…we walked there, we live this war!.

…andámos por lá, vivemos esta guerra! (we walked there, we live this war)!.

…como combatentes, ao serviço do então governo colonial de Portugal, vivemos a Guerra Colonial Portuguesa em África que, nas aldeias e vilas de Portugal era conhecida como a Guerra Ultramarina e, nas então Colónias Portuguesas de África, o povo que lutava pela libertação e independência do seu território, chamava a Guerra de Libertação!. (As combatants, at the service of the then colonial government of Portugal, we lived the Portuguese Colonial War in Africa, which in the villages and towns of Portugal was known as the Overseas War and, in the then Portuguese Colonies of Africa, the people fighting for liberation and independence of its territory, called the War of Liberation)!.

…esta maldita guerra de guerrilha, entre os anos de 1961 e 1974, foi travada entre os militares (muitos eram milicianos e forçados), ao serviço do então governo de Portugal e os emergentes movimentos nacionalistas que se foram criando nas então Colónias Africanas Portuguesas, onde foram cometidas muitas atrocidades por todas as forças envolvidas neste maldito e sangrento conflito, no entanto, no fundo, no fundo, nenhuma das partes saíu vencedora, porque entretanto, elementos das Forças Armadas Portuguesas deram um golpe de estado, na capital do então Portugal Colonial, a cidade de Lisboa, no mês de Abril, no ano de 1974, derrubando o governo, cujo pretexto, era um protesto contra o custo e a duração desta, como já anteriormente dissémos, maldita e sangrenta guerra!. (This damn guerrilla war between 1961 and 1974 was fought between the military (many were militia and forced), serving the then Portuguese government and the emerging nationalist movements that were being created in the then African Colonies Portuguese, where many atrocities were committed by all the forces involved in this bloody and bloody conflict, however, deep down, basically none of the parties won, because in the meantime, elements of the Portuguese Armed Forces gave a coup in the capital of then Portugal Colonial, the city of Lisbon, in April 1974, overthrowing the government, whose pretext was a protest against the cost and duration of this, as we have already said, damn and bloody war)!.

…nós combatemos em território da então Província Colonial da Guiné Portuguesa em África, onde fomos colocados num cenário de guerra, tirando-nos do ambiente da nossa aldeia no vale do Ninho de d’Águia, lá na vertente afreste da montanha do Caramulo, do seio da nossa família, deixando de ouvir o comboio das seis e meia, que todos os dias nos acordava, tanto a nós como às ovelhas, às cabras e restantes animais que por lá viviam, de que tanto gostávamos, trouxeram-nos para a cidade, com costumes e pessoas diferentes, deram-nos uma instrução básica, concentrada em matar, ensinaram-nos as partes do corpo, em como se matava, com prolongamento de dor, rápido, com faca, ou simplesmente com as mãos, ensinaram-nos a manusear uma pistola, uma metralhadora ou uma granada e, que a usássemos, para possívelmente matar um ser humano, (o que felizmente, dada a nossa especialidade de “Cripto”, portanto não éramos militar de acção, este cenário nunca nos aconteceu)!. (We fought in territory of the then Colonial Province of Portuguese Guinea in Africa, where we were placed in a scenario of war, taking us from the environment of our village in the valley of the Nest of Eagle, there on the slope of the mountain of Caramulo , from the bosom of our family, not listening to the train of six and a half, which every day woke us up, both us and the sheep, the goats and other animals that lived there, which we liked so much, brought us to the city, with different customs and people, gave us a basic instruction, focused on killing, taught us the parts of the body, how to kill ourselves, with prolonged pain, fast, with knife, or simply with hands, taught to use a pistol, a machine gun or a grenade and that we use it to possibly kill a human being (which fortunately, given our specialty of “Crypto”, so we were not It happened)!.

…embarcaram-nos, tal como uma outra normal mercadoria, no porão de um navio de carga!. Atravessando o oceano, largarando-nos dentro de um miserável e sangrento conflito, a milhares de quilómetros de distância da nossa aldeia, da nossa família e dos nossos amigos, ficando num cenário onde íamos combater pessoas que não conhecíamos e que nada tínhamos em contra, que lutavam e morriam pelo seu território, pela sua indepência e pela sua liberdade!. (Shipped us, just like another normal commodity, into the hold of a cargo ship!. Crossing the ocean, leaving us in a miserable and bloody conflict, thousands of miles away from our village, our family and our friends, settling in a scenario where we were going to fight people we did not know and we had nothing against, who fought and died for their territory, for their independence and for their freedom)!.

…íamos para um cenário de combate muito mal preparados, tando militar como mentalmente, sem equipamento, sem assistência médica conveniente, mal alimentados, forçados e desmotivados, depois de ouvir vezes sem conta o blá, blá, blá, de alguns dos nossos instrutores, tal como as palavras do então chefe governo de Portugal que, num horário nobre da televisão do estado, nos explicava que a nossa mãe Pátria estava ameçada, devíamos defender a nossa bandeira, devíamos ir para a guerra, em força e, declamando solenemente algumas palavras do Hino Nacional, pronunciava solenemente, “contra os canhões, marchar, marchar”!. (We would go to a very badly prepared combat scenario, military as well as mentally, without equipment, without proper medical assistance, poorly fed, forced, and unmotivated, after listening over and over again the blah, blah, blah, of some of our instructors, like the words of the then head of government of Portugal who, in prime time state television, explained to us that our mother Motherland was threatened, we should defend our flag, we should go to war in force and, solemnly declaiming a few words from the National Anthem, solemnly pronounced, “against the guns, march, march”)!.

…e nós, tal como muitos dos nossos companheiros, pensávamos e, sem o notar-mos, falávamos baixinho:

   – que injustiça!. Porque razão nos mandaram para aqui?. Estes naturais olham para nós, vêm tal e qual, como eu os podia ver, se eles invadissem a minha aldeia, lá na vertente agreste da montanha do Caramulo!.

…esta é era uma verdade, que não podíamos esquecer e nos atormentava a todo o momento!

(And we, like many of our companions, thought and, without noticing, we spoke softly:

– What injustice!. Why did they send us here?. These natives look at us, they come as and such, as I could see them, if they invaded my village, there on the rugged slope of Mount Caramulo!.

This was a truth that we could not forget and tormented us all the time)!.

…chegámos a este cenário no ano de 1964, quando uns meses antes, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) começou o combate, onde os seus guerrilheiros atacaram uma sede portuguesa na vila de Tite, localizada ao sul da cidade de Bissau, a capital, perto do rio Corubal!. Depois, muitas ações semelhantes rapidamente se espalharam por toda o território, exigindo uma presença mais activa das forças portuguesas!. (We came to this scene in 1964, when a few months before the African Party for the Independence of Guinea and Cape Verde (PAIGC) began the fighting, where its guerrillas attacked a Portuguese headquarters in the village of Tite, south of the city of Bissau, the capital, near the river Corubal!. Afterwards, many similar actions quickly spread throughout the territory, requiring a more active presence of Portuguese forces)!.

…a guerra foi-se desenvolvendo com o PAIGC a realizar também ataques na área do norte, onde na altura apenas o movimento menor de guerrilha, que dava pelo nome de Frente para a Libertação e Independência da Guiné (FLING) estava a lutar!. Já nessa altura, o PAIGC começava a receber apoio militar, do Bloco Socialista, principalmente de Cuba, cujo apoio duraria até o fim da guerra!. (The war developed with the PAIGC also to carry out attacks in the northern area, where at the time only the minor guerrilla movement, called the Liberation Front and Independence of Guinea (FLING) was fighting!. By that time, the PAIGC was beginning to receive military support from the Socialist bloc, mainly from Cuba, whose support would last until the end of the war)!.

…as tropas portuguesas assumiram inicialmente uma postura defensiva, limitando-se a defender as vilas e aldeias onde se iam instalando, todavia estas operações defensivas foram muito devastadoras para os militares portugueses, que não estavam familiarizados com o terreno, frequentemente atravessados por rios, pântanos, lama e tarrafo, onde eram regularmente atacados fora das áreas povoadas!. Só algum pempo depois é que existiram operações navais anfíbias, que foram instituídas para superar alguns dos problemas de mobilidade inerentes às áreas subdesenvolvidas e pantanosas do território, utilizando os comandos dos fuzileiros como forças de ataque, todavia a desmoralização era constante, entre outros motivos, pelo crescimento dos simpatizantes que eram recrutados pelo movimento de libertação PAIGC entre a população rural!. (The Portuguese troops initially assumed a defensive posture, limiting itself to defending the villages and villages where they were settling, but these defensive operations were very devastating for the Portuguese military, who were unfamiliar with the terrain, often crossed by rivers , marshes, mud and tarrafo, where they were regularly attacked outside the populated areas!. Only a few moments later, there were amphibious naval operations, which were instituted to overcome some of the mobility problems inherent in the underdeveloped and marshy areas of the territory, using the commandos of the Marines as attacking forces, but the demoralization was constant, among other reasons, by the growth of the sympathizers who were recruited by the PAIGC liberation movement among the rural population)!.

…vivemos esta mortífera guerra em África, por um período de dois anos, regressando ao continente Europeu, um pouco doentes e abalados, com estilhaços de granadas e marcas de ferimentos no corpo, mas continuamos vivos para lembrar, desejando que a paz exista em todo o mundo!. (We live this deadly war in Africa, for a period of two years, returning to the European continent, a little sick and shaken, with pieces of grenades and marks of wounds on the body, but we are still alive to remember, wishing that peace exists all over the world)!.

…e que sobretudo as crianças, possam crescer, sorrir e ser educadas, num ambiente de felicidade e prosperidade!. (and especially children, can grow, smile and be educated, in an atmosphere of happiness and prosperity)!.

Tony Borie February 2019.

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