela posição geográfica, porque viajávamos para lá do paralelo 48.º N, havia pelo menos mais de vinte horas com luz do dia e até algum sol, como tal, por mais que os nossos olhos se concentrássem no horizonte, nunca veríamos a aurora boreal com as suas cores verde, azul ou amarelas, dançando no alto das cristas dos picos brancos e brilhantes, alguns cobertos de neve, enquanto cruzávamos a divisão do Ártico!. Assim, além da aventura, era uma exploração diferente, e daquele dia em diante, um pequeno pedaço do ártico, para nós, não era mais apenas um ponto atraente no mapa!.

(…it was a summer month and in that geographical position, because we traveled beyond the parallel 48º N, there were at least more than twenty hours in daylight and even some sun, as such, no matter how much our eyes focused on horizon, we would never see the aurora borealis with its green, blue or yellow colors, dancing on top of the ridges of the white and shiny peaks, some covered with snow, while crossing the Arctic division !. So, in addition to the adventure, it was a different exploration, and from that day on, a small piece of the arctic, for us, was no longer just an attractive point on the map)!.

…pela manhã, ao deixar-mos a cidade de Fairbanks, a floresta boreal no sopé das montanhas mostrava um cenário brilhante e, ao longe erguiam-se os cumes rochosos e acidentados, polvilhados com neve, fazendo sobressair um céu azul cobalto!. As vistas da vida selvagem não eram muitas mas ouviam-se as corujas-gavião ou mesmo algumas águias, que voavam daqui para ali e até um urso pardo cruzando um pequeno lago onde os castores nadavam activamente, talvez preparando-se para a sua vida de inverno!.

(…in the morning, when we left the city of Fairbanks, the boreal forest at the foot of the mountains showed a brilliant scenery and, in the distance, the rocky and rugged peaks sprinkled with snow, making a cobalt blue sky stand out!. The views of the wildlife were not many, but the hawks owls or even some eagles could be heard flying from here to there and even a grizzly bear crossing a small lake where the beavers were actively swimming, perhaps preparing for their life Winter)!.

…já por diversas vezes escrevemos sobre a Estrada James Dalton, no Alaska, que alguns chamam “Haul Road”, que é uma das poucas estradas na terra que nos conecta ao Ártico!. Construída no ano de 1974 para atender ao Oleoduto Trans-Alaska e aos campos de petróleo ao redor de Prudhoe Bay e que divide algumas das áreas selvagens mais remotas e atraentes do Alaska!. Não é realmente uma estrada, mas uma faixa de serviço ampla, onde nos aparecem longos troços de lama ou cascalho grosseiro, a “Dalton Highway” começa na floresta boreal do Alaska, aproximadamente a 85 milhas (135 Km) ao norte de Fairbanks!. 

(…we have written several times about James Dalton Road in Alaska, which some call “Haul Road”, which is one of the few roads on earth that connects us to the Arctic!. Built in 1974 to serve the Trans-Alaska Pipeline and the oil fields around Prudhoe Bay and it divides some of the most remote and attractive wilderness areas in Alaska !. It is not really a road, but a wide service strip, where long stretches of mud or coarse gravel appear, the “Dalton Highway” begins in the boreal forest of Alaska, approximately 85 miles (135 km) north of Fairbanks)!.

….segue sinuosamente para o norte, atravessando a floresta, rios frígidos, a tundra alpina, os contrafortes e montanhas da cordilheira Brooks e da encosta norte e, 414 milkas (666 km) depois, termina na planície costeira ártica, a algumas milhas do Mar de Beaufort, no pequeno posto avançado industrial de Deadhorse, porta de entrada para o enorme complexo industrial de petróleo que domina quase toda a planície costeira!. 

(…winds northwards, crossing the forest, frigid rivers, the alpine tundra, the foothills and mountains of the Brooks mountain range and the northern slope and, 414 milkas (666 km) later, ends in the Arctic coastal plain, a few miles from Mar de Beaufort, at the small industrial outpost of Deadhorse, gateway to the huge industrial oil complex that dominates almost the entire coastal plain)!.

…a estrada é acidentada e os serviços são extremamente limitados e, como anteriormente já explicámos, os viajantes devem ser auto-suficientes e bem preparados!. Mas para aqueles que são atraídos por espaços vazios e exóticos tal como nós, esta rota oferece-nos uma oportunidade incomparável de descobrir um pedaço de deserto ártico e alguma vida selvagem que lá existe!. 

(…the road is bumpy and services are extremely limited and, as we have already explained, travelers must be self-sufficient and well prepared!. But for those who are attracted to empty and exotic spaces just like us, this route offers us an incomparable opportunity to discover a piece of arctic desert and some wildlife that exists there)!.

…o Oleoduto Trans-Alaska quase que nos acompanha e, a cada subida, descida ou curva da estrada, revela-nos a imensidão da paisagem!. Nas encostas, os abetos escuros retorcem-se no meio de alguns álamos verdes aqui e ali, mostrando vestígios de incêndios de verão!. Mais ao norte, além do pequeno povoado de Coldfoot, onde parámos para comprar gasolina e café, o sopé acidentado da cordilheira Brooks começa a invadir a estrada!.

(…the Trans-Alaska Oil Pipeline almost accompanies us and, with each climb, descent or curve of the road, it reveals the immensity of the landscape!. On the slopes, the dark fir trees twist in the middle of some green poplars here and there, showing traces of summer fires!. Further north, beyond the small town of Coldfoot, where we stopped to buy gasoline and coffee, the rugged foothills of the Brooks mountain range begin to invade the road)!.

…a Dalton Highway é a única rota no estado do Alaska que atravessa o Círculo Polar Ártico, que é o ponto mais ao norte, dos abstratos ou imaginários principais círculos de latitude, como é mostrado nos mapas da Terra!. Ele marca o ponto mais setentrional no qual o sol do meio-dia é visível no solstício de inverno do norte e, a região ao norte deste círculo é conhecida como o Ártico, e a zona apenas para o sul é chamada de Zona Temperada Norte!

(…the Dalton Highway is the only route in the state of Alaska that crosses the Arctic Circle, which is the most northerly point of the abstract or imaginary main circles of latitude, as shown on Earth maps!. It marks the northernmost point at which the midday sun is visible on the northern winter solstice, and the region to the north of this circle is known as the Arctic, and the area just to the south is called the North Temperate Zone)!.

…nós, ficámos fascinados e algo surpresos por ver este fenómeno, pois ao norte do Círculo Ártico, o sol está acima do horizonte por vinte e quatro horas contínuas pelo menos uma vez por ano, portanto, visível à meia-noite e, abaixo do horizonte por vinte e quatro horas contínuas pelo menos uma vez por ano, portanto, não visíveis ao meio dia, isso também é verdade dentro do Círculo Polar equivalente no Hemisfério Sul, o Círculo Antártico. A posição do Círculo Ártico não é fixa, mas o normal é 66º33’46.8 ao norte do Equador!

(…we were fascinated and somewhat surprised to see this phenomenon, because to the north of the Arctic Circle, the sun is above the horizon for twenty-four continuous hours at least once a year, therefore visible at midnight and, below the horizon for twenty-four continuous hours at least once a year, therefore, not visible at noon, this is also true within the equivalent Polar Circle in the Southern Hemisphere, the Antarctic Circle. The position of the Arctic Circle is not fixed, but the normal is 66º33’46.8 north of the Equator)!.

…depois, já no pequeno conforto da nossa “White Fox” (caravana), descansando desta jornada e derivado sobretudo à nossa já um pouco avançada idade, admirando os contrafortes que se erguerem sobre o vale do rio Middle Fork Koyukuk onde à medida que as montanhas ficavam maiores, as árvores ficavam menores e mais dispersas, resolvemos virar para sul!.

(…then, in the small comfort of our “White Fox” (caravan), resting from this journey and derived mainly from our already a little old age, admiring the foothills that rise over the Middle Fork Koyukuk river valley where as the mountains got bigger, trees got smaller and more dispersed, we decided to turn south)!.

…continuando a viajar na intimidade de uma estrada algo perigosa e deserta, muito primitiva em alguns locais, com rochas afiadas, buracos, saliências no seu piso, tipo “tábua de lavar”, que fazem estremecer tudo dentro veículo, mas que nos proporcionava um espectáculo maravilhoso, sendo perigo e aventura da cabeça aos pés e, entre nós e um urso castanho, que ao atravessar a estrada parava para “cagar”, não existia nenhuma diferença, porque nós fazíamos o mesmo, porque não existiam “áreas de descanso” e, no fundo, no fundo, esta animalidade toda, de tão natural, acabava por ser pura e limpa como a “cagada” do urso!.

(…continuing to travel on the intimacy of a somewhat dangerous and deserted road, very primitive in some places, with sharp rocks, holes, protrusions on its floor, like a “washing board”, which make everything shake in the vehicle, but which provided us with a wonderful spectacle, being danger and adventure from head to toe and, between us and a brown bear, that when crossing the road stopped to “shit”, there was no difference, because we did the same, because there were no “rest areas” and, at the bottom, at the bottom, this whole animality, so natural, turned out to be pure and clean like the “shit” of the bear)!.

…até que eventualmente as árvores desaparecem completamente, deixando uma paisagem pintada por plantas, rochas e neve que se estendiam por todo o solo, onde há muitas dezenas de anos atrás, alguns pioneiros na preservação da natureza, exploram as partes da Cordilheira Brooks a pé, de barco ou de trenó, descrevendo o cenário como “montanhas infinitas subindo e descendo como as ondas de um oceano gigantesco, se tivessem de repente congelado em pleno movimento”!.

(…until eventually the trees disappear completely, leaving a landscape painted by plants, rocks and snow that stretched across the soil, where many decades ago, some pioneers in nature preservation, explored the parts of the Brooks Mountain Range on foot , by boat or sled, describing the scenery as “infinite mountains rising and falling like the waves of a gigantic ocean, if they had suddenly frozen in full motion”)!.

…não queremos terminar sem explicar uma pequena curiosidade que é, durante o nosso percurso, por vezes éramos seguidos ou seguíamos os camionistas da rota Dalton Highway, que têm os seus próprios nomes para as várias áreas, existindo mesmo algumas placas de sinalização (rudimentares e escritas à mão), como por exemplo, “The Taps”, “The Shelf”, “The Bluffs”, “Oil Spill Hill”, “Beaver Slide”, “Two and Half Mile”, “Oh Shit Corner” ou “Roller Coaster”!.

(…we don’t want to end without explaining a small curiosity that is, during our journey, we were sometimes followed or followed the truck drivers on the Dalton Highway route, who have their own names for the various areas, even with some signposts (rudimentary and handwritten), such as “The Taps”, “The Shelf”, “The Bluffs”, “Oil Spill Hill”, “Beaver Slide”, “Two and Half Mile”, “Oh Shit Corner” or “Roller Coaster”)!.

…a “Tundra do Ártico”, que foi o local mais a norte no planeta Terra que já visitámos em toda a nossa existência, pode ser perigosa para os humanos, mas é um lugar fascinante e, antes de começar a longa jornada para o sul, não conseguíamos evitar a sensação de que estávamos deixando algo que talvez nunca mais iríamos ver, porque experimentar o ártico no seu pico de vida, compreendemos totalmente a sua beleza, mas ao mesmo tempo a sua fragilidade e, a grande urgência que existe em preservá-la!.

(…the “Arctic Tundra”, which was the most northerly place on planet Earth that we have visited in our entire existence, can be dangerous for humans, but it is a fascinating place and, before starting the long journey south , we couldn’t help feeling that we were leaving something that we might never see again, because experiencing the arctic at its peak, we fully understand its beauty, but at the same time its fragility and the great urgency that exists to preserve -there)!.

…enfim, isto são curiosidades do Alaska, Terra da Última Fronteira!. 

(…anyway, these are curiosities from Alaska, Land of the Last Frontier)!.

Tony Borie, Século XXI. (Tony Borie, 21st Century).

One thought on “…a Tundra do Ártico, Alaska!. (…the Artic Tundra, Alaska)!.

  1. São aventuras como esta, desta vez indo até lá prós lados do Círculo Ártico” no paralelo 66 Norte, que lhe dão forças e alegrias, para continuar a desfrutar do mais belo que existe, “A VIDA”. Não esqueça amigo Borie, que o amigo é como eu, um “Veterano de Guerra”, não pare, continue e vá à luta! Abraço, Fernando

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