…Arrow Rock!

…Arrow Rock!

…a cidade de St. Louis, no estado do Missouri, tinha ficado para trás, seguíamos rumo ao oeste pela estrada rápida número 70, podendo ver-se ao longe algumas nuvens baixas, com uns chuviscos aqui e mais além, quando se forma uma tempestade um pouco acima do normal, com chuva, alguma saraiva e vento, persistindo de modo a que não houvesse quase visiblidade na estrada!. Era uma zona deserta, quase sem tráfico, portanto, afrouxámos, quase parando, mas seguindo com as luzes intermitentes acesas no veículo, sempre na linha da direita, encostados à berma quando, a tempestade estava a diminuir a sua intensidade, já se podia ver a estrada com alguma facilidade, nos surge um grande painel anunciando a aldeia de Arrow Rock!. (the city of St. Louis in the state of Missouri had lagged behind, we headed west on the fast road number 70, and we could see in the distance a few low clouds, with drizzles here and beyond, it forms a storm a little above normal, with rain, some hail and wind, persisting so that there was almost visibility on the road !. It was a deserted area, almost without traffic, so we loosened, almost stopping, but following with the flashing lights on the vehicle, always on the right line, leaning against the shoulder when the storm was decreasing its intensity, could already be seen the road with some ease, we come up a large panel announcing the village of Arrow Rock)!.

…a nossa expressão foi:

– a aldeia de Arrow Rock!. Temos que lá ir, é um lugar para ser admirado com algum tempo e, hoje não vamos perder esta oportunidade!.

…já por aqui tínhamos andado, por motivos profissionais, que faziam parte da profissão que exercíamos na multinacional, no estado de Nova Jersey, quando nos deslocámos à cidade de Kansas, no estado do Missouri, assistimos a um daqueles seminários onde eram explicados algumas inovações na indústria de altos fornos de fundição de metais, onde à chegada sempre existe um “beberete”, onde não falta quase toda a espécie de bebidas, charutos, raparigas amáveis servindo, alguém com cara de pessoa importante a dar as “boas vindas”, dizendo sempre que ali sim, é a cidade mais linda do mundo, que se vão sentir em casa, que o clube de basebol local é o melhor do mundo, enfim, as “boas vindas” do costume!.

(Our expression was:

– The village of Arrow Rock!. We have to go there, it is a place to be admired with some time and, today we will not miss this opportunity!.

We had been here for professional reasons as part of the profession we held at the multinational in the state of New Jersey, when we went to Kansas City, Missouri, we attended one of those seminars where they were explained some innovations in the blast-furnace industry, where on arrival there is always a “Drinker”, where there are all kinds of drinks, cigars, nice girls serving, someone with the face of an important person to give the “welcome”, always saying that there it is, the most beautiful city of the world, that you will feel at home, that the local baseball club is the best in the world, in short, the “welcome” of the custom)!.

…num dia em que não houve classes, visitámos a aldeia de Arrow Rock, fundada em 1829 e originalmente chamada “Filadélfia”. Alguns documentos referem-se a ela como “New Philadelphia”, no entanto, em 1833, a legislatura estadual mudou o seu nome, porque o local era mais conhecido como “Arrow Rock”!. (On a day when there were no classes, we visited the village of Arrow Rock, founded in 1829 and originally called “Philadelphia”. Some documents refer to it as “New Philadelphia”, however, in 1833 the state legislature changed the name because the locale was better known as “Arrow Rock”)!.

…cremos que uma das razões porque esta aldeia começou a ser conhecida, era porque nesta área existia uma jangada que atravessava o Rio Missouri, era o “Ferry Arrow Rock”, onde as caravanas comerciais, ou as carruagens cobertas puxadas por animais, com emigrantes com destino à California, que usavam o Caminho de Santa Fé, era quase obrigatório usarem esta jangada!. (we believe that one of the reasons why this village began to be known was because there was a raft that crossed the Missouri River in this area, it was the “Arrow Rock Ferry”, where commercial caravans, or covered carriages pulled by animals, with emigrants bound for California who used the Santa Fe Trail, it was almost mandatory to use this raft!

…deste modo e nesta aldeia, um tal Joseph Huston, na altura comissário da aldeia, por volta do ano de 1834, construiu um edifício em tijolo com dois andares onde, devido à sua localização, próximo do Rio Missouri e por onde passava o Caminho de Santa Fé, os viajantes sem dúvida perguntavam a Huston por acomodações para passar a noite!. Ele, vendo uma boa oportunidade de negócio, começou a construir adições ao edifício e, por volta do ano de 1840, já era amplamente conhecido como um Hotel-Abrigo!. O seu nome era “Taverna de J. Huston”, onde também abrigava uma loja e um salão de baile, usado para danças e reuniões!. Claro, com os anos foi passando para outros proprietários, sendo conhecido como a Casa do Neil, a Escritura, Hotel da Aldeia, e Taverna Antiga, mas hoje, o seu nome é o original, que era “J. Huston Tavern”, e é o mais antigo restaurante em operação contínua a oeste do Mississippi!. (That way and in this village, a certain Joseph Huston, then commissioner of the village, around 1834, built a two-story brick building where, because of its location, near the Missouri River and where the Santa Fe Trail, travelers no doubt asked Huston for accommodations to stay the night!. He, seeing a good business opportunity, began to build additions to the building and by the year 1840 was already widely known as a hotel-keeper!. His name was “J. Houston Tavern”, where he also housed a store and a ballroom, used for dances and meetings!. Of course, over the years it has been moving on to other owners, being known as Neil House, Scripture, City Hotel and Old Tavern, but today its name is the original, which was “J. Huston Tavern”, and is the oldest restaurant in continuous operation west of the Mississippi)!.

…na altura visitámos a “J. Huston Tavern”, onde nos foi servido um jantar, onde só havia uma ementa, tal como as pessoas comiam há centenas de anos atrás, que era presunto fumado de porco, cozido em vapor, duas espigas de milho cozidas, pão de mistura de frigo, milho e beterraba, chá de diversas plantas, incluindo a planta do tabaco, um cálice de “moonshine” e, um charuto, que terminava a refeição!. As senhoras que serviam, estavam vestidas como no passado, não se calavam, falando com sotaque local, dizendo sempre muito mal dos ingleses, que eram umas pessoas que vieram da Europa ocupar esta terra tão bonita, que era deles, os Americanos!. Tudo isto nos ficou no pensamento deste maravilhoso lugar, que está perdido no tempo e, naquele dia de novo a visitámos!. (At the time we visited the “J. Huston Tavern”, where we were served dinner, where there was only one menu, just as people ate hundreds of years ago, which was smoked ham pork, steamed, two cobs of cooked corn, bread mix of frigo, corn and beet, tea of various plants, including the tobacco plant, a chalice of “moonshine” and a cigar, which finished the meal!. The ladies who served, were dressed as they were in the past, did not shut up, spoke with a local accent, always saying very badly of the English, that they were people who came from Europe occupy this land so beautiful, that it was them, the Americans!. All this has kept us in the thought of this wonderful place, which is lost in time and, on that day again we have seen it)!.

…mas continuando, nós, querendo visitar de novo a aldeia de Arrow Rock, somos uns dos 100 mil visitantes, que o fazem todos os anos, apreciando as suas características históricas, os museus, as antiguidades, as lojas de presentes, ou simplesmente caminhar nas suas ruas, onde o nome desta aldeia apareceu pela primeira vez num mapa francês a partir do ano de 1732 como “Pierre a Fleche”, que significava “Rock of Arrows”, porque as duas tribos de Índios Americanos que por aqui viviam eram os Missouria e os Osage, que negociavam com os comerciantes franceses e, usavam a pedra que por aqui havia para fazerem a ponta das suas flechas!. (But continuing, we, wanting to visit again the village of Arrow Rock, we are one of the 100 thousand visitors, who do it every year, appreciating its historical characteristics, museums, antiques, gift shops, or to simply walk in its streets, where the name of this village appeared for the first time in a French map from the year of 1732 like “Pierre a Fleche”, that meant “Rock of Arrows”, because the two tribes of American Indians that lived here were the Missouria and the Osage, who traded with the French merchants and used the stone that was here to make the arrows of their arrows)!.

…quando por volta do ano de 1804, aqui passaram os exploradores “Lewis and Clark”, notaram vários canais pequenos que vindo do rio, paravam debaixo de um penhasco, todavia quatro anos depois, William Clark, passou novamente por aqui a caminho de construir o Forte Osage, observando uma “Grande Flecha de Pedra” e uma “Pequena Flecha de Pedra”, apenas a montante, declarando na altura, que era uma boa área para formar uma linda aldeia!. (When around the year 1804, the explorers “Lewis and Clark” passed by, noticed several small canals that came from the river, stopped under a cliff, yet four years later, William Clark, passed by again on the way to build the Osage Fort, noting a “Big Arrow Rock” and a “Little Arrow Rock”, just upstream, stating at the time, that it was a good area to form a beautiful village)!.

…seguindo as palavras do explorador William Clark, muitos colonos, predominantemente migrantes do Alto Sul da Virgínia, Kentucky e Tennessee, trazendo com eles escravos e cultura do Sul, desenvolveram nesta área um importante porto fluvial próspero, exportando das plantações na região, tabaco e cânhamo, que era usado em cordas e bolsas para algodão!. Também trigo, milho, carne bovina, porco e mulas, foram enviados da aldeia de Arrow Rock para abastecer os distritos de algodão do delta do Mississippi!. (Following the words of William Clark, many settlers, predominantly migrants from Upper South Virginia, Kentucky, and Tennessee, bringing with them slaves and southern culture, have developed in this area an important, prosperous river port, exporting from plantations in the region, tobacco and hemp, which was used in ropes and cotton bags!. Also wheat, corn, beef, pig and mules were sent from the village of Arrow Rock to supply the cotton districts of the Mississippi Delta!.

…naquela época, a produção agrícola dependia do trabalho escravo, assim como a produção do algodão tinha feito no Sul!. Esta simbiótica, levou a maioria dos residentes na aldeia de Arrow Rock a apoiar o Sul, durante a Guerra Civil, como também outros municípios do Missouri com uma alta população de afro-americanos escravizados, que mais tarde se identificaram como “Little Dixie”, que é uma região histórica de 13 a 17 municípios ao longo do Rio Missouri, estabelecida inicialmente por migrantes dos distritos de cânhamo e tabaco, que migraram de Kentucky, Virgínia e Tennessee e, como os Sulistas se estabeleceram primeiro, e claro, a sua cultura pré-civil foi semelhante à do Alto Sul!. (At that time, agricultural production depended on slave labor, just as cotton production had done in the South!. This symbiosis led most of the residents of Arrow Rock to support the South during the Civil War, as well as other counties in Missouri with a high population of enslaved African Americans who later identified themselves as “Little Dixie”, which is a historic region of 13 to 17 counties along the Missouri River, initially established by migrants from the hemp and tobacco districts who migrated from Kentucky, Virginia, and Tennessee, and, as the Southerners settled first, and of course, their culture pre-civil was similar to that of the South High)!.

…e continuando com a história da aldeia de Arrow Rock, quando os Sulistas migraram para o Missouri, trouxeram as suas práticas culturais, sociais, agrícolas arquitetónicas, políticas e económicas, incluindo, como já mencionámos, a escravidão, onde em média, a população escrava do Missouri era de apenas 10% mas, nas populações de escravos da “Little Dixie”, de município em município, variaram de 20 a 50% por volta do ano de 1860, com as percentagens mais altas para os municípios que tinham grandes plantações ao longo do Rio Missouri, todavia, também havia condados ao longo do Rio Mississippi, que tinham uma percentagem elevada de escravos, já que o algodão era cultivado em grandes plantações nesta área de planície!. (And continuing with the history of the village of Arrow Rock, when the Southerners migrated to Missouri, they brought their cultural, social, agricultural, political, and economic agricultural practices, as we have already mentioned, slavery, where on average the Missouri slave population was only 10 percent, but in the “Little Dixie” slaves, from county to county, ranged from 20 to 50 percent by the year 1860, with the highest percentages for municipalities that had large plantations along the Missouri River, however, there were also counties along the Mississippi River, which had a high percentage of slaves, since cotton was grown on large plantations in this area of flat land)!.

…durante a primeira metade do século XVIII, esta região do centro de Missouri foi chamada de “País de Boonslick”!. Assim foi chamado porque o sal de Boone podia ser lambido, a quatro milhas a leste de Arrow Rock, em Howar Country adjacente!. O termo “lick” é derivado da vida selvagem que lambia o sal molhado, em torno da área onde brotava água salgada!. Nathan e Daniel Morgan Boone, filhos do famoso homem de fronteira, Daniel Boone, fabricaram sal aqui, nos anos de 1805 a 1812, enviando-o para St. Louis, onde a água salgada continuou intermitentemente a brotar, até a década de 1850!. (During the first half of the 18th century, this region of central Missouri was called “Boonslick Country”!. So, named for the Boone’s salt lick four miles east of Arrow Rock in adjacent Howar Country!. The term “lick” derived from wildlife licking salt from the ground around the briny springs. Nathan and Daniel Morgan Boone, sons of famed frontiersman Daniel Boone manufactured salt here from 1805-1812, shipping it to St. Louis!. The salt boiling continued intermittently until 1850s)!.

…percorremos as ruas, em alguns lugares parávamos, admirando o cenário, tirando alguns momentos de meditação, com muito respeito pela população escrava, que antes da Guerra Civil, por aqui trabalhavam nas docas ou armazéns empresariais, que segundo a história eram pessoas qualificadas, eram mesmo mestres de construção, como podemos observar pelas infraestructuras da aldeia, com maciças calhas de pedra que revestem a Rua Principal, construídas por uma população Afro-Americana escravizada, crescendo à medida que os escravos das plantações, iam passando para a aldeia!. (We walked the streets, in some places we stopped, admiring the scenery, taking a few moments of meditation, with a lot of respect for the slave population, that before the Civil War, here worked in the docks or business warehouses, which according to history were people skilled workers, were really masters of construction, as we can see from the infrastructures of the village, with massive stone gutters lining Main Street, built by a slaved Afro-American population, growing as plantation slaves moved on to the village)!.

…alguns historiadores dizem-nos que a aldeia de Arrow Rock, representou uma mistura única do idealismo da fronteira ocidental e das tradições do Sul!. (Some historians tell us that the village of Arrow Rock represented a unique blend of the idealism of the Western frontier and the traditions of the South)!.

…deixámos de ver esta maravilhosa aldeia que parou no tempo onde, com algumas nuvens cobrindo o sol que teimava em aparecer, dando-lhe algum calor, que pelo menos a população escrava não teve quando da sua formação!. Começou a chover de novo, quando regressámos à estrada número 70, a caminho do oeste!. (We stopped to see this wonderful village that stopped in the time where, with some clouds covering the sun that continued to appear, giving it some warmth, that at least the slave population did not have when of its formation!. It started raining again, when we got back on road number 70, heading west)!.

Tony Borie, March 2018.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s