…éramos combatentes da “farda amarela”!. (we were fighters of the “yellow uniform”)!.

…somos um veterano de guerra!. Passámos dois longos anos nas selvas, savanas, rios e pântanos, lama e tarrafo do interior da então província colonial da Guiné Portuguesa, denominada o “Vietname de Portugal”, lutando contra um inimigo bem treinado, bem liderado e equipado, que sempre recebeu apoio substancial de portos seguros em países vizinhos como o Senegal e a Guiné-Conacri, cuja proximidade, foram excelentes para fornecer superioridade táctica aos ataques transfronteiriços e reabastecer as missões dos guerrilheiros, que lutavam pela independência do seu território!.

(…we are a war veteran!. We spent two long years in the jungles, savannas, rivers and swamps, mud and swamps of the interior of the then colonial province of Portuguese Guinea, called the “Vietnam of Portugal”, fighting a well-trained, well-led and equipped enemy, which always received (Substantial support from safe ports in neighboring countries such as Senegal and Guinea-Conakry, whose proximity was excellent in providing tactical superiority to cross-border attacks and replenishing the missions of the guerrillas, who were fighting for the independence of their territory)!.

…neste maldito conflito, dada a nossa especialidade, éramos um soldado desarmado!. No entanto, fizémos coisas, passando por momentos horríveis de desespero, angústia e medo quando de ataques e emboscadas ao local por onde estávamos ou passávamos, deixando por lá companheiros enterrados, por não os poder resgatar, em cenários de combate que hoje ainda nos assombram pelo menos durante noite, não nos deixando dormir!. 

(…in this damned conflict, given our specialty, we were anunarmed soldier!. However, we did things, going through horrible moments of despair, anguish and fear when attacks and ambushes at the place where we were or were passing, leaving buried companions there, because we couldn’t rescue them, in combat scenarios that still haunt us today. at least during the night, not letting us sleep)!.

…Porquê?. Porque muitas vezes, as tropas Portuguesas encontravam-se na pior posição, para avançar e identificar com precisão a sua localização no terreno, onde ou existia, tal como acima já mencionámos,  selva cerrada, pântanos ou canais, com água, lama e tarrafo e frequentemente, quando atravessavam os rios ou canais, havia os “macaréus”, (grande vaga impetuosa que, em certos rios, se forma quando as águas desse mesmo rio se encontram com as água do mar), algumas vezes até animais perigosos, como por exemplo crocodilos, onde em algumas situações o inimigo, tirando alguma vantagem, surgia de todos os lados, atacando, disparando, sem dar qualquer oportunidade para que se recuperasse os nossos mortos ou feridos!.

(…Why?. Because many times, the Portuguese troops were in the worst position, to advance and accurately identify their location on the ground, where or existed, as we have already mentioned, dense jungle, swamps or canals, with water, mud and caster and Often, when crossing rivers or canals, there were “macaréus”, (a large impetuous wave that, in certain rivers, forms when the waters of the same river meet the water of the sea), sometimes even dangerous animals, such as (e.g. crocodiles, where in some situations the enemy, taking some advantage, appeared from all sides, attacking, shooting, without giving any opportunity to recover our dead or wounded)!.

…e, além de mal alimentados, sem quase assistência médica (só em alguns aquartelamentos e muito precária), com equipamento militar absoleto, nós, os primeiros a entrar neste maldito conflito usávamos um  uniforme “amarelo”!. Assim, além de outras, o nosso moral era triste, “onde podíamos morrer de amarelo”, dentro de uma vestimenta padronizada e regulamentada, diziam “eles”, que contribuía para a elevação e auto-estima, potencializada pela manifestação de força, com que nos educaram num breve treino específico de recruta, convencidos de que éramos a força de combate mais letal do mundo!.

(…and, in addition to being poorly fed, with almost no medical care (only in some barracks and very precarious), with obsolete military equipment, we, the first to enter this damn conflict, wore a “yellow” uniform)!. Thus, in addition to others, our moral was sad, “where we could die in yellow”, within a standardized and regulated dress, they said, which contributed to the elevation and self-esteem, potentiated by the manifestation of strength, with (who educated us in brief specific recruit training, convinced that we were the most lethal combat force in the world)!.

…onde, além de ir para África lutar e matar o inimigo em combate, íamos transmitir a tal manifestação de força mas, talvez sem os responsáveis pelo governo colonial de então em Portugal saberem, que a nossa educação de família era potencializada por um ideal de igualdade, com que fomos quase todos nós, independentemente de origem ou condição,  educados no nosso lar, em nossas casas, transmitidos pela nossa família!. 

(…where, in addition to going to Africa to fight and kill the enemy in combat, we were going to transmit this manifestation of force but, perhaps without those responsible for the colonial government in Portugal at the time knowing, that our family education was enhanced by an ideal of (equality, with which almost all of us were, regardless of origin or condition, educated in our home, in our homes, transmitted by our family)!.

…não sabemos qual foi o “designer” de moda popular, que projectou a “farda amarela”, demasiado quente para climas tropicais, que na altura era usada por militares de alguns países, principalmente os envolvidos em conflitos, mas francamente, combater em África, uma região quente e húmida entre outras anomalias climatéricas, naquela “ganga amarela”, onde a princípio, antes de ser lavada, uma, duas, três, talvez só à quarta vez, largava aquela “goma” que parecia “cola” e, quando isso acontecia, pouco mais durava, começando por o tecido se dissolver, principalmente na zona onde a transpiração mais se fazia notar!.

(…we don’t know who the popular fashion “designer” was, who designed the “yellow uniform”, too hot for tropical climates, which at the time was used by the military of some countries, mainly those involved in conflicts, but frankly, fighting in Africa , a hot and humid region among other climatic anomalies, in that “yellow denim”, where at first, before being washed, one, two, three, maybe only the fourth time, it dropped that “gum” that looked like “glue” and, (When that happened, it lasted a little longer, starting with the fabric dissolving, especially in the area where perspiration was most noticeable)!.

…tudo isto se passou quando ainda éramos quase crianças, (pois no regime que então se vivia, só éramos adultos aos 21 anos de idade), onde estivémos longe da família, noutro continente, sacrificando a nossa liberdade, contribuindo para que as novas gerações podessem hoje viver em liberdade!. E fizémos tudo isto porquê?. Porque mesmo sabendo que “éramos quase uns soldados sem um país”, fizémos um juramento e, viveremos por este juramento até ao dia da nossa morte, porque somos e seremos sempre um veterano de guerra!.

(…all of this happened when we were still almost children, (because in the regime we were living then, we were only adults at 21 years of age), where we were away from our family, on another continent, sacrificing our freedom, contributing to the new generations could live in freedom today!. And why did we do all this?. Because even knowing that “we were almost soldiers without a country”, we took an oath and we will live by this oath until the day of our death, because we are and will always be a war veteran)!.

Tony Borie, Século XXI. (Tony Borie, 21st Century).

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