…Gloria, whom they also called “Lola” and sometimes “Ruça!!

…Glória, a quem também chamavam “Lola”, às vezes  “Ruça”!. (Gloria, whom they also called “Lola” and sometimes the “Ruça”)!.

…hoje vamos contar a história da Gloria, é um exemplo da emigração para os USA, é um pouco longa, mas vale a pena ler, pois também lhe chamavam a “Lola”, às vezes a “Ruça”!. Hoje vive aqui no estado da Flórida, anda por aí na praia, às vezes aparece-nos, sempre com um sorriso, vai-nos contando a sua história de vida de mulher emigrante, colocando para trás tudo o que de menos bom lhe foi acontecendo, todas as suas amarguras, os seus sacrifícios, mas também algumas coisas menos más, com que a sua já longa vida a contemplou!.

…quando criança, na sua aldeia, o seu nome era Glória, mas chamavam-lhe “Lola” e, às vezes “Ruça”, porque tinha umas madeixas no cabelo, que eram um pouco louras, era a filha mais velha de um casal de agricultores, que cultivavam umas terras à renda, de uns senhores que viviam na cidade de Aveiro e, que as tinham herdado, próximo da vila de Águeda, na base da montanha do Caramulo, nunca sabendo com quem faziam fronteira, sabiam única e simplesmente que, todos os anos por altura de Novembro, princípio de Dezembro, o senhor Aniceto, pai da Glória, lá lhes ia levar um almude de azeite, meio saco de castanhas, uns tantos garrafões  de vinho, que quase sempre eram entregues ao mês e, cinco contos de reis, em notas de quinhentos escudos, assim como durante o ano, lhes levava legumes e fruta da época. Por altura da Páscoa, levava a melhor galinha, um coelho ou dois, e às vezes até um galo, tudo isto já amanhado e limpo. Por o Natal, levava, alguma carne de porco, salgada e alguns rojões, numa panela cheia de unto!.

…o ano podia ser seco ou de chuva, não interessava, a renda e os produtos, tinham que ser entregues na data combinada. Não era raro o mês, que os senhores patrões, pediam ao Aniceto para cortar umas árvores no pinhal, que fazia fronteira com o rio Alfusqueiro, vendê-las e levar lá o dinheiro, pois o menino Joãozinho, já andava a estudar e precisava de algum dinheiro, lá por Coimbra.

…o senhor Aniceto, até fazia isto com gosto, bendizendo a sua sorte, por o menino Joãozinho estar em Coimbra, pois nos anos anteriores, passava às semanas, até meses, lá na aldeia, na sua casa, comendo e bebendo todo o seu governo, que às vezes era tirado da boca dos seus filhos, tudo isto, sem contar, quando vinham trazê-lo e buscá-lo, porque nessa altura, os pais, ficavam pelo menos dois dias e, quando se iam embora, diziam:

  – hó Aniceto, vê a cor do menino Joãozinho, parece outro, o ar do campo sempre lhe fez bem. Vê se arranjas aquele quarto, onde dormimos, as paredes estão um nojo, aquela janela bateu toda a noite. Olha, leva-me lá um cesto com alguns pêssegos e outra fruta, que possas apanhar. Há, já me esquecia, leva-me também uns limões e uma ceira com alfaces e cenouras!. Que raio, pagas uma miséria de renda!. Temos mas é de fazer um contrato, assinado!.

…e lá iam embora, conduzindo o seu carro a toda a força, fazendo uma poeira, que ninguém se via, o senhor Aniceto, cumpria rigorosamente as ordens do senhor seu patrão, dono das terras que ele e a sua família cultivavam, e, quando era necessário levar todos aqueles bens alimentares para a cidade de Aveiro, fazia o trajecto para a vila de Águeda a pé, puxando um carro de mão, viajando depois no comboio da CP,  que na altura se chamava, “Ramal de Aveiro”!.

…a Madalena, era a dedicada esposa do senhor Aniceto, mesmo muito dedicada, pois já lhe tinha dado quatro filhos, os três últimos, vieram a seguir uns aos outros, agora andavam com a impressão que a Madalena, estava outra vez grávida, mas não tinham ainda a certeza. A Glória, que também era a “Lola”, e para alguns era a “Ruça”, era a mais velha, tomava conta dos irmãos, praticamente, era a mãe, só não lhes dava de mamar!. Todavia, era ela que os vestia, lhes dava de comer, os lavava e os ia deitar, a Madalena, sua mãe, só os deitava ao mundo. O sistema em casa estava assim ordenado, Madalena, trabalha com o Aniceto, nas lides da lavoura, a Glória, toma conta e zela pelos os irmãos.

…os vizinhos, viam a Glória, descalça, com um vestido de chita, às vezes roto, com o irmão mais novo ao colo e, os outros dois por a mão um do outro, agarrados ao vestido da Glória. Se choravam, quem os atendia era a Glória, se tinham fome, quem lhes dava o comer era a Glória, se passava um cão na rua e ladrava, os irmãos iam logo meter-se debaixo do vestido da Glória!.

…em casa, ninguém dava pela Glória, era como se fizesse parte da mobília, todas as suas tarefas em cuidar dos irmãos era normal!.

…chegados à noite, a mãe dizia:

– hó Glória, vai mudar o farrapo ao teu irmão, que está borrado, pois está aqui um cheiro esquisito!.

…o pai, dizia:

– que raio, deixa de dar ordens à Glória, coitada da rapariga, que anda farta de trabalhar!.

…e continuava:

– hó Glória, dá-me aquele avental da tua mãe, para eu limpar os pés!.

…entretanto, o irmão chorava, com dores de barriga, pois tinha comido nêsperas, ainda verdes e, sem querer saber de mais nada, ia encostar-se à Glória. A Glória, era quase sempre a última a ir deitar-se, pois tinha que lavar a bacia de barro vermelho, onde comiam à noite e usá-la, para lavar os pés aos irmãos, dar uma papa de leite de cabra com farinha de milho ao mais novo e levá-lo de seguida para a cama, pois dormia com ela, pois a mãe Madalena, andava enjoada, devia de estar grávida outra vez!.

(Today we are going to tell the story of Gloria, an example of emigration to the USA, it is a little long, but worth reading, because they also called it “Lola”, sometimes the “Ruça”! Today she lives here in the state of Florida, walks around on the beach, sometimes shows up, always with a smile, tells us her life story as a migrant woman, putting behind her everything that was less good for her, all her bitterness, her sacrifices, but also some less evil things, with which her long life has beheld her!

As a child in his village, his name was Gloria, but called it “Lola” and sometimes “Ruça”, because he had a strands in her hair, which was a little blond, was the eldest daughter of a couple of farmers who cultivated some land, income, about lords who lived in the city of Aveiro, that had inherited, near Agueda village, on the mountain Caramulo, never knowing who made the border, you know, purely and simply that every year, when November principle December, Mr. Aniceto, father of Gloria, there they would take an oil almude, half a bag of nuts, some as many wine bottles, which were often delivered per month and five thousand escudos, in five hundred shields notes, as well as during the year, he led them vegetables and seasonal fruit. Around Easter, he got the best chicken, a rabbit or two, and sometimes even a rooster, all this already rigged and clean. At Christmas, he took some pork, salt and some firecrackers in a pot filled with grease. The year could be dry or wet, not interest, income and products had to be delivered on the agreed date. It was not unusual month that employers gentlemen asked to Mr. Aniceto to cut some trees in the pine forest, which bordered the Alfusqueiro river, sell them and there take the money because the boy Johnny already was studying and needed some money, there for Coimbra City. Mr. Aniceto even did it with gusto, blessing his lucky boy Johnny be in Coimbra City, as in previous years spent to weeks, even months, back in the village, at home, eating and drinking the whole government, which sometimes it was taken from the mouths of their children, all this without counting, when they came to get him and get him, because at that time, parents were at least two days, and when they were leaving, they said:

– Oh Aniceto, sees Johnny Boy color, it appears another, the country air has always done her good. See if you can get yourself one room where we sleep, the walls are one disgust and slammed that window all night. Look, take me there a basket with some peaches and other fruit, that you can catch. There, as I forgot, also leads me some lemons and a finan- with lettuce and carrots. What the hell paid an income misery! But we have to make a contract signed!. 

And there went away, driving your car at full strength, making a dust that no one saw. Mr. Aniceto strictly fulfilled the master orders his boss, the owner of the land he and his family grew and when it was necessary to take all those food products to the city of Aveiro, made the journey to Agueda village on foot, traveling after the train of CP, which at the time was called, “Extension of Aveiro.” The Magdalene was the devoted wife of Mr. Aniceto, really dedicated because had you ever given four children, the last three have come to follow each other, now walked with the impression that the Magdalene was pregnant again but had not yet sure. Gloria, who was also the “Lola”, and for some it was the “Ruça”, was the oldest, took care of the brothers, almost was the mother, not only gave them suck. However, it was she who dressed them, gave them eating, washing and went to bed, the Magdalene, his mother, only lay the world. The system at home was so ordered, Madalena works with Aniceto in the tillage of the chores, Gloria takes over and cares for the brethren!.

Neighbors saw the barefoot Gloria, with a calico dress, sometimes shabby, with his younger brother in his arms and the two hand in hand, clinging to Gloria’s dress. If wept, who met them was the glory, if they were hungry, who gave them to eat was the Gloria, went a dog on the street and barked, the brothers were soon put down under the Gloryias dress. At home, no one gave the Gloria, it was as if it were part of the furniture, all your tasks in caring for the brothers was normal.

Arriving at night, the mother said:

– Oh Gloria, will change the shred your brother that’s all blurred because here’s a funny smell!.

Father, he said: 

– What the hell, let’s give orders to Gloria, girl of poor, walking sick to work!.

And he continued:

– Oh Gloria, give me that shirt your mother for me to wipe your feet!.

However, the brother cried with tummy aches because he had eaten loquats, still green and not wanting to know all, would lean against the Gloria. Gloria, it was almost always the last to go to bed because I had to wash the red clay basin where they ate the evening which was also used to wash the feet of brothers, take a bit of goat milk with corn flour to the youngest who was then taken to bed, because he slept with her because her mother Magdalene walked sick and should be pregnant again)!. 

…hoje, andamos de bicicleta, passámos pela praia, não vimos a Glória, a quem também chamavam “Lola” e, às vezes “Ruça”, mas vamos continuar com a sua história, cá vai!

…os anos foram passando, a Glória, que também era a “Lola” e às vezes a “Ruça”, frequentou a escola primária de Castanheira do Vouga, vindo fazer o exame de segundo grau na escola de Águeda, onde obteve a classificação de quinze valores, já estava crescida, começou a ficar com uns peitos saídos, umas ancas largas, as pernas altas, as feições da cara, modificaram-se, os lábios carnudos e rosados, o cabelo comprido com as tais madeixas louras, os vestidos já lhe eram curtos, quase toda a sua roupa lhe era curta, estava uma rapariga bonita!.

…os rapazes na aldeia diziam:

– a “Ruça”, está boa como milho!

o pai Aniceto, quando ouvia isto, corria com um pau atrás dos rapazes, dizendo:

  – “Ruça”, é a burra da tua mãe!.

…quase todos os rapazes, andavam de olho nela, ela não prestava atenção a nenhum, excepto ao Jorge, filho do ferreiro. O Jorge, era mais velho do que ela uns meses, era um rapaz franzino, um pouco envergonhado, não convivia muito com os outros rapazes, pois ajudava o pai, o senhor Silvestre, na forja e, mais tarde, era ele que fazia as contas da oficina de ferreiro, eram só dois filhos, ele e uma irmã, mais nova, que tinha vindo mais tarde!.

…andou na escola com a Glória, ficava triste e, às vezes até se envolvia com os outros rapazes, quando estes lhe chamavam “Ruça”. Não se importava muito que lhe chamassem “Lola”, até gostava, mas “Ruça”, isso não, ficava com alguma fúria e, quando se envolvia com alguém, perdia sempre, acabava por andar sempre com marcas na cara e no corpo, era por isso que não convivia com muitos dos rapazes da sua idade!.

…quando se aproximava da Glória, ficava um pouco embaraçado, mas assim que começasse a falar com ela, todo o receio desaparecia, sentia-se muito bem na companhia dela, ele percebia que a Glória, também largava tudo para estar com ele. Iam-se vendo um ao outro, até que certo dia, ela lhe disse:

 – hó Jorge, nós gostamos tanto um do outro, temos que começar a namorar!. 

…ele, nem a deixou acabar de falar, disse, com o ar mais feliz do mundo:

 – hó Glória, pois tu, já és a minha namorada há muitos anos, não sei se já percebes-te, pois eu sinto muitos ciúmes quando algum rapaz olha para ti!.

…ela, com ar também feliz, dá-lhe um beijo na face, o que o fez corar, passaram a ser namorados, a partir dessa altura, aprenderam um com o outro todos os segredos do amor. Tanto o pai Aniceto, como o senhor Silvestre, viram este namoro com bons olhos, só a mãe Madalena, é que ficou um pouco furiosa, pois via que ia perder a “mãe” dos seus filhos. Não perdia oportunidade, para a repreender, e às vezes até a ameaçava com pancada, se ela perdia tempo a falar com o Jorge e deste modo, alguma tarefa ficava para trás, em outras palavras, fazia-lhe a vida negra!.

…os irmãos, alguns já tinham saído da escola, e continuavam a ver na Glória, a sua mãe, chamavam-lhe “Lola”, portanto ajudavam-na, e diziam-lhe:

 – hó “Lola”, vai namorar, que nós fazemos todas as tuas tarefas!.

…a Glória ficava algumas horas na conversa com o Jorge, o Aniceto e a Madalena, talvez preocupados, com a lida da lavoura, em arranjar o dinheiro para todas as despesas, mais o compromisso do pagamento aos senhores donos daquelas terras que eles cultivavam, não reparavam que a Glória, já crescida, precisava de roupa nova e melhor. Como era a única rapariga na família, pois o último irmão também nasceu rapaz, era a que vestia diferente, alguma roupa que crescia da mãe, uns vestiditos de chita, umas camisolitas e uns sapatitos de lona, comprados na feira, que ao sábado se realizava na vila de Águeda, lá ia andando, ninguém reparava, que como a roupa lhe ia ficando mais curta, mais sobressaíam as virtudes que o criador lhe tinha dado, em outras palavras, quanto menos roupa tinha, mais jeitosa era, à vista de todos!.

…mas os pais, tinham mais em que se preocupar, a Glória, estava em casa, para trabalhar e tomar conta dos irmãos, era como se fosse um objecto da casa, daquele sistema implantado, desde sempre. O senhor Silvestre, preocupado com o futuro do seu filho Jorge, um certo dia vem à fala, com o Aniceto, e diz-lhe:

– hó Aniceto, temos que casar os garotos. O meu Jorge, já está próximo da idade de ir “às sortes”, queria ver se o livrava da tropa, pois se for militar, vai acabar na guerra do ultramar, e isso nunca vai acontecer, pelo menos enquanto for vivo!. 

…toda a gente no lugar, sabia que o senhor Silvestre era “do contra”, não gostava do regime, uma certa vez, até foi interrogado pela polícia do estado. Ele, como sabia as dificuldades do filho Jorge, franzino, pouco corajoso, mas com alguma inteligência, pois sabia de números, até lhe tratava das contas da oficina, na companhia da Glória, iria ser outro homem!.

…a Glória, era trabalhadeira, habituada a sacrifícios, criou os irmãos, vestia qualquer roupa, respondia aos rapazes da aldeia, quando lhe atiravam algum piropo, mais atrevido, e dizia:

–  vai dizer isso à tua irmã, cabrão!.

…a Glória, era assim, desenvolta, activa e habituada a andar descalça, a acudir aos pedidos e choros dos irmãos, enfim habituada a sofrer. Tinha sido criada, no meio de dificuldades, ela nem sabia o outro lado bom da vida, tudo isto era normal para ela!.

…na aldeia dizia-se:

– a “Ruça”, vai ser uma mulher de armas!.

…o senhor Silvestre, pai do Jorge, também era um homem de trabalho, tinha algumas economias, tinha na ideia casar o filho e mandá-lo para fora do país, para fugir ao serviço militar, tinha alguns contactos e conhecimentos na vila, dos “amigos do contra”. A ideia era, casar o filho, e com a desculpa da “lua de mel”, metê-los num avião para o México, mais propriamente para a colónia de férias de Acapulco. Daí, com os seus contactos, iriam atravessar a fronteira, clandestinos, para o outro lado, ou seja para os Estados Unidos. Este plano, já tinha funcionado com algumas famílias “do contra”, portanto também iria funcionar com o seu filho Jorge e a sua futura esposa Glória, a quem também chamavam “Lola” e, às vezes “Ruça”.

(Today biked, we spent on the beach, we saw the Gloria, whom he also called “Lola” and sometimes “Ruça” but we will continue with his story, here goes . 

The years passed, the Gloria, which was also the “Lola” and sometimes the “Ruça”, attended elementary school Castanheira do Vouga, from taking the exam high school in the school of Agueda, where he obtained the rank of Fifteen values, was already grown up, began to get a freshly breasts are wide hips, long legs, face features the have changed, chubby and rosy lips, long hair with such locks blonde, dresses have you, were short, most of his clothes it was short, was a pretty girl!.

Young men in the village said:

– the “Ruça”, is good as corn!.

Aniceto father, when he heard this, he ran with a stick behind the boys, saying:

– “Ruça” is the dumb your mother!.

Almost all the boys walked an eye on her, she did not pay attention to none, except Jorge, blacksmith’s son. Jorge was older than she was a few months, was a skinny boy, a little embarrassed, not socialized much with other guys, for helped his father, Mr. Silvestre, in the pipeline and later it was he who did the accounts the blacksmith shop, there were only two children, he and a younger sister who had come later. Went to school with the Gloria, he was sad and sometimes even involved with the other guys, when they called it “Ruça”. He did not care much to him called “Lola”, even enjoyed, but “Ruça”, it does not, I was with some fury and, when involved with someone, lost forever, ended up walking forever scarred his face and body, was why not lived with many of the boys of his age. When he approached the Gloria, I was a little embarrassed, but once you start talking to her, all fear disappeared, she was well in her company, and he realized the Gloria also would drop everything to be with him. Would be seeing each other, until one day, she told him:

– Oh Jorge, we both liked each other, we have to start dating!.

He even let her finish speaking, he said, with the air happier World:

 – Oh Gloria, for thou, thou art my girlfriend for many years, do not know now you realized, because I feel very jealous when a guy looks at you!.

She, air too happy, give him a kiss on face, which made him blush. They became lovers, from that time, learned from each other all the secrets of love. Both father Aniceto, as you Silvestre saw this dating favorably, only the mother Magdalene, that was a little angry, because I saw he was going to lose the “mother” of their children. Lost no opportunity to scold, and sometimes even threatened to blow if she lost time talking with Jorge and thus a task was left behind, in other words, made him a hard time. 

The brothers, some have had left the school, they continued to see in Gloria, his mother, called him “Lola” therefore helped her, and told her:

– Oh. “Lola” will date, we do all your chores!.

A Gloria was a few hours in conversation with Jorge, the Aniceto and the Magdalene, perhaps concerned with the handles of the crop, in arranging the money for all the expenses, plus the commitment of payment to owners lords of the land they cultivated, not repaired the Gloria, grown up, needed new and better clothes. As I was the only girl in the family, as the last brother was also born boy was the one who dressed differently, some clothes that grew the mother, a calico “vestiditos”, a camisolitas” and a “sapatitos” bag, bought at the fair, which on Saturday was performed in Agueda village, went there walking, no one noticed that as the clothes you grew shorter, stood out the virtues that the creator had given she, in other words, the fewer clothes had more beautiful was in plain sight!.

But the parents had more to worry about, the Gloria was home to work and take care of the brothers, was like an object in the house, that system deployed all along. You Silvestre, concerned about the future of his son Jorge, one day comes to talking with Aniceto and tells him: 

– Oh Aniceto, we have to marry the boys. My Jorge is already near the age to go “to the sorts”, wanted to see if freed of the troops, as if military will end up in overseas war, and it will never happen, at least while I’m alive!.

Everyone instead I knew that Mr. Silvestre was “contra”, did not like the regime, a certain time until he was questioned by the State Police. He, as he knew the difficulties of his son Jorge, puny, little bold, but with some intelligence, knowing numbers, even treated him the workshop accounts, in the Gloria company would be another man. Gloria was industrious, accustomed to sacrifices , created the brothers wore any clothes, responded to village boys when throwing you some more cheeky flirtatious, said:

– Will you tell that to your sister, motherfucker!.

The Gloria was so nimble, active and accustomed to walking barefoot, the respond to requests and cries of brothers finally accustomed to suffer. Had been created in the midst of difficulties, she did not know the other bright side of life, all this was normal for her. 

In the village it was said:

– The “Ruca” will be a woman’s arms!.

You Silvestre, father of Jorge, was also a man of work, had some savings, had the idea to marry his son and sending him out of the country to escape military service, had some contacts and knowledge in the village, “Friends of the contra”. The idea was to marry his son, and with the excuse of “honeymoon”, put them on a plane to Mexico, more specifically to Acapulco holiday camp. Hence, with your contacts, they would cross the border, illegal immigrants and to the other side, ie to the United States. This plan had already worked with some families “contra”, so also would work with his son Jorge and his future wife Gloria, whom he also called “Lola” and sometimes “Ruça”!.

…hoje, fomos à praia, estava um dia de céu limpo, encostámos as sandálias, caminhámos por algum tempo, parámos em frente ao oceano, que na altura, fazia pequenas ondas, levantámos os olhos e fixámos o horizonte, começámos a sonhar com a Península Ibérica, com Portugal, a Glória, a quem também chamavam “Lola” e, às vezes “Ruça”, tocou-nos no ombro, acordou-nos, continuando com a sua hostória, cá vai!.

…se o senhor Silvestre, pai do Jorge, assim o pensou, também o fez, a Glória, a quem também chamavam “Lola” e, às vezes “Ruça”, casou com o seu amor Jorge, ouve festa na casa do senhor Silvestre, pois era a pessoa com mais haveres, os seus contactos resultaram, arranjaram passaporte, para o Jorge e a Glória, a quem também chamavam “Lola” e, às vezes “Ruça”,  passado uns dias  meteram-se num avião, rumo ao México.

…já no México, o Jorge e a Glória, (a partir de agora só se chama Glória, pois já ninguém a conhece por “Lola” ou “Ruça”, excepto o seu marido Jorge), ao saírem do aeroporto, o calor, o tráfico, um pouco de receio das pessoas, com alguma dificuldade em compreenderem o idioma, depois de algumas asneiras, conseguiram entrar em contacto com a  pessoa que fazia a ligação aos “passadores”, que falavam uma linguagem que na gíria classificam de “portunhol”, que era uma espécie de português abrasileirado e espanhol, misturado.

…tudo arranjado, a hora e o dia e, a ordem era:

– vamos sair ao anoitecer, numa camioneta de carga, pequena, pois só vamos oito pessoas. A camioneta vai fechada, levam estes baldes, para fazerem as vossas necessidades, este lanche, uma garrafa de água, para cada um, mas não comam nem bebam, só se não aguentarem, pois se comerem ou beberem têm que o largar por baixo, isso vai dificultar ainda mais a vossa vida. Possívelmente, teremos que andar toda a noite e amanhã todo o dia, só amanhã pela noite, estaremos na fronteira perto da cidade de Tucson, no estado do Arizona. Levam roupas leves, de preferência calças, sapatos para caminhar muitos quilómetros, uma saca com alguma roupa simples, pois essa saca também servirá de almofada, assim como os vossos documentos de identificação, dos vossos países. Com vocês, vão dois homens armados, se forem parados pela polícia, se abrirem a camioneta, ninguém abre a boca, pois estes homens irão disparar a matar. Chegados à fronteira, eles serão os mensageiros, que vos darão ordem de sair no momento exacto e, qual a direcção que devem tomar. Passam a fronteira, alguém estará do outro lado para vos continuar a guiar, depois, cada um continuará a viagem por sua conta e risco. Têm aqui um pequeno mapa da área. Boa sorte, para todos. Há, não se esquecem de levar dollares, nós mesmos, os trocamos, um pouco abaixo do câmbio!.

…estas ordens, foram dadas pela manhã, não perguntaram se compreendiam ou não, toda esta conversação. A Glória, aos poucos foi tomando conta de tudo, ouviu com atenção, compreendeu algumas coisas, outras não. O grupo era formado por o Jorge e a Glória, dois rapazes, um pouco escuros de pele, que tinham vindo das Honduras, um casal ainda novo, que tinham vindo de São Salvador, viajando, pendurados na “besta”, que é assim como designam o combóio, que vindo do sul, atravessa parte do território do México e, dois jovens brasileiros, também novos, mesmo novos, não deviam ter mais do que catorze ou quinze anos, que diziam que não perceberem nada!.

…os jovens brasileiros, começaram logo por perguntar à Glória:

  – não percebi nada. Levar um saco?. E então esta mala, que a minha mãe me arrumou?.

…a Glória, pensou logo nos irmãos:

– querem ver que também tenho que tomar conta destes!

…desfizeram-se de alguns haveres, compraram uma simples saca, onde meterem tudo o que entendiam que deviam levar, sapatilhas para ambos e umas calças leves, iguais para os dois, tudo roupas folgadas, a Glória, parecia um rapaz novo!. Os jovens brasileiros, fizeram tudo o que viam a Glória fazer!.

…as pessoas que atendiam na loja, onde compraram tudo isto, já experientes nestas andanças, ficaram com alguns dos seus haveres, explicaram tudo o que haviam de fazer, deram-lhe algumas recomendações importantes, tais como:

 – principalmente a senhora, tem que ser forte no carácter, para com os outros em algumas situações. Não deixe que ninguém lhe toque, sem sua autorização. Deve mesmo, levar uma pequena faca, bem afiada, escondida nessa saca, não tenha receio de a usar, em caso de não se sentir confortável, em alguma situação em que a sua dignidade, possa vir a correr risco. Vai passar por situações perigosas, principalmente para mulheres!.

…a Glória, ouviu tudo isto com atenção, comprou uma faca para si e outra para o Jorge, os jovens brasileiros, fizeram o mesmo, pelo menos, parecia que tinham dois aliados!.

…na hora combinada, saíram, durante todo o percurso, tirando a sede e o calor, resistiram ao resto. Tiveram uma ou duas paragens, talvez para encher o tanque de gasolina, numa dessas paragens, alguém, depois de dar uns toques em código, levantou um bocadinho, a porta traseira, perguntando se iam todos vivos, introduzindo  umas garrafas de água!.

(Today went to the beach, was a day of clear skies, we pulled the sandals, walked for a while, we stopped in front of the sea, which at the time was small waves, we raised my eyes and have set the horizon, we began to dream of the Iberian Peninsula, with Portugal, Gloria, whom he also called “Lola” and sometimes “Ruca”, touched us on the shoulder, woke us up, continuing his story, here goes.

(If you Silvestre, father of Jorge, so he thought, so did the Gloria, whom he also called “Lola” and sometimes “Ruça”, married his love Jorge, there was celebration in the master’s house Silvestre, it was the person with the most assets, your contacts resulted arranged passport to Jorge and Gloria, who after a few days if they put on a plane, heading to Mexico. In Mexico, Jorge and Gloria (from now only called Gloria, because no one knows as “Lola” or “Ruca”, except her husband Jorge), to leave the airport, the heat, the traffic, a little afraid of people, with some difficulty understanding the language after a few blunders, managed to get in touch with the person who made the connection to the “smugglers” who spoke a language that in slang categorize as “portunhol” which was a kind of Portuguese and Spanish abrasileirado mixed.

All arranged, the time and day, and the order was:

– let’s go out in the evening, a cargo truck, small as we only let eight people. The truck will shut, take these buckets to make your needs, this snack, a bottle of water for each, but do not eat or drink, only do not hold, because if they eat or drink they have to drop below, this will further complicate your life. Possibly, we will have to walk all night and all day tomorrow, but tomorrow will be the night on the border near the city of Tucson, in Arizona. Take light clothing, preferably trousers, shoes to walk many kilometers, a bag with some simple clothes, because this bag also as a pad, as well as your identification documents, of your countries. You go with two armed men if they are stopped by the police, open up the truck, no one opens his mouth, as these men will shoot to kill. When they reached the border, they will be the messengers who give you orders to leave at the right time and what direction they should take. Crossing the border, someone will be on the other side to continue to guide you, then each will continue to travel at your own risk. Have here a small map of the area. Good luck to all. Oh, do not forget to take dollars, ourselves the exchange, just below the exchange!.

These orders were given in the morning did not ask whether understood or not this whole conversation. The Gloria gradually was taking care of everything, he listened attentively, understood some things, others do not. The group was formed by Jorge and Gloria, two boys, a little dark skin, who had come from Honduras, a couple yet again, who had come from San Salvador, traveling, hanging in the “beast” which is just as designate the train, which from the south, runs through part of the territory of Mexico and two young Brazilians, also new, really new, must have no more than fourteen or fifteen, that said not realize anything!.

The young Brazilians soon began by asking the Gloria:

– I did not realize anything. Carry a bag? ? And then this bag that my mother got me!.

Gloria soon thought of the brothers:

 – They want to see you also have to take account of these!

Poured out of some possessions, bought a simple bag where meddle everything understood that should lead, sneakers for both and a light, equal pants for two, all loose clothing, Gloria looked like a new man. Young Brazilians, did everything they saw the Gloria do. People who met in the store where they bought all this, already experienced in these wanderings, lived some of its assets, explained everything that had to do, they gave him some recommendations important, such as:

– Especially you, have to be strong in character, to others in some situations. Do not let anyone touch you without your permission. Even must, take a small knife, very sharp, hidden in that bag, do not be afraid to use it in case of not feeling comfortable in any situation in which their dignity, is likely to be at risk. Will go through dangerous situations, especially for women!.

The Gloria heard all this carefully, he bought a knife for you and one for Jorge. Brazilian young people did the same, at least looked like they had two allies. At the appointed time came for all the way, taking the thirst and heat, stood the rest. Had one or two stops, perhaps to fill the gas tank, one of these stops, one after giving each code touches, raised a little the back door, asking if they would all live, introducing a water bottle). 

…hoje, fomos à pesca na praia, uma cadeira, duas canas de pesca, uns calções já um pouco usados, mesmo quase rotos, mas são os nossos preferidos, estava um pouco de nevoeiro, não havia peixe, ou se havia, andava farto, não pegava na isca, era quase como se as canas de pesca estivesssem no nosso quintal, já havia dificuldade em ver a ponta das canas de pesca de tanto olhar, tirámos a T-short, para apanhar algum sol no corpo, quando o nevoeiro desaparecia por algum tempo, começámos por ler um livrito, só para entreter, a Glória aparece, cede-mos-lhe a cadeira, sentando-nos num pequeno balde, que sempre nos acompanha quando vamos à pesca, que virámos ao contrário, ela, com aqueles cabelos já grisalhos, mantendo aquele sorriso jovem, apesar de já andar há umas dezenas de anos os tais “entas”, continua a contar-nos a sua história, cá vai!.

…se ainda estão lembrados, o Jorge e a Glória iam a caminho da fronteira com os USA, para a atravessarem clandestinamente, os mensageiros, que os acompanhavam, no local que entendiam que era o certo, pararam, explicaram as últimas instruções, a porta da pequena camioneta, abriu-se, já era noite, saíram todos ao mesmo tempo, com a ordem de correrem o mais que podiam naquela direcção, pois do lado de lá daquelas pequenas montanhas, era os Estados Unidos, onde alguém os ia contactar. Boa sorte!.

…a Glória e o Jorge, correram abaixados, o Jorge, tropeçou numa pedra e caiu, a Glória, parou, vem para trás, ajuda o marido a levantar-se, pega-lhe na mão e arrasta-o atrás de si, como fazia aos irmãos em pequenos, e diz:

– anda Jorge, esta é a oportunidade da nossa vida!.

…dando-lhe coragem, correram e caminharam por mais de uma hora, com os jovens brasileiros, sempre atrás, os outros companheiros, deixaram de se ver, não sabem se tomaram outra direcção, ou se foram parados pela polícia de fronteira. Contavam truques de passarem a fronteira, em que alguns eram as “cobaias”. Essas “cobaias”, iam só para manterem a polícia de fronteira ocupada, enquanto outros passavam livres. Eram “cobaias” profissionais, eram pagos para isso, sabiam que depois de uns dias presos, eram mandados para o seu país, sem nada lhes acontecer.

…de súbito, dois homens surgem na sua frente e, lhes comunicam numa linguagem entre o espanhol e o português, mas com sotaque brasileiro:

– Okey, já estão nos Estados Unidos, venham atrás de nós!.

…tanto a Glória como o Jorge, assim como os jovens  brasileiros, ficaram assustados, a Glória, apertou mesmo a faca, que trazia, embrulhada num lenço na mão, quase que se cortava a si mesmo, tal era o medo. Viram a cara dos homens, traziam duas espingardas caçadeiras de canos serrados, usavam calções, pareciam mesmo “passadores”. Seguiram-nos!.

…tinham uma carrinha, aberta atrás, escondida, alguns metros à frente, onde seguiram, os dois homens na frente,  a Glória, o Jorge e os jovens brasileiros, atrás. Andaram umas horas em direcção ao norte, por estradas de terra, levantando muito pó. Abriram as sacas, puseram qualquer coisa a encobrir a boca e o nariz, para puderem respirar por causa do pó, era quase madrugada quando pararam, os dois homens, pedem-lhe cinquenta dollares a cada um e,  que sigam naquela direcção, onde alguém os espera, terminando com os desejos de boa sorte!.

…a Glória, pensou logo que esta atitude dos cinquenta dollares, era um roubo, pois já tinham pago à organização do “passador” o exigido no contrato. Depois de andarem alguns quilómetros, muito próximo da estrada rápida número 10, que atravessa todo o continente desde Los Angeles, no estado da Califórnia, até Jacksonville, no estado da Flórida, surge um riacho, seguido de uma  povoação, onde aproveitam para se lavar do pó, bebendo alguma água, entrando de novo em contacto nessa povoação, com alguém que os esperava e encaminhou. Aqui, com a ajuda desse alguém compram nova roupa, já com outro aspecto, telefonam a amigos dos pais dos jovens brasileiros, pois eles vinham com a recomendação de se dirigirem à Florida, onde essas pessoas, lhe deram todas as indicações, de como deviam de proceder. Seguem tudo à risca, sempre orientados pelo instinto da  Glória, algumas vezes por estradas secundárias, andam de táxi, de camioneta, tomam o comboio, passado cinco dias, aparecem, não duas, mas sim quatro pessoas, em Miami. A Glória, o Jorge e os jovens brasileiros, cansados, com um aspecto terrível, vêem bater à porta dos amigos brasileiros!.

…a colónia brasileira, naquela região da Florida, é muito grande, os amigos tinham muitos contactos, a Glória, passado uns dias, vai trabalhar com uma senhora também brasileira, nas limpezas de casas de famílias com algumas posses financeiras, que vivem nas praias, uma dessas famílias tinham filhos pequenos e precisavam de alguém que os cuidasse em casa. Depois de verem a maneira como a Glória, lidava com crianças, decidem contratá-la, para trabalhar em sua casa e, deste modo a legalizariam a ela e ao Jorge, se este aceitasse ser algumas vezes o chouffer, limpar e cuidar do enorme barco, trabalhar nos jardins e outras ocupações no exterior da casa!.

…foram sempre dedicados, passado três anos e pouco, já legais, com toda a documentação para poderem residir e trabalhar nos Estados Unidos, decidem continuar a trabalhar para esses senhores, mas vivendo numa sua casa que entretanto alugaram, no meio da comunidade brasileira. Iam economizando algum dinheiro, principalmente nos primeiros anos, em que trabalhando dentro da enorme casa de seus patrões, não tinham qualquer despesa, quando já entenderam que podiam olhar a novos horizontes, decidem comprar uma oficina de fazer gradeamentos em ferro, que estava à venda, de umas pessoas já idosas, oriundos do Chile, que se queriam reformar e regressar ao seu País!.

(Today, we went fishing on the beach, a chair, two fishing rods and shorts already a bit used, even almost torn, but are our favorites. Was a bit of fog, there was fish, or had walked fed up, not caught in the bait, it was almost as if the fishing rods were in our backyard, I had difficulty seeing the tip of the reeds from looking. We took the shirt to catch some sun in the body, when the fog disappeared for a while. We began by reading a livrito, just to entertain, the Gloria appears, cedemos- his chair, sitting in a small bucket that is always with us when we go fishing, we turned that upside down. She, with that hair graying, maintaining that young smile, even though I walk a few tens of years, such “entas” continues to tell us your story. Go here. 

If you are still remembered, Jorge and Gloria were on their way to the border with the USA, to cross clandestinely, the messengers who accompanied them on the spot who understood it was the right, stopped, explained the latest instructions, the the small van door opened, it was night, came out all at once, with the order to run the most they could in that direction, because the other side of those little mountains was the United States, where one the would contact. Good luck. 

Gloria and Jorge ran lowered, Jorge tripped over a stone and fell, Gloria stopped, come back, help her husband get up, grabs her hand and drags it behind him, as was the brothers in small, and tells him:

– come on Jorge, this is the opportunity of our lives!.

Giving you courage, ran and walked for over an hour with the young Brazilians always behind, the other companions left to see. They do not know if they took another direction, or were stopped by border police. They counted tricks to cross the frontier, where some were the “guinea pigs”. These “guinea pigs” were only to keep the busy border police, while others were free. Were “guinea pigs” professionals were paid for it, knew that after some prisoners days were sent to their country with nothing happen to them. Suddenly, two men appear in front of you and communicate them in a language between Spanish and Portuguese but with Brazilian accent:

– Okay, are already in the United States, come after us!.

Both Gloria and Jorge, as well as the young Brazilians, were startled, the Gloria even pressed the knife, he carried wrapped in a headscarf hand almost cut it himself, such was the fear. Saw the men face, brought two hunting rifles of sawn pipes, they wore shorts, looked even “smugglers”. They followed us. They had an open truck behind, hidden a few meters ahead, which followed the two men in front, the Gloria, Jorge and young Brazilians behind. They walked a few hours towards the north by dirt roads, raising a lot of dust. They opened the bags, put something to cover your mouth and nose, so they can breathe because of dust. It was almost dawn when they stopped. The two men asked fifty US dollars each and to follow that direction where someone awaits them, ending with the good wishes!.

The Gloria immediately thought that this attitude of the fifty dollars was a robbery, they had already paid the organization of “dowel” required in the contract. After walk a few kilometers, close to the fast road number 10, which runs through the continent from Los Angeles, in California, to Jacksonville, in Florida, there is a stream, followed by a village where leverage to wash powder, drinking some water, coming back into contact in this town, with someone who was waiting for them and guided. Here, with the help of this one, buy new clothes, as another aspect, telephone friends of parents of young Brazilians, as they came with the recommendation to approach to Florida, where these people gave him all the details of how they should proceed. Here everything to the letter, always guided by the instinct of Gloria, sometimes for secondary roads, go by taxi, by bus and take the train. Five days appear, not two but four people in Miami. The Gloria, Jorge and young Brazilians, tired, looked terrible, go to the yard of Brazilian friends. The Brazilian colony in that part of Florida, is very large, the friends had many contacts, Gloria, after a few days It will also work with a Brazilian lady, in family houses dressings with some financial means, who live on the beaches. One of those families had small children and needed someone to look after them at home. After seeing the way the Gloria dealing with children, they decide to hire her to work at home and thus to legalize as well as to Jorge if it accepted sometimes be the driver, clean and maintain huge boat, work in the gardens, as well as other occupations outside the home. They were always dedicated, after three years and some, already legalized, with all the documentation in order to reside and work in the United States, decided to continue the service of these gentlemen, but living in your home which however they rented in the middle of the Brazilian community. Were saving some money, especially in the early years, when working inside the huge house of their employers, they had no expense. When they realized they could already look new horizons, decided to buy a workshop where they were railings in iron, which was for sale, property are already elderly, coming from Chile, who wanted to reform and return to the country of origin)!. 

…hoje, fomos à praia, só para caminhar na areia, dizem que faz massagens nos pés, o que na nossa idade é muito bom para a saúde, não vimos a Glória, mas vamos continuar com a sua história, cá vai!.

…a Glória e o Jorge, já com algum dinheiro economizado, decidiram comprar uma oficina de gradeamentos em ferro, que estava à venda, portanto, acertaram o preço, e compraram!.

…passado um tempo, a Glória, encarregava-se do trabalho de fora, o Jorge, da contabilidade, contacto com os clientes e da oficina, às vezes ajudava e orientava a Glória, que entretanto frequentou uma escola de vocação,  onde aprendeu a usar o maçarico a gás de cortar ferro, a soldar com diferentes máquinas e diversos materiais, com alguma segurança, carregava com os portões e gradeamentos, com a ajuda de alguém que entretanto contrataram, instalava esses portões e gradeamentos. Os clientes gostavam, era uma coisa nova, portões e gradeamentos em ferro, forjados, com feitios lindos, o negócio, num abrir e fechar de olhos estava a progredir, era uma região de muitas casas grandes, quase mansões!.

…entretanto a Glória fica grávida, nasce um rapaz!.

Só tirou tempo fora do trabalho, praticamente para ir ao hospital, por altura do parto, continuava com a mesma vontade no trabalho, o bebé, cresceu, começou a andar e a falar na oficina, primeiro num berço, num compartimento ao lado, a que chamavam escritório, depois por tudo o que era espaço, acompanhando o pai e a mãe. Fica grávida de novo, segue o mesmo regime do primeiro, nasce uma menina, que tal como o menino, é criada praticamente no trabalho!.

…todo o trabalho que executavam na oficina, era apreciado, pois era uma novidade, as pessoas para quem executavam esse trabalho, foram falando, algumas eram importantes e com alguma influência, cada vez tinham mais encomendas, foram crescendo, o espaço era pequeno, nos arrabaldes de outra cidade, mais para norte, nuns terrenos que lhe foram cedidos com um contrato de 99 anos, onde se comprometeram a não modificar o ambiente, respeitando os cursos de água e algumas árvores, fizeram uma grande oficina, com parque, para estaleiro de materiais, onde os camiões podiam carregar e descarregar!.

…os filhos, foram estudar. O rapaz, engenheiro, com a experiência que adquiriu, ao longo dos anos, principalmente com a mãe, começou a trabalhar lá fora, com a ajuda da mãe, dirigindo pessoal, fazendo projectos, na instalação dos portões e gradeamentos, a filha contabilista, trabalha com o pai, na oficina. Todas as novas urbanizações, que se faziam nas cidades próximas, já obedeciam à nova configuração dos seus portões e gradeamentos, que entretanto tinham feitios, representando figuras, de palmeiras, animais, ou outros motivos, alguns importados do México. Estavam na moda!.

…o negócio continuava a crescer, já tinham encomendas de fora do estado, tinham algumas dezenas de colaboradores, os dois brasileiros, companheiros de viagem, eram encarregados, na nova oficina!.

E ela dizia:

 – Isto também é vosso, bendita a hora em que nos encontrámos!.

…o Jorge, faleceu antes dos cinquenta anos de vida, teve uma doença que na época, não tinha cura. A Glória, ficou viúva, dedicou-se aos filhos, que entretanto, tomaram conta do negócio. Casaram, o filho deu-lhe dois netos, a filha deu-lhe um, portanto a Glória, têm três netos!.

…como em criança, não teve oportunidade de brincar, agora cuida e brinca com os netos, na sua casa na praia, próximo de onde vivemos. Os filhos, sabendo a mãe que têm, confiam-lhe as crianças, por bastante tempo, e a Glória, a “Lola”, a que alguns chamavam “Ruça”, anda feliz pela praia, com o mais novo ao colo, os outros pela mão um do outro e, sempre que passa um cão, ou algo de estranho, vêm a fugir, esconder-se, e encostarem-se às pernas da avó, tal como faziam os seus irmãos, quando vivia na aldeia, em Portugal.

Que viva por longos anos!.

(Today went to the beach just to walk in the sand, say massaging the feet, which at our age is very good for health, we saw the glory, but we will continue with its history. Here goes. 

The Gloria and Jorge, as with some money saved, they decided to buy a railing workshop in iron, which was for sale, so, hit the price and bought it. After a while, the Gloria was in charge of the work out, Jorge, accounting, contact with customers and the workshop, sometimes helped and guided the Gloria, which however attended a vocation school, where he learned to use iron cut gas torch to weld with different machines and various materials, with some confidence, carrying with gates and railings, with the help of someone who had hired however, settled these gates and railings. Customers liked, was a new thing, gates and wrought iron bars, with beautiful shapes. The deal, in the twinkling of an eye, was progressing, was a region of many large houses, like mansions.

Meanwhile Gloria is pregnant and is born a boy. Only took time off from work, just to go to the hospital by the time of delivery, still had the same desire at work, the baby grew, he began to walk and talk at the workshop, the first in a crib, in the next room, which they called Office, then by all that was space, accompanying his father and mother. Becomes pregnant again, follows the same system of the first, a girl is born, such as the child is created practically at work. All work performed in the workshop was appreciated because it was a novelty, people for whom performed this work, were talking, some were important and some influence, ever had more orders. Were crescendoe the space became too small, on the outskirts of another town, farther north, in some lands that have been sold with a contract of 99 years, where he pledged not to modify the environment, respecting the waterways and some trees, They made a big workshop with park for construction materials, where trucks could load and unload. 

The children were studying. The boy, engineer, with experience gained over the years, especially with her mother, began working out there driving personnel, making projects, installation of gates and railings. The daughter, accountant, works with his father in the workshop. All new housing developments, which were made in nearby cities, as obedient to the new configuration of its gates and railings, which however had shapes representing figures of palm trees, animals or other reasons, some imported from Mexico. They were all the rage. The business continued to grow, already had orders from out of state, had a few dozen employees, the two Brazilians, traveling companions, were charged in the new workshop. 

And she said:

– This is also yours, blessed the hour when we met!.

Jorge died before the fifty years of life, had a disease which at that time had no cure. The Gloria was widowed, was dedicated to the children who however took over the business. Married, her son gave her two grandchildren and daughter gave him one. As a child, he had no chance to play, now cares for and plays with his grandchildren at his home on the beach, close to where we live. The children, knowing the mother who have trust her children for a long time and the Gloria, the “Lola”, which some called “Ruça”, walk happy by the beach with the youngest in her arms, the other by the hand one on the other and, when passing a dog, or something strange, come to escape, to hide and to touch up the grandmother’s legs, as did his brothers when he lived in the village in Portugal. 

Long live for many years!. 

Tony Borie, October 2017.

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