…we want to scream!

…queremos gritar! (we want to scream)!.

…dizem que, em alguns momentos da nossa vida, gritar, exclamar, apregoar, bradar, vociferar, berrar, dizer em voz alta, protestar, assobiar, cantar alto, até mesmo chorar compulsivamente, nos faz bem!. Será verdade?. Quem sabe!. Diferentes pessoas, diferentes sentimentos!. Talvez seja verdade, mas hoje pela manhã, ao sentar-nos em frente ao computador, apeteceu-nos gritar!. (they say that at some point in our lives, screaming, exclaiming, shouting, loudly protesting, whistling, singing loudly, even crying compulsively, does us good! Is it true?. Who knows!. Different people, different feelings!. Maybe that’s true, but this morning, as we sat in front of the computer, we wanted to scream)!.

…GRITAR!. Tal como fazíamos nos momentos dos ataques rápidos e mortíferos que sofríamos, com armas ligeiras e granadas de morteiro calibre 90, ao aquartelamento, que era uma base, onde estávamos estacionados em cenário de combate, no interior da então Província Colonial da Guiné Portuguesa, em África!. Era isso que fazíamos, gritando, fugindo para os abrigos, onde encolhidos, estarrecidos de medo, com uma espingarda metralhadora entre as mãos, sem força para disparar qualquer tiro, sómente com a força vinda do interior de uns pulmões que, querendo explodir, talvez libertar-se, transmitindo uivos de dor, que encontravam alguma liberdade saindo das nossas secas gargantas, porque a mente, essa estava paralizada, ouvindo o estrondo dos rebentamentos cada vez mais próximos, ou vendo os companheiros caídos aqui e ali, gemendo, contorcendo-se, alguns feridos de morte, arrastando-se, maldizendo a sua sorte, porque a sua alma estava a fugir do seu ensanguentado corpo, refugiando-se num qualquer lugar abrigado, talvez ao nosso lado, naqueles abrigos, cheios de lama, feitos de troncos de palmeiras e cobertos de terra vermelha!. (SHOUTING!. As we did in moments of rapid and deadly attacks, that we suffered, with light weapons and 90-caliber mortar shells, to the barracks, which was a base where we were stationed in a combat setting inside the then Colonial Province of Guinea Portuguese, in Africa!. That was what we were doing, shouting, fleeing to the shelters, where shrunken, terrified with a machine gun in their hands, without the strength to fire any shot, only with the force coming from the lungs that, wanting to explode, maybe releasing themselves, conveying howls of pain, that they found some freedom coming out of our dry throats, because the mind was paralyzed, hearing the crash of the burying ever closer, or seeing the comrades fallen here and there, moaning, Some of them were wounded by death, dragging themselves, cursing their fate, for their soul was fleeing from their bloody body, taking shelter in any sheltered place, perhaps by our side, in mud-filled shelters made of trunks of palm trees and covered with red earth)!.

…porra, temos que gritar de novo!. Lembrando a promessa de que, naquela época, com pouca ou nenhuma instrução escolar, íamos para a guerra, mentalizados de que íamos libertar os povos de África, a mando de um primeiro ministro com um cérebro cheio de motivos políticos, para um continente distante, onde milhares de jovens lutaram e morreram, ao honrar a bandeira de uma nação que dá pelo nome de Portugal, que os abandonou, fazendo-lhes crescer uma revolta silenciosa de terror e repressão que, numa geração com idades que andam pela volta dos setenta, oitenta anos, aos poucos vão morrendo, alguns sem casa ou abrigo, autênticos “descamisados”, mas que ainda vão resistindo ao frio, ao calor, à chuva, ao silêncio e ao desprezo dos jovens dirigentes do governo da nação Portugal!. (fuck, we have to shout again!. Remembering the promise that at that time, with little or no schooling, we would go to war, mindful that we were going to liberate the peoples of Africa, under the command of a politically motivated prime minister, to a distant continent, where thousands of young people fought and died, honoring the flag of a nation that gives the name of Portugal, that abandoned them, causing them to grow a silent revolt of terror and repression that, in a generation that walks around the seventies, eighty years, little by little they die, some without a house or shelter, authentic “shirtless”, but still resisting the cold, the heat, the rain, the silence and the contempt of the young leaders of the government of the nation of Portugal)!.

…temos que nos levantar, ir fazer um chá, tomá-lo, ir lá fora tomar um pouco de ar, porque temos vontade gritar de novo!. Sim, vamos gritando, enquanto por cá andamos, porque talvez daqui a umas centenas de anos, se ainda houver o país Portugal, talvez algum nosso descendente, em determinado dia, ou em determinada aldeia, em que se comemore o dia de Combatente da Guerra Colonial Portuguesa, seja condecorado, porque é um descendente na quinta ou sexta geração, de um combatente que, noutros tempos defendeu a bandeira portuguesa no continente Africano, então nessa época, talvez alguém se lembre que: “País que não respeite e lembre o passado, nunca poderá ter um bom futuro”!. (We have to get up, go make a tea, take it, go outside take some air, because we feel like screaming again!. Yes, let’s shout, while we walk here, because maybe in a few hundred years, if there is still the country Portugal, maybe some of us our descendant, on a certain day, or in a certain village, on which the day of Combatant of War Colonial Portuguese, is decorated, because he is a descendant in the fifth or sixth generation, of a fighter who, in other times, defended the Portuguese flag on the African continent, then perhaps someone remembers that: “Country that does not respect and remember the past, you can never have a good future”)!.

…queríamos começar a contar-vos uma história pitoresca que por nós passou em cenário de combate mas, lá vem o grito de revolta de novo ao nosso pensamento!. Porque, alguns dirigentes do actual governo de Portugal e, agora vão pensar que o queremos são medalhas ou outras mordomias, mas não, o queremos é paz e que reconheçam, que se lembrem de nós combatentes, que em jovens fomos mobilizados, forçados a ir defender a bandeira de Portugal, num horrível cenário de combate, sem qualquer condição de sobrevivência, e agora, condecoram atletas, artistas e outras personagens que os médias tornaram famosas, que ganham fortunas, não cumprem seviço militar obrigatório, com muito tempo de antena, tudo com sorrisos de ocasião em frente às câmaras de TV, esquecendo o Zé combatente, ou os Antónios e Manéis, que derivado aos traumas e ferimentos sofridos em combate nas savanas, pântanos e florestas de África, ainda vivos, alguns estão sózinhos, sem família, que se arrastam numa cadeira de rodas, tendo por companhia talvez um animal, que pode ser um cão ou um gato, que os ouvem e com quem desabafam, não tendo um simples casaco, onde na lapela, devia estar presente, para que a nova geração possa admirar, uma dessas condecorações!. (We wanted to begin to tell you a picturesque story that has passed us in the scenario of combat but, there comes the cry of revolt again to our thought!. Because, some leaders of the present government of Portugal and, now they will think that the we want to be medals or other stewardships, but no, we want peace and that they recognize, that they remember us combatants, that in young people we were mobilized, forced to go defend the flag of Portugal, in a horrible scenario of combat, without any condition of survival, and now they honor athletes, artists and other characters that the averages have become famous, who make fortunes, do not perform compulsory military service, with long antenna time, all with occasional smiles in front of the TV cameras, forgetting Ze combatant, or the Antonios and Manéis, that derived from the trauma and injuries suffered in combat in the savannas, marshes and forests of Africa, still alive, some are alone, without family, who crawl in a wheelchair, perhaps accompanied by an animal, that can be a dog or a cat, that hear them and with whom they unburden, not having a simple coat, where in the lapel, had to be present, so that the new generation can admire, one of these decorations)!.

…já estamos a ver que a história pitoresca, que queríamos contar, vai ficar para outra ocasião, porque lá vem outra vez a vontade de gritar!. Lembrando-nos, das viagens que os governantes do país que defendemos num cenário de combate, fazem, usando aviões, helicópteros e outras mordomias do governo, viagens essas, que pelo menos nós, não compreendemos muito bem para que servem, quando na nossa simples opinião, alguns desses aviões deviam ser usados entre outras coisas, para transladar os restos mortais dos nossos companheiros, mortos em combate, em defesa da nação Portugal, cujos restos mortais ainda por lá estão, sepultados nas savanas, florestas, rios e pântanos, da África que então era governada por Portugal e, que felizmente hoje, já não é!. (We are already seeing that the picturesque history, which we wanted to tell, will stay for another time, because there comes again the desire to shout!. Reminding us, of the trips that the rulers of the country that we defend in a scenario of combat, they do, using airplanes, helicopters, and other government stewardships, such trips that at least we, do not understand very well what they are for, when in our simple opinion some of these planes were to be used to transport the remains of our comrades, killed in combat, in defense of the Portuguese nation, whose remains are buried there in the savannas, forests, rivers and swamps of Africa that was then ruled by Portugal and which fortunately today no longer exists. It is)!.

…já estamos mais calmos, agora não gritamos, vamos falar baixinho!. Sabemos que os actuais dirigentes do governo em Portugal não têem muito tempo para ler os nossos escritos, por sinal muito mal escritos, num português imigrante de escola portuguesa mínima, mas a nossa intenção é única e simplesmente dizer a verdade e o que nos vai na alma, e claro, sentimos algum direito de falar, pois demos o corpo às balas, defendendo a bandeira de Portugal, como combatentes na mortífera Guerra Colonial que Portugal manteve por anos em África, portanto, nada mais simples que lembrar aqueles postes em cimento que havia junto dos cruzamentos da linha do caminho de ferro, que diziam: “pare, escute e olhe”, pois nunca é tarde para reconhecer os nossos erros, portanto pedimos encarecidamente a alguns desses governantes, não a todos, por favor deixem por algum tempo de tirar vantagem do bondoso e simples povo das aldeias, vilas e cidades de Portugal, lembrem-se por alguns momentos, da justiça tardia, da corrupção que os meios de comunicação anunciam, dos doentes abandonados na lista de espera nos hospitais, das necessidades primárias do povo e, já agora, dos antigos combatentes, que talvez tenham salvo a vida a centenas, talvez milhares de famílias, que então viviam na tal África Portuguesa!. (We are quieter, now we do not scream, let’s talk softly!. We know that the current government leaders in Portugal do not have much time to read our writings, by the way very poorly written, in a Portuguese immigrant from a minimal Portuguese school, but our intention is unique and simply to tell the truth and what goes in the soul, and of course, we feel some right to speak, because we gave the body the bullets, defending the Portuguese flag, as combatants in the deadly Colonial War that Portugal maintained for years in Africa, therefore, nothing simpler than remembering those cement posts that stood next to the intersections of the railway line that said, “stop, listen and look,” because it is never too late to recognize our mistakes, therefore we urge some of these rulers, not all of them, please leave for some time to take advantage of the kind and simple people of the villages, towns and cities of Portugal, remember for a few moments, the delayed justice, the corruption that the media announce, the abandoned patients on the waiting list in hospitals, the primary needs of the people and, now, the former combatants, who may have saved hundreds, perhaps thousands of families, who then lived in such Portuguese Africa)!.

…agora, ainda vamos falar mais baixo, num quase silêncio!. Admiramos a vossa coragem em querer governar um país, embora recebendo um salário e subsídios de alimentação, transporte e outras mordomias, felizmente num cenário de paz e conforto, milhares de vezes superior ao que nós usufruímos, então enviados para um miserável cenário de guerra, contudo, como pessoas não vos questionamos absolutamente em nada, temos por vós todo o respeito mas, enquanto governantes, alguns de vocês, representam uma personagem de pessoas previligiadas, nascidas em “bons lençóis” que, não dizemos única e exclusivamente, mas na verdade, mostram estar bastante mais preocupados, antes de qualquer outra coisa, com a imagem vaidosa, duma personagem que tentam representar!. (Now, let’s talk still lower, in a near silence!. We admire your courage in wanting to govern a country, although receiving a salary and allowances for food, transportation and other stewardships, fortunately in a scenario of peace and comfort, thousands of times higher to what we enjoy, then sent to a miserable war scene, yet as we ask you absolutely nothing at all, we have all respect for you, while rulers, some of you, represent a personage of the privileged people born in “good sheets”, which we do not say only and exclusively, but in fact, show that they are rather more concerned, rather than anything else, with the vain image of a character they try to represent)!.

Tony Borie, May 2018.

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