…recordar!. (Remember)!.

…às vezes sentimos uma certa inveja de quem não recorda! (Sometimes we envy those who do not remember!

…no cilclo de vida terrestre, entre outras coisas, a natureza criou a escuridão e a luz e, o ser humano deu-lhe o nome de dia e noite!. Dia, para nos movimentar-mos nas diferentes tarefas de sobrevivência, a noite para descansar, o que normalmente dizemos, dormir!. (In the cycle of terrestrial life, among other things, nature created darkness and light, and the human being named it day and night!. Day, to move around the different survival tasks, night to rest, which we usually say, sleep)!.

…também alguns dizem que, “um bom dia de amanhã, começa com uma noite bem dormida hoje”!. Todavia, nós, cremos que já dormimos todo o tempo da nossa longa vida porque, às duas ou três da madrugada já estamos acordados e, caminhando do quarto para a cozinha, do corredor para a sala ou daquele compartimento onde está o nosso computador, (a que carinhosamente chamamos “escritório”), para o quarto de banho ou para a cozinha de novo!. (Also some say, “A good day tomorrow begins with a good night’s sleep today”!. However, we believe that we have slept all the time in our long life because at two or three in the morning we are already awake and walking from the bedroom to the kitchen, from the hallway to the living room or from the compartment where our computer is, ( we affectionately call “office”), to the bathroom or the kitchen again)!.

…o silêncio da madrugada convida-nos a ver e pensar nos objectos, nas coisas, nas memórias, nas lembranças ou recordações, (depende do que lhe queiram chamar), nas caixas desorganizadas de tralha que por aqui existem, que para nós, são “tesouros do passado”, de uma vida, que talvez representem muitas vidas, pois foram coisas guardadas durante anos e mais anos, obrigando-nos a regressar a sítios, dos quais verdadeiramente nunca partimos!. (The silence of the dawn invites us to see and think about the objects, the things, the memories, (it depends on what you want to call it), the disorganized boxes of junk that exist for us, are “treasures of the past”, of a lifetime, which may represent many lives, since they were things kept for years and more years, forcing us to return to places, we have never truly departed from)!.

…vendo tudo isto, às vezes sentimos uma certa inveja, (mesmo invejosa), de quem não guarda ou recorda, nem tem todas estas memórias, lembranças ou recordações!. Esses, são seres livres, rebeldes e indomáveis!. Apetece-lhes partir e vão embora sem qualquer remorços!. É esse desejo de liberdade que às vezes sentimos, olhando para todo este espólio de recordações, de retalhos de uma vida, que felizmente vai sendo longa, que nos fazem ser uns guardadores de memórias, coleccionadores de sensações, histórias e lendas, coisas que nos deram suspiros, lágrimas ou alegrias!. (Seeing all this, sometimes we feel a certain envy (even envious) of those who do not keep or remember, nor have all these memories!. These are free, rebellious and indomitable beings!. They feel like leaving and they leave without any remorse!. It is this desire for freedom that we sometimes feel, looking at all this memory, the patchwork of a life, which fortunately goes on, that makes us memories keepers, collectors of sensations, stories and legends, things that make us happy, breathed, tears or joy)!.

…no entanto continuamos a entender que as memórias, lembranças ou recordações, são o nosso passado e o nosso futuro, porque para saber quem somos como pessoas, precisamos de ter uma idéia de quem nós fomos e, para melhor ou para pior, a nossa já longa história de vida é lembrada tal como uma recordação para um bom guia, para aquilo que podemos fazer amanhã, se ainda tivermos essa oportunidade!. (Yet we still understand that memories, are our past and our future, because to know who we are as people, we need to have an idea of who we were and, for better or for worse, Our long history of life is remembered as a memory for a good guide, for what we can do tomorrow if we still have that opportunity)!.

…portanto não é surpresa, que exista um fascínio por esta qualidade essencialmente humana, onde normalmente se diz que, as nossas memórias, lembranças ou recordações são parte da nossa maneira de estar na vida, ou até mesmo da nossa razão, do nosso sentimento e até da nossa acção como seres humanos e, perdendo todas estas coisas, perdemos a nossa conexão básica com quem nós fomos, já para não falar naquele ditado antigo que nos diz que: “Se não sabes cuidar de uma coisa, não mereces tê-la”!. (So it is not surprising that there is a fascination with this essentially human quality, where it is often said that our memories, or recollections are part of our way of being in life, or even of our reason, of our own feeling and even our action as human beings and, losing all these things, we lose our basic connection with who we were, not to mention that old saying that: “If you don’t know how to take care of something, you don’t deserve to have -there”)!.

…todavia, cremos que todos estes sentimentos de guardar em nosso redor todas estas memórias, lembranças ou recordações, fazem parte da vida normal de quem há bastante tempo já passou as sete dezenas de anos e, principalmente daqueles que apreciam e acreditam nos ciclos da natureza, que entendem que uma geração vai e outra geração vem, mas que a terra permanece para sempre e, o sol nasce e o sol se põe, mas voltando ao lugar onde nasceu, ou o vento vai para o sul ou para o norte, girando, mas completando todos os os seus circuitos para que a natureza o criou!. (However, we believe that all these feelings of storing around us all these memories, or recollections, are part of the normal life of those who have spent the past seventeen years and especially those who appreciate and believe in the cycles from nature, who understand that one generation goes and another generation comes, but that the earth remains forever and the sun rises and the sun goes down, but back to the place where it was born, or the wind goes south or north, spinning, but completing all its circuits so that nature created it)!.

…e nós, embora tendo adoptado em toda a nossa existência um sistema de vida bastante flexível, ou seja, sempre nos adaptámos ao lugar ou à situação em que vivemos mas, sabemos que o ser humano em algumas situações pensa que é mais inteligente do que a natureza que o criou, e que às vezes quer modificar o rumo de um simples ribeiro, sabendo que ele, o ribeiro, para onde ia torna a ir, ou seja, de uma maneira ou de outra, vai sempre desaguar ao mar e, contudo, o mar nunca se enche!. (And we, although having adopted throughout our existence a very flexible life system, that is, we have always adapted to the place or situation in which we live, but we know that the human being in some situations thinks he is smarter, than the nature that created it, and that sometimes wants to change the course of a simple brook, knowing that he, the brook, where he would go again, that is, in one way or another, will always flow into the sea, and yet the sea never fills)!.

…isto é um exemplo do se passa connosco, a nossa memória e o nosso espólio de recordações também não se enche!. Todas estas recordações guardadas, às vezes cansam mas, os olhos não se fartam de as ver, de modo que não existe nada de novo neste procedimento, pois séculos passados antes de nós, houve pessoas que guardaram lembranças de coisas que nos precederam, que fizeram a nossa história humana, que hoje são ensinadas e que aprendemos em algumas universidades!. (This is an example of what is happening to us, our memory and our collection of memories is not filled either!. All of these memories are sometimes tired, but the eyes are not enough to see them, so there is nothing new in this procedure, for centuries before us, there were people who kept memories of things that preceded us, that they did, our human history, which we are taught today and which we have learned in some universities)!.

…portanto, o nosso pequeno mundo de recordações, coleccionando sensações, histórias e lendas, irá continuar, sempre na esperança de que alguém, daqui por muitos anos, talvez séculos, se lembre de abrir o “sotão da nossa existência”, admirando alguma relíquia de que goste e, se não houver esse alguém, ficam na terra, porque foi ela, a terra, a que nós seres humanos pertencemos, que nos deu as facilidades para as poder obter!. (So our little world of memories, collecting sensations, stories and legends, will continue, always hoping that someone, in many years, perhaps centuries, will remember to open the “loft of our existence”, admiring some relic he likes, and if there is no one, they stay on earth, because it was the earth to which we humans belonged that gave us the facilities to obtain them)!.

…desviando-nos um pouco, mas continuando dentro deste tema, também existem outras memórias, lembranças ou recordações, que são as tais que não se podem ver nem admirar, as tais do pensamento, que fomos acumulando no cérebro durante a nossa vida, neste mundo cheio de diferenças e diferentes pessoas, que por sua vez, também são diferentes entre si, pelo menos na opinião, com muitas ou poucas diferenças sociais, de raça, cultura, religião, hábitos ou costumes!. (Deviating a little, but continuing within this theme, there are also other memories, which are such that we can not see or admire, those of thought, that we have been accumulating in the brain during our lifetime, in this world full of differences and different people, which in turn are also different from each other, at least in opinion, with many or few social differences, race, culture, religion, habits or customs)!.

…todavia, depende da idade, mas no nosso caso, normalmente dizemos que nos lembramos do dia em que aprendemos a nadar, de quando aprendemos a andar de bicicleta, daquela viajam a ver o mar pela primeira vez, da primeira vez que vimos um avião a sobrevoar a nossa aldeia, ou até quando tivémos a alegria de comer “pão com manteiga” pela primeira vez, e claro, com estas memórias, lembranças ou recordações, começámos a ser viajantes do tempo e da vida e, retornado ao presente com estas coisas passadas, talvez sem o notar, estamos a fazer a nossa história autobiográfica!. (However, it depends on age, but in our case, we usually say that we remember the day we learned to swim, when we learned to ride a bike, that trip to see the sea for the first time, the first time we saw it a plane flying over our village, or even when we had the joy of eating “bread and butter” for the first time, and of course, with these memories, we began to be time and life travelers and, returned to the present with these past things, perhaps unnoticed, we are making our autobiographical history)!.

…muitas vezes, por aqui falando com vizinhos ou pessoas conhecidas, também é normal, quando lhes perguntamos sobre as suas memórias, lembranças ou recordações, mais específicamente aquelas que acima mencionámos, as tais que não se podem ver e admirar, que são as do pensamento, que se acomulam no cérebro, elas geralmente falam como se fossem os seus bens materiais, e algumas resguardam-se, dizendo que o seu passado de recordações sòmente a si diz respeito e deve ser cuidadosamente guardado e profundamente valorizado!. (Often speaking here with neighbors or acquaintances, it is also normal when we ask them about their memories, or recollections, more specifically those we mentioned above, those that cannot be seen and admired, which are those of thought, which clutter in the brain, generally speak as if they were their material possessions, and some guard themselves, saying that their past of memories is only for themselves and must be carefully guarded and deeply valued)!.

…valorizado, sim, mas na nossa modesta opinião e baseando-nos na nossa já longa história de vida, (ao contrário das outras lembranças ou recordações, as tais que se podem ver e admirar), esta visão das suas memórias, lembranças ou recordações do pensamento, está completamente errada, porque não devem ficar arquivadas no cérebro, como qualquer fita de um vídeo, algumas para serem inseridas e reproduzidas sòmente em parte e em alguns momentos secretos!. Pelo contrário, devem sair cá para fora, ditas, cantando no chuveiro, quando a pessoa está sózinha ou na presença da família ou de pessoas de confiança, pelo menos periódicamente e em certos momentos em que é bom para nós, recordar o passado!. (Valued, yes, but in our modest opinion and based on our already long history of life, (unlike other memories, such as can be seen and admired), this view of your memories, or memories of thought, is completely wrong, because they should not be archived in the brain, like any video tape, some to be inserted and reproduced only in part and in some secret moments!. On the contrary, they should go outside, said, singing in the shower, when the person is alone or in the presence of family or trusted people, at least periodically and at times when it is good for us to remember the past)!.

…um exemplo são os psicólogos que, quase todos sabemos que fazem perguntas engenhosas, podendo mudar as memórias, lembranças ou recordações de alguém que as armazenou por muitos anos no seu cérebro, sendo bastante simples apagar as más, ou aquelas que eles entendem que não interessam, porque mesmo as recordações altamente emocionais são suscetíveis à distorção e, dar previlégio sòmente à lembrança de eventos agradáveis, onde alguns nunca aconteceram!. (An example are psychologists who almost all know ask ingenious questions and can change the memories, memories of someone who has stored them for many years in their brain, being quite simple to erase the bad ones, or those they understand, that do not matter, because even highly emotional memories are susceptible to distortion and give privilege only to the memory of pleasant events, where some never happened)!.

…e depois?. Para onde foram as memórias, lembranças ou recordações?.
Alguns até dizem que, “Quem não se lembra do passado, fica condenado a repeti-lo”!. (And then?. Where did the memories go?. Some even say that “Who does not remember the past is condemned to repeat it”)!.

…só para terminar, na nossa modesta opinião, mantenha as suas memórias, lembranças ou recordações junto de si mas, para o nosso bem estar emocional, por vezes é necessário falar delas à família ou a pessoas de confiança, abrir os braços e mostrar os nossos sentimentos, barafustar, gesticular, se necessário for gritar, assistir e praticar pequenas conversas, movimentar-se, pelo menos periódicamente, ir descarregando o cérebro das nossas lembranças, em outras palavras, deitar tudo cá para fora, mostrar ao mundo o que vimos e o que somos, nos momentos mais importantes das nossas recordações!. Tudo isso, enquanto podemos!. (Just to finish, in our modest opinion, keep your memories or recollections with you, but for our emotional well-being it is sometimes necessary to talk about them with family or trusted people, open your arms and show our feelings, roar, gesticulate if necessary to shout, watch and practice small conversations, move, at least periodically, unload the brain of our memories, in other words, throw everything out there, show the world the what we have seen and what we are in the most important moments of our memories!. All this while we can)!.

…que tenham bom tempo, companheiros da vida! (Have good time, life mates)!.

Tony Borie, January 2020!.

One thought on “…recordar!. (Remember)!.

  1. Caro amigo Tony Li com muita atenção este artigo. De facto tudo é como dizes, e neste momento dou graças a Deus por nos meus 78 anos, poder recordar toda a minha vida, ao contrário de alguns amigos meus, que já não se lembram do seu passado. É um facto que gosto mesmo de recordar a minha infância, das pessoas muito mais velhas do que eu na altura de jovem, e que já não estão entre nós. Quando comecei a crescer, numa terra muito pequena que era na altura Cascais, em que toda a gente se conhecia pelo nome ou alcunha, é uma alegria falar com amigos e recordar os melhores momentos, mais precisamente os mais hilariantes. Olha amigo, continua com a escrita, porque és bom nisso, já eu tenho alguma dificuldade, só me safo na expressão oral, aí ninguém me cala, pareço um papagaio. Um grande abraço do Roger Nota: Já fez 16 dias sobre a minha cirurgia, só agora estou a sentir melhoras, mas tem sido doloroso aguentar dores no sitio que é tão sensivel. Olha aguentava melhor uma emboscada ou um ataque , que quando acabava, dava para rir um pouco, claro estou a ironizar.

    Tony Borie – Pieces of my life escreveu no dia sábado, 25/01/2020 à(s) 05:57:

    > tonisaborie posted: ” …às vezes sentimos uma certa inveja de quem não > recorda! (Sometimes we envy those who do not remember! …no cilclo de vida > terrestre, entre outras coisas, a natureza criou a escuridão e a luz e, o > ser humano deu-lhe o nome de dia e noite!. Dia, ” >

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s