…they also enslaved us!

…também nos escravizaram! (they also enslaved us)!.

…na metade do século passado, inocentes crianças felizes, depois jovens, quase adultos, despertando para um futuro com alguma esperança, viviamos na aldeia do Vale do Ninho D’Águia, na vertente oeste da montanha do Caramulo, em Portugal!. Chamávam-nos “Tó D’Agar”, herdando o nome da avó materna, os vizinhos conheciam-nos, viviamos em perfeita comunidade, no ambiente natural de uma aldeia provinciana, quando fomos “arrancados” pelos mandatários do então governo de Portugal, juntaram-nos a muitos jovens da nossa idade, depois de algum treino, trouxeram-nos para a costa do Atlântico, que era a capital Lisboa, embarcaram-nos num porão, sujo, sem qualquer ventilação, acantonados, mal alimentados, sem instalações sanitárias, as que havia eram provisórias, sem escoamento, (com outros jovens que eram livres nas suas aldeias), num barco que tinha um nome de uma empresa, mas trabalhava para o então governo de Portugal, navegámos algum tempo pelo Oceano Atlântico, desembarcando em África, onde nos foi dado outro nome, passando a ser identificados por um número e a palavra “Cifra”, dada pelos compamheiros de combate, vivendo dentro de um aquartelamento improvisado, cercado de arame farpado, por um período de dois anos, em cenário de guerra, obedecendo a ordens, com um regulamento, onde não existia a palavra “desobedecer”!. (in the middle of the last century, innocent happy children, then young, almost adults, awakening to a future with some hope, lived in the village of Vale do Ninho D’Águia, on the west slope of Caramulo mountain in Portugal!. They called us “Tó D’Agar,” inheriting the name of the maternal grandmother, the neighbors knew them, lived in perfect community, in the natural environment of a provincial village, when we were “ripped” by the leaders of the then Portuguese government, many young people of our age, after some training, brought them to the Atlantic coast, which was the capital Lisbon, embarked us in a basement, dirty, without any ventilation, quartered, malnourished, without sanitary facilities, those that were there were provisional, without drainage, (with other young people who were free in the their villages), on a boat that had a name of a company, but worked for the then government of Portugal, we sailed for some time by the Atlantic Ocean, landing in Africa, where we were given another name, be identified by a number and the word “Cifra”, given by fellow combatants, living in an improvised quartering, surrounded by barbed wire, for a period of two years, in a scenario of war, obeying orders, with a regulation, where there was no word to “disobey”)!.

…esta é a nossa história, passada na metade do século passado!. Mas tudo isto começou por volta do ano de 1441, quando o Principe Henrique, a quem chamaram o “Navegador”, ao serviço do Reino de Portugal, enviou uma expedição comercial para África, para explorar o continente, que era pouco conhecido e, uns anos depois, mais propriamente em 1444, regressaram ao porto de Lagos, em Portugal com uma “carga” de 235 africanos escravizados, onde muitos foram usados, alguns anos depois, nas plantações de cana de açucar na Ilha da Madeira, que ainda hoje é uma ilha Portuguesa na costa oeste de África!. (this is our history, which passed in the middle of the last century!. But all this began around the year 1441, when Prince Henry, whom they called the “Navigator”, in the service of the Kingdom of Portugal, sent an expedition commercial to Africa, to explore the continent, which was little known and, a few years later, more properly in 1444, returned to the port of Lagos in Portugal with a “load” of 235 enslaved Africans, where many were used a few years later, in sugar cane plantations on Madeira Island, which is still a Portuguese island on the west coast of Africa)!.

…nesse ano distante, nesse momento, foi iniciado o comércio de escravos europeus com a África!. Portanto nós, podemos considerar-nos também escravos do então governo de Portugal, no entanto o nosso trajecto foi “ao contrário”!. E, como já explicámos, esta foi a nossa história, fomos para África, na condição de combatentes, para uma frente de combate, onde havia um cenário de guerra, mas os milhões de africanos que foram escravizados, na condição de trabalhadores forçados, numa agricultura que alguns entendiam, pois eram agricultores qualificados, nas plantações das colónias europeias, no Caribe e nas Américas, também tiveram as suas histórias, só que não tiveram oportunidade de as contar, talvez porque não sabiam ler e escrever e, as que hoje existem, são relatos de histórias orais, que um eis escravo ou seus descendentes contaram, sendo escrita por outra pessoa!. (in that distant year, at this moment, the European slave trade was started with Africa!. Therefore, we can consider ourselves also slaves of the then government of Portugal, however our route was “backwards”!. And, as we have already explained, this was our history, we went to Africa, as combatants, to a combat front where there was a scenario of war, but the millions of Africans who were enslaved as agriculture that some people understood because they were skilled farmers in the plantations of the European colonies, the Caribbean and the Americas, also had their stories, but they did not have the opportunity to tell them, perhaps because they could not read and write, and those that exist today , are reports of oral histories, which one sis or his descendants told, being written by another person)!.

…os navios do Reino de Portugal, andavam pelo oceano, negociavam, além de comprar os seus próprios escravos, que usavam principalmente na colónia portuguesa do Brazil, também abasteciam outras colónias, na costa ocidental, como nas Caraíbas!. Eram comerciantes, pois também forneciam outros produtos, como o vinho do Porto, figos secos, passas e alguns cereais, chegaram a ser um importante parceiro comercial de alguns reinos e nações!. (the ships of the Kingdom of Portugal, they traveled by the ocean, negotiated, besides buying their own slaves, which they used mainly in the Portuguese colony of Brazil, they also supplied other colonies, on the western coast, as in the Caribbean!. They were traders, as they also provided other products, such as Port wine, dried figs, raisins and some cereals, it became an important trading partner of some kingdoms and nations)!.

…nós, que convivemos com o povo africano, falávamos, andávamos por ali, as pessoas tinham os mesmos sentimentos de família, sabiam o bem e o mal, acarinhavam as crianças e as pessoas mais idosas, tinham a sua agricultura, alimentavam os seus animais e, ao pensar-mos que, naqueles anos de escravatura, foram levados milhões de pessoas, não importava se eram ricos ou pobres, se eram de família importante ou não, o que importava aos escravizadores era, se eram jovens e com aspecto saudável, podendo ser de ambos os sexos!. (we, who lived with the African people, talked, walked there, people had the same feelings of family, knew good and evil, cared for the children and the elderly, had their agriculture, fed the their animals, and in thinking that in those years of slavery millions of people were taken, whether they were rich or poor, whether they were of an important family or not, what mattered to the enslavers was whether they were young and looking healthy, can be of both sexes)!.

…o Reino de Portugal, iniciou comércio de escravatura!. O negócio era lucrativo, pois por volta do ano de 1481, construiram o primeiro forte escravo na costa de África, chamavam-lhe o Castelo de São Jorge da Mina, localizado na actual cidade de Elmina, no Gana, que após a sua ocupação pelos Neerlandeses, no ano de 1637, o seu nome passou a figurar na cartografia apenas como Elmina!. Com o incremento do tráfico Atlântico de escravos, a fortificação readquiriu importância como entreposto onde os cativos eram mantidos a aguardar o seu transporte para o Novo Mundo! Era a sede dos comerciantes de escravos portugueses, pois nessa altura Portugal era o mais importante comerciante de escravos, tinha um contracto para abastecer de escravos, as colónias do Caribe, principalmente as espanholas!. Tinham um preçário!. Por exemplo, a cidade portuguesa do Porto, fez um forte brandy, especialmente para o comércio da África e, três “âncoras” (que era uma unidade de medida), do mesmo, dava para comprar um jovem escravo masculino!. Também havia moedas portuguesas, criadas na altura, para a negociação de escravos!. (the Kingdom of Portugal, started a slave trade!. The business was profitable, for by the year 1481 they built the first strong slave on the coast of Africa, they called it the Castle of St. George of the Mine, located in the present town of Elmina, Ghana, that after its occupation by the Dutch in the year 1637, its name happened to appear in the cartography just like Elmina!. With the increase of the Atlantic slave trade, the fortification regained importance as a warehouse where the captives were kept awaiting their transport to the New World!. It was the seat of the Portuguese slave traders, for at that time Portugal was the most important merchant of slaves, had a contract to supply slaves, the colonies of the Caribbean, especially the Spanish!. They had a price list!. For example, the Portuguese city of Porto, made a strong brandy, especially for Africa’s trade, and three “anchors” (which was a unit of measure), of the same, could buy a young male slave!. There were also Portuguese coins, created at the time, for the trading of slaves)!.

…mas aprofundando mais um pouco este tema da escravatura, o Reino de Portugal iniciou, mas vieram outras nações e reinos, que começaram imediatamente com este negócio, por exemplo, os espanhóis ganharam terra na América do Sul após a viajem de Cristóvão Colombo em 1492, numa viajem de exploração patrocinada pelo rei Ferdinand e a rainha Isabella!. Logo no início desse período, os comerciantes espanhóis começaram a levar africanos escravizados para colónias espanholas, mesmo o governo espanhol decidiu comprar escravos através de comerciantes de outros países, fazendo contractos de fornecimento de escravos, com portugueses, genoveses, holandeses, franceses ou britânicos, dependendo de qual o país ou empresa que oferecia os melhores preços!. Havia mesmo a “Companhia de Escravos de Cádiz”, em Espanha, que fez um contracto com o governo espanhol em que concordaram a fornecer 8.000 escravos por ano para as plantações espanholas, no entanto esta companhia não conseguiu fazer isso e, nunca ganhou dinheiro!. (but further deepening this theme of slavery, the Kingdom of Portugal began, but other nations and kingdoms came, which began immediately with this business, for example, the Spaniards gained land in South America after the voyage of Christopher Columbus in 1492, an exploration tour sponsored by King Ferdinand and Queen Isabella!. At the beginning of this period Spanish merchants began to take enslaved Africans to Spanish colonies, even the Spanish government decided to buy slaves through merchants from other countries, making slave-supply contracts with Portuguese, Genoese, Dutch, French, or British, depending on which country or company offered the best prices!. There was even the “Slave Company of Cadiz” in Spain, which made a contract with the Spanish government in which they agreed to provide 8,000 slaves a year to Spanish plantations, however this company failed to do this and never made any money)!.

…os comerciantes Franceses também estavam fortemente envolvidos no tráfico de escravos, pois os navios franceses levaram milhares e milhares de africanos escravizados para as plantações no Caribe e nas Américas! Muitas coisas afectaram o sucesso do envolvimento de um país no comércio transatlântico de escravos, por exemplo, fazendo parte da Guerra de Independência Americana contra os Britânicos, houve uma feroz batalha ao norte da ilha caribenha Dominica. A França, Espanha e Holanda, juntaram-se à América, contra a Grã-Bretanha para sua própria vantagem, pois a marinha francesa levou a ilha das Caraíbas de São Cristóvão aos Britânicos e, ameaçava as ilhas vizinhas de Nevis e Jamaica. O comércio normal, como o de escravos, entre as ilhas do Caribe e a Grã-Bretanha, foi interrompido, no entanto houve vitória para a marinha Britânica que recuperou quase todas as suas ilhas caribenhas dos franceses, no acordo de paz de 1783!. (French merchants were also heavily involved in the slave trade, as French ships carried thousands and thousands of enslaved Africans to plantations in the Caribbean and the Americas! Many things affected the success of a country’s involvement in the transatlantic slave trade, for example, as part of the American War of Independence against the British, there was a fierce battle north of the Caribbean island of Dominica. France, Spain and Holland joined America against Britain to their own advantage as the French navy took the Caribbean island of Saint Kitts to the British and threatened the neighboring islands of Nevis and Jamaica. Trade normal, as that of slaves, between the Caribbean islands and Britain was halted, however there was victory for the British navy which recovered almost all its Caribbean islands from the French, in the peace agreement of 1783)!.

…como em tudo neste mundo, tanto os portugueses, como outros reinos ou nações, que se dedicaram ao comércio de escravos, não podiam se dedicar a este comércio sem a colaboração de, os tais “chefes”, ou “reis”, das então tribos africanas, que colaboravam, a troco de, armas de guerra, licores variados, têxteis de algodão, utensílios em metal e outras bijuterias!. (as in everything in this world, the Portuguese, as well as other kingdoms or nations, who were engaged in the slave trade, could not engage in this trade without the collaboration of such “chiefs” or “kings” of the then African tribes, who collaborated, in exchange for weapons of war, various liqueurs, cotton textiles, metal utensils, and other imitation jewelery)!.

…pronto, nós também fomos escravizados, estamos vivos, não guardamos ódio a ninguém e, não somos responsáveis por aquilo que os nossos antepassados fizeram, temos mas é que aprender com os seus erros e, não os repetir! (soon, we too were enslaved, we are alive, we do not hold hate to anyone, and we are not responsible for what our ancestors did, but we have to learn from their mistakes and not repeat them)!.

Tony Borie, January 2018.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s