…happy New Year for all!.

…bom Ano Novo para todos!. (Happy New Year for all)!.

…oxalá o ano de 2019, entre em todos os lares com saúde, paz e felicidade e, que entre outras, esta palavra horrível, que dá pelo nome de “discriminação”, seja banida para sempre, não só do dicionário linguístico, como do pensamento e nas atitudes de todos os líderes com responsabilidade em liderança, sobrevivência e bem estar de todos nós, cidadãos comuns e seres humanos, que ainda habitamos este planeta, a que chamamos Terra!. (Hopefully 2019, enter into every home with health, peace and happiness and, among other things, this horrible word, called “discrimination”, be banished forever, not only from the linguistic dictionary, as of thought and in the attitudes of all leaders with responsibility for leadership, survival and well being of all of us ordinary citizens and human beings who still inhabit this planet, which we call Earth)!.

…vamos começar a história de hoje, lembrando o começo de uma viagem, que não era bem uma viagem, era a aventura de atravessar todo este continente Americano, na nossa “White Fox” (nome de guerra da nossa caravana), até à cidade de Los Angeles, no estado da Califórnia, para percorrer a célebre e histórica “Estrada 66” !. (Let’s start the story today, remembering the beginning of a trip, which was not quite a trip, was the adventure of crossing the whole American continent, in our “White Fox” (war name of our caravan), until to the city of Los Angeles, in the state of California, to traverse the famous and historic “Route 66”)!.

…e, ao mesmo tempo prestar homenagem a um companheiro de trabalho, que nos acompanhou no dia a dia por mais de trinta anos, que infelizmente nos deixou para sempre!. (And, at the same time pay tribute to a fellow worker who has accompanied us in our daily lives for more than thirty years, which unfortunately left forever)!.

…cá vai a história!. (Here goes the story)!.

…o nosso destino era a cidade de Chicago, no estado de Illinois!. Vindos do leste, seguíamos na auto-estrada 90, no sentido oeste, quando nos desviámos para uma estrada estadual, ainda no estado de Indiana, para visitar-mos a cidade de Angola!. (Our destination was the city of Chicago, in the state of Illinois!. Coming from the east, we were on highway 90 westward when we turned off for a state road, still in the state of Indiana, to visit the city of Angola)!.

…porquê a cidade de Angola?. Simples curiosidade!. Talvez a nossa descendência, pois somos imigrantes oriundos do país Portugal e antigos combatentes daquela maldita Guerra Colonial Portuguesa, em que sofremos em África, a angústia, o desespero de uma luta horrível de sobrevivência, lutando contra pessoas que nada tínhamos em contra e, nunca antes tínhamos visto, que também lutavam e sofriam, pela liberdade do seu país!. (Why the city of Angola?. Simple curiosity!. Perhaps our descendants, because we are immigrants from the country of Portugal and former combatants of that bloody Portuguese Colonial War, in which we suffered in Africa, the anguish, the desperation of a horrible struggle for survival, fighting against people we had nothing against and never before we had seen, who also struggled and suffered, for the freedom of their country)!.

…chegámos à cidade de Angola, no estado de Indiana!. Andámos por lá, é uma cidade com um nome africano e uma comunidade branca, que recebeu o seu nome por volta do ano 1837, numa época em que o local foi escolhido como sede de um município e, possívelmente foi baptizado com este nome, antes que não houvesse outro lugar conhecido chamado Angola aqui nos USA, ou em qualquer outro lugar, excepto em África!. (We arrived in the city of Angola, in the state of Indiana!. We walked there, it is a city with an African name and a white community, which was named after the year 1837, at a time when the place was chosen as the seat of a municipality and was possibly baptized by that name, before that there was no other place known as Angola here in the USA, or anywhere else except Africa)!.

…fizémos algumas pesquizas não encontrando muita informação mas, parece-nos altamente improvável que o nome de Angola tenha sido dado por já existir este nome no estado de Nova Iorque e, que as pessoas que fundaram esta cidade vieram de lá, versão que nos explicaram!. Achamos improvável por uma questão de datas, pois Angola é uma aldeia na cidade de Evans, no Condado de Erie, Nova Iorque, localizada a leste do Lago Erie, anteriormente chamada de “Estação de Evans” e onde, por volta dos anos de 1854 ou 1855, portanto depois do ano de 1837, foi criada uma estação dos correios, com o nome “Angola”!. (We did some researches not finding much information but, it seems to us highly improbable that the name of Angola was given because this name already exists in the state of New York and that the people who founded this city came from there, version that explained us!. We find it unlikely as a matter of dates, for Angola is a village in the town of Evans, Erie County, New York, east of Lake Erie, formerly called the “Evans Station,” and where, around 1854 or 1855, so after the year 1837, a post office was established, with the name “Angola”)!.

…talvez nunca saibamos com certeza, mas a velha história de que Angola recebeu o nome de Angola, Nova York, parece ser apenas uma história, no entanto de uma maneira ou de outra, nós entendemos que, Angola deve ter recebido o nome, em homenagem a Angola, em África!. Também dizem que, alguns dos antigos colonos comentaram que, o nome seria bom para um cachorro, o que nós repudiamos naturalmente, pois o nome Angola, merece-nos muito respeito, pois faz parte da história do país onde nascemos!. (We may never know for sure, but the old story that Angola was called Angola, New York, seems to be just a story, but in one way or another, we understand that Angola must have been given the name, in honor of Angola, in Africa!. They also say that some of the old settlers commented that the name would be good for a dog, which we repudiate naturally, because the name Angola, deserves a lot of respect, because it is part of the history of the country where we were born)!.

…começa aqui a homenagem ao “Mississippi”!. (Here begins the homage to the “Mississippi”)!.

…continuando a viajar rumo ao oeste, lembrando Angola, lembrando a Guiné, lembrando África, lembrando antigos companheiros de guerra africanos, lembrando os antigos companheiros de trabalho aqui nos USA, os tais afro-americanos, alguns que nos acompanharam no dia a dia por mais de trinta anos, de que já por diversas vezes aqui lembrámos a sua memória, chegámos finalmente ao sul da cidade de Chicago!. (Continuing to travel westward, remembering Angola, remembering Guinea, remembering Africa, remembering former African war mates, remembering the old workmates here in the USA, the African-Americans, some who accompanied us on the day for over thirty years, that we have remembered his memory several times, we have finally reached the south of the city of Chicago)!.

…ao atravessar-mos uma passagem do caminho de ferro, logo nos vem ao pensamento as conversas quase diárias, que mantínhamos com um dos tais afro-americanos, amigo e companheiro de trabalho, a quem carinhosamente chamávamos de “Mississippi”, que nos contava a história dos seus avós, olhando o infinito, com uma atitude calma, humilde e concentrada, onde por vezes lhe saíam algumas palavras, explicando acções e atitudes, difíceis de compreender nos dias de hoje, mas que eram reais, eram verdadeiras, onde nos explicava o que foi a vida dos seus antepassados que foram escravos!. Ele próprio tinha algumas marcas, no peito, no braço e uma outra ao lado, um pouco abaixo da orelha esquerda, com que os pais o marcaram quando nasceu!. Talvez fossem marcas de família, no entanto, ele orgulhava-se de mostrar essas marcas, eram desenhos na pele, parecidos com os que frequentemente víamos na África, quando combatentes ao serviço do exército do então governo colonial de Portugal!. (As we cross a passageway on the railroad, the almost daily conversations that we had with one of those African-Americans, a friend and workmate, whom we affectionately call “Mississippi,” come to mind!. He told us the story of his grandparents, looking at the infinite, with a calm, humble and concentrated attitude, sometimes giving him some words, explaining actions and attitudes, difficult to understand these days, but which were real, were true, where explained the life of their ancestors who were slaves!. He himself had some marks on his chest, on his arm and another on his side, just below his left ear, with which his parents marked him when he was born!. Perhaps they were family marks, yet he was proud to show these marks, they were drawings on the skin, similar to those we often saw in Africa, when combatants serving the army of the then colonial government of Portugal)!.

…os seus antepassados, quando chegaram ao continente americano foram escravos!. Algumas vezes ele, até explicava ao pormenor que o pai do seu bisavô, foi escravo na plantação com o nome tal, foi vendido duas vezes, pois era muito valente e todos o queriam ter naquelas plantações de tabaco, de algodão, ou cana de açúcar!. A sua família, continuou por lá, ele, nasceu e cresceu, numas terras, por onde passava um comboio, ao lado do rio Mississippi, que os seus pais não sabiam a quem pertenciam, mas agora eram suas e onde viviam, e ele, simplesmente nasceu lá, tal como os seus irmãos e irmãs, tal como já lá tinham nascido os seus pais e avós!. Aprendeu a nadar no rio Mississippi, sem qualquer receio das cobras, nem dos “alligatores”, uma espécie de crocodilos!. Pelo contrário, caçava-os e comia-os!. (Their ancestors, when they arrived in the American continent, were slaves!. Sometimes he even explained to the detail that his great-grandfather’s father was a slave in the plantation with the same name, he was sold twice, for he was very brave and everyone wanted him on those plantations of tobacco, cotton, or sugar cane!. His family, he continued there, he was born and raised in a land, where a train passed, alongside the Mississippi River, which his parents did not know to whom they belonged, but now they were his and where they lived and he, simply he was born there, just like his brothers and sisters, just as his parents and grandparents had already been born!. He learned to swim on the Mississippi River, without any fear of snakes or “alligators,” a kind of crocodile!. On the contrary, he hunted them and ate them)!.

…um dia, seguindo o exemplo de muitos jovens na sua situação, pois era normal naquela época, querendo fugir da fome e da miséria que levavam, entra, juntamente com outro irmão mais velho, com a roupa que traziam vestida, na carruagem dum comboio de mercadorias que lentamente por lá passava!. Vieram parar ao estado de Nova Jersey, mas muitos iam parar ao estado de Illinois, principalmente à cidade de Chicago!. Outros ficavam em Detroit, no Estado de Michigan, ou outros estados com indústria, onde lhes diziam que havia muito trabalho!. Para o “Mississippi”, não foi difícil procurar trabalho, pois era alto, com corpo de um atleta e força física um pouco fora do normal, mas o coração era de uma boa pessoa, obediente, quase como uma criança, compreendia o bem e o mal, pedia desculpa, se sem querer insultava alguém, com receio de que alguém o acusasse de algo, às vezes até era obediente demais e certas pessoas tiravam vantagem desse pormenor!. (One day, following the example of many young people in their situation, since it was normal at that time, wanting to escape the hunger and the misery they were carrying, he and another older brother entered with the clothes they wore, in a a chariot of a convoy of goods passing by!. They came to the state of New Jersey, but many went to the state of Illinois, especially to the city of Chicago!. Others were in Detroit, Michigan, or other states with industry, where they told them there was a lot of work!. For the “Mississippi”, it was not difficult to look for work, for it was tall, with an athlete’s body and physical strength somewhat out of the ordinary, but the heart was of a good person, obedient, almost like a child, understood the good and he would apologize, if he would insult someone, for fear someone would accuse him of something, sometimes he was too obedient, and certain people took advantage of that detail)!.

…ele contáva-nos, dezenas de vezes, a história dos afro-americanos na sua procura de fugir para o norte!. Principalmente para a hoje cidade de Chicago, que remonta talvez aos anos de 1780 mas, só por volta da década de 1840 alguns escravos fugitivos e libertos estabeleceram a primeira comunidade afro-americana nesta cidade!. Procuravam a cidade de Chicago, especialmente após a Guerra Civil, pois o estado Illinois teve algumas das leis anti-discriminação mais progressistas do país!. A segregação escolar foi primeiramente banida em 1874, e a segregação em acomodações públicas foi banida pela primeira vez em 1885, no entanto, muitos continuaram a enfrentar algumas das mesmas discriminações aqui em Chicago, tal como tinham tido no sul!. (He told us, dozens of times, the story of African-Americans in their quest to flee north!. Mainly for today’s city of Chicago, dating back perhaps to the 1780s, but it was only around the 1840s that some fugitive and freed slaves established the first African-American community in this city!. They sought the city of Chicago, especially after the Civil War, for Illinois had some of the most progressive anti-discrimination laws in the country!. School segregation was first banned in 1874, and segregation in public accommodations was banned for the first time in 1885, however, many continued to face some of the same discriminations here in Chicago as they had in the south)!.

…no entanto, a população afro-americana na cidade de Chicago, aumentou significativamente no início a meados de 1900, devido à Grande Migração do Sul!. E porquê?. Porque na viragem do século, os estados do sul conseguiram aprovar novas constituições e leis que desfavoreciam a maioria dos afro-americanos e de muitos brancos pobres, privando-os do direito de voto, estando sujeitos a leis discriminatórias aprovadas por legisladores brancos, incluindo a segregação racial de instalações públicas, a educação segregada para crianças afro-americanas e outros serviços foram consistentemente subfinanciados numa economia agrícola pobre!. Enquanto as legislaturas dominadas pelos brancos aprovavam leis para restabelecer a supremacia branca e criar mais restrições na vida pública, por tal a violência contra os afro-americanos aumentava, com linchamentos usados como aplicação extrajudicial!. (However, the African-American population in the city of Chicago has increased significantly in the early to mid 1900s due to the Great Migration of the South!. It’s because?. Because at the turn of the century the southern states were able to pass new constitutions and laws that disadvantaged most African-Americans and many poor whites by depriving them of the right to vote, being subject to discriminatory laws passed by white legislators, including racial segregation of public facilities, segregated education for African American children and other services were consistently underfunded in a poor agricultural economy!. While white-dominated legislatures passed laws to restore white supremacy and create more restraints in public life, so violence against African Americans increased, with lynchings used as extrajudicial enforcement)!.

…a construção da indústria para a Primeira Guerra Mundial levou milhares de trabalhadores para o norte, assim como a rápida expansão das linhas dos caminhos de ferro, ou as indústrias de processamento do aço, como tal, o abandono das plantações do sul, pelos afro-americanos, arruinou grande parte da indústria do algodão, pois centenas de milhares de sulistas afro-americanos migraram para a cidade de Chicago para escapar da violência e da segregação em busca de liberdade e também de uma melhor posição económica!. (The construction of the industry to the First World War led thousands of workers to the north, as well as the rapid expansion of the railway lines, or the steel processing industries as such, abandonment of southern plantations, by African Americans, ruined much of the cotton industry as hundreds of thousands of African American Southerners migrated to the city of Chicago to escape violence and segregation in search of freedom and also a better economic position)!.

…com as Grandes Migrações de 1910 a 1960, que trouxeram centenas de milhares de afro-americanos do sul para Chicago, tornando-se num movimento de massas, a que alguém explicou que, “A migração de afro-americanos do sul rural para o norte urbano transformaram radicalmente a cidade de Chicago, tanto política como culturalmente”!. E, o nosso companheiro de trabalho afro-americano, o “Mississippi”, dizia-nos mesmo que, a cidade de Chicago se tornou na capital afro-americana do país, pois o lado sul tornou-se predominantemente afro-americano!. (With the Great Migrations from 1910 to 1960, which brought hundreds of thousands of south African Amerians south to Chicago, becoming a mass movement, to which someone explained that, “The migration of Afro-Americans from the rural south to the urban north radically transformed the city of Chicago, both politically and culturally”!. And, our African-American workmate, the “Mississippi”, even told us that the city of Chicago became the African-American capital of the country, because the south side became predominantly African American)!.

…já anos depois, o jornal afro-americano de Chicago, o “Chicago Defender”, mandando pacotes de jornais para sul, pelos combóios da Central de Illinois, principalmente para as cidades afro-americanas, incentivando-os a tomar lugar nos combóios, tornando a cidade de Chicago conhecida pelos sulistas, dizendo em grandes parangonas que, “Chicago era a cidade do norte mais acessível para os afro-americanos do Mississippi, Louisiana, Texas ou Arkansas”!. (Years later the Chicago African-American newspaper, the Chicago Defender, sending parcels of newspapers to the south, through Central Illinois trains, especially to African-American cities, encouraging them to take Chicago made the city known to the Southerners, saying “Chicago was the most accessible northern city for African Americans in Mississippi, Louisiana, Texas, or Arkansas”)!.

…claro, com toda esta “Grande Migração”, tornou-se difícil para muitos encontrar empregos e encontrar lugares decentes para morar mas, de pouco a pouco tornaram-se uma população urbana, criando igrejas, organizações comunitárias, principalmente na música, onde agora, fazendo música, cantando ou dançando, exemplificavam os sofrimentos da sua segregação sofrida no sul!. (Of course, with all of this “Great Migration,” it became difficult for many to find jobs and find decent places to live, but little by little they became an urban population, creating churches, community organizations, especially in music, where now, making music, singing or dancing, exemplified the sufferings of their segregation suffered in the south)!.

…e nós, andámos pela cidade, parando aqui e ali, dando todo este tempo dispensado, como uma verdadeira lição de história, lembrando alguns povos no mundo, que ainda sofrem uma palavra horrível, que dá pelo nome de “discriminação”, palavra que no sentido do “preconceito” tem sido usada desde o início do século XIX, quase 200 anos atrás e, nos quer dizer mais ou menos, um tratamento injusto ou preconceituoso de diferentes categorias de pessoas ou coisas, especialmente em razão de raça, idade ou sexo!. Onde também podemos incluir, vítimas de discriminação racial, cujos sinônimos são, preconceitos, parcialidade, intolerância, injustiça, desigualdade, favoritismo, unilateralidade, partidarismo, ou até mesmo, chauvinismo, racismo, racialismo, preconceito de idade, classismo ou castaísmo!. (And we, we walked through the city, stopping here and there, giving all this time dispensed, as a true lesson of history, reminding some people in the world, who still suffer a horrible word, which gives the name of “discrimination”, a word that in the sense of “prejudice” has been used since the beginning of the nineteenth century almost 200 years ago and, we mean more or less, unfair or prejudiced treatment of different categories of people or things, especially on the basis of race, age or sex!. Where we can also include, victims of racial discrimination, whose synonyms are prejudices, partiality, intolerance, injustice, inequality, favoritism, unilateralism, partisanship, or even chauvinism, racism, racialism, old prejudice, classism or casteism)!.

…como a princípio dissémos, Feliz Ano Novo para todos!. (As we said at first, a Happy New Year for all)!.

Tony Borie, December 2018.

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