…our train!


…o nosso combóio!. (our train)!.

…quando atingimos um certo número de anos de vida, é normal pensar que o tempo está a passar rápido demais!. Então saímos de casa, caminhemos, andamos de bicicleta, se possível viajamos, tiramos muitas fotos, rimos, tal como se nunca nada de mal tivesse acontecido na nossa vida!. Cada sessenta segundos que passamos tristes e deprimidos, é um minuto de felicidade que nunca conseguiremos fazer mais voltar!. Com esta idade, já não sentimos medo de que a nossa vida termine, devemos sim, ter algum medo de que ela nunca comece e, nunca procuramos defeitos dentro de nós, nunca procuramos culpar alguém pois, as coisas menos agradáveis acontecem, andam por aí!. (When we reach a certain number of years of life, it is normal to think that time is passing too fast!. So we left the house, walked, cycled, if possible we traveled, we took lots of pictures, we laughed, as if nothing bad had ever happened in our life! Every sixty seconds we’ve gone through sad and depressed, it’s a minute of happiness that we’ll never get back! At this age, we are no longer afraid of our life ending, we must have some fear that it never begins and we never look for defects within ourselves, we never try to blame someone because, the less pleasant things happen, they go around)!.

…hoje acordámos cedo, tal como acontece quase todos os dias, mas muito animados com o que conseguimos fazer antes de nos deitar!. Consideramo-nos uma pessoa importante, com responsabilidades para cumprir pois, o nosso trabalho de hoje é, escolher o tipo de dia que vamos ter!. Abrimos a janela, o tempo está de chuva, não vamos ficar triste, vamos agradecer que a área verde em volta da casa vai ser regada de graça!. (Today we woke up early, just like almost every day, but very excited about what we were able to do before we went to bed!. We consider ourselves an important person, with responsibilities to fulfill because, our job today is, to choose the type of day that we will have!. We open the window, the weather is rain, we will not be sad, we will thank that the green area around the house will be watered for free)!.

…como o dia está de chuva, sentamo-nos em frente ao computador, vamos lembrar o “nosso combóio”!. Sim, todos tivémos o “nosso combóio”, todavia os mais idosos, lembram aquelas maravilhosas máquinas a vapor, pretas, arrogantes, com algumas partes amarelas, vermelhas ou douradas, com rodas gigantes de ferro reluzentes, sobre uns carris assentes em traves de madeira, que quando passavam, deixavam uma nuvem de fumo, que saía de uma artística chaminé, sem esquecermos o apito, cujo som podia alegre ou angustiante!. (As the day is rainy, we sit in front of the computer, let’s remember the “our train”!. Yes, we all had the “our train”, but the older ones, remember those wonderful steam engines, black, arrogant, with some yellow parts, red or gold, with gigantic wheels of gleaming iron, on rails set in wooden beams, who, as they passed by, left a cloud of smoke, coming out of an artistic chimney, not forgetting the whistle, whose sound could be happy or distressing)!

…já é a segunda vez que carinhosamente, lembramos aqui o “nosso combóio”, passava sobre os carris da linha do então “Ramal de Aveiro”, hoje chamam-lhe “Linha do Vouga”, (onde transitam por lá umas máquinas feias, modernas, a gasóleo, aberrantes, parecendo-se como uma simples camionete)!. (Is already the second time that affectionately, we remember here “our train”, passed on the rails of the line of the then “Aveiro branch”, today they call it “Vouga line”, ugly, modern, diesel, aberrant, looking like a simple van)!

…foi aberto à exploração no distante ano de 1911, em “bitola métrica”, unindo aldeias e populações perdidas, entre a cidade de Aveiro e a pequena localidade de Sernada do Vouga, onde entre outras coisas, era o nosso “relógio”, não só para nós, como para os habitantes de todo o extenso vale, onde existia a nossa aldeia do Vale do Ninho D’Águia, naquela encosta agreste da montanha do Caramulo, pois era ele, o “nosso combóio”, que marcava as horas, apitando quase todos os dias à mesma hora!. (Was opened to exploration in the distant year of 1911, in “meterola”, joining villages and lost populations, between the city of Aveiro and the small town of Sernada do Vouga, where among other things, was our “clock”, not only for us, but also for the inhabitants of the vast valley, where our village existed in the Valley of the Eagle Nest, on the rugged hillside of the Caramulo mountain, for it was “our train” hours, whistling almost every day at the same time)!.

…mais de setenta anos depois, fechamos os olhos e estamos a vê-lo, rolando sobre a encosta daquele extenso vale, fazendo parte do cenário da aldeia do Vale do Ninho D’Águia!. O maquinista apitava a nosso pedido, quando fazíamos caminhadas pela sua linha, que na altura era proibido, íamos na companhia do “piloto”, o nosso cão fiel e amigo, que já tinha conhecido outros donos, tal como “o nosso combóio”, pois dizem que pertenceu até ao ano de 1947 à companhia do Vale do Vouga, propriedade de uma companhia Francesa, depois à CP, e actualmente é da responsabilidade de uma companhia moderna, a que chamam “Refer”!. (More than seventy years later, we close our eyes and we see it, rolling on the slope of that long valley, being part of the scenery of the village of the Valley of the Eagle Nest!. The driver whistled at our request, when we were walking on his line, which was forbidden at the time, we were in the company of the “pilot”, our faithful dog and friend, who had already met other owners, such as “our train”, because they say that it belonged until 1947 to the Vouga Valley company, owned by a French company, then to the CP, and it is now the responsibility of a modern company, called “Refer”)!.

…para nós, sempre foi lindo, mas algumas vezes tornava-se rude, feio e até incendiário, quando no verão, as “fragolas” em chama viva, que saíam da sua chaminé, faziam com que a tia Gracinda, gritasse em plena força dos seus pulmões:

– maldito, que me vais queimar outra vez a cabana da palha!.

…mas ele avisava!. Quando “roncava” pela encosta acima, a caminho da montanha, virado ao norte, em alguns dias de calor sufocante, quando não fazia chuva ou nevoeiro!.

(For us, it was always beautiful, but sometimes it became rude, ugly and even incendiary, when in summer the “fragolas” (fire embers), in living flame that came out of its chimney made Auntie Gracinda scream in full strength of your lungs:

– Damn you, you’re going to burn me the straw hut again!

But he warned!. When he “snored” up the slope, on the way to the mountain, facing north, on some days of sweltering heat, when there was no rain or fog)!

…também lembramos os “carrilanos”, que eram uns homens, que tratavam os seus carris com carinho!. Nós andando por ali, também ajudávamos, indo buscar água para eles, a uma fonte que por lá havia, em troca, dávam-nos alguns pregos com datas, onde já tínhamos uma excelente colecção!. Era proibido circular pela linha, nós adorávamos fazê-lo, não só circulando, como nos sentáva-mos na areia ou pedras que a formavam e, encostando a cabeça aos carris, ouvíamos, quando o combóio vinha perto!. (We also remember the “Carrilanos”, who were men, who treated their rails with affection!. We walked around, we also helped, getting water for them, to a fountain that there was, in return, gave us some nails with dates, where we already had an excellent collection!. It was forbidden to circulate along the line, we loved to do it, not only circling, but also sitting on the sand or stones that formed it, and leaning our head against the rails, we heard, when the train was coming)!.

…concentrando-nos, recordamos, talvez quase sonhando, uma daquelas viajens agora imaginárias, no “nosso combóio” que, todos os anos na época de verão, fazíamos entre a vila de Mourisca do Vouga e a cidade de Aveiro, que era o trajecto que a nossa avó materna Agar usava, quando em criança nos levava, para a praia do oceno Atlântico, na aldeia da Costa Nova, cá vai!. (Concentrating, we recall, perhaps almost dreaming, one of those journeys, now imaginary in “our train,” which we did every year during the summer season between the village of Mourisca do Vouga and the city of Aveiro, which was the route that our maternal grandmother Agar, wore when she took us as a child to the Atlantic Ocean beach in the village of Costa Nova, here she goes)!.

…é manhã, estamos no ano de 1949 ou 1950, olhamos o relógio da estação, a nossa avó Agar, diz-nos que são 9h15, que estava quase na hora do combóio chegar!. O ambiente é encantador, repleto de movimento!. Pelo cais da estação avistam-se caixotes e outras mercadorias, assim como algumas pessoas!. Andam atarefadas, trazem sacas pela mão, dois homens conversam, um traz o guarda chuva pendurado no pescoço, entre a samarra e o seu corpo, uma senhora traz um garoto pela mão, que procura largar a mão da mãe e fugir, quer ir brincar para a área onde há carvão espalhado pelo chão, diversas rimas de traves de madeira, alguns carris, tanto novos, como usados, um pouco ao lado, no desvio da linha, sobre os carris estão umas tantas carruagens, típicas do Vale do Vouga, ainda com varandins, mistas de primeira e terceira classe!. (It’s morning, we are in the year 1949 or 1950, we look at the clock from the station, our grandmother Agar, tells us it’s 9:15, it was almost time for the train to arrive!. The environment is charming, full of movement!. On the quay of the station you can see boxes and other goods, as some people!. Are busy, carry sacks by hand, two men talk, one has the umbrella hanging from the neck, between the samarra (coat) and his body, a lady brings a boy by the hand, who tries to drop his mother’s hand and run away, wants to go play to the area where there is charcoal scattered on the floor, several rhymes of wooden beams, some rails, both new and used, a little next, in the deviation of the line, on the rails are a few carriages, typical of the Vouga Valley, still with varandins (balcony), mixed of first and third class)!.

…o chefe da estação, sai com uma bandeira na mão, ordena para as pessoas se deslocarem para longe dos carris!. Chega o combóio, composto por um vagão tipo Vale do Vouga, dos abertos de dois eixos, dois vagões também tipo Vale do Vouga, cobertos, também de dois eixos, mais dois semelhantes ao primeiro, três carruagens Vale do Vouga, de varandins de terceira classe e furgão e, na rectaguarda outra Vale do Vouga, mas mais bonita, com uma cor diferente, cremos que é verde azeitona com umas letras desenhadas a ouro, é daquelas transformadas, que podem ser de primeira ou terceira classe!. (The station master, comes out with a flag in his hand, orders people to move away from the rails! The train arrives, consisting of a Vouga Valley car, two open axles, two Vouga Valley cars, covered with two axles, two similar to the first, three carriages of the Vouga Valley, of third-class varandins (balcony) and van, and in the rear another Vouga Valley, but more beautiful, with a different color, we believe that it is olive green with letters drawn to gold, it is of those transformed, that can be first or third class)!.

…com o fumo que por ali havia não conseguimos ver bem qual o tipo ou número de locomotiva, mas estamos em crer que era uma CP E96 ou 97!. O maquinista, sujo de carvão na cara, puxa de um grande lenço tabaqueiro, que trazia no bolso de trás, limpa a cara e assoa o nariz, sai do seu posto, desce para o chão, com um grande martelo na mão, rodeia a locomotiva, inspeciona as rodas, sobe de novo para o seu interior, verifica o sistema, nomeadamento o nível de água, está um pouco baixo, mas encolhendo os ombros, pensa que o trajecto até à estação de Águeda é a descer, não vai precisar de muita água!. (With the smoke that there was not able to see well what type or number of locomotive, but we believe that it was a CP E96 or 97!. The driver, smudged of charcoal on his face, pulls out a large tobacco handkerchief, which he carried in his back pocket, wipes his face and blows his nose, leaves his post, descends to the ground with a large hammer in his hand, locomotive, inspects the wheels, climbs up again, checks the system, names the water level, is a bit low, but shrugging, thinks that the route to Águeda station is going down, will not need of lots of water)!.

…na área, existe cheiro a carvão queimado e algum fumo!. O combóio, parou uns minutos no cais da estação, nós, juntamente com outras pessoas, entrámos pela mão da nossa avó Agar, os homens de serviço na estação carregam alguma mercadoria!. O chefe da estação apita, dando o sinal, o combóio põe-se em movimento, o maquinista acelera um pouco, sai muito vapor de ambos os lados da locomotiva, o que faz com que o chefe da estação, com a bandeira numa mão e a outra coçando a testa, gritar palavras obscenas!. (In the area, there is smell of burnt coal and some smoke!. The train stopped for a few minutes on the dock of the station, we, along with other people, entered by the hand of our grandmother Agar, the men of service in the station carry some merchandise!. The head of the station whistles, giving the signal, the train sets in motion, the driver accelerates a little, there is a lot of steam coming from both sides of the locomotive, which causes the station master, with the flag in one hand and the other scratching her forehead, screaming obscene words)!.

…que pelo ar do maquinista, a locomotiva não desiludia, pois lançou o combóio em grande parte do percurso a 40 ou 50 km/h, todavia nos primeiros minutos de andamento, não deu muita velocidade ao combóio, pois todo o sistema está com temperatura alta, tinham acabado de passar pela zona onde existe a parte mais acidentada do percurso, porque depois do viaduto sobre o ribeiro do Marnel, alguns campos de milho e de linho, até encontrar o apeadeiro de Valongo do Vouga, atravessando uma passagem de nível com guarda numa zona vinícola, onde a linha sobe uma pequena montanha, fazendo a locomotiva, usar quase toda a sua força até ao apeadeiro da aldeia de Aguieira, subindo sempre, até à cota mais elevada, a 72 metros, na estação da vila de Mourisca do Vouga, onde existem duas vias!. (That the locomotive does not disappoint, because it launched the train in a great part of the route at 40 or 50 km / h, but in the first few minutes of progress, did not give much speed to the train, because the whole system is with high temperature, had just passed through the area where there is the most rugged part of the route, because after the viaduct over the Marnel stream, some fields of corn and flax, until finding the stop of Valongo do Vouga, crossing a passage of level with a guard in a wine-growing area, where the line climbs a small mountain, making the locomotive, use almost all its force until the halt of the village of Aguieira, always rising, to the highest elevation, 72 meters, in the village station of Mourisca do Vouga, where there are two ways)!.

…nós, ainda crianças, olhando a nossa avó de lado, com receio de algum reparo, levantámo-nos do banco de madeira envernizada, descendo a enorme correia de cabedal, que segura a janela da carruagem!. O ar fresco, com algum cheiro do fumo de carvão queimado, onde o trajecto é a descer, passámos a passagem de nível da aldeia de Alagôa, um pouco mais abaixo, surge a nossa aldeia do Vale do Ninho D’Águia, onde nascemos, onde o combóio segue com alguma velocidade, apitando, como sempre, saudando os vizinhos e acordando as ovelhas no curral da nossa velha casa, transportando as suas mais de 100 toneladas, dando uma curva um pouco apertada, antes de chegar à estação de Águeda!. (We, still children, looking at our grandmother aside, for fear of some repair, we rose from the varnished wooden bench, down the huge leather strap that holds the carriage window! The fresh air, with some smell of burnt charcoal smoke, where the route is going down, we passed the level crossing of the village of Alagôa, a little further down, our village comes from the Valley of the Nest of Eagle, where we were born, where the train continues with some speed, whistling, as always, greeting the neighbors and waking up the sheep in the corral of our old house, transporting its more than 100 tons, giving a rather tight curve, before arriving at Águeda station)!.

…que é uma estação intermédia com uma certa relevância, pois tem três linhas, duas delas com agulhas talonáveis, entrando na mais à direita fazendo algum barulho ao travar, junto ao depósito, para encher o reservatório de água, ajustando-se debaixo do enorme cano, que vem do depósito!. O maquinista, saindo do seu posto de comando, é que faz toda esta operação, vendo o reservatório cheio, volta de novo ao seu posto de comando!. (Which is an intermediate station with a certain relevance, because it has three lines, two of them with talonable needles, entering the right most making some noise when locking, next to the tank, to fill the reservoir of water, adjusting underneath of the huge pipe that comes from the tank!. The engineer, leaving his command post, is doing all this operation, seeing the reservoir full, back to his command post)!.

…por aqui, vê-se muita gente, as mulheres trajam, chinelas nos pés, saias pretas de pano cardado de burel, compridas, usando uma cinta de cor vermelha bem apertada, blusa branca com bordados, por baixo de um colete verde escuro, bem justo ao corpo, apertado com botões reluzentes de prata e, na cabeça um chapéu largo, de cor preta, com algumas penas de pavão servindo de enfeite!. Os homens trajam normalmente, salientando as calças de pano cardado, também de burel castanho e nos pés, onde alguns usam tamancos ou botas de cabedal com a cor natural e, na cabeça, um chapéu com duas bolas caídas atrás, seguras por uma fita de pano!. (Here you can see a lot of people, women dress, flip-flops, black skirts of carded burel cloth, long, wearing a tight red strap, white blouse with embroidery, under a green waistcoat dark, very tight to the body, tight with shiny silver buttons, and on the head a wide, black hat with some peacock feathers serving as an ornament!. Men usually dress, emphasizing carded cloth trousers, also with brown burs and feet, where some wear natural colored leather clogs or boots and, on the head, a hat with two balls fallen behind, secured by a ribbon of cloth)!.

…fez uma paragem não superior a 10 minutos, talvez por causa de encher o tanque com água!. O chefe da estação, fardado rigorosamente, com um boné branco, ao lado de dois “carregadores”, também fardados, cigarro ao canto da boca, junto de um carro de duas rodas, com um casaco de cutim azul, também com um boné já um pouco coçado na cabeça, dá autorização de partida ao combóio, que tinha saído da estação de Sernada do Vouga, pela manhã!. (Made a stop not exceeding 10 minutes, maybe because of filling the tank with water!. The head of the station, strictly uniformed, wearing a white cap, alongside two “porters”, also in uniform, a cigarette at the corner of his mouth, next to a two-wheeled car in a blue cuffed jacket, a little scratched in the head, gives permission to start the train, which had left the station of Sernada do Vouga in the morning)!.

…pouco tempo depois, surgem os apeadeiros das aldeias de Oronhe, Casal de Álvaro e Cabanões, onde apenas uma placa indicam o seu nome, só parando se houver pessoas ou mercadoria para embarcar!. A área começa a ser plana, seguimos quase junto ao rio Águeda, em muitos locais mesmo ao seu lado, até surgir o apeadeiro da aldeia de Travassô!. (Shortly after, there are the stops of the villages of Oronhe, Casal de Álvaro and Cabanões, where only one sign indicates his name, only stopping if there are people or merchandise to embark!. The area begins to be flat, we follow almost next to the river Águeda, in many places even to its side, until appearing the halt of the village of Travassô)!.

…o combóio, segue nos seus 40 km/h, mas cremos que às vezes aumenta a velocidade, vai resistindo a algumas curvas mais apertadas, no interior do combóio, com os seus bancos de madeira quase todos ocupados, algumas sacas pelo chão, crianças gritando ao sabor do vento, que entra pelas janelas!. Vamos numa carruagem de terceira, mas alguns dizem que é de segunda, após uma dessas curvas, surge uma ponte metálica, que transpõe o rio Águeda, afluente do Vouga, que passa a poucos metros dali!. Olhando para a esquerda, vemos a planície de campos, alguns alagadiços, para a direita uma montanha de pedra vermelha, tudo antes de entrar num túnel, que é talhado num impressionante esporão da falésia vermelha!. (The train, it continues at its 40 km / h, but we believe that sometimes it increases the speed, it resists to some more tight corners, inside the convoy, with its banks of wood almost all occupied, some bags by the ground, children shouting in the wind, coming in through the windows!. We go in a third carriage, but some say it’s second, after one of these curves, a metallic bridge emerges, which transposes the river Águeda, a tributary of the Vouga, which passes only a few meters away! Looking to the left, we see the plain of fields, some swamps, to the right a mountain of red stone, all before entering a tunnel, which is carved into an impressive spur of the red cliff)!.

…estamos na estação de Eirol, tem duas vias para cruzamento, também com agulhas talonáveis, entramos na da direita, enquanto esperáva-mos pelo combóio que vinha de Aveiro, que se havia de cruzar com “o nosso combóio” nesta estação!. O maquinista aproveita para verificar o estado da locomotiva, nomeadamente a lubrificação do sistema que faz andar as rodas!. (We are at the station of Eirol, there are two ways to cross, also with talonable needles, we entered the one on the right, while we waited for the train that came from Aveiro, that was to be crossed with “our train” in this station! . The driver is able to check the state of the locomotive, namely the lubrication of the system that drives the wheels)!.

…seguimos!. A estrada nacional de Águeda para Aveiro, acompanha-nos do lado direito, um pouco à frente, surge-nos o apeadeiro de São João de Loure e, a linha continua a ladear a estrada nacional pela esquerda!. O estuário do rio Vouga, pode-se admirar, se olhar-mos para o lado direito, existe muita água, em alguns lugares cobre o campo, outra passagem de nível, onde uma guarda faz sinal, que o combóio podia seguir, onde pouco depois entrámos na estação da povoação rural de Eixo, com duas linhas de agulhas talonáveis!. (We follow!. The national road from Águeda to Aveiro, accompanies us on the right side, a little ahead, we see the stop of St. John of Loure and, the line continues to flank the national road on the left!. The estuary of the river Vouga, one can admire if we look to the right side, there is much water, in some places covers the field, another level crossing, where a guard signals, that the train could follow, where little then we entered the station of the rural village of Eixo, with two lines of countable needles)!.

…num espaço de pouco tempo, surge o apeadeiro de Azurva, com a plataforma à esquerda e, contendo apenas uma placa com o seu nome, mais à frente, após curvas e contra-curvas, aparece o apeadeiro de Esgueira, mais uma passagem de nível na estrada nacional Águeda – Aveiro, e finalmente, depois duma recta extensa, a locomotiva CP E96 ou 97, trazendo atrás de si o “nosso combóio” termina todo o seu percurso!. (In a short space of time, there is the Azurva stop, with the platform to the left and, containing only one plaque with its name, further ahead, after curves and counter-curves, appears the stop of Esgueira, plus one level crossing on the Águeda – Aveiro national road, and finally, after an extended straight, the CP E96 or 97 locomotive, bringing the “our train” behind us and finishing the whole route)!.

…depois, depois saímos pela mão da nossa avó Agar, ajudando a carregar os sacos com lenha, carqueija, alguns utensílios de cozinha, roupa, carne salgada de porco, farinha, entre outras coisas, atravessámos a área leste da estação de Aveiro, incluindo, a passagem da linha larga do norte, entrando no edifício principal da estação, para sair para a cidade, também pela porta principal, enquanto a locomotiva a vapor, possívelmente foi desengatada e dirigida para o depósito das locomotivas, onde iam limpar a fornalha e atestar o depósito de carvão!. (Then we went out by the hand of our grandmother Agar, helping to carry the bags with firewood, carqueija, some kitchen utensils, clothes, salted pork, flour, among other things, we crossed the area east of the station of Aveiro, including the passage of the wide northern line, entering the main building of the station, to leave for the city, also through the main door, while the steam locomotive, possibly was disengaged and directed to the warehouse of the locomotives, where they were to clean the furnace and attestation of the coal deposit)!.

…entrámos na camionete, de cores amarela e verde, com assentos de cabedal que, depois do homem dos bilhetes, subindo por umas acrobáticas escadas, ter arrumado todos os sacos da nossa bagagem na parte superior do bonito veículo, seguimos em direcção às praias do oceno Atlântico, passando ao lado das salinas, cuja extração manual do sal era executada pelos “marnotos” (trabalhadores das salinas), transportando à cabeça largas canastras cheias de sal, que estratégicamente vão construindo pequenas montanhas brancas ao lado da rudimentar estrada!. (We got into the van, in yellow and green, with leather seats, which, after the ticket man, climbing up an acrobatic staircase, having packed all the bags of our luggage in the upper part of the beautiful vehicle, beaches of the Atlantic Ocean, passing by the salinas, whose manual extraction of salt was carried out by the “marnotos” (workers of the salinas), carrying to the head wide baskets full of salt, that strategically they are building small white mountains next to the rudimentary road)!.

…continuando, travessámos algumas pontes de madeira sobre a maravilhosa Ria de Aveiro, chegando ao fim do nosso destino, que era uma zona com algumas palmeiras, junto à Ria de Aveiro, que chamavam a paragem das camionetas da Costa Nova!. (And then we crossed some wooden bridges over the beautiful Ria de Aveiro, arriving at the end of our destination, which was an area with some palm trees, near the Ria de Aveiro, which was called the Costa Nova bus stop)!.

…acordámos e, vamos caminhar na chuva miudinha, para voltar à realidade da presente vida!. (We wake up and, let’s walk in the small rain, to return to the reality of the present life)!.

Tony Borie, June 2018.

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