…a Mulher na guerra!. (…Woman in war)!.

…a Guerra Colonial Portuguesa foi travada entre os militares de Portugal e os emergentes movimentos nacionalistas, nas então colónias africanas de Portugal em África, entre os anos de1961 e 1974!. Na então Província da Guiné, colocou frente a frente entre outros, os guerrilheiros do movimento nacionalista armado PAIGC, e os militares mobilizados pelo então governo colonial de Portugal, que para lá foram deslocados!. 

(…the Portuguese Colonial War was fought between the Portuguese military and the emerging nationalist movements, in the then African colonies of Portugal in Africa, between 1961 and 1974!. In the then Province of Guinea, he put face to face, among others, the guerrillas of the PAIGC armed nationalist movement, and the military mobilized by the then colonial government of Portugal, who were moved there)!.

…na sua maioria eram contingentes de militares forçados, treinados à pressa e mal equipados, usando armas absoletas, mal alimentados, sem assistência médica, arrancados das suas vilas e aldeias e enviados em barcos, alguns de carga, tornando-os assim responsáveis pelas operações militares locais, naquele maldito cenário de guerra, onde o inmigo entre outros factores, conhecia o terreno que pisava e, tinha a tal “força interior”, que o ajudava a lutar pela independência do seu território, querendo expulsar os Europeus que por lá andavan à mais de cinco séculos!.

(…the majority were forced military contingents, hastily trained and poorly equipped, using absolut weapons, poorly fed, without medical assistance, pulled from their towns and villages and sent in boats, some of them cargo, thus making them responsible for the operations local military, in that damned war scenario, where the enemy, among other factors, knew the terrain he was treading on and had such “inner strength” that helped him fight for the independence of his territory, wanting to expel the Europeans who walked there for more than five centuries)!.

…em pouco tempo, a guerra espalhou-se para a parte oriental da então província, e claro, os guerrilheiros do PAIGC realizavam ataques no norte onde na altura apenas o movimento menor de guerrilha, a Frente para a Libertação e Independência da Guiné (FLING) estava lutando!. Nessa altura, já o PAIGC recebia apoio militar do Bloco Socialista, entre outros, principalmente de Cuba, um apoio que duraria até o fim daquela maldita  guerra!.

(…in a short time, the war spread to the eastern part of the then province, and of course, PAIGC guerrillas carried out attacks in the north where at the time only the smallest guerrilla movement, the Front for the Liberation and Independence of Guinea (FLING ) was struggling!. At that time, the PAIGC was already receiving military support from the Socialist Bloc, among others, mainly from Cuba, a support that would last until the end of that damned war)!.

…as tropas portuguesas, inicialmente assumiram uma postura defensiva, limitando-se a defender territórios já detidos!. Essas operações defensivas foram particularmente devastadoras para as forças Portuguesas, que eram regularmente atacadas fora das áreas povoadas pelas forças dos guerrilheiros!.

(…the Portuguese troops initially assumed a defensive posture, limiting themselves to defending territories already held!. These defensive operations were particularly devastating for Portuguese forces, which were regularly attacked outside populated areas by guerrilla forces)!.

…toda esta situação, aliada à dificuldade de ambientação ao terreno e ao clima, assim como ao aparecimento constante de mortos e feridos em combate, ajudavam à desmoralização das forças de combate Portuguesas, e claro, por outro lado, assistiam ao crescimento constante dos simpatizantes que eram recrutados pelo movimento de libertação do PAIGC entre a população rural!. 

(…this whole situation, together with the difficulty in adapting to the terrain and climate, as well as the constant appearance of dead and wounded in combat, helped to demoralize the Portuguese combat forces, and of course, on the other hand, witnessed the constant growth of supporters who were recruited by the PAIGC liberation movement from the rural population)!.

…claro, num período de tempo relativamente curto, o PAIGC conseguiu reduzir o controlo administrativo e militar português da então província para uma área relativamente pequena na Guiné, ao contrário do que ia acontecendo em outros territórios coloniais, onde as mesmas táticas de combate ou de contra-insurgência portuguesas de pequeno porte, algumas bem-sucedidas, demoraram mais a evoluir na então província da Guiné, onde foi preciso iniciarem operações navais anfíbias, que foram instituídas para superar alguns dos problemas de mobilidade inerentes às áreas subdesenvolvidas e pantanosas, utilizando os comandos de Fuzileiros como forças de ataque!. E claro, esta maldita guerra lá foi continuando!.

…of course, in a relatively short period of time, the PAIGC managed to reduce the Portuguese administrative and military control of the then province to a relatively small area in Guinea, unlike what was happening in other colonial territories, where the same combat or military tactics were used. Small Portuguese counterinsurgency, some successful, took longer to evolve in the then province of Guinea, where naval amphibious operations had to be initiated, which were instituted to overcome some of the mobility problems inherent in underdeveloped and swampy areas, using the Commandos of Marines as strike forces!. And of course, this damn war there was continuing)!.

…hoje, lembrando todo este maldito cenário, surge-nos uma foto, que não sabemos como nos veio parar às mãos!. Sabemos que foi na região do Oio, lá na então província da Guiné, nos anos de 1964/66, não sabendo se são mesmo guerrilheiras, ou se é somente uma foto para impressionar, mas ambas mostram uma cara com alguma angústia, também não sabemos quem a tirou, possívelmente fomos nós, nas nossas andanças de fim de mês, na entrega de material classificado de cifra, pela região de combate, onde estavam as forças militares que pertenciam ao nosso comando, que estava estacionado em Mansoa!.

(…today, remembering all this damned scenario, a photo appears, which we don’t know how it came into our hands!. We know it was in the Oio region, in the then province of Guinea, in the years 1964/66, not knowing if they are really guerrillas, or if it’s just a photo to impress, but both show a face with some anguish, we don’t know either who took it, it was possibly us, on our end-of-the-month wanderings, delivering material classified as cipher, through the combat region, where the military forces that belonged to our command, which were stationed in Mansoa!, were located)!.

…possívelmente fomos nós que a tirámos, mas não recordamos a situação ou em que lugar, foi na região do Oio, talvez em Mansoa, Mansabá, Bissorã, Olossato, Cutia, Nhacra, Encheia, ou qualquer outro lugar!. As armas que elas seguram são parecidas com as que as milícias usavam e que acompanhavam os militares, servindo de guias tradutores!. Oxalá que ainda estejam vivas, e esta fotografia é uma homenagem de respeito e apreciação, pelo seu sofrimento e pela sua coragem, não só delas, como todas as mulheres africanas que de uma maneira ou de outra estiveram envolvidas no conflito e, é assim que deve ser vista!.

…possibly we took it out, but we don’t remember the situation or where, it was in the Oio region, maybe in Mansoa, Mansaba, Bissora, Olossato, Cutia, Nhacra, Encheia, or any other place!. The weapons they hold are similar to the ones the militias used and that accompanied the military, serving as translator guides! I hope they are still alive, and this photograph is a tribute of respect and appreciation, for their suffering and for their courage, not only theirs, but all African women who in one way or another were involved in the conflict, and that is how must be seen)!.

…enfim foi uma maldita guerra para ambos os lados!. No entanto nós, que por lá andámos forçados pelo período de dois longos anos, tendo por tarefa cifrar e decifrar mensagens para um comando, portanto éramos um soldado em cenário de guerra mas desarmado, presenciámos e ouvimos relatos em que lembramos nas nossas memórias, porque os antigos combatentes, sempre falam de si, contam isto e aquilo, às vezes até criam um certo protagonismo, mas das mulheres, quase nada falam!. 

(…at last it was a goddamn war for both sides!. However, we, who were forced there for a period of two long years, with the task of encrypting and decrypting messages for a command, so we were a soldier in a scenario of war but unarmed, witnessed and heard stories that we remember in our memories, because the old combatants always talk about themselves, tell this and that, sometimes they even create a certain protagonism, but about women, they hardly say anything)!.

…e então essas mulheres, não estiveram por trás dos homens, não sofreram, não sentiram a ausência, não ficaram viúvas, não ficaram sem noivos, namorados, filhos, irmãos, netos, não choraram a ausência do marido, não ficaram sozinhas, às vezes com filhos bebés?. E não foram só as mulheres dos militares europeus, foram também as mulheres africanas, das famílias dos guerrilheiros, isto é uma verdade, que alguns de nós, mas infelizmente poucos, ainda lembramos!. 

(…and then these women, they were not behind the men, they did not suffer, they did not feel the absence, they were not widowed, they were not without boyfriends, boyfriends, children, brothers, grandchildren, they did not cry for the absence of their husband, they were not alone, at sometimes with baby children?. And it wasn’t just the women of the European military, it was also the African women, of the guerrilla families, this is a truth that some of us, but unfortunately few, still remember)!.

…somos sobreviventes de uma guerra horrorosa, que anos depois se verificou que era injusta, que não desejamos, em nenhuma circunstância, se volte a repetir, mas não resistimos em mencionar algumas passagens de relatos de textos anteriores, onde falamos da mulher, portanto cá vai:

“Na aldeia havia somente uma mulher, magra, já de uma certa idade, nua da cinta para cima, com algumas argolas em volta do pescoço, servindo de enfeite, talvez. Estava sentada, ao lado de um balaio de arroz com casca, com as mãos ao lado da cara, falando aflita, numa linguagem incompreensível, e de vez em quando, tirava as mãos da cara, fazia gestos para a frente, ao mesmo tempo que balançava o corpo para a frente e para trás. Na sua frente, estavam duas crianças, também magras e nuas. Estas três pessoas, eram no momento, os habitantes da aldeia. 

Os soldados africanos, chamados pelo alferes, para traduzirem as palavras da mulher, diziam:

– Ela se lastima, por os militares lhe terem morto os seus dois filhos, e diz para se irem embora, que aqui não há mais ninguém. Também diz que tem quatro filhas, que desapareceram um certo dia pela madrugada, e que as visitam de vez em quando, pois neste momento eram guerrilheiras, transportadoras de material de guerra”. 

…e agora, outro relato tirado de outro texto:

“Em Portugal, visitámos a família deste militar, por diversas vezes. Era de uma aldeia da serra da Estrela, tinha uma irmã e um irmão, ambos casados. A mãe andava sempre vestida de preto e dizia: 

– Ainda não fui, mas não tarda muito tempo. Sou viúva duas vezes, do meu Joaquim, que Deus lhe guarde a alma em descanso, e do meu António, que era a cara do pai, quando nasceu, e que foi dar o corpo às balas, e que morreu na guerra, lá na África. E mostrava sempre o farrapo do camuflado ensanguentado, que o Cifra lhe mandou, e a fotografia do António, que beijava e encostava ao coração”. 

(…we are survivors of a horrific war, which years later proved to be unfair, which we do not wish, under any circumstances, to repeat itself again, but we cannot resist mentioning some passages from reports from previous texts, where we talk about women, so here go:

“In the village there was only one woman, thin, of a certain age, naked from the waist up, with some rings around her neck, serving as an ornament, perhaps. She was sitting next to a basket of unpeeled rice, with her hands beside her face, talking anxiously, in an incomprehensible language, and from time to time she took her hands away from her face, gestured forward, while at the same time he rocked his body back and forth. In front of her were two children, also skinny and naked. These three people were, at the time, the inhabitants of the village.

The African soldiers, called by the lieutenant, to translate the woman’s words, said:

– She is sorry that the military killed her two children, and she says to go away, that there is no one else here. She also says that she has four daughters, who disappeared one day at dawn, and that they visit them from time to time, as at that time they were guerrillas, transporters of war material”.

…and now, another account taken from another text:

“In Portugal, we visited this soldier’s family several times. He was from a village in the Serra da Estrela, he had a sister and a brother, both married. The mother was always dressed in black and said:

– I haven’t gone yet, but it won’t be long. I’m a widow twice, of my Joaquim, may God keep his soul at rest, and of my António, who was the face of his father when he was born, and who went to give his body to bullets, and who died in the war, there in Africa. And she always showed the rag of the bloodied camouflage, which Cifra had sent her, and the photograph of António, who she kissed and touched to her heart”)!.

…estes relatos exprimem dor, angústia e sofrimento, da mulher, tanto africana com europeia e acreditamos, que não existe nenhum ser humano, por mais estudos e experiência que tenha, que esteja qualificado para analisar o que ia na mente destes seres humanos, que perderam os seus entes queridos!.

(…these reports express pain, anguish and suffering of women, both African and European, and we believe that there is no human being, no matter how many studies and experience, who is qualified to analyze what was going on in these human beings’ minds. lost their loved ones!).

Tony Borie Século XXI. (Tony Borie 21st Century).

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